Recentemente, pouco após publicar aqui no São Paulo Antiga o magnífico casarão de Sabbado D`Angelo, um leitor entrou em contato e questionou se haviam mais construções interessantes na região de Itaquera, pois ele tinha curiosidade em saber.

A região de Itaquera, obviamente, não é tomada por um grande número de casarões tal qual outros bairros de São Paulo, como Ipiranga ou Bela Vista, mas mesmo assim possui algumas construções bastante curiosas e significativas, além do famoso casarão que no passado pertenceu ao rico industrial Sabbado D’Angelo.

Pois na mesma rua que leva o nome do antigo empresário existe uma velha casa que é tão ou mais antiga que a outra e que merece a mesma atenção. Trata-se do imóvel abaixo:

clique na foto para ampliar

Localizado na altura do número 1100 da Rua Sabbado D’Angelo e ao lado da Estação Dom Bosco da CPTM, o antigo casarão está em um amplo terreno que parece ter sido uma chácara. O que chama atenção é que no fundo da construção, existe uma outra casa muito grande e bonita, também muito antiga, mas algumas décadas mais nova que a primeira.

O imóvel mais próximo da rua chama a atenção por ser uma construção realmente muito antiga, das primeiras décadas do século 20. Possui uma fachada simples, porém com algumas decorações no frontão, tanto na parte superior das janelas como na parte inferior. O casarão é bem alto e possui um porão que quase equivale a um piso térreo. Fechado, o imóvel apresenta alguns sinais de deterioração, como alguns madeiramentos podres e uma porção do forro lateral já caiu.

Entre as duas casas há uma espécie de torre, que parece ter sido parte de alguma velha fábrica (veja última foto da galeria abaixo). Apesar de resistir, há uma séria avaria na base da mesma e seu telhado ruiu parcialmente. Nada, no entanto, que não possa ser recuperado.

O imóvel em outro ângulo (clique na foto para ampliar)

Infelizmente não fomos autorizados a entrar no terreno para fotografar, e tivemos que tirar as fotografias do nível da calçada e da Estação Dom Bosco. Há alguns anos no local funciona um estacionamento .

Não encontramos nenhuma referência sobre estes dois imóveis neste terreno. Nem mesmo no livro Itaquera, da coleção “História dos Bairros de São Paulo” há referências sobre ele. Entretanto, acreditamos que seja realmente muito importante preservá-lo, tal qual o vizinho mais famoso, o Casarão de Sabbado D’Angelo.

Conhece algo sobre este imóvel ? Deixe um comentário ou entre em contato conosco. Ajude a preservar a história de Itaquera e de São Paulo!

Veja mais fotos deste imóvel (clique na miniatura para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Carla Silva 10/05/2012 at 22:16

    Nossa! Que lindo!

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  • Anderson Kamura 20/05/2012 at 20:33

    Nossa eu mora na região e sempre passo por essa rua, é incrivel como a correria do dia a dia, interfere em nossa percepção, não deixando ver os detalhes de nosso proprio bairro

    abraços

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  • Denise 26/05/2012 at 12:29

    Gostaria de saber quem administra a Casa hoje. Quando eu era criança, tinha uma curiosidade tremenda de conhecer a Casa por dentro! E como crianças, tínhamos histórias fantasmagóricas sobre ela….

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  • Ernani 07/09/2012 at 22:55

    Sempre ouvi dizer pela minha mãe e irmãs dela, que o Sabbado D’Angelo era primo de sua mãe, (minha avó materna)nascida na cidade do Scário, província de Salerno, Itália. Inclusive em um documento antigo que tenho guardado, consta o nome de um padre Vicente D’Angelo, também da cidade do Scário. Talvez esse padre seria irmão do Sabbado? Isto não sei… – Não sabia da existência dessas casas tão bonitas aí no bairro de Itaquera. Demolir seria um crime!
    Parece que uma febre, e uma ganância desenfreada tomou conta das pessoas.
    Essa especulação imobiliária tomou conta da cidade, e visam lucros, e dinheiro em grande soma.
    Derrubam mansões, e no lugar levantam torres altíssimas, tirando toda a beleza de um bairro edificando paredões de concreto, e enfiando cada dia mais carros nas ruas.
    Brevemente acho que não teremos mais nada de belo nesta cidade, e sim concreto, carros, poluição, e doenças cardiacas e pulmonares por conta do monoxido de carbono espelido pelos veículos. É BOM QUE COMECEM A PENSAR NISTO.

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  • charles lima 12/09/2012 at 12:02

    Ola, moro de frente a esses imoveis,e agora cursando arquitetura, desenvolvi um interesse maior por essas casas, realmente estão se acabando,gostaria muito de fazer algo para ajudar na preservação delas…

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  • Bethy 04/12/2012 at 20:54

    Gente tbem. acho um pecado demolirem este casarão, que traz tantas histórias, por casualidade conheço a história da familia do comendador Sabbado D’Angelo, e tbem. os netos legitimos dele, infelizmente eles nunca receberão herança alguma, e até hoje não sabem onde foi parar esta herança….Esses herdeiros inclusive editaram um livro relatando toda história…porém não obtiveram êxito em suas investidas…à quem possa interessar o título do livro é: “HERDEI OS RESTOS MORTAIS DO COMENDADOR SABBADO D’ANGELO”

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    • Douglas Nascimento 04/12/2012 at 21:08

      Que interessante Bethy, como eu posso contata-los ? Também me interessei pelo livro.

