Se tem uma área da Lapa que eu gosto muito de visitar, fotografar e caminhar é a chamada Lapa de Baixo. Separada do restante do bairro pela linha férrea, a região possui muita história e inúmeras casas e construções antigas que fazem um passeio por ali ser muito produtivo.

É na Lapa de Baixo que encontramos alguns galpões centenários, como a da extinta Indústrias Martins Ferreira (em breve aqui no site) e também outro galpão industrial mais que centenário, onde fica a sede da Editora Três:

Editora Três (clique na foto para ampliar)

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Nesta área da Lapa, o clima social é um bocado diferente da parte “De cima”. Aqui vemos uma atmosfera de interior, com  idosos sentados em bancos de praças, trânsito leve (exceto diante da estação de trem), ruas muito estreitas, estabelecimentos comerciais muito antigos e casas que chamam a atenção.

Na rua Antônio Fidélis, encontramos algumas construções interessantes e iremos mostra-las aqui aos poucos, a começar por esta:

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Localizada no número 222, esta simpática construção antiga parece congelada no tempo. Com uma arquitetura típica das residências paulistanas simples do início do século 20, possui as características básicas que as casas de outrora possuíam, tal qual o porão com respiros de ferro, porta antiga e duas janelas na frente da casa.

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Uma curiosidade a se notar nas janelas é o fato da folha com vidros ficar para fora e não para dentro. Antigamente era muito comum ao montar as janelas deixar a que é toda de madeira na parte mais interior. Segundo dizem, ao abrir a janela para entrar sol o morador não precisava se expor ao tempo, especialmente em dias de chuva.

Bastante preservada, apesar de necessitar de pintura e alguns outros reparos, a casa é bem interessante e chama a atenção pelo seu estilo que é único na rua atualmente, uma vez que as demais similares a ela foram bem alteradas em suas fachadas.

Nesta, podemos dizer que a única alteração visível no lado externo é a porta que da acesso a residência. Esta é uma porta típica entrada para a sala ou cozinha, pelo quintal. Possivelmente substituiu o portão de ferro retirado em algum momento da trajetória da casa.

Quando puder faça uma visita à Lapa de Baixo, você vai encontrar muita coisa interessante.

Veja mais fotos:

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Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Sérgio Hideki Kanomata 29/09/2015 at 11:12

    Essas casas antigas são belíssimas, pena que não são conservadas. Se pudesse morar numa, mesmo que pequenina, faria de tudo para restaurar e conservar.

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  • Silvia Calçada 29/09/2015 at 12:07

    Uma coisa que acho interessante é que pichadores se acham tão anarquistas, revolucionários e mais evoluídos do que os outros mortais, ao criticarem o que chamam de “sociedade de consumo”, jamais saem pichando condomínios de alto padrão. Foi longe o tempo em que se aventuravam pichando o topo de prédios novos. Nos dias de hoje os pichadores colaboram realizando o serviço sujo que é encobrir a beleza de imóveis históricos e simples como esse. Quem ajuda a destruir um símbolo de civilidade e cultura popular, uma casinha tão caprichada, ajuda a engordar o mais nocivo e selvagem dos quinhões capitalistas, a especulação imobiliária. É muito covarde crucificar a beleza, deveriam crucificar o governo que derruba essas preciosidades aumentando o IPTU.

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    • Rafael 04/09/2017 at 16:07

      Ótimo comentário, Silvia!

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  • Felipe Fogal 29/09/2015 at 12:14

    33 anos morando na Lapa de Baixo… saudades.
    Estudei nas duas escolas que ficam próximas a casa relatada, o EMEI Neyde Guzzi de Chiacchio, e o Guilherme Kuhlmann. Inclusive, a escola Neyde Guzzi foi uma das primeiras escolas de educação infantil de São Paulo, criadas por Mario de Andrade como parques infantis, conforme http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/anonimosistema/detalhe.aspx?List=Lists/Home&IDMateria=410&KeyField=Arquivo%20de%20Not%C3%ADcias

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  • rhotphan 29/09/2015 at 12:38

    a tipica expresso 222 do GIL..

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  • elizabeth vicari bigarelli 29/09/2015 at 17:54

    Morei no Largo da Lapa, esquina com Antonio Fidélis, nos anos 70…….que saudades!

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  • ernani 29/09/2015 at 20:22

    Caso não esteja errado, essa indústria na Lapa era uma indústria de vidros, a Santa Marina.
    Quanto as demais residências, será que não existe morador?
    Caso exista, deveriam conserva-las.

