São Paulo, por mais dinâmica que seja, sempre continua a nos surpreender em descobertas de imóveis interessantes.  E recentemente depois da sugestão do leitor Maurício de Araújo aqui do blog, fomos até a Vila Carrão, ou mais precisamente na Chácara Califórnia, em busca de uma suposta “capelinha antiga“.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Construída em 1927 e localizada bem no início da rua Três Martelos, este imóvel bastante antigo tem realmente um estilo arquitetônico que nos remete a uma pequena capela, como muitas das que costumamos encontrar em beiras de estradas ou dentro de sítios e fazendas.

Conversando com alguns moradores obtive inúmeras sugestões sobre o que foi o imóvel no passado, a maioria fazendo referência a uma capela. A que mais ouvi foi que teria sido uma “Capela de São Brás” embora até faça sentido, pode ser que a pessoa tenha dito isso pelo fato de a capela estar quase de frente a rua São Brás.

Entretanto, este nome de santo para a rua quase diante da capela é algo recente. No mapa Sara Brasil de 1930 a São Brás chamava-se ainda de Travessa Cantagalo, veja:

Mapa Sara Brasil - 1930

Mapa Sara Brasil – 1930

Outro destaque curioso no mapa é que a Avenida Conselheiro Carrão ainda era chamada de Estrada de Itaquera. A seta vermelha no mapa acima está indicando a posição da capela na rua Três Martelos.

1927

Infelizmente este ano o imóvel ao ser pintado de vermelho teve o ano de sua construção removido de sua fachada (veja a foto acima, de 2011). Felizmente essa imagem de arquivo nos permitiu determinar a data da construção. É uma pena que a inscrição tenha sido removida.

Teria o local realmente sido uma capela ? Caso não o que teria funcionado ali ? Se você tiver alguma informação adicional que possa nos ajudar a contar melhor a história deste local, entre em contato conosco ou deixe um comentário.

Seu bairro tem alguma capela antiga ? Diga para nós!

Abaixo, mais duas imagens:

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 25/11/2014 at 15:27

    CHUTE meu, para a fase pós-capela: pode ter sido barzinho transadinho, antiquário ou ateliê.
    Quanto ao ano, 1927, estranha a citação na fronte. Já estava em desuso por essa época. Será que não era ano de alguma reforma?

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  • Maria Aparecida Clemente 25/11/2014 at 15:42

    É uma pena que pessoas leigas sejam contratadas para esse tipo de reforma, pois apagam inscrições importantes que fazem menção a um período da história. Penso que na Sub prefeitura da Vila Carrão constem registros sobre essa construção. Pesquisarei e qualquer informação comunico o São Paulo Antiga. Gostaria muito de fazer parte dessa equipe. Parabéns! Um abraço a todos!

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    • Douglas Nascimento 25/11/2014 at 15:47

      Olá Maria Aparecida!
      Se encontrar algo nos avise e será um prazer atualizar a informação!
      Abraços

      Reply
  • Denis de Souza 25/11/2014 at 16:08

    Parabéns Douglas, você é um caçador de antiguidades. Fico surpreso com a fato de uma pequena construção, como esta, ainda se encontrar ” de pé”.
    Agora, como deve ser de seu conhecimento, no Cambuci, lá na Igreja Nossa Sra. da Glória, que fica na Av.Lacerda Franco, 2 , existe uma Capela muito linda, ao lado da Igreja, que tem muita história.
    Lembro de ter lido que a Capela já foi no passado até tomada pelos militares à época da Revolução.
    Nos anos 60 quando fui coroinha do nosso querido e saudoso, Padre Antônio, essa Capela já era bem antiga.
    Fica ai portanto uma sugestão.
    Um abração e parabéns mais uma vez.

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  • DULCINÉA MESQUITA 25/11/2014 at 17:12

    adoro ver as arquiteturas antigas e modernas você está de parabéns ,pelas fotos , é uma pena que pessoas desinformadas,não vejam com os mesmos olhos nossos a mesma beleza que a gente vê,e pintores contratados acabam passando tintas em cima de datas e pituras originais, são gente e serviços meia boca, parabéns pelo seu ato de postar as maravilhas que pelo brasil estão espalhadas, te desejo muito sucesso, e não pare de postar lindas imagens.

