As bicicletas ultimamente estão no centro das atenções aqui na cidade de São Paulo. Ciclovias, ciclofaixas e eventos relacionados a ela estão trazendo a tona o debate em torno da mobilidade urbana e criando discussões acaloradas tanto a favor como contra este tipo de transporte.

Recorte de revista de 1896 (clique para ampliar)

Recorte de revista de 1896 (clique para ampliar)

A questão é que muitos alegam que a cidade não foi feita para as bicicletas ou que bicicleta não é transporte público e deve ser utilizada apenas para o lazer. Para mostrar no contexto histórico que esta é uma cidade que sempre esteve aberta as bicicletas, fomos pesquisar em reportagens do século 19 e início do século 20 para, quem sabe, desmistificar esta longa discussão.

QUEM VEIO PRIMEIRO ? O OVO OU A GALINHA ?

A eterna discussão sobre se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro também pode se aplicar a carros e bicicletas. Mas neste caso teremos um empate, ao menos técnico. É que tanto um como o outro chegaram a São Paulo na mesma época, na última década do século 19.

Anúncio de bicicletas à venda em jornal de 1898

Anúncio de bicicletas à venda em jornal de 1898

Enquanto os veículos desembarcaram pela primeira vez no Porto de Santos em 1893, trazendo um Peugeot Type 3 para a família de Santos Dumont, há relatos de que as bicicletas chegaram na capital paulista no ano seguinte, em 1894.

Enquanto o automóvel custava uma fortuna e era algo impossível de ser comprado pela grande maioria da população, as bicicletas eram bem mais acessíveis e muito mais fáceis de usar.

Isso fez com que logo a bicicleta se popularizasse por aqui, tal qual acontecia na Europa e Estados Unidos. A figura da aristocrática e benfeitora paulistana Veridiana da Silva Prado foi fundamental para esta popularização. Fora em suas terras, na Consolação, que foi criado o Velódromo Paulistano. O local é onde hoje encontra-se a Praça Roosevelt.

O velódromo da Consolação em fotografia de 1915

O velódromo da Consolação em fotografia de 1915

O local fora construído não apenas para a prática do velocípede (como costumavam dizer a época), mas também para outras modalidades esportivas como corridas, atletismo e até futebol. Porém era o ciclismo que atraia inicialmente grandes multidões em seus torneios e competições. O recorte abaixo, de 17 de setembro de 1895, faz menção a um desses eventos.

Correio Paulistano

A popularização das bicicletas em São Paulo não só agradou a boa parte da população, especialmente os de baixa renda que não podiam ter um automóvel, como movimentou e aqueceu o mercado, com várias lojas colocando-as à venda e o surgimento de ao menos uma publicação dedicada.

"A Bicycleta" semanário editado na capital paulista a partir de 1896

“A Bicycleta” semanário editado na capital paulista a partir de 1896

Possivelmente a primeira revista brasileira dedicada exclusivamente para bicicletas e adeptos do ciclismo, a revista “Bicycleta” era uma semanário que surgiu em 1896. São raros os exemplares sobreviventes e devido a isso não se sabe quantas edições foram produzidas ao todo, sendo que ao menos 16 são conhecidas.

Inspirada na publicação francesa “Bicyclette”, a edição da revista ficava a cargo de Otto Huffenbächer, natural de campinas e que além de empresário (tinha uma tipografia), era exímio ciclista.

Huffenbächer é talvez o maior exemplo do esquecimento que o Brasil tem de seus personagens. A ele podemos atribuir não somente o pioneirismo na edição de revistas deste segmento, como também o fato de ser o primeiro grande atleta paulista – e talvez nacional –  dedicado ao ciclismo. Não há sequer uma rua ou praça que faz uma lembrança a ele.

Otto Huffenbäecher

Uma vez popularizada em São Paulo, a bicicleta foi incorporada ao cenário cotidiano de São Paulo, e era encontrada por todos os cantos da cidade, por pessoas de todas as faixas de renda e etárias, e era desde aquele momento uma alternativa de transporte, sendo mais ágil até que os lendários bondes movidos a tração animal da Viação Paulista.

Apesar desta popularidade não havia por aqui naquele momento fábricas de bicicletas. Todas elas eram importadas de países como Inglaterra, França e Estados Unidos, com mostram os anúncios a seguir.

1898-monarch

emporiouniversal

Como qualquer tipo de transporte, a bicicleta também teve seus acidentes. Nas primeiras décadas do século 20, não eram raros os casos de atropelamento de ciclistas por parte de bondes e automóveis, similares aos que vemos hoje com ônibus e carros modernos.

