A grande maioria de nossos bairros são batizados com nomes que fazem alguma referência a geografia do lugar ou ao loteamento inicial. É assim, por exemplo, que Guilherme Praun deu nome a Vila Guilherme e que o Rio Ipiranga deu nome ao bairro do Ipiranga.

Praxe brasileira, temos um bom exemplo também no município vizinho de Guarulhos, que iremos abordar neste texto. Quem mora por lá ou costuma se deslocar até aquela cidade, já alguma vez ouviu falar de uma região ou viu algum ônibus com o nome “Capelinha”.

Pois bem, este longínquo bairro de Guarulhos (longe mesmo) foi batizado com esse nome graças a esta capela da foto:

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Esta humilde capela é uma das bases da fundação do bairro, cujo crescimento deu-se especialmente com início da exploração da pedreira que fica a seu lado, e que é pertencente a empresa guarulhense Pau Pedra. A própria capela fica em área da propriedade da empresa, mas é acessível por ficar a beira da estrada.

Ao lado da capela, a Estrada Juvenal Ponciano de Camargo (clique para ampliar)

Ao lado da capela, a Estrada Juvenal Ponciano de Camargo (clique para ampliar)

Embora a capela tenha a data de 1941 pintada sobre o pórtico de entrada, não há um consenso sobre esta data, uma vez que nesta mesma parede também já foi pintado o ano de 1942. Há quem diga que a capela é de 1919, sendo o ano de 1941 ou 1942 a data de formação do bairro. A empresa Pau Pedra é de 1952.

As fotos abaixo, respectivamente de 1966 e 2015, confirmam essa confusão:
1942ou1941

A única certeza absoluta que temos sobre ela é que já estava por lá na década de 1960. A fotografia abaixo, do ano de 1966, mostra que o entorno próximo pouco mudou nas últimas cinco décadas:

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Sobre a capela, ela se encontra em bom estado de conservação, sendo regularmente pintada pela empresa que é sua proprietária. O único porém é a cruz existente na torre que está caída. De acordo com um vendedor de frutas do outro lado da estrada a queda foi motivada por um vendaval recente.

Diante da capela ainda encontra-se um pequeno e charmoso coreto, presente ali desde a época que o templo foi construído.

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UMA CIDADE SUBESTIMADA ATÉ POR SEUS CIDADÃOS:

Aqui no São Paulo Antiga somos bastante críticos quanto a situação da cultura e do patrimônio histórico na vizinha da capital, Guarulhos. A cidade não tem uma defesa eficiente de suas atrações culturais e o patrimônio histórico é tratado com descaso, tanto pelas autoridades municipais quanto por alguns que se aproximam da prefeitura buscando não a melhoria do seu patrimônio, mas holofotes e cargos.

Apesar de ser carente de pontos históricos relevantes, e do pouco que havia ter sido demolido (vide Casarão Saraceni ou a antiga Carbonell Fiação e Tecelagem), Guarulhos ainda tem o que se ver e visitar e muitas das atrações podem ser atraentes a turistas e aos próprios guarulhenses.

De carro é possível sair do centro da cidade e ir até a vizinha Nazaré Paulista, através da rodovia SP-036, também conhecida como Estrada Velha de Nazaré. O caminho passa por localidades interessantes, como a própria capela que abordamos neste artigo além de outras atrações naturais interessantes.

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A própria Estrada Velha de Nazaré Paulista é encantadora, com suas árvores fazendo um túnel verde em vários trechos, além de muitos animais silvestres. Além disso é possível observar a bela serra que a cerca e o incrível Pico do Gil, que tem uma vista mais bela que a do Pico do Jaraguá, mas que infelizmente não é aberta ao público (fica em área particular).

Então fica a dica! Quando puder, faça uma viagem São Paulo – Guarulhos – Nazaré Paulista por este caminho. Na volta, retorne por Mairiporã e a diversão é garantida.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Vinícius 03/11/2015 at 16:36

    Muito interessante.

