Muitas casas paulistanas desaparecem pela sede de terrenos da especulação imobiliária. Entretanto há outras que embora pareçam terem sido demolidas, seguem de pé mas escondidas de nossa vista.

É o caso desta casa do anúncio abaixo que curiosamente ainda existe, na Avenida Professor Alfonso Bovero:

Este anúncio veiculado em um jornal paulistano no ano de 1943 oferece um palacete de fino trato para interessados em morar na região do Sumaré. De acordo com a descrição trata-se de um imóvel construído em terreno de 15 por 40 metros com uma série de luxos, como gás encanado, aquecimento interno, aquário e um mirante. O preço ? A bagatela de 230.000 cruzeiros.

Quando me deparei com este anúncio, enviado pelo amigo Ralph Giesbrecht do excelente site Estações Ferroviárias, fiquei pensando qual e quando teria sido o fim deste belo sobrado. Mas eis que em uma análise do mapa fotográfico da região (Google Maps) foi possível constatar que o casarão ainda está por lá, vejam:

Fonte das imagens aéreas: Google Street View

O casarão foi cercado por uma estrutura e deu abrigo a uma unidade do Colégio Global (a outra unidade fica um pouco adiante na mesma avenida) e área de fundo foi grande o suficiente para abrigar um ginásio esportivo. Observando bem as duas imagens acima (a da direita é 3D) é possível observar que a estrutura está lá, preservada ao menos no andar superior. Que achado!

Da rua a visão não é das mais bonitas e nem dá pistas do casarão que está lá atrás, escondido:

Fonte: Google Street View

E se observarmos novamente o anúncio de 1943 e as fotografias áreas atuais temos também uma boa visão de como a região se transformou desde então. Uma São Paulo que não para nunca de crescer e se transformar.

Será que um dia esse casarão voltará a ser visto a partir do nível da rua ? Ou é sonhar demais ? Deixe um comentário.

Falando em casarão escondido, veja este localizado na Rua Capitão Macedo.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comments

  • J.C.Cardoso 20/08/2019 at 16:30

    Aqui no Rio fizeram isso uma vez com o cinema Palácio, na Cinelândia (que atualmente é Teatro Riachuelo). Ficou uns 30 anos escondido por um letreiro de alumínio. Na penúltima reforma (quando tentou ser cinema de novo, antes de ser teatro), tiveram a lúcida ideia de arrancar aquela “máscara”.

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  • José Roberto 20/08/2019 at 16:37

    Infelizmente. Na atual conjuntura ele estar em pé já é muita coisa

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  • PAULO CESAR DOMENICI 20/08/2019 at 16:37

    Impressionante! Parabéns! Quando você não vai até os imóveis da São Paulo antiga, mesmo estando ocultos eles dão um jeito de irem até você ! 🙂

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  • Luiz Henrique 20/08/2019 at 17:15

    Parece que o palacete sofreu algumas reformas. Está certo que a imagem é de longe, mas dá para perceber algumas mudanças, especialmente na parte da frente, a parte mais baixa…
    É caso semelhante a um atual colégio nos Campos Elíseos, que antes era a Chácara do Carvalho, Atualmente, só quem conhece pode perceber que o magnífico palácio ainda está lá, atrás do colégio, no mesmo terreno.

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  • Walter J Gonçalves 21/08/2019 at 10:36

    Juro que não estou entendendo como a casa teve uma construção embaixo dela. (Sou eu não enxergando direito?)

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  • Alexandre Fontana 21/08/2019 at 12:03

    Seria bom ele voltar a ser visto da rua mas acho difícil.

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  • Giselli. 21/08/2019 at 14:27

    puxa e uma pena nao preservarem a historia a beleza da arquitetura, hje em dia passam por cima de tdo fico triste

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  • simone valerio 21/08/2019 at 17:13

    Excelente matéria, Douglas. Dos males o menor mas seria bom mesmo, rever o sobrado.

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  • Flávio Albim 21/08/2019 at 17:49

    Sensação interessante… Entrei algumas vezes nesse casarão sem fazer a menor ideia disso…rsrsrs

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  • vanialacerda2013Vania 21/08/2019 at 19:30

    Muito interessante!

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  • Gabriella 22/08/2019 at 09:20

    A ignorância nunca para de nos impressionar. Ficaria tão mais bonito para o colégio, se o mesmo tivesse deixado a fachada exposta. Mas, não… Preferiram fechá-lo com essa estrutura feia e quadrada, mostrando “mais do mesmo”. As escolas deveriam, além de ter uma educação patrimonial, deveriam ser as primeiras a dar exemplo e valorizar patrimônios como este.

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 22/08/2019 at 18:50

    É uma pena estar escondido, porém quem sabe algum dia poderá ser visto!

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