A imperícia no pedal também causava acidentes, muitas vezes graves, aos ciclistas:

Nota de jornal em 1930

Nota de jornal em 1930

E por outro lado, bicicletas também causavam acidentes a pedestres. A nota abaixo, de 1910, mostra um caso muito similar a um ocorrido em agosto de 2015, mostrando que este tipo de ocorrência não surgiu nos tempos atuais.

Atropelaram a Dona Santa... (1910)

Atropelaram a Dona Santa… (1910)

É por isso, que desde ao menos 1904 as bicicletas passaram a ter uma chapa de identificação tal qual a de veículos, como pode ser observado no recorte de jornal acima. Isso trazia muita facilidade na punição no caso de acidentes e na prevenção de furtos.

As placas permaneceram como praxe em São Paulo até, pelo menos, o final da década de 50. Depois, foram deixadas de lado pelo poder público, que com isso encerrou a fiscalização deste meio de transporte.

AS BICICLETAS NA IMPRENSA:

Como toda novidade que surge, a bicicleta era também tomada por certo ceticismo por parte da imprensa. Em 1904 a bicicleta era retratada em artigo do Correio Paulistano como um modismo passageiro. E era comparado com outro esporte que segundo o mesmo artigo também era outra febre temporária: o futebol.

1904

Por outro lado, os mesmos jornais que tratavam as bicicletas como algo que “logo será esquecido”, davam dicas de como o ciclistas deveriam fazer uso de suas bicicletas. Os recortes abaixo, ambos de 1898, mostram resumidamente o porque de pedalar e quais recomendações os ciclistas devem seguir.

01

dicas

O QUE O PASSADO TEM A NOS ENSINAR:

A história existe para ser conhecida por todos. Se ela está para nós para que não venhamos a repetir os erros do passado, também é adequada para aplicarmos no presente os acertos de outrora.

É um retrocesso imenso quando a discussão de bicicletas ocupando suas faixas são vistas como inimigas da mobilidade. Parece que estamos em 2015 mais atrasados do que aqueles que em pleno século 19 partilhavam as vias públicas com todos os modais. E naquela época ainda existiam cavalos e burros fazendo transportes pelas ruas da cidade.

Bicicleta à venda pelo equivalente hoje a R$1000,00

Bicicleta à venda pelo equivalente hoje a R$1000,00

O passado também mostra que precisamos, tal qual naquela época, de mais espaços para as bicicletas, juntamente com automóveis e coletivos, transportando junto a todos os paulistanos. Cada um com o meio que melhor lhe convém.

E por fim a história dá uma solução a um problema atual: ciclistas que não respeitam pedestres e que eventualmente causam acidentes no trânsito, podem ser fiscalizados e punidos se houver uma licença, tal qual as placas antigas.

Parece que realmente a solução do presente está no passado.

EXTRAS:

1 – Como complemento a matéria, abaixo um anúncio de 1898 do Velódromo Paulista, mostrando todas as atividades que costumeiramente eram realizadas no local. Havia venda, aulas de bicicleta (para quem adquirisse uma ali), além de competições e também consertos e reparos:

1898-12499

2 – Para quem nunca viu ou ouviu falar, esta é uma antiga placa de identificação de bicicleta, usada em São Paulo:

Foto: Reprodução

E você, anda de bicicleta em São Paulo ? Deixe suas impressões e comentários.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • silvia miloco 11/09/2015 at 12:53

    Sensacional seu levantamento, e muito pertinentes seus comentários, eu me locomovo de bicicleta há 4 anos e passo por estes questionamentos maléficos dos motoristas. Bom saber que os paulistanos já pedalaram muito por aqui, portanto o argumento fraco da topografia da cidade caiu por terra.

    Reply
    • Douglas Nascimento 11/09/2015 at 13:34

      Eu sou antigomobilista e apaixonado por carros. Mas não creio que a cidade seja só para os carros… é grande o suficiente para ter espaço a todos.
      E pedalo também, quase todos os domingos…

      Reply
      • Pedro Lucas 12/09/2015 at 13:16

        Douglas, admiro muito seu trabalho e acho muito legal você trazer matérias como esta para nós. Matérias que antes de levantar bandeiras, tentam mostrar a história simplesmente, e acabam inconscientemente, unindo públicos de movimentos “opostos”.