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    • Ericson 30/09/2015 at 19:13

      Não. Essa era uma metalúrgica a Martins Ferreira. A Santa Marina fica na Av Ermano Marchetti.

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  • danielpardo2015 03/10/2015 at 20:32

    Nessa casa ainda moram pessoas????

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  • Natalia Halaiko Carvalho 08/01/2016 at 23:26

    natalia . eu tenho uma panela de ferro da martin ferreira da decada de 1906 eranca de meu pai falecido 40 anos seu nome era antonio halaiko

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  • Ildefonso Saldanha 27/06/2016 at 14:24

    QUANTOS ANOS TEM UMA PANELA MARTINS FERREIRA? TEMOS UMA AQUI EM CASA.

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  • Celi 24/09/2016 at 19:05

    A porta antiga não faz parte da arquitetura original, ela é da década de 60 do século XX. Na época da construção da casa, por volta da década de 10, usava-se portão de ferro na lateral. A parede que sustenta a porta da década de 60 também não faz parte, ela foi construída somente para servir como um alicerce para a porta. O interessante das casas antigas é que elas eram abertas, as pessoas que passavam na calçada poderiam visualizar uma parte ou totalmente o quintal dos fundos. Eram outros tempos, essa é a beleza das casas antigas, em um tempo distante em que as propriedades alheias eram respeitadas. Por mais simples que fosse uma casa, haviam os quintais com árvores, flores e pássaros e vizinhos sentados nas cadeiras nas calçadas conversando após o jantar.

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  • Alexandre 12/11/2016 at 20:45

    Indústrias Martins Ferreira trabalhou muito tempo com banheiras ,pias , lavabos e produtos feitos de ferro .Era uma indústria Familiar na revolução de 32 fizeram capacetes , munições e armar . Hj é A 3 utiliza de estacionamento um monumento histórico desse a prefeitura ficou de fazer um centro histórico para utilização de cursos para a população e nada foi feito ! Muito triste o imóvel todo deteriorado .

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  • Samaia Naranjo 29/11/2016 at 18:48

    Alguma previsão de quando publicarão o artigo sobre as Indústrias Martins Ferreira?
    Estou tentando encontrar artigos que falem sobre a história, porém não encontro 🙁

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    • Douglas Nascimento 29/11/2016 at 18:54

      Vou tentar publicar até, no máximo, semana que vem. Ok ?

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  • Antonio Manuel Capeto Costa 12/10/2018 at 00:43

    Se algo que notei nestas casas, e a presença da Janela do Porão ou ventilação do porão.
    O que significa que o piso deve ser sustentado por vigas de madeira.
    O que significa que se pode instalar pisos de madeira sem o subsequente empenamento de tábuas, que é decorrente
    do contato da madeira com o cimento ou concreto frio.

    Outros detalhes interessantes…

    As esquadrias dos Janelões que permitem abundante recepção de luz natural.
    O pé direito elevado, pois no tempo da construção destas casas, não existia o recurso de ar condicionado, quando muito um “ceiling fan” dava conta da ventilação forçada. Portanto a elevação do forro do teto possibilita melhor circulação interna de ar. Ar quente sobe, e, no verão, vc tem um ambiente com ventilação natural. O piso de madeira inerentemente permite um piso “quente” no inverno, e frio no verão, algo que piso cerâmico não proporciona.

    Outro detalhe……
    As casas antigas, antiga que identicas quando enfileiradas ( Row Houses ), tém aspectos únicos e singulares. O que é impossível de se reproduzir em fachada de prédio de apartamento.

    A maioria dos “caboclos paulistanos ” que moram em prédio de apartamento não se dão conta disto, entre outros fatores, e tem-se um êxodo em massa para prédios de apartamentos, ou caixas de sapato empilhadas. É a massificação da moradia, vc joga uns ítens de lazer, e o “caboclo ” fica contente.

    É o resultado do Marketing Imobiliário em ação.

    O único problema com estas moradias da Lapa, ao meu ver, não é o aspecto da vizinhança, isto é transitório. Eu diria que, é o problema com cheias, já que ouvi relatos que elas atingem o bairro, na época das “Monções Paulistanas”.

    Resolve-se o problema do escoamento de água, tem-se um bairro aonde todos irão querer morar. Só que quando isto se materializar, o bairro já ficou caro.

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