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  • milerdemarchi 25/11/2014 at 17:13

    Como sempre Douglas, um excelente trabalho de fotografia e investigação. Nem sempre comento nas publicações, mas como estou em sua newsletter recebo todas e as aprecio. Agora fica a questão: Porque será que existe um mentecapto nesse mundo para eliminar a data da construção do imóvel ? Pior que este só aquele que o derruba e constrói outro no lugar…

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    • J.C.Cardoso 26/11/2014 at 07:11

      Será que a Mitra (ou Arquidiocese daí de SP, não sei exatamente, não sou católico, mas sei que tem diferença) não teria informações sobre as igrejas sob sua “tutela” (ou pelo menos, saberia dizer quem procurar, caso não seja da sua administração? Fica a dica.

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      • Douglas Nascimento 26/11/2014 at 09:43

        Acredito que era capela de chácara, essas não ficam sobre controle da Mitra… vou a cada dois meses lá na Mitra e na próxima ida vou ver se descubro algo, mas acho improvável…

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        • J.C.Cardoso 26/11/2014 at 10:42

          A Mitra aqui do Rio informa até quando a capela é particular (já fiz uma pesquisa uma vez). Em geral, quando é particular, eles não dispõem mesmo de dados, mas acho que já ajuda, pois V. descarta as outras possibilidades.

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    • Silvia Calçada 03/12/2014 at 23:01

      Falta de educação, meu caro. o governo poderia inventar a moda de preservar, mas prefere a moda de destruir.

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  • Paulo da Silva 25/11/2014 at 19:46

    Muito interessante a começar pelo nome da rua!!

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    • Douglas Nascimento 26/11/2014 at 09:46

      Sim, Três Martelos é uma bela referência à Maçonaria

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  • Silvio Bages 25/11/2014 at 20:38

    Eu não digo nada ! E digo mais ! Só digo isso ! Curtindo as antiguidades de Douglas Nascimento.

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  • Dan 25/11/2014 at 20:54

    Acho que essa capelinha é mais antiga que 1927… pode ser da última década do século XIX e até um centro de oração espírita ou de religiões afro-brasileiras.

    Mas tirar a data em algarismos romanos da fachada é ignorar o passado, mesmo que não seja tão nobre assim.

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    • J.C.Cardoso 26/11/2014 at 10:59

      Sim. Também pensei nesse tipo de templo, Dan. Ou até mesmo capela (católica) para escravos.

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  • Mauricio Shiroma 25/11/2014 at 22:36

    Passava em frente desse lugar todos os dias no caminho para a escola no final dos anos 70/início dos 80! A cor da pintura era irreconhecível. Lembro-me dos vidros das janelas quebrados, o que permitia ver o interior. Havia uma espécie de pedestal pequeno na parede. Parecia mais um mausoléu e eu morria de medo de olhar com atenção. rs Acho que uma corrente e cadeado mantinham a porta fechada. Cheguei a ver flores secas e restos de vela lá dentro, mas nunca vi ninguém abrindo, entrando ou saindo. Meus amigos também não sabiam exatamente se o lugar estava abandonado ou quem era o dono do imóvel. Crianças não costumam se interessar por essas coisas, não é mesmo? 🙂

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  • ralphgiesbrecht 25/11/2014 at 23:03

    Muito legal. Chutando descaradamente, ela podia até ser uma capela perdida no meio de um campo numa pequena fazenda na época e que depois com o loteamento foi conservada ao lado de uma rua.

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    • Douglas Nascimento 26/11/2014 at 09:45

      É o meu palpite também Ralph, apesar de ser no Carrão ali é a área da antiga Chácara Califórnia… pode ser que era da dita cuja.

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  • Gabriel 25/11/2014 at 23:03

    poderiam ter tirado algumas fotos do interior deste imóvel

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    • Douglas Nascimento 26/11/2014 at 09:44

      Difícil Gabriel, já faz meses que passo lá e nunca vi aberto, e os vizinhos dizem que ninguém vai lá tem questão de 2 anos pelo menos…

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  • cynthia 26/11/2014 at 19:49

    Eu morei por 26 anos nessa rua e era uma capela mesmo. Se recordo bem abria ao menos uma vez na semana e tinha um pequeno altar e um espaço para acender velas. Quanto ao nome da rua, minha avó quem morou ai por quase toda a vida contava que era uma chácara e pertencia a 3 irmãos, que tinham sobrenome Martelo. Ótimo ver essa foto, bateu uma nostalgia boa!