        Eu também gosto pra caramba de dirigir, e se as condições forem favoráveis, rápido. CHTriste do Escortinho já gritou bastante sob meu pé, o que não me torna necessariamente um “Monstro rodoviarista, odiador da cidade, atropelador de ciclistas e velinhas”.

        Não raramente, quando me convém, eu pego emprestado as bicicletas do Bike Sampa e além de apreciar a pedalada, ainda consigo cobrir mais rápido certas distancias que são curtas demais para pegar um ônibus porém longas demais para ir andando.

        Isso até mesmo em dias que estou de carro, já que achar vaga em São Paulo tem sido cada vez mas difícil. Se estiver de ônibus ou metrô é melhor ainda pois não tem que voltar até onde deixou o carro. Isso é intermodalidade em sua mais pura forma e essência, e não vejo abordarem muito isso por ai.

        Pelo contrario, vejo varias pessoas verem isso quase como uma guerra, e me deixa chateado eu entrar em blog de nicho automotivo e ler repetidamente coisas no sentido de “São Paulo não é Amsterdã” pra logo em seguida ir a blog de transporte sustentável e ler corriqueiramente uma demonização do automóvel, retratando ele como o maior vilão da sociedade moderna.

        Mesmo existindo politicas rodoviaristas que vem a se tornar maléficas a médio e longo prazo, aqueles que usufruem dessa estrutura já existente, são antes de tudo, pessoas, com sonhos, vontades e desejos, e não simplesmente seres irracionais que ao girar da chave se transformam em monstros atropeladores de ciclistas, propulsionados pelas suas maquinas mortíferas movidas a explosão.

        Ao mesmo tempo, aqueles que pedalam por São Paulo, não necessariamente carregam consigo alguma ideologia especifica, e além disso: estão na forma mais vulnerável de transporte, sem potencia para driblar o transito, e contando apenas com o bom senso dos demais motoristas para chegar inteiro em seu destino.

        E por isso que creio que deve existir além de um trabalho de humanização do transito, um trabalho de documentação de nossa história para que como dito na matéria, os erros do passado não sejam repetidos no presente. Isso é fundamental para que as pessoas possam se conectar mais a urbe ao seu redor e assim compreendê-la. E isso é o que você tem feito.

        Vou deixar aqui uma “arte” (Propositalmente muito mal feita como se vê pela referencia do “sanic”) que fiz para uma camiseta que gosto de usar ao pedalar:

        Frente: http://i.imgur.com/ouEUsqI.png
        Verso: http://i.imgur.com/KHo1htz.jpg

        Apesar do tom zoeiro e inconsequente, de certa forma ela transmite o que penso em torno do assunto aqui tratado.

        Peço desculpas pelo tamanho do comentário mas senti a necessidade de fazer esse desabafo/elogio.

        Reply
      • Sebastião 15/09/2015 at 09:24

        Caro Douglas, já que é antigomobilista gostaria de lhe fazer uma pergunta: essa “alcoolina” vendida nos postos de combustível hoje em dia não detona o motor desses carros mais antigos?
        Abraço!

        Reply
        • Douglas Nascimento 15/09/2015 at 11:29

          Oi Sebastião, em alguns modelos dá mais trabalho do que outros.
          No caso do meu Ford 1929, por exemplo, preciso trocar a bóia do carburador ao menos 1x por ano, enquanto o normal seria a cada 5.
          Fora isso tento evitar usar a gasolina aditivada, que não é recomendada para antigos e se possível opto pela Podium, da Petrobrás que é, de longe, a melhor gasolina do Brasil. Porém encarece os passeios… abraços

          Reply
  • jluiz 11/09/2015 at 14:25

    em 1965/6andávamos livremente de bicicleta em S.Paulo, eu mesmo cruzava a cidade , ia da Pompeia até o Jaguare normalmente

    Reply
  • George Luiz 11/09/2015 at 15:14

    Na City Lapa, existiu uma pista de corrida para bicicletas onde hoje é um centro do senai, sesc, não estou certo, o nome do centro é Edson Arantes do Nascimento, Pelé. George Luiz.

    Reply
  • SavianoMarcio 11/09/2015 at 15:42

    Sou muito suspeito para falar que adorei a reportagem, jamais desconfiava dessa história toda! Estão de para béns! Sobre a data de “estreia” das bikes em SP, tem uma foto de 1862 da R. Florêncio de Abreu com algo que parece uma bicicleta, http://www.hagopgaragem.com/saopaulo/sp_comparativo/sp_compa_102.jpg, o que acham?

