Quem frequenta o Parque d. Pedro II e arredores, além de ruas comerciais como a 25 de março, sabe da grande influência e atividade da comunidade árabe na região, especialmente de sírios e libaneses. E é bem por ali que se encontra um monumento que faz referência a gratidão dos imigrantes destes dois países a São Paulo:

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Inaugurado em 1922, o Monumento Amizade Sírio Libanesa é uma obra do escultor Ettore Ximenez, o mesmo autor do Monumento à Independência, no Ipiranga.

Apesar de hoje estar localizado na Praça Ragueb Chohfi, bem no começo da rua 25 de Março, ele inicialmente ficava diante do Palácio das Indústrias.

O monumento em meados dos anos 60

O monumento em meados dos anos 60

O monumento foi ofertado ao Brasil por ocasião das celebrações do primeiro Centenário da Independência do Brasil e sua alegoria faz uma união das culturas de nosso país com as culturas síria e libanesa.

Atualmente um tanto escondido pelas árvores a seu redor, o monumento mede 14m de altura, cujo pedestal, feito em granito rosa mede 9,15m.

clique na foto para ampliar

clique na foto para ampliar

Escultura rica em detalhes, na parte inferior da apresenta um barco fenício representando o comércio, além de personagens que representam as Ilhas Canárias, o ensino do alfabeto, e a entrada dos árabes no Brasil.

clique na foto para ampliar

clique na foto para ampliar

No topo do monumento há três personagens humanos: Uma mulher representando a república do Brasil, um guerreiro indígena brasileiro, e uma outra mulher, esta árabe, que está ofertando algo ao guerreiro índio.

MONUMENTO É MAIS UM QUE ESTÁ PÉSSIMO ESTADO:

Aos 93 anos de idade, o Monumento Amizade Sírio Libanesa está em péssimo estado de conservação. Quando foi retirado de diante do Palácio das Indústrias a pedido dos lojistas, a razão era que mais próximo dos estabelecimentos comerciais se evitaria a depredação, mas não foi bem isso que aconteceu.

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

O monumento é frequente alvo de vandalismo e também serve de banheiro por parte de moradores de rua e usuários de drogas. Por toda a sua base granito é possível encontrar pichações.

As duas placas de bronze que ficavam na base na parte dianteira da obra (veja-as na segunda fotografia deste artigo) foram furtadas há anos e hoje restam apenas as marcas e os furos (foto anterior). As placas tinham os mesmos dizeres em cada uma delas, sendo uma escrita em português e a outra em árabe.

Além disso, alguns pedaços da escultura já foram arrancados para possivelmente serem derretidos e revendidos, como o braço de um dos fenícios.

Por fim, a placa de mármore que instalada pelo prefeito Jânio Quadros em 1988 está tão suja e desgastada que é quase impossível ler seus dizeres:

clique na foto para ampliar

clique na foto para ampliar

O São Paulo Antiga tentou entrar em contato com a Secretaria Municipal de Cultura, através de sua assessoria de imprensa, para saber se há planos para restauração ou limpeza do monumento, mas até o fechamento desta matéria eles não haviam enviado uma resposta.

Até o ano passado a obra era cercada por um gradil, que de alguma maneira dava uma maior proteção ao monumento. Desde que ela foi retirada pela prefeitura o monumento virou um banheiro ao ar livre e cheira tão mal que é quase impossível permanecer diante dele em algumas horas do dia.

Um dos quatro leões que adornam o monumento (clique na foto para ampliar)

Um dos quatro leões que adornam o monumento (clique na foto para ampliar)

O que foi ofertado pela comunidade síria e libanesa com um ato de amizade é tratado com muito desrespeito por algumas pessoas e também pelo poder público. Esta triste sina parece envolver 9 de cada 10 monumentos públicos de São Paulo.

Veja mais fotos do monumento:

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

clique na foto para ampliar

clique na foto para ampliar

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

JOIN THE DISCUSSION

Comments

  • Jorge Hidalgo 16/03/2015 at 18:19

    curto demais esta página – São Paulo Antiga – as fotos, os detalhes, os dizeres, as receitas, enfim, tudo. Todavia, vejo com misto de nojo e horror como a cultura geral é tratada neste país – se não respeitamos os monumentos, os prédios históricos, as placas (que são roubadas, arrancadas, destruídas, etc para serem vendidas…) não estamos respeitando sequer nossos antepassados – pobre brasil (me perdoem…assim mesmo com minúsculas…) não somos um país do qual possa eu me orgulhar mais…e não vejo as “autoridades” se mexerem para nada…ainda somos governados (não vale responder sim somente quanto aos impostos…)? desculpem-me mas precisa registrar este desabafo, porque não suporto mais tanto descaso, tanta desídia, tanta inércia por parte de quem deveria agir.

    Reply
  • Celso 16/03/2015 at 19:15

    Pichação deveria ser crime previsto em lei.

    Mas depois que alguém falou que transgressão é arte, ninguém mais sabe definir o que é arte. Até urinar em uma obra de arte pode ser arte.

    Reply
  • mauriyama 16/03/2015 at 19:52

    Passei estes dias por este monumento e realmente a beleza e o descaso em que ele se encontra compunham uma cena bem contraditória. Graças ao seu artigo pude conhecer melhor esse monumento e elucidar as minhas indagações.
    Muito Obrigado!

    Reply
  • mauro scripomic 17/03/2015 at 09:06

    Infelizmente onde esse partido adminstra tudo se acaba tal como pragas de gafanhotos em uma lavoura, nao defendo bandeira de nenhum e jamais defenderei mas a estrela vermelhinha é um cancer na sociedade brasileira.uma lastima ver esses monumentos numa cidade tao linda e rica como nossa São Paulo assim abandonados.
    Douglas, parabens sempre pelas suas matérias

    Reply
  • Vinícius Afonso 17/03/2015 at 13:46

    A Secretaria Municipal de Cultura deve nos amar…

    Reply
    • Douglas Nascimento 18/03/2015 at 09:58

      Se eles nos amam eu não sei, mas me parecem que de São Paulo eles não gostam muito…

      Reply
    • SavianoMarcio 18/03/2015 at 15:51

      A gente, a população, é que temos que amar a história e a cultura mais que qualquer pessoa.

      Reply
  • danielpardo2015 19/03/2015 at 19:33

    Durante um período da minha vida (mais precisamente em 1998) eu passava todo santo dia por esse monumento, mas nem notava ele direito porque além das razões citadas aqui no site da degradação do Parque D.Pedro II ao longo dos anos, eu saia as 22:00 do meu serviço na Av. São João e andava até o Parque D.Pedro para tomar o ônibus para casa, logo, a noite não tinha praticamente uma alma viva ali e eu já logo entrava no terminal de ônibus para sair da “bocada” que é a noite essa região, só agora com o auxílio desse site é que pude ver que se trata de um belo monumento.

    Reply