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  • Daniela Vomero 27/11/2014 at 07:37

    Bom dia , trata-se de uma capela, pelo o que minha vó dizia era a capela das almas, já cheguei a entrar nela para ascender vela quando era bem menor não me recordo direto a quantos anos atrás, porém tenho 28 anos e acredito que deveria ter uns 4,5 anos pelo fato de lembrar direitinho como era por dentro.

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  • Emerson de Faria 27/11/2014 at 11:26

    Douglas, na Parada Quinze, na Praça Jauarapa esquina coma Rua Jeribatuba, de frente para onde era a antiga estação de trem, havia uma capelinha semelhante a esta, mas até bem conservada. Olhando pelo Google Maps, vi que a mesma foi demolida mas ainda tem alguns vestígios dela, fica a dica de mais um lugar para você visitar, abraços.

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  • Clelia Person Lammardo 28/11/2014 at 09:19

    Lembra um pouco a Capela de Santo Antônio da Rua Cachoeira, só que mal cuidada.

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  • Paulo Branco 28/11/2014 at 23:14

    quando vc falou em maçonaria, eu pensei que o triangulo formado na parte superior do imovel tinha a ver com o assunto. pensei em alguma Loja maçonica, mas se o pessoal ta falando q é capela….

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  • Helio 28/11/2014 at 23:47

    Não tem foto do interior da capela?

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  • Silvia Calçada 03/12/2014 at 23:12

    É perto de minha casa, faz parte das propriedades que a rodeiam. A pessoa que informou sobre os irmãos Martelo está correta, sempre disseram isso em minha família. Durante muito tempo ficou aberta com santinhos e era possível rezar e acender velas. Deveria ser tombada e a família dona do imóvel poderia ser isentada do IPTU,mas isso não está nos projetos da prefeitura atual, que não quer nem mesmo admitir a necessidade de alargamento da Conselheiro Carrão, preferindo deixar como está e entulhar tudo de prédios. Recentemente a pintaram de vermelho e anunciaram uma espécie de lojinha, mas creio que isso tenha sido feito sem autorização dos proprietários, pois a lojinha não vingou.
    Em qualquer cidade realmente moderna ela seria um ponto turístico. Apesar de descuidada a capelinha da almas sempre foi muito respeitada e querida

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  • Alexandre Pittini 09/01/2015 at 21:16

    Olá Douglas! Tudo bem?
    Moro aqui em São Caetano do Sul.
    Gostaria de informa-lo que aqui em São Caetano tem um conjunto de edificações que merece um registro, antes que venham abaixo, por causa do novo plano diretor de São Caetano.
    É um conjunto de 4 residencias operárias e uma pequena capela, todas geminadas. Está situada na Rua Luis Cavana no centro de São Caetano do Sul.
    Pelo Google Street View estão em bom estado, mas acredito que mereça um registro iconográfico de São Paulo Antiga.
    Qualquer coisa fique a vontade de entrar em contato.

    Abraços

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  • Peterson Jose 23/04/2015 at 12:25

    Douglas, Boa Tarde. A construção em referência trata-se de uma capela, construída no início do século XX, por imigrantes portugueses – família Martelo Ferreira ( daí rua três martelos ). Conheço bem a família, ainda são moradores do bairro.

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    • Ana Maria de Aguiar 06/08/2015 at 15:02

      Ana Aguiar
      Boa tarde Douglas, o Peterson José tem razão, era uma capela. Moro nessa rua há muitos anos e conheci inclusive vários familiares dos Martelo. Como dito por Peterson, pertencia à família Martelo e como se tratava de uma fazenda de 3 irmãos Martelos, aí o porquê do nome da rua ” Três Martelos”. Como era costume nas fazendas de portugueses erguiam uma capela. Não sei dizer se era Capela de São Brás.
      Continua pertencendo a descendentes dessa mesma família. Inclusive pelos anos 1970 o pároco da Igreja de São João Batista, próxima a esta rua, queria que essa capela fosse anexada à igreja de São João, mas parece que existe um documento onde consta que essa capela ” será patrimônio da família enquanto existirem descendentes e enquanto isso não poderia ser negociada”, algum tipo de documento que foi feito na época da venda da fazenda e posterior loteamento, acho que ficou excluída a capela da venda, justamente para que ficasse sempre com familiares.
      Espero ter ajudado, e aprecio muito Douglas o que tem feito,resgata parte da história…