    Sobre emplacamento acho que só burocratiza algo que atrai justamante por ser simples, você tem ou compra um simplezinha sobe nela e pedala, simples assim, sem Ipva, combustível, dpvat, sufoco, em partes, para estacionar, etc. Se não houver impedimentos jurídicos para punir infratores somente comos documentos pessoais já resolveria.

    Já a irresponsabilidade de “ciciclistas” e “bicicleteiros” concordo, sou ciclista e isso me irrita também e defendo campanhas massivas de educação no transito, alem da fiscalização e punições. Com o tempo mentalidade de “rua não é parque” aumenta e a barbeiragem diminui.

    Reply
    • Silvia Calçada 14/09/2015 at 19:38

      Também já pensei como você, Saviano Marcio, mas uma via expressa espantando velhos na Praça da Sé e a buzinada que levei na orelha, sábado pela manhã, levaram-me a pensar diferente. De modos que, minha equipe eu, já estamos colhendo assinaturas pelo emplacamento. Depois disso colocarei meu salto alto e farei um barraco em cada um dos gabinetes desses vereadores inoperantes. No mais, rua não é parque não! Parques são as áreas decretadas na gestão anterior, cujo decreto esse que está aí revogou. Regras de trânsito, guias rebaixadas, calçadas niveladas e asfalto sem buraco, além de bicicletas barata são muito mais necessárias do que tinta no asfalto.
      Tinta no asfalto não é demanda de ciclista é demanda de petista.
      Sou ciclista com muito orgulho. Jamais admitirei ser responsabilizada pelo estreitamento das vias e por essa deplorável poluição visual. Sem falar nos gastos, gastos deixemos para os economistas e para o Ministério Público. Jamais matarei um pedestre (aliás… perceberam que nunca tivemos uma notícia de moto matando pedestre ou mandando pedestre sair da frente? Será pq motociclista é tudo anjinho? Não! é porque dá cadeia e multa.)

      Reply
      • SavianoMarcio 29/09/2015 at 12:02

        Você está colocando suas preferencias políticas acima da razão e do bom senso, por que só agora se mobilizar para pedir regras, guias rebaixadas, calçadas e asfalto niveladas e sem buraco? Buracos no asfalto sempre existiram e ciclistas sempre lidaram com eles, o que eles querem é segurança de uma separação clara para os motorizados.

        Um informação, tinta vermelha é exigência do CBT, pior que já teve deputado insinuando que era propaganda petista.

        Quanto aos gastos com as ciclovias, estão dentro do esperado de 200mil p/km, não caia nessa falácia, veja aqui: http://vadebike.org/2015/02/custo-ciclovias-650-mil-veja-sao-paulo/

        Vamos lutar pelo o que é justo correto, com informação concretas e claras nas mãos, deixando de lado nossas preferências pessoais.

        Abraços!

        Reply
        • Silvia Calçada 01/10/2015 at 20:39

          Saviano Marcio, esse desgosto chamado Haddad não é eterno. Ainda bem! O dinheiro público merece respeito e a nossa inteligência idem!

          Reply
  • Carla Silva 11/09/2015 at 16:05

    Parabéns Douglas! Que matéria sensacional!

    Reply
  • Marcelo Montoza 11/09/2015 at 17:50

    Muito bacana a matéria. E extremamente pertinente nestes tempos bicudos que vivemos.