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      • Bethy 05/12/2012 at 21:18

        Boa noite, Douglas, realmente a história é bem interessante, o q eu posso fazer é passar seu e-mail para um dos herdeiros, e o mesmo entra em contato com vc…tbem com relação ao livro vc pode ver através de e-mail, vc pode passar o e-mail???

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      • Bethy 06/12/2012 at 08:47

        Douglas, realmente a história é muito interessante, vc poderia me passar seu e-mail, q eu passo para um dos herdeiros falar com vc, com relação ao livro tbem veja com eles.Pode ser???

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      • Namar D’Angelo 07/12/2012 at 14:56

        Douglas,
        Se você tem curiosidade de ler o livro, eu posso te enviar. Mande um contato.

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        • Mônica Seara 20/11/2013 at 04:47

          Olá.. boa noite.. eu gostaria de saber mais, moro aqui a 32 anos, e queria saber sobre esse lugar agora virou um estacionamento … Vc pode me mandar meu email monica.seara@hotmail.com grata… e abraços.

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  • Arriete D’ Angelo 06/12/2012 at 08:22

    Douglas,

    Sou neta do comendador.Existe algum interesse e possibilidade de voce nos ajudar?

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    • Profº Sergio 17/09/2013 at 22:17

      Sou professor das redes municipal e estadual de ensino e pesquisador, gostaria de sua ajuda para mais informações sobre seu nono. Será que você pode me ajudar.

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    • Fatima Torres 09/01/2015 at 19:24

      Olá Arriete D’Angelo, me chamo Fatima, ha algum tempo eu e uma equipe de pesquisadores entremos com o pedido de tombamento em instancia municipal, segue o numero do processo caso queiram acompanhar: 2013-0,198,602-6.
      Abraço.

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  • Fabio 14/12/2012 at 00:58

    Alguns anos atrás havia uma lan house em funcionamento nesse imóvel. Cheguei a utilizar os serviços na área térrea… realmente é uma obra interessante.

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  • Fernando 19/03/2013 at 15:06

    Oi, eu conversei um dia com um senhor na padaria que fica enfrente a esse casarão e ele me disse que esse casarão era de um Francesa e que era um espécie de chácara e era muito bonita, onde tinha uma casa principal e uma casa menor onde ficava o caseiro, ele não me deu muitos detalhes, só disse que ele foi embora e o casarão ficou ai muito tempo sem ninguém morar, depois de algum tempo parece que foi invadido, e agora parece que é um estacionamento. Seria muito legal saber a história.

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    • Jerusa Mrques 13/04/2013 at 16:10

      As pessoas falam de +,. Como esse senhor dessa padaria chegou agora no pedaço, ele não sabe muita coisa só sabe o que ouviu dizer. Esse casarão éra uma chácara muito grande, plantações de figo e pêssego, quando pequena eu costumava ir com meus irmãos nesta casa buscar ovos de galinha caipira e ovos de pata. Tinha várias casas neste local ésta casa que sobrou éra a casa principal.Várias casas de colonos, a casa do caseiro veio depois, quer diser o caseiro morava em uma das casas já existentes no local, que também éra uma casa grande. Éramos atendidos por japoneses desde 1965.

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    • Maria 15/04/2013 at 14:07

      Essa casa é invadida, brinquei a minha infancia inteira nessa casa que era mais conhecisda como chacara, era muito bonita cheia de arvores, e cheio de mato ao redor, ficou muito tempo abandonada e do nada apareceu essa pessoa que mora na casa de baixo e tomou conta de tudo e se dizendo dono do nada, por ele ser um ADV que não pode exercer a profissao soube muito bem enganar os leigos ao redor, mais na verdade todos os moradores antigos da rua ao lado sabem dessa historia direitinho, pois moram la a mais de 40 anos. Ele invadiu e fez um estacionamento onde ganha muito dinheiro e não preservou nada as casas onde invadiu. Essas pessoas que se dizem parentes deveriam correr atras de verdade pois o terreno é muito grande, e ele prejudicou algumas pessoas para tomar conta de tudo. Ele não é o dono e nem cuida das casas que invadiu..

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      • jerusa 03/05/2013 at 23:38

        Realmente ela está invadida a muito tempo. E além disso não preservam, Alguém deveria fazer alguma coisa pela memória de Itaquera.

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  • Márcio 15/07/2013 at 11:33

    Essas casas pertenciam à uma chácara que foi de meu pai Que comprou de um Italiano amigo seu (Remo Marini). Era um lugar cheio de pomares e pássaros raros.Não ficamos muito tempo com o imóvel, cerca de dois anos. Havia um córrego que passava ao fundo da chácara, não sei dizer se era o córrego do pêssego .Muitas vezes lá fazíamos festas juninas, com fogueiras, onde reuníamos os parentes. A casa mais nova é da década de 70, e começou a ser construída pelo Sr. Remo e nunca foi terminada. Em 1979/80 meu pai vendeu a propriedade para um pessoal que era da zona cerealista de SP. Sei que nas mãos do proprietário seguinte, sofreu várias invasões. Não sei que é hoje o dono.

