Eu estava tirando fotografias da Vila D.Pedro II para uma matéria quando me deparei com esta casa bem interessante:

clique na foto para ampliar

Localizada no número 496 da rua Paulo de Avelar, esta residência me chamou bastante a atenção tanto pela sua arquitetura que revela-se bastante antiga, quanto pelo terreno em que foi construída, que é basicamente um morro.

Esta rua meio que é limite entre a Vila D. Pedro II e a Vila Isolina Mazzei (digamos que essa segunda vila fica para trás do imóvel). Explorei as duas vilas inteiras e não encontrei residência mais antiga ou similar que essa.

Para a época dela, não era comum a casa ser construída em uma posição assim tão alta. As casas em terrenos acidentados ou em declive geralmente eram construídas para baixo, dando aquele aspecto ao nível da rua que só víamos o telhado. Essa, por sua vez, foi erguida na parte mais alta do lote e sua estrutura acompanha a descida do terreno.

O imóvel em 2010, com muitas árvores (Foto: Google Street View)

Algo que chamou a atenção neste imóvel, foi a ˝limpeza˝ feita diante dele depois de 2010.

Reparem a fotografia acima, extraída do Google Street View. Havia ao menos duas árvores, uma dela bem frondosa e um muro baixo ao diante da calçada. Tudo isso foi removido, deixando a casa visível. Me questiono como a prefeitura autoriza a remoção de uma árvore desse porte, se é que autorizou (estamos consultando a subprefeitura local).

Isso à parte, sem às arvores e plantas, a bela fachada da casa foi revelada. Apesar de agredida com pichação, a casa encontra-se razoavelmente conservada. Um belo exemplar antigo da região.

Veja mais fotos na galeria abaixo (clique na foto para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • silvia 19/09/2017 at 10:30

    não parece a mesma casa, além das arvores não há muros e portão.

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    • Douglas Nascimento 19/09/2017 at 11:25

      Olá Silvia!
      Leia no texto que explico que muro e árvores foram removidos possivelmente em 2010

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  • Francisco Roxo 19/09/2017 at 10:40

    UMA JOIA DESSAS DEVE SER PRESERVADA E BEM CUIDADA, FAZ PARTE DA MEMÓRIA DE SÃO PAULO, FICO TRISTE QUANDO DEPARO COM DEMOLIÇÕES DE VERDADEIRAS OBRAS DE ARTE DA ENGENHARIA BRASILEIRA, PRINCIPALMENTE PAULISTA/PAULISTANA. O PROPRIETÁRIO DEVERIA PROCURAR UMA CAMINHO PARA RESTAURAÇÃO E CONSERVAÇÃO DESSE BELO IMÓVEL.
    Francisco Roxo .’.
    francisco.roxo@hotmail.com

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  • Rafael 19/09/2017 at 12:58

    Bem singular esse caso, sr. Douglas. Só que, observando, a árvore frondosa da esquerda foi podada de 2010 para cá, e permanece. Se havia duas árvores, só uma foi tirada. E a demolição do muro não foi uma boa ideia, porque expôs a fachada à pichação. É incrível que, diante de uma casa singela e bonita como essa, alguém apareça e a suje com garranchos de tinta… A beleza é algo tão frágil hoje em dia, e está sempre ameaçada. Tem muita gente perturbada andando pela cidade, à noite. Outra coisa interessante são as carrancas das janelas dessa casa: não apresentam aquele feitio de soldadinho com quepe à cabeça, que era tão comum, mas é de ferro bem simples, sem desenho.

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 19/09/2017 at 21:31

    Ainda conserva sua característica bem interiorana !

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  • Daniel Pardo 27/10/2017 at 20:21

    O proprietário não deveria ter tirado o muro da casa, pois aquela porta de madeira me parece frágil.

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