    Reply
  • Silvia Calçada 11/09/2015 at 18:17

    Sou ciclista há cinquenta e dois anos. pedalo sem rodinhas de segurança desde os quatro. Estou segura de que Fernando Haddad e seus asseclas não inventaram a bicicleta, nem o ciclismo, razão pela qual não admito que esse tipo de gente utilize meu corpo e minha alma como suporte para sua campanha promocional calcada em ideologia barata e suja. É evidente que não existe disputa entre carros e bicicletas, isso é uma falácia criada pelo PT a fim dar corpo à sua intenção de marcar território e impingir presença na marra, pois o intuito desta prefeitura é “ocupar” a cidade, transmitir a ideia de que alguns estão se sobrepondo a outros, o que não passa de uma ridícula pataquada política, pois todos os paulistanos sabemos que São Paulo é uma das cidades mais democráticas e acolhedoras do mundo.
    Com referência à topografia da cidade, esse é apenas um dos muitos argumentos que demonstram a prepotência de uma prefeitura de vagabundos autoritários. Assim como a topografia da cidade não é motivo para não se usar bicicleta, não há nada que justifique um Fernando Haddad e sua turma pintando de vermelho a fachada de casas antigas (casa antigas são alvos do PT para encher as burras construindo prédios) em ruas onde as faixas são, praticamente, verticais, vistas ao longe enfeiando o morro. É evidente que o ciclista sempre encontra os caminhos mais viáveis por conta própria. O fato de um governo cheio de segundas intenções delimitar um caminho, seja para ciclistas ou para pedestres como vem fazendo, não significa que a escolha da prefeitura seja correta, a começar pelo fato de que os critérios para designação das tais faixas sejam elas azuis, vermelhas, verdes etc, nada tem de técnico e tudo tem de panfletário.
    Sempre morei próximo à Av. Conselheiro Carrão e ao longo dos anos sessenta cansei de ver inúmeros operários que se locomoviam pela manhã com sua marmita e equipamentos no bagageiro. Em casa, o tintureiro trazia os ternos do meu pai e dos meus tios numa simples bicicleta cujo bagageiro era adaptado para transportar um bom número de cabides, comprávamos pão e leite de um entregador que também usava bicicleta, assim como o amolador de tesouras tinha um suporte na parte da frente de sua bicicleta onde realizava seus trabalhos e transportava sua oficina ambulante. A extinção de muitas fábricas fez desaparecer também a atividade de muitos trabalhadores ciclistas, o aumento do número de carros não determinou a extinção desse meio de transporte, embora o tenha desestimulado. Criar trincheiras entre formas de mobilidade, além de enganar medrosos que mal sabem se equilibrar sobre duas rodas, transformando bairros em redes vermelhinhas de fitness, não é produtivo para a cidade embora ajude a baixa política a adquirir votos.

    Reply
    • Mitsuo Shida 13/09/2015 at 04:07

      Esse povinho “fora PT” não consegue criticar sem ter argumento. Quanta falação e mimimi sem nenhum argumento técnico ou racional.n

      Reply
  • Mauro 11/09/2015 at 19:11

    Muito bom essa matéria, não podemos esquecer do saudoso Sante Bérgamo, junto com seu irmão Luiz Bérgamo ganharam muitos títulos no ciclismo Brasileiro em meados de 1920/35, onde após o falecimento de Luiz Bérgamo em um acidente durante um treino preparatorio para representar o Brasil no pan da época, decidiu se afastar das competições e passou a se dedicar a sua tradicional bicicletaria (casa Bérgamo de bicicletas),na rua Domingos de Morais,exatamente onde hoje é o Mac Donalds na estação Ana Rosa do metrô.

    Reply
    • SavianoMarcio 13/09/2015 at 23:18

      Lembro dessa bicicletária, tinha uma bike gigante coim com uns 5 ou mais assentos!

      Reply
  • Luiz 12/09/2015 at 16:32

    Ótimo o comentário de Sílvia Calçada. Na matéria comentada, relembre-se que Dona Veridiana da Silva Prado já vislumbrava que o melhor local para os esportistas era um velódromo. No Parque do Ibirapuera, há faixa exclusiva para os ciclistas. Pedalei pelas ruas de Santa Cecília e Higienópolis por uns bons anos, amadoristicamente, em horários de menor trânsito de veículos. Hoje tenho uma sugestão ao prefeito: para não se perder o custo das faixas pintadas de vermelho, por que não as utilizarem os motociclistas (somente onde for tecnicamente possível, claro), pois o número de acidentes desses usuários é bem maior que o de ciclistas, e acredito que quase 100% daqueles usem as motos profissionalmente. São Paulo é megalópole em que as vias públicas são utilizadas, desde há muitos anos, por profissionais de todas as atividades, basicamente com o uso de veículos automotores. A precariedade ou inexistência da rede de ônibus e de metrô levou a isso. Otimizar o uso de ônibus em faixa exclusiva, para que a parcela da população que eventualmente possa deixar os veículos em casa, é o caminho para menor obstrução do sistema viário urbano.

    Reply
    • SavianoMarcio 13/09/2015 at 23:27

      A moto faixa da Vergueiro foi convertida em ciclofaixa justamente por que ela aumentou o numero de acidentes de moto, não surtiu efeito na redução dos acidentes.

