É impressionante como o abandono gera mais abandono. Mesmo em ruas que são costumeiramente limpas e organizadas, basta aparecer um imóvel fechado ou abandonado para que o local logo comece a tornar-se foco de lixo, pichação, vidros quebrados e muito abandono. É o que acontece no Pari, na rua Felisberto de Carvalho:

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Fechado já se vão alguns anos, este velho armazém tornou-se uma vítima do desrespeito à propriedade alheia. Foi logo pichado (ou grafitado, para quem gostar glamourizar o vandalismo), teve alguns vidros quebrados na parte que está na rua lateral e, evidentemente, tornou-se um ponto de despejo de lixo.

É incrível como as pessoas pensam em São Paulo que esquina é lixeira. Hoje em dia não temos mais a desculpa de que o caminhão do lixo não passou. O serviço de coleta atende a cidade inteira e é bem eficiente em algumas regiões, como é o caso do Pari. Então, nada justifica jogar lixo na esquina, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Observem que são vários ítens que o lixeiro não leva, como resto de uma mesa e parte de um armário. Mas isto não dá o direito de descartar na esquina dos outros. E, geralmente, quem joga não mora ao redor. Eu mesmo onde moro já presencie pessoas virem de carro largar um sofá.

Se quisermos políticos mais honestos e cidades melhores, precisamos começar nós mesmos dando exemplo.

Abaixo mais duas fotos do imóvel:

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • flavia r s franco 09/01/2015 at 14:54

    Uma tristeza…o local não deve ser interessante para comercio, e com a deterioriação as pessoas usam do “mais fácil”..jogando seu LIXO em qq local, pois há vários pontos do Ecourbis para coleta deste tipo de lixo… Falta consciencia e cidadania.

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  • Margarida Storti 09/01/2015 at 15:50

    não é só em São Paulo que fazem isso aqui na Praia Grande é a mesma coisa é muita falta de respeito e educação

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  • Wagner Boemer 09/01/2015 at 16:55

    Jogar lixo na rua é uma característica do povo brasileiro.Desrespeitam a propriedade também, sob a forma dos sem teto, sem terra e sem vergonha. Dª Margarida Storti tem razão. Os lixos são jogados na calçada, nas esquinas nas praias e quando tem algum terreno sem muro aí sim! Descobri que o brasileiro é um povo sujo por excelência.Parte dos que conseguem visitar algum pais desenvolvido admiram a limpeza das ruas e até mudam de conduta quando estão nestes lugares mas quando voltam parece que sofrem uma transformação, voltam ao estágio da falta de civilidade.

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  • Gabriel Hansen 09/01/2015 at 18:28

    Tem que começar por uma educação geral. Se visitarem a residência desse tipo de pessoa, verão porque eles acham tão normal jogar lixo na rua.

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  • Luiz Henrique 09/01/2015 at 21:08

    Não há um amor de retribuição pela cidade,isso é evidente.Agora,tem o seguinte: se nos chamados países desenvolvidos isso não acontece,é porque existem leis e elas são aplicadas com rigor,para que o morador aprenda a lição e não volte a fazer isso.Aqui,para quase tudo,existe a tal sensação de impunidade…

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  • brenno 09/01/2015 at 22:50

    Interessante essa arquitetura.

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  • Alexandre Fontana 13/01/2015 at 12:16

    O brasileiro reclama muito dos polítcos mas se esquece de olhar p/si mesmo e suas atitudes. Esse problema do descarte irregular de lixo, entulho e móveis velhos é generalizado na cidade. qq. lugar que você vai, você se depara com esse problema. E a Prefeitura tb. é falha na fiscalização. Existe uma lei que pune com multa de 12,000 reais quem descarta lixo e entulho irregularmente mas, qtas. vezes ela foi aplicada?

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  • Luiz Henrique 13/01/2015 at 18:54

    IM-PU-NI-DA-DE.

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  • Rogério 23/01/2015 at 11:17

    Belas janelas largas que tinham na lateral desse imóvel. Foram tampadas justamente para contemplar a nova condição violenta da cidade (provavelmente).
    Lendo os comentários eu só posso rir. Pois vejo pessoas reclamando daquilo que não entende.
    Recebemos muitas pessoas em SP que não tem a menor condição de morar cidade grande.
    Antes eram os carroceiros, agora que eles trabalham com recicláveis deu uma amenizada na situação de sofás e mobílias espalhados pela cidade.
    Vemos também hoje em dia sacos pequenos de entulho, largados pelos postes.
    Mas estamos ai aceitando tudo e a todos.
    Então não podemos reclamar dos resultados.

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  • manoela paiser 21/03/2015 at 01:06

    Minha infância foi nesse bairro. Ai era a venda. Minha mãe e vizinhas faziam compra de mês. Me lembro do seu Afonso, seu Mauro, dona Nene era tudo em família. Em outra rua tinha a venda do seu Zé e da dona Carmem que também eram parentes.

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