Se tem algo que aprecio muito nos bairros, são os pequenos estabelecimentos comerciais. Estes bravos lutadores que resistem às grandes corporações, que no cotidiano tendem a sufocar a tradição de lojas pequenas em quase todos os segmentos de negócios.

São lavanderias, quitandas, avícolas, vendas, sapatarias e mercadinhos de bairro que de alguma forma ou outra lutam com muita dificuldade contra grandes redes. Sempre defendi que estes pequenos empreendedores de bairro, que tanto nos socorrem em situações de emergência, deveriam ter impostos reduzidos ao máximo.

E caminhando na Santa Cecília recentemente encontrei um imóvel que tem dois quesitos que apreciamos muito: casa antiga e um pequeno estabelecimento:

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Localizada na rua Jaguaribe, é uma das várias casas antigas que se espalham por esta via, especialmente no lado esquerdo. São casas centenárias, algumas bem conservadas outras não, que mostram um pouco do passado deste bairro.

E o que me chamou a atenção também, foi a pequena Lavanderia e Tinturaria Bandeirantes, instalada onde antigamente era o porão habitável da residência. Lá dentro encontrei um senhor cuidando do estabelecimento.

Nessa região tem várias lojas deste ramo, algumas de grandes franquias e que disputam o cliente com muito mais recursos do que esta pequenina loja de bairro. Mas elas não tem o essencial: simpatia.

Lavanderia e Tinturaria Bandeirantes (clique na foto para ampliar)

Lavanderia e Tinturaria Bandeirantes (clique na foto para ampliar)

Chegar em um pequeno estabelecimento e conhecer o dono ou quem ali trabalha ajuda a estabelecer uma intimidade básica de relacionamento humano, onde podemos bater um bom papo sobre amenidades e outros assuntos. Isso tudo sem o imediatismo das relações das redes sociais.

O papo pode começar com o tempo “Será que vai chover ?” ou o bom e velho futebol: “Nossa, viu o Palmeiras ontem ?” ou ainda “Quem matou a personagem X da novela Y ?”. Pode não parecer, mas estes assuntos banais ou corriqueiros nos fazem um bem danado.

Se eu morasse por ali, com certeza iria levar minhas camisas e calças sociais para esta tinturaria. E já chegaria perguntando: “Que time você torce ?”. Para ficar ainda mais legal só faltaria ele responder: “Juventus”…

Apóie o comerciante de bairro! Fazendo isso você está apoiando seu bairro contra as grandes redes e franquias que deixam nosso dia a dia cada vez mais sem graça.

Faço questão de divulgar o telefone da lavanderia: (11) 3661-4882.

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

E você, frequenta algum estabelecimento pequeno ou antigo no seu bairro ? Qual é ? E o que te faz frequentar ? Deixe seu comentário.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Luiz Henrique 17/09/2015 at 12:33

    Sim, Juventus!!! Ódio eterno ao futebol moderno!!!! Forza, Juveeeeeee!!!!!!!!!

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  • Luiz Henrique 17/09/2015 at 12:40

    Costumava levar minhas calças num alfaiate na Vila Maria, que estava,segundo o próprio, instalado ali desde 1964.
    Recentemente passei por ali e o local estava fechado.

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  • Paulo 17/09/2015 at 12:52

    ola Douglas, por acaso você conhece um casarão, na rua do rosário, no Macedo em Guarulhos. obrigado Paulo

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  • Clarice Spoladore 17/09/2015 at 13:53

    Também acho importante a valorização do pequeno comércio. Procuro fazer isso aqui em São Caetano do Sul, como já fiz em Cuiabá, onde moramos tantos anos. Só comprava os “importados” de SP em último caso… Primeiro, produtos de Cuiabá e região, depois, de Mato Grosso e, se necessário, de outros estados. O calor de lá castiga verduras e legumes, mas mesmo assim eu os privilegiava nas compras, para o consumo em poucos dias. Sobretudo nas feiras, sem a exuberância e variedade das daqui, eu considerava tudo isso em relação àquelas famílias roídas de sol e calor, estendendo sua pequena produção nas bancas, também modestas…

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  • Dulce Mráz 17/09/2015 at 16:11

    qdo morei na Angélica, talvez tenha usado essa “lavanderia”….

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  • Luciana Candido de Lima 17/09/2015 at 16:47

    Sei como é a Vila Nova Cachoeirinha cresceu muito de 25 anos pra cá e principalmente o Hipermercado Andorinha que começou como mercadinho de bairro, um ponto positivo mas de negativo é que o mercado matou os outros comércios pequenos. Tem um mercadinho de um senhor japonês que resiste bravamente mas não sei até quando.

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  • Marli S. Moreira 17/09/2015 at 20:20

    É sempre um prazer ver essas fotos e histórias sobre esses casarões e bairros. Morei na Rua Barão de Joatinga, uma pequena e única rua entre o Largo Sta. Cecília e e esquina da Rua amaral Gurgel. Bem próximo a Rua Jaguaribe. Fiz uma viagem no tempo agora. Muito obrigada.