      Reply
    • Silvia Calçada 16/09/2015 at 18:25

      Luiz, venho colecionando desde que começaram surgir, fotos que mostram a iniqüidade de tais pinturas no asfalto, a começar pelo aspecto horrendo e terminando pela intenção do prefeito que é nefasta. Quando ele começou com a apologia a rede de fitness em torno de seus mega-empreendimentos imobiliários, pois é isso que elas são, a primeira providência da CET foi eliminar as faixas exclusivas para motos. Isso aborreceu e transtornou muitos empresários, já que o transporte de pequenos volumes é feito por moto. Sugerir a esse prefeito que aceite uma sugestão de munícipe, desculpe… é pra rir! o sujeito é narcisista e só consegue lidar com os próprios sofismas. Parte da população rejeita também os corredores de ônibus, senhor Haddad gosta de dizer isso para se promover, porém não foram poucos os corredores anulados logo após sua criação, cedendo a exigência dos comerciantes locais. Isso aconteceu nas Avenidas Conselheiro Carrão e Guilherme Cotching. Eu as utilizo diariamente. Na Guilherme Cotching foram instaladas duas ciclotintas perigosíssimas em volta do canteiro. Quando sabemos que o melhor caminho seria do lado da calçada deixando o canteiro para ultrapassagens, já que elas continuam acontecendo, por contingências e quem as faz, nem sempre pode evitar a invasão à tinta, não adianta colocar tubos tartarugas, pintar etc, estreitar o trânsito onde circulam ônibus é inacreditável.
      O SBT fez uma reportagem mostrando cidades europeias e o uso da bicicleta. Ficou claro que não há necessidade dessa demarcação territorial. Em países onde os ciclistas são submetidos às mesmas leis que os motoristas, todos cumprem a lei.
      Em São Paulo, a criação de corredores insuflou poder à mentalidade de alguns motoristas, especialmente, os de micro ônibus. Eles aterrorizavam qualquer um que entrasse no corredor. A liberdade dos motoristas também se tornou perigosa para os pedestres. Ainda hoje, basta pegar um ônibus na marginal Tietê, ou na Av. São Miguel para verificar que esse negócio de cinquenta por hora não é para ônibus. Mas caso um dia tenhamos uma “pátria educadora” e recebamos uma boa educação, utopias como compartilharem ônibus e bikes, conforme vimos na reportagem, serão perfeitamente possíveis.

      Reply
  • Koiti Yoshimura 12/09/2015 at 20:37

    Comecei a pedalar aos 11 anos numa cidade pequena do interior paulista, Parapuã, no início dos anos 50: Parei de pedalar durante o período de nascimento das minhas 4 filhas e no auge da carreira profissional, voltando a pedalar há 15 anos: Por volta de 4 anos passados, até quando pedalava sozinho pelas ruas, recebi convite de um grupo chamado PAC , Pedal dos Amigos do Ciclorio, e de lá até hoje pedalo com esse grupo ao menos duas vezes por semana; De vez em quando faço trilha e no decorrer da semana evito ao máximo sair de carro, preferindo sempre a bicicleta; Tenho 76 anos, prótese na bacia, metais na coluna lombar e uma cirurgia devido a melanoma na planta do pé, e claro, exige cuidado extra, mas a vontade e o gosto é muito maior do que a limitação.Fico fora das discussões políticas a respeito de Ciclovias e Ciclofaixas e quero mais e aproveitar de tudo de bom e úteis , sem ignora-las. Gostei muito da reportagem, me trazendo lembranças da minha infância com a Monarch, Phillips e Huskwarna , que tive. PARABÉNS Douglas.

    Reply
    • Sebastião 02/10/2015 at 11:26

      Não sabia que a Philips e a Husqvarna já fabricaram bicicletas um dia.
      Gosto muito de bicicletas antigas, eram mais pesadas que as de hoje, mas a qualidade era fora série.

      Reply
  • Helena 13/09/2015 at 08:18

    Delícia de texto, parabéns!!

    Reply
  • ernani 13/09/2015 at 10:00

    Se antigamente, décadas de 30 já aconteciam acidentes e atropelamentos com bicicletas. Imaginem hoje com o trânsito infernal na cidade de São Paulo.
    A cidade cresceu demais e os governantes irresponsáveis não dão atenção pare esse problema sério.
    A cidade é acidentada demais. As ladeiras são muitas e com trânsito intenso de veículos!
    Os metrôs são muito demorados para serem construídos. O que seria legal seria um transporte em trilhos e metrô de superfície como o da zona leste entre a Sé e Itaquera.
    Metrô e elevados não dão certo. Serve somente para abrigar mendigos, moradores de rua e maus elementos em baixo deles.

    Reply
    • Fudeba 14/09/2015 at 05:55

      Para quem acha que a topografia de São Paulo não ajuda, então DEVERIA conhecer minha cidade São João da Boa Vista – SP e também Poços de Caldas – MG. Aqui a topografia é muuuuuuito pior que São Paulo e nem por isso as pessoas deixam de utilizar bicicleta como meio de transporte. Eu uso, desde meus 14 anos. Hoje, tenho 40 e continuo pedalando, mesmo tendo veiculo.