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  • Geinaldo Estrela. 30/07/2015 at 14:11

    Olá, nasci, fui criado e morei na rua Três Martelos, de onde saí aos 29 anos de idade quando me casei.
    Realmente trata-se de uma capela. Ela de fato foi construída pela família Martelo Ferreira no início do século XX, e a inscrição 1927 em algarismos romanos era legítima e indicava o ano de sua construção. Na década de 70, me recordo que a capela era aberta alguns dias da semana e moradores costumavam rezar na mesma, em época de festas religiosas.
    Me recordo também que um amigo de infância veio a falecer de forma trágica, e este era morador de uma rua adjacente à rua três martelos. Nesta ocasião a capela ficou aberta para que os vizinhos fizessem suas preces nela.
    É uma pena que esta capela esteja sendo tratada com tamanho descaso.
    Ao que me lembro, no imóvel que fica no lado direito da capela ( para quem olha a capela do meio da rua) moravam parentes próximos dos construtores dela.
    Quem sabe eles não têm fotos antigas ou possam contribuir com mais informações ?
    Fica a dica.
    Grande abraço à todos.

    Reply
  • Nádia Ribeiro 08/04/2016 at 21:16

    Vim procurar sobre a capela e me espantei com tantas curiosidades dessa capela, pois bem vou contar sobre a capela que pertence à família Martelo Ferreira, a minha família! Um dos Martelos era meu bisavô José Augusto que contava para Meus tios e minha mãe que a capela foi construída quando ele conseguissem chegar vivos de navio de Portugal e foi o que aconteceu! A rua era propriedade de muitos terrenos de nossa família e a capela idem. Minha avó é a única filha viva do meu bisavô, uma senhora muito amorosa e fofa com seus 81 anos, casou com meu avô em 1953 nesta capela! Ela conta que como foram muitos convidados, a maioria ficou para fora!Ainda temos parentes que moram na rua ( um primo da família é responsável pela capela, mas devido à prefeitura cobrar muito do imóvel ele não consegue manter) e algumas das propriedades foram vendidas, muitas pessoas que ali vivem moram há muitos anos no local, passei minha infância ali e tenho boas recordações da rua e a da capela que inclusive já entrei! Fico feliz de ajudar!

    Reply
  • Luiz Bellangero Júnior 07/01/2017 at 01:12

    Morei por trinta anos na Vila Carrão, bairro que tem mudado a cada dia – talvez infelismente.Fui aluno e professor da EE Marcilio Gonçalves Ferreira Mendes.Na 5a.série – em 1971 – uma professora de História solicitou dos alunos trabalhos sobre o bairro.Conheci um rapaz que morava na r.Nova Jerusalem.Ele era funcionário da Mitra em São Paulo e ele já tinha sido vencedor em monografias que a Prefeitura do Municipio de São Paulo promovia sobre a história do bairros de São Paulo – as quais se mostram riquíssimas em dados históricos.Havia um livro na biblioteca da EE Pedro Arbues que contava a história do Conselheiro Carrão.Traz vários detalhes sobre o bairro e a razão histórica dos nomes das ruas (Dentista Barreto, Eponina, Doralisa, Francisca de Paula).Fui rever esse livro em outro lugar – alguns anos depois – na PUC /SP onde me graduei em Direito.A familia da minha mãe veio morar na Vila Carrão há muitos anos.Minha mãe teve loja de roupas na “subida do carrão” e ela deixou o bairro justamente em 1953 – o mesmo ano em que a avó da Da.Nádia Ribeiro se casou.Provavelmente elas deveriam se conhecer.Um dos imóveis mais antigos do Carrão era o imóvel de número 2424 – que infelizmente foi demolido.Ele ficava na esquina da av. com a r.Wenifred.Era um imóvel típico de sitio ou fazenda: casa térrea com varanda que rodeada a casa.Cheguei – quando na 5a.série – a entrevistar a filha do dono casa; ela já era uma senhora.Começo a referida capelinha também porque trabalhei na Tecelagem Fluminense (r.Gil Pinheiro) paralela a Três Martelos e fiz por muitos anos a feira de domingo.Lamentavelmente, as autoridades e o povo brasileiro na se interessa por manter suas tradições e tudo se diz respeito à cultura.Felicidades a todos.

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