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  • Silvia Calçada 17/09/2015 at 20:39

    Que luxo!

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  • danielpardo2015 17/09/2015 at 22:14

    Suponho eu que a loja não deve ser só isso, senão, onde ele lavaria as camisas e os ternos???

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  • Marcia 18/09/2015 at 03:54

    Bom dia!!!!
    Gostei muito . Moro em Lisboa, e aquí também está acontecendo o mesmo, as grandes redes nos sufocam, e também as lojas asiáticas que estao cada dia mais dominando, e querendo acabar com os comércios locais. Temos que ajudar estes pequenos comerciantes, e digo a qualidade é muito melhor sem contar com a amizade e a simpatía que as vezes contribui para mudar o nosso mal humor.
    Nasci em 1956 em Sao Paulo, na antiga Maternidade de Sao Paulo, que hoje foi demotida, nao consigo me conformar, aquele edificio maravilhoso que poderia ser restaurado, um patrimonio histórico para a cidade, uma pena, sem contar os grandes casaroes que foram abaixo, enfim o ” Progresso “, lastimável.
    Vou me contentando por aquí, pois esta cidade é preservada pelo seu valor hitórico, como todas na Europa. As vezes me sinto como estivesse em Sao Paulo na década dos 60, saudades!!!

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    • Carlos Gama 18/09/2015 at 13:41

      Esse crime que você relembra, Márcia, não tem mesmo explicações de cunho moral. Nasci ali, naquela Maternidade, em 46. A maioria dos paulistanos nasceu na Maternidade de São Paulo, demolida para construírem a sede de um grupo bancário. Não há memória, não há respeito pela tradição e nem pela cultura. Uma lástima! Bem, até o idioma atropelam, com “acordos de piratas”.

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  • Carlos Gama 18/09/2015 at 08:48

    Ah, como é importante dar força para os pequenos comerciantes de bairro, que nos prestam serviços com atenção e carinho, pois depende de nós a sua sobrevivência.
    A atenção, a conversa amiga e o bom atendimento, geralmente são características desses profissionais abnegados.
    Aqui, em Santos, perto de casa, na Encruzilhada, temos uma “vendinha” de bairro, onde fazemos a maioria das compras diárias, apesar de termos bem próximos de nós, quatro ou cinco grandes e médios supermercados. Ali, você pára no caixa para papear com a dona ou com o dono do estabelecimento, conversa com outros fregueses, todos do bairro. O atendimento é cordial, amigo e os preços são bons.
    Alguns quarteirões mais adiante, na rua Campos Melo, temos a eletrônica Diaz, onde o dono dá atendimento personalizado à freguesia, ainda que não possa concorrer com os preços das grandes lojas (duas delas ficam mais perto de casa), que dispensamos, pelo atendimento do “seu Dias”.
    A lojinha de R$ 1,99 do seu Carlos – Cunha Moreira – também aqui pertinho, tem a minha preferência em relação às grandes redes.

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  • gualberto cappi 18/09/2015 at 20:42

    Olà Douglas, è isso mesmo!
    Se lembra de quando escrevi aquele artigo pela editora de Milao de arquitetura e urbanismo falando do seu blog? Umas das coisas que tentei realçar foi mesmo este assunto! A importancia de ter uma complexidade de pequenas atividades (comerciais, de artesanato, de serviços, culturais e atè de pequena industria) dentro do espaço urbano, atè a nivel de quarteirao; isto “democratiza” a distribuiçao de riqueza, “socializa” a renda fondiaria, cria boas relaçoes humanas e sensaçao de segurança social, todas coisas tambem de grandissimo valor economico.
    Uma das diculdades para realizar esta forma diferente de cidade, alem da especulaçao imobiliaria que jà por si demonstra ser suficiente, è tambem ligada ào desaparecimento de cadeias produtivas nacionais (medio-pequenas ou atè grandes), engolidas por grupos multinacionais ou estrangeiros, os quais, e nao pode ser diferente, baseiam-se sobre a grande distribuiçao, e è tambem por isso que a quitanda fecha: a renda fondiaria que sobe por causa da especulaçao* (e com isso os alugueis) e os margens comerciais que descem por causa da concorrencia da grande distribuiçao, dentre deste pincer infelizmente, pela perda de todos nos, a quitanda fica esmagada.
    * Sobre o que è o fenomeno da especulaçao immobiliaria/fondiaria e como no Brasil tanto “dinheiro virou concreto” seria interessante fazer algumas reflecçoes.

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  • Dalila 19/09/2015 at 16:54

    Pertinho dessa, na Martim Francisco, entre a Baronesa e a Marquês de Itu tem um sapateiro que também conserta malas. Ao lado, uma portinha-corredor acessa a costureira!!!

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  • Edson Mendes 25/03/2016 at 00:54

    Moro na rua Aureliano Coutinho, a poucos metros dessa lavanderia. Uma vez levei uma peça para tingimento, mas esse processo é feito por um profissional em outro local. Acredito que ali eles apenas façam o atendimento aos clientes. Foi legal ver a referência ao imóvel no site.

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