      Reply
  • Cida Schoenacker 13/09/2015 at 17:14

    Excelente texto, muito da história de São Paulo e do próprio comercio do centro.. Me intriga que a historia da bicicleta consiga ser usada para atacar o “Hadad e seus asseclas” Não adianta enxergar chifre em cabeça de cavalo como protesto chulo, vamos justificar pelo menos. Silvia, se voce usa a bicicleta há 52 anos, justifique pelo menos seu pioneirismo, não se preocupe o Hadad não vai usá-la. como veiculo de propaganda, ele tem mais o que fazer.

    Reply
    • Silvia Calçada 16/09/2015 at 17:48

      Senhora Schoenacker, não me recordo de lhe ter concedido honras de parentesco, razão pela qual seu moralismo e proselitismo foram dirigidos a pessoa errada. O que vi, em seu comentário prosaico, não foi defesa a uma prefeitura que lhe apraz, mas um ataque depreciando minha opinião, e isso é trabalho de “mav”. A resposta que escrevi ainda não foi publicada, talvez tenha havido moderação pois reclamei de sua admoestação indevida e espero que me seja dado o direito de resposta. Se não foi conveniente a resposta anterior espero que esta esteja a contento, mas volto a dizer, a senhora não pense que publica lição de moral à minha pessoa e fica por isso mesmo.
      Percebi e, permita-me esclarecê-la, que se o Douglas não se importasse de ter seu blog transformado num octódromo, não faria questão de moderar os comentários. Tenho por regra pessoal, jamais publicar nada em blogues onde haja moderação. Este blog, por ser um veículo de utilidade pública, da mais óbvia competência, merece todo meu apreço, inclusive no que tange a acatar as preferências do jornalista que o criou.
      Todavia, Senhora Schoenacker, provérbios como “chifre em cabeça de cavalo” demonstram, no mínimo, a mesma pobreza vocabular que a senhora procurou ressaltar em minha frase “Haddad e seus asseclas”, a diferença é minha frase feita é repleta de conteúdo, basta morar em São Paulo para confirmar o que digo. Com referência a “protesto chulo” (“chulo” é uma palavrinha que os “mavs” aprenderam e estão usando com frequência em seus ataques virtuais), a educação que recebi não me permite utilizar palavras chulas no blog dos outros.A senhora faça o favor de entrar num blog meu para se atualizar quanto ao conceito da palavra “chulo”, pois deve tê-lo esquecido, e posso lhe garantir, sei muito bem usar palavras chulas e o faço sempre que necessário. Bocage orgulhar-se ia de mim. E quanto ao “chifre em cabeça de cavalo” a resposta mais adequada é a também tradicional: “em boca fechada não entra mosquito”.

      Reply
      • Douglas Nascimento 16/09/2015 at 20:00

        Silvia, a aprovação de comentários ocorre duas vezes por dia: 09:00 e 20:00
        Acredito que todos os seus estão ai. Só removemos comentários com palavrões, ofensivos ou que mencionem compra/venda de imóvel
        Abraços

        Reply
        • Silvia Calçada 16/09/2015 at 20:59

          Foi o que imaginei, querido. Obrigada! Talvez eu não tenha enviado o comentário que mencionei.

          Reply
  • Alexandre do Carmo Cheque 14/09/2015 at 08:47

    Matéria digna de aplausos Douglas Nascimento!!!

    Uma ótima pesquisa, mostrando que “a bicicleta” não é a moda do momento, ela sempre foi e sempre será um veículo para locomoção pela cidade como um modal, veículo para cicloturismo e também à prática esportiva.
    Também sou motorista, pois em diversas situações, dou preferência ao uso da bicicleta para minha locomoção e também ir ao trabalho.
    A cidade é para todos!
    Parabéns!

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  • danielpardo2015 15/09/2015 at 22:47

    Pois é… se desde essa época tivessem continuado a investir na bicicleta construindo ciclovias JUNTO com as vias expressas da cidade, eu nem falaria nada sobre as ciclovias, só que agora que abandonaram a ideia de fazer ciclovias e dedicaram todas a vias da cidade para carros eles querem enfiar ciclovias onde não cabe???, ai não dá, né???

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    • Silvia Calçada 16/09/2015 at 17:11

      Faço minhas as suas palavras. A manobra do PT é tão plausível quanto criar gatos e resolver que deverão botar ovos.

