Se tem uma rua paulistana que marca a minha vida e de meus familiares, essa sem dúvida é a rua Cachoeira ali no bairro do Brás. Os laços desta via com a minha família já tem cerca de um século, quando meu avô materno ao se casar com minha avó passou a residir por ali.

Perito de cofres da empresa Bernardini, gostava muito da região por além de ser agradável para se morar, era bastante próximo do seu ambiente de trabalho algo que facilitava muito para sua locomoção (meu avô jamais teve carro).

E com isso minha família acabou se enraizando por ali, laços estes que continuam até hoje em algumas propriedades.

Bem vizinho à casa onde residiu meus avós e minha mãe quando solteira existe essa casinha adorável:

Pequenas residências como esta sempre me empolgam. Elas remetem a um tempo onde muitos lares eram pequenos não por falta de espaço, mas por ser uma opção para muitos residentes de São Paulo que compravam suas casas em áreas mais densamente povoadas (o Brás já fervilhava nos anos 1920) e que terrenos livres já não eram uma opção fácil.

No passado as casas não tinham o monte de objetos e parafernálias que temos hoje, sendo assim essas residências não precisavam tanto de espaço como as atuais. Quem se lembra que as casas antigas tinha na cozinha apenas fogão e geladeira ? Nada de forno microondas e outras modernidades que facilitam nossa vida.

A casa mantém, exceto por sua janela, grande parte de suas características originais. De todas a mais graciosa é este pequeno painel de caquinhos de cerâmica vermelha, adornada com estrelas feitas em tom amarelado. Elas ornamentam a área do respiro do porão. É simples, mas de muito bom gosto.

Este trecho da rua Cachoeira é o mais preservado de toda a via. Distante apenas seis quarteirões da famosa Vila Maria Zélia, essa rua não deixa por menos. Abaixo uma breve visão dos imóveis vizinhos:

clique na foto para ampliar

Bem diante da casa, aliás, ficava até alguns anos atrás a Fábrica de Móveis de Aço Fiel, tradicional também na fabricação de cofres e até capacetes para soldados durante a Revolução de 1932. A propriedade foi vendida e demolida, servindo hoje como pátio de estacionamento de ônibus para fiéis da Igreja Universal que vem de outras cidades para conhecer o Templo de Salomão, localizado bem próximo.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Bolívar Pinta Júnior 30/08/2018 at 12:14

    …/… grato pelo interessante registro ! ótimo detalhe dos respiradouros do porão .

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  • FERNANDO TEIXEIRA DA SILVA 30/08/2018 at 13:36

    Tenho afinidade com na região, pois nasci no bairro de Vila Maria Alta onde curti minha juventude por 25 anos, estudei quatro anos no Colégio Manoel da Nóbrega ali no bairro de Vila Maria Zélia; guardo muita saudade das ruas Catumbi e Marcos Arruda passagem obrigatória para quem morava na Vila Maria e trabalhava no centro da cidade tendo que enfrentar o trânsito diário pela Celso Garcia principalmente dentro de bondes e ônibus da empresa Alto do Pari. Aliás, eu tive uma tia que era proprietária de algumas casas por ali também, principalmente na Rua Fernão de Magalhães. Abraço Douglas.

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 30/08/2018 at 18:50

    É interessante notar que, apesar da grande selva de pedre, ainda encontrarmos rua tão simpatica e preservada!

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  • Alexandre Fontana 31/08/2018 at 13:55

    Belíssima casa.

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  • andre santana 31/08/2018 at 15:57

    Essas pequenas casas são bem pitorescas,minha tia já morou em São Paulo na década de 70 e eu me lembro que era uma dessas casas pequenas mas aconchegante…Que saudade!!!Parabéns por nos emocionar e voltar ao passado…Um forte abraço de Goiás!!!

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  • Daniel Pardo 11/10/2018 at 21:54

    Minha avó, que hoje tem 92 anos, já morou no Brás por alguns anos na década de 60, com minha mãe, meu tio e meu avô, já falecido, e ela conta que já naquela época, o Brás estava em decadência, talvez seja por isso que no bairro, que hoje tem muitos comércios de roupas, as poucas residências que ainda existem estejam preservadas, ou ao menos, inalteradas desde a sua construção.

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