    Aqui no ABC também temos exemplares interessantes: na Nestlé e na White Martins, capelas com mais de sessenta anos de história.

    Fora os oratórios populares, que a piedade dos italianos e portugueses fez construir nestas terras mais antigas que a própria capital: Santa Cruz, 1611 (Rio Grande da Serra), Nossa Senhora do Pilar, 1714 (Ribeirão Pires), N. Sª. da Boa Viagem, 1812 e Santa Filomena, 1881 (São Bernardo do Campo).

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    • Lilian 04/11/2015 at 11:06

      Como não existe turismo em São Paulo? Sou do interior de Minas,Poços de Caldas, nesta sexta 06/11 aniversário da minha cidade, feriado aqui, vamos emendar em São Paulo três dias passeando.

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  • Luiz Henrique 03/11/2015 at 16:59

    Na verdade, Guarulhos sofreu, sofre e vem sofrendo basicamente dos mesmos males que a capital paulista. A superpopulação, com uma busca frenética por habitação, é um desses males. Por ser uma cidade relativamente próxima à São Paulo, é um lugar muito procurado para moradia de milhares de pessoas que trabalham em Sampa.Eu mesmo consegui comprar meu imóvel lá por ser mais barato.
    Sendo assim, semelhante à São Paulo, ninguém vai a Guarulhos para turismo.A cidade está associada à comércio(que é mesmo dinâmico, com,pelo menos três shoppings-centers de bom porte), ao aeroporto e também é lembrada como cidade-dormitório, pelo motivo que já relatei.
    A sua infra-estrutura em hotelaria, é voltada para o chamado turismo de negócios.
    Guarulhos não tem uma marca, um ponto turístico só seu para despertar interesse.É uma cidade grande, mas com um crescimento desordenado.Semelhante à uma certa Cidade da Garôa…

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    • Douglas Nascimento 03/11/2015 at 17:13

      Luiz, discordo que ninguém vá a São Paulo a turismo.
      São Paulo recebe mais turistas do que a maioria das outras importantes cidades brasileiras, e não só a negócios.

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      • Luiz Henrique 04/11/2015 at 08:20

        Explicando: nós paulistanos presenciamos os outrora pontos de interesse turístico sendo descaracterizados, vandalizados, abandonados, etc, etc, etc…São os monumentos, as praças, os parques, as estações de trem que todos sabemos de cor quais são.
        O turismo em Sampa é voltado, por exemplo, à gastronomia. O Mercadão da Cantareira talvez seja o exemplo mais claro.À grosso modo, nesse sentido, não deixa de ser “um negócio”. É compra, toma lá(dinheiro) , dá cá(a mercadoria).
        Quando eu falo “turismo em São Paulo”, eu gostaria de falar que o centro da cidade, por exemplo, está preparado para receber o turista: limpo, bem sinalizado, seguro, enfim, preparado para a demanda.Mas não é assim.Quem se arrisca a andar pelo Centro Velho num domingão à tardinha? E põe risco nisso !!!!!!!!
        Não vale dizer que o turista vem a São Paulo para ir aos shoppings.Estes não são uma marca de São Paulo, pois há os mesmos em todas as capitais do país.

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  • Anna Maria 03/11/2015 at 17:33

    Parabéns Douglas, sou Guia de Turismo há mais de 20 anos ,Agente de Viagens há 4 anos, moradora há 54.. Tento fazer o Turismo funcionar em Guarulhos há quase 10 anos, não consegui ainda. Tivemos patrimônio histórico destombado e depois literalmente tombado.Caso inédito. Essa historia de Turismo de negócios é pura balela. O que vc. mencionou é a mais pura verdade Holofotes e cargos. Falam de boca cheia “Os Turistas” de Guarulhos, aqui não tem Turista, tem passageiros que desembarcam no Terminal aéreo e se hospedam aqui ou em S.Paulo Temos potencial turístico, mais de 400 anos de historia..formamos um Grupo no face book Admiradores da D.Joaninha,Locomotiva da praça IV centenário. Vamos tentar restaura-la, bem como o Casarão da R.Sete de setembro. Estamos mobilizando a população, porque depender de órgão publico é bobagem. Tem gente morrendo de medo de cair do pedestal.conseguimos uma matéria no Jornal Guarulhos Hoje sobre a Locomotiva, no dia seguinte pessoas já se manifestaram que já tem projeto. E por que não põe em pratica?????

