Em 2012 publiquei um texto que até hoje é um dos mais lidos do blog, chamado ˝12 túmulos curiosos e pouco conhecidos do Cemitério da Consolação˝, lá apresentei vários personagens de nossa história que muitas vezes passam despercebidos na mais importante necrópole paulistana.

E mais uma vez apresento a vocês outro ilustre brasileiro que lá repousa, trata-se de Alexandre Levy:

Alexandre Levy

A sepultura bela e discreta é relativamente desproporcional a grande importância de que esta figura teve na música brasileira, em especial na época em que viveu, na segunda metade do século 19.

Nascido na capital paulista em 1864, Alexandre Levy tem um sobrenome bastante conhecido pelos paulistanos, sendo filho de Henrique Levy, imigrante francês que em 1860 abriu a Casa Levy¹.

A loja de seu pai permitiu a Alexandre uma proximidade muito grande com não apenas instrumentos musicais, mas a grandes personalidades da música brasileira de seu tempo, como nada mais nada menos que o compositor Carlos Gomes.

Estar perto de grandes músicos fez com que o próprio Alexandre Levy se transformasse em um prodígio da música erudita. Com nove anos de idade já se apresentava com seu pai e seu irmão, Luiz, no tradicional Salão do Largo do Colégio, como mostra o programa abaixo:

Alguns anos mais tarde, em 1880, já com dezesseis anos de idade, Alexandre Levy começa a publicar suas próprias composições. Em 1885 rege pela primeira vez e em 1887 embarca em uma viagem à Europa para estudar com Émile Durand e Vincenzo Ferroni. Regressando ao Brasil além de se dedicar a música em si, passa a exercer a crítica musical na imprensa paulista, em especial no jornal Correio Paulistano, onde escrevia sob o pseudônimo de Figarote².

Suite Brésilenne – Uma de suas grandes obras

Considerado um compositor de obra nacionalista, já que foi precursor do uso de temas do folclore brasileiro na música erudita nacional, Levy tem carreira brilhante mas infelizmente curta, falecendo em 1892, aos 27 anos, deixando grande contribuição e herança musical.

O TÚMULO DE ALEXANDRE LEVY:

Túmulo de Alexandre Levy, na Consolação

O compositor jaz em um túmulo bastante preservado no Cemitério da Consolação, seu mausoléu está sempre limpo e impecável. Sua lápide, em mármore, consiste em três partes que são observadas na foto acima.

Na porção mais superior há a presença da concha, cujo simbolismo representa a renovação e a aventura humana da vida rumo à morte, ou seja, a viagem da alma. Logo abaixo instrumentos musicais, representando sua vida artística, onde pode ser observado um violino e uma harpa.

A seguir, encontramos o retrato de Alexandre Levy esculpido em perfil, seguido pelos nomes de suas grandes obras musicais esculpidas em um pergaminho, como Suite Brésilenne, Allegro Appassionato³ e as Schumannianas.

Quando for visitar o Cemitério da Consolação, não esqueça de prestigiar Alexandre Levy, um dos mestres da música erudita brasileira.

Anexos:

1 – Fundada em 1860, a Casa Levy existe até hoje. Ela inicialmente ficava localizada na rua 15 de Novembro, então chamada de rua da Imperatriz, depois passando por outros conhecidos logradouros paulistanos como rua Barão de Itapetininga e rua da Consolação. Desde 1994 está na rua Girassol, na Vila Madalena.

2 – Atuando sob o pseudônimo de Figarote, Alexandre Levy, foi o primeiro crítico a comentar sobre o Hino da Proclamação da República, em sua coluna no jornal Correio Paulistano. Sua crítica foi publicada na edição 10046 do periódico.

3 – Mencionada em sua lápide, a obra Allegro Appassionato, de 1887, é uma de suas peças mais românticas. Você pode ouvi-la aqui:

Bibliografia consultada:

  • Correio Paulistano edição 4998 – 02/05/1873 – pp 4
  • Correio Paulistano edição 10046 – 02/03/1890 – pp 2
  • Correio Paulistano edição 10597 – 19/01/1892 – pp 1
  • Correio Paulistano edição 10599 – 21/01/1892 – pp 3
  • Correio Paulistação edição s/n – 07/09/1922 – pp 30
  • Site da internet Blog do Nando, consultado em 20/09/2017
  • Site da internet Casa Levy, consultado em 26/09/2017

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Roberto Carvalho de Magalhaes 26/09/2017 at 15:12

    Acho que, no terceiro parágrafo, você queria dizer “segunda metade do século 19” e não século 20”.

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    • Douglas Nascimento 26/09/2017 at 16:06

      E olha que revisamos duas vezes e mesmo assim passou. Obrigado pelo alerta, já corrigi.

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  • Marcelo 26/09/2017 at 15:23

    Douglas, conhece a pizzaria Prestissimo? Os proprietários são da família Levy.

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    • Douglas Nascimento 26/09/2017 at 17:52

      Já fui uma vez lá, acho que tem mais de uma loja, mas não sabia que são da família Levy. Interessante!

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  • Jorge Roberto Coelho Ferreira 26/09/2017 at 18:25

    Eu sempre soube quem era Alexandre Levy, mas confesso que nunca visitei o seu túmulo. Não deixarei de fazê-lo na minha próxima visita ao Cemitério da Consolação. É uma pena, mas parece que a cada dia vai desvanecendo da memória das gentes os grandes compositores eruditos brasileiros, mesmo aqueles que não estão assim tão longe no tempo, como Marcelo Tupinambá, Camargo Guarnieri e outros. Carlos Gomes e Villa Lobos, ao menos de longe em longe, vê-se alguma citação na midia e são executados de vez em quando. Por isso devemos aplaudir este post que nos traz a memória desse artista.

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    • Emerson de Faria 27/09/2017 at 10:53

      Há tantos outros, como Guerra Peixe, Radamés Gnatalli, José Maurício Nunes Garcia e por aí vai, mas realmente, quando se fala de música erudita brasileira, Carlos Gomes e Villa Lobos eclipsam todos os demais.

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  • clara 26/09/2017 at 18:32

    Seria Alexandre Levy membro do 27 Club? :O

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    • Daniel Pardo 28/10/2017 at 20:17

      Tirou o pensamento do meu cérebro, Clara. 😀 😀 😀 😀

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