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    • Márcio 15/07/2013 at 11:44

      Em tempo… Lembro-me que no porão desta casa mais antiga haviam argolas do tipo que servem para prender escravos… Se ali serviu a tal função, não sei dizer…

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      • profº Sergio 17/09/2013 at 17:20

        Em algum momento da história essa casa ou a propriedade serviu a família D’Angelo? Teria existido ali a Sudan fabrica de cigarros?

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        • Márcio 23/09/2013 at 12:18

          Caro Profº Sérgio, não sei lhe informar, pois meu pai comprou o imóvel por volta de 1977. Mas acr
          edito que, por meio de uma certidão do cartório de registro de imóveis daquela circunscrição seja possível obter essa informação. Abraços.

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  • Maria 15/07/2013 at 12:58

    Por isso que esse mundo esta como esta hoje, pois ninguem toma providencia pra nada… os picaretas vão tomando conta de tudo e se apoderando do que não os pertence, e ninguem toma atitude de nada, Isso é revoltante…. Um espaço tão grande e era tão lindo hoje é fonte de dinheiro para o invasor.. que nem a calçada tem coragem para arrumar.. é um relaxado não pensa em preservar um lugar tão lindo e sim acabar com ele.. e ganhar dinheiro em cima..Ele tomou conta de tudo.. desde onde tem as casa ate a esquina.. E ninguem faz merda nenhuma..

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  • Mônica Seara 20/11/2013 at 04:58

    Vamos … gente fazer algo…vamos fazer o que?

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  • Vicente D’angelo 25/01/2014 at 02:45

    Meu bisavô Giuseppe D’angelo chegou ao Brasil aproximadamente em 1880 , vindo da localidade chamada Scário da comuna de San Giovanni à Piro no sul da Itália. Ele era primo do comendador Sábado D’angelo, o qual também era oriundo da mesma localidade; Aqui no Brasil , Sábado D’angelo se estabeleceu com a fábrica de cigarros Sudan, originalmente instalada na baixada do Glicério, onde existe hoje uma igreja evangélica. Depois de sua morte esta fábrica se estabeleceu na Vila Guilherme. Segundo informações, ele tinha esta chácara em Itaquera onde costumava passar os fins de semana, inclusive em uma ocasião quando promoveu na década de 1930 um grande prêmio automobilístico, recepcionou nesta chácara grandes astros do automobilismo da época. Em seu túmulo no cemitério da Consolação existe um brasão da família D’angelo , pois segundo consta , ele havia mandado elaborar um histórico da origem da família na Itália.

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    • Douglas Nascimento 25/01/2014 at 08:30

      Olá Vicente!

      A matéria do casarão dele está aqui no site! Abraços!

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    • Ana Maria 29/03/2016 at 18:21

      Oi, Vicente,
      Tudo bem?
      Seu avô chamava-se Sabado D’Angelo? Também sou bisneta de Giuseppe D’Angelo de Scario, sou neta da Maria Hermínia.

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  • 08/04/2014 at 01:25

    Morei até meus quinze anos ,na rua de fronte(Tobias Lélio) o casarão,e era conservado,cerco com grades igual a do parque do Carmo, pois nunca soubemos quem era o proprietário , os mais antigos falava sobre padres no local ,brinquei muito neste casarão,atrás tinha uma torre com sino,cercado por acaliptos , a casa atrás era de luxo para o local na época, com muitos quartos, vários banheiros com banheiras ,escadarias de mármore branco.um jardim lateral., isso nos anos 80, sempre vazia com varias estoria ,

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  • Elisabeth 06/10/2014 at 16:19

    Como consigo o contato dos proprietários?

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  • Jerusa Marques de Carvalho 15/04/2015 at 16:00

    Esta era uma casa de fazenda, e devia ser a casa principal dessa fazenda, pois havia outras casas menores,lindas e com o mesmo estilo.
    Tinha também umas casinhas que minha mãe chamava de choupanas que éram de colonos dessa fazenda. Sei que éra de japoneses. Nós íamos lá comprar ovos caipira, ovos de pata e pêssegos.Víamos sempre a mãe (senhora mais velha)depois a filha que nos atendia com um largo sorriso. Depois de 1970 já parecia um sítio com plantações de pêssego, mesmo assim éra uma área muito grande, pegava toda a área da jacú-pêssego, a estação, até a Rua Italina.
    Hoje a gente vê só aquele pedaço onde é a casa semi-destruida. Em 1965, ví bater um sino que tinha na torre que tem logo atrás da casa, chamando os colonos para o almoço. Esta casa faz parte da minha infância, ainda bem que existem pessoas como vcs que restauram o passado. Parece que não vai restar nada para os nossos netos verem do nosso passado.

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