É provável que muitos dos leitores ao observarem a fotografia destes 6 imóveis catalogados aqui neste artigo, achem que seja uma perda de tempo. Afinal, trata-se da catalogação de imóveis sem qualquer cunho histórico importante e elas nem mesmo eram residências. Mas será que são mesmo tão insignificantes ? Penso que não. E explico!

Qualquer imóvel já construído em uma cidade, seja ele qual for, tem importância para a memória iconográfica da cidade. Embora muitos não sejam realmente imprescindíveis para a história, nos passam lembranças significativas de um local.

Estas 6 casas demolidas recentemente, ficam localizadas entre os números 2750 e 2794 da Avenida Ibirapuera, em Moema. Elas deram lugar a um espaço que está sendo ocupado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, para as obras de expansão da linha 5 do Metrô.

Imagine o local daqui há alguns anos, mais ou menos uma década. O local será completamente diferente de hoje ou de anos atrás quando estas casas sequer haviam sido construídas. Como poderíamos ter referências do local ? Através destas imagens.

Foto: Google Street View

Volte no tempo, ao início dos anos 1970. Quantas casas, casinhas, casebres e prédios foram demolidos em São Paulo para se construir os primeiros quilômetros do Metrô ? E quantas destas casas foram fotografadas, catalogadas para uma futura documentação iconográfica da cidade ? Provavelmente nenhuma. Se tiver fotografias, são geralmente coberturas esporádicas da imprensa (geralmente restrita a imóveis de maior relevância) ou ao acervo de particulares, moradores antigos que tiravam fotos de suas residências.

A memória fotográfica de uma cidade não pode ser seletiva, elitista. Pois a história de um lugar não é contada apenas por casarões e palacetes, mas sim por todas as construções que constituem a área.

Foto: Google Street View

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comments

  • Adriano Matos 22/03/2012 at 11:09

    Bela iniciativa !
    Por que correr atrás de registros no futuro, se podemos fazê-los hoje ?
    Muito bom !

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  • Katiúcia 22/03/2012 at 11:41

    …rs….de novo. Fotografei essas casas (uma por uma) para o relatório de avaliação arqueológica por levantamento arquitetônico da Linha 5, não lembro em qual mês de 2010. Se não me engano, fazem parte do Poço Rouxinol, onde participei da prospecção arqueológica em janeiro deste ano.

    Essas não eram as casas mais interessantes mesmo. As que foram demolidas onde hoje está o canteiro da Est. Ibirapuera sim. Duas ou três pareciam chalézinhos alemães. E tinha a fábrica em frente ao Shopping e que tinha traços levemente art-decô.

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  • Katiúcia 22/03/2012 at 11:42

    De novo, no sentido da coincidência do mesmo ter ocorrido na postagem anterior e em uma ou duas mais antigas 🙂

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  • Marcela Daniotti 01/01/2018 at 22:39

    Ola, Douglas! Não sei se é de seu conhecimento, mas a casa da Av Ibirapuera numero 2750 tem uma historia ainda maior por trás. No link http://www.hlage.com.br/E-Books-Livros-PPS/RompendoSilencio.pdf, faça uma busca por “em sua casa modesta e alegre na Avenida Ibirapuera, 2750”. Abs, Marcela

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    • Douglas Nascimento 02/01/2018 at 09:58

      Que interessante Marcela! Muito obrigado pelo envio…
      Até conhecia a história do Soldado Kozel já, mas não sabia da relação com a casa…

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  • Jose.tavares 17/12/2018 at 14:02

    4 dessas casas pertenceram a minha família. Morei numa delas de 1971 a 1975. Do outro lado da Avenida, bem em frente, ficava o Supermercado Agêncio. Não me recordo se ainda passava o bonde na Ibirapuera (em direção a Santo Amaro) quando meus tios se mudaram para lá (preciso perguntar). Numa das casas, se não me engano a da esquina, pertenceu aos pais de um soldado que sofreu um atentado no Batalhão do Exercito situado na Abílio Soares – meus primos conheciam ele.

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