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    • Douglas Nascimento 03/11/2015 at 18:11

      Concordo com você Anna Maria!
      E eu li a matéria, parabéns

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    • Luiz Henrique 04/11/2015 at 07:56

      Você afirma que turismo de negócio é balela.Logo depois escreve que em Guarulhos não há turistas, mas sim passageiros.Não entendi.
      Uma coisa é você ter POTENCIAL turístico ; outra coisa é esse interesse ser realmente despertado nas pessoas.

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  • CLAUDIO DE BARROS 04/11/2015 at 00:12

    ESSA CAPELINHA TEM MUITA HISTÓRIA. O MEU AVÔ TRABALHOU NA CONSTRUÇÃO DELA. ELE CONTAVA QUE NOS ALICERCES DA MESMA, TEM UMA GARRAFA ENTERRADA COM OS NOMES DOS TRABALHADORES QUE AJUDARAM A CONSTRUÍ-LA BEM COMO A DATA DO INÍCIO DAS OBRAS. O CASARÃO QUE SE VÊ AO LADO ERA DO MEU TIO “CAMILO DE BARROS REIS”, NA ÉPOCA ERA UM DOS HOMENS MAIS RICOS DE GUARULHOS. NAS DÉCADAS DE 30/40 E 50, ELE SE ENRIQUECEU, FORNECENDO LENHA PARA TODAS AS PADARIAS E INDUSTRIAS DE GUARULHOS E GRANDE SÃO PAULO. NO CASARÃO ERA COMUM NOS FINS DE SEMANA, A PRESENÇA DE POLÍTICOS DE EXPRESSÃO, QUE COMPARECIAM PARA COMEREM FRANGO COM POLENTA E TOMAR VINHO QUE ERA PRODUZIDO NO LOCAL, ALÉM DE CACHAÇA E MUITAS MASSAS E PÃES ITALIANOS. QUANDO CRIANÇA, PASSEIS MUITOS DIAS BRINCANDO NO LOCAL, O CORETO ERA DIFERENTE DO QUE É HOJE. HAVIA UM PÉ DE CEREJAS PRÓXIMO A ELE. HAVIA TAMBÉM UM LAGO ATRAS DO CASARÃO, ONDE NAQUELA ÉPOCA, MEU TIO CULTIVAVA CARPAS, HAVIA MUITAS FRUTAS E UM PARREIRAL DE UVAS PARA A PRODUÇÃO DE VINHO CASEIRO, PREPARADOS PELO SEU SOGRO O SR. ORLANDO ZANCANÁRO. ME LEMBRO QUE NUM FIM DE SEMANA EM QUE EU ESTAVA LA PASSANDO FÉRIAS, APARECEU POR LA O SR. ADEMAR DE BARROS, QUE ERA PREFEITO OU GOVERNADOR DE SÃO PAULO, NÃO ME RECORDO BEM. COMO DISSE, A CAPELINHA TEM MUITAS HISTÓRIAS.

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  • Camargo 04/11/2015 at 11:11

    Rica matéria. Excelente.

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  • danielpardo2015 06/11/2015 at 20:56

    O único porém é que Guarulhos fica mais perto da Zona Norte de São Paulo, para moradores de outras localidades (principalmente Zona Leste e Sul) Guarulhos é muito longe, e isso acaba afastando as pessoas de ir conhecer esses pontos.

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    • Luiz Henrique 12/11/2015 at 07:46

      Guarulhos faz divisa tanto pela Zona Norte, quanto pela Zona Leste de São Paulo.Eu acho que é ainda mais pela Leste.

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  • Marcelo Mitrach 01/03/2016 at 15:56

    Passei domingo em frente, muito legal.

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