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      • danielpardo2015 17/09/2015 at 22:19

        O pior é que agora o “nosso excelentíssimo prefeito Suvinil” quer fazer agora faixa verde para pedestres (calçada serve pra que mesmo???)

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  • Denise 16/09/2015 at 23:39

    Adorei o artigo! Só achei que deveria mencionar a Caloi, que também começou como uma importadora e depois foia primeira fábrica brasileira de bicicletas e ainda fabricava suas próprias peças.

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    • Silvia Calçada 17/09/2015 at 17:40

      Então peço licença para mencionar minha primeira Caloi, uma berlineta verde, que tinha até farolzinho. Depois tive mais duas, uma dourada Sprint, muito boa, que foi roubada e a outra Dez, esqueci o nome, não nos demos bem. Era linda, branca com detalhes azul marinho, mas muito torta e não me arrependo de tê-la vendido.
      Já a berlineta verde com farol, bagageiro. olho de gato no para-lama traseiro e buzininha que a gente mesmo colocava, faz parte das minhas melhores lembranças. O farol usava uma Rayovack das gordonas. Apagava girando a lâmpada. Tinha também um estojo de ferramentas que podia ser anexado ao bagageiro, se desejasse, mas o meu o meu logo foi dispensado.
      Com minha berlineta vasculhei todos os subdistritos que ladeavam a Chácara Santo Antonio, no Tatuapé. Não raro, carregava amigos no bagageiro, não precisava de almofada, a descida costumava ser de pé.
      Durante um bom tempo, subir até a Emilia Marengo e descer a Francisco Marengo ou a Antonio de Barros voando com Ivonete Santos ,de pé no bagageiro, foi um ritual. Religiosamente parávamos no mesmo bar e tomávamos Cerejinha. Eram coisas que se fazia sábado pela manhã, pois não havia aula e ninguém perguntava onde íamos com a bicicleta, apesar dos onze, doze anos com que contávamos.
      Também costumávos eleger um ponto, normalmente uma igreja longínqua, dessas que não querem mais que a gente veja, e subíamos para avistar nossas casas, meu amigo Reginaldo com sua Monarck e eu de berlineta. De fato, só dava pra ver ver bem, o Colégio Maria Ward e a igreja São João Batista. A igreja São Pedro, na Vila Matilde, nossa predileta, ainda pode ser vista de muitos pontos, o que é um alento. Já a a Santa Isabel que é tão linda, virou ‘up grade” para vender apartamentos. O plano que vem aí fará dela objeto de decoração de dois ou três condomínios, ultra emparedantes. Sim, a bicicleta velha de quem foi adolescente nos anos setenta também é motivo para expurgar “Haddad seus asseclas”. A gente não tem como fugir dessa desgraça.

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  • Anderson Ramos 17/09/2015 at 21:24

    Muito boa a matéria Douglas. Parabéns! Além de ótimo conteúdo histórico e cultural serve para desconstruir argumentos contra o uso de bicicletas como alternativa de mobilidade urbana. Uma cidade que desde os anos 50 é dominada pela lógica do desenvolvimento rodoviário e da indústria automobilística resiste em oferecer espaços e respeitar outros modais. As bicicletas também merecem seu espaço. Agora gostaria de saber se o PT governa Copenhague, Amsterdã, Londres ou Paris? Por favor, não confundam política de mobilidade com propaganda partidária. Sugiro que assistam o recém lançado documentário Bikes Vs Carros para uma reflexão sobre a importância das ciclovias em qualquer lugar do mundo, seja quem for os governantes.

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  • Reginaldo Assis de Paiva 02/02/2016 at 14:09

    Douglas,
    Fiz alguns comentários sobre este seu trabalho, citando a participação de Adoniram Barbosa na cultura da bicicleta – com a Ordem da Bicicletinha – e de dados a que tenho acesso sobre o uso de bicicletas pelos usuários de trem, desde os tempos da Fepasa. Mas a página dos dados abaixo desapareceram sob o meu texto. Lembro que, no final de maio, a UCB (União dos Ciclistas do Brasil, da qual já fui diretor) realizará em São Paulo o Bicicultura. Seu trabalho bem caberia no evento. V. tem algum email em que possamos nos comunicar?

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  • DOUGLAS HENRIQUE SANTOS DA SILVA 09/06/2017 at 00:39

    Excelente matéria! Fiquei fascinado com a história das bicicletas aqui em São Paulo. Me encantei. Parabéns!

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