A contínua transformação urbana de São Paulo está sempre trazendo alguma notícia triste envolvendo imóveis antigos. Desta vez foi a demolição de um elegante casarão que ficava em Pinheiros:

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Localizado no número 2620 da Avenida Rebouças, tratava-se de um dos mais belos imóveis desta via e também um dos mais conservados. A exceção de uma porta de vidro que substituiu a original de madeira na entrada da residência, tudo mais estava preservado.

Muitos moradores da região conheciam este imóvel como a ˝Casa do Gatinho˝, não pelo fato de ter um felino de verdade ali, mas sim um delicado gracejo de madeira no telhado, que era um gato perseguindo uma pomba, como mostra a foto a seguir:

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Infelizmente nada disso existe mais, tanto este casarão como dois vizinhos seus à direita – sendo que um deles até já foi mostrado aqui no blog – foram abaixo no final de 2016 para dar lugar a um novo empreendimento imobiliário. Não restou nada, sequer uma árvore foi preservada no terreno.  Será que alguém teve o cuidado de guardar o gato de madeira ?

Na foto, os vizinhos que foram demolidos (Fonte: Google Street View)

Não foi possível levantar os donos originais do imóvel ainda (dicas, mandem para cá). Entretanto na década de 1960 neste imóvel residia uma mulher com o nome Maria L.A.B, cujo telefone era 8-5531. Foi o máximo de informação que conseguimos até o momento.

Sem dúvida uma grande perda para a cidade e, principalmente, para a Avenida Rebouças, cada vez mais descaracterizada.

Veja mais fotos do imóvel antes de ser demolido (clique para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Juno Bass 15/09/2017 at 13:15

    Era nossa paixão de infância. Quando foi alugado ao Bradesco, nos anos 70/80, já começou sua destruição – foi “remodelado” por dentro para ser “adaptado” e teve seu lindo telhado irreversivelmente pintado de cinza prata. E, por fim, acabou destruído, como acaba mais cedo ou mais tarde acontecendo com tudo que é belo nessa cidade.

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  • Vania 15/09/2017 at 13:16

    Que pena! um imovel lindo, um terreno arborizado, arvores sólidas e bem formadas… Quem sabe o que teremos agora no lugar.

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    • Jorge Roberto Coelho Ferreira 15/09/2017 at 14:14

      Cara Vania. Acho que passei centenas ou talvez milhares de vezes em frente a esta casa. para mim servia como ponto de referência já que está a meio caminho entre a Av Brasil e a Faria Lima. Ao menos, tomara que no terreno construam algo relevante e com uma arquitetura digna de se ver, porém eu acho difícil que isso aconteça.

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  • Gleise 15/09/2017 at 13:37

    Realmente é uma pena….a casa era linda…….parecia casa estilo Americana…..triste

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  • Bolívar Pinta Júnior 15/09/2017 at 13:41

    … / …. é possível que tenha havido uma utilização comercial (o Juno Bass menciona o Bradesco) ou algo mais protocolar já que restaram os mastros metálicos junto a fachada …. chamou a atenção os arcos de tijolinho em ambas as laterais … um deles bem exposto e o outro já coberto por uma trepadeira .

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  • rodnei brunete da cruz 15/09/2017 at 17:17

    Certa vez, há algumas décadas atrás, fiz um passeio turístico por São Paulo e esta casa era uma das breves paradas do ônibus, quando então a guia turística chamava a atenção da gente para o estilo da construção e para o detalhe do gato e da pomba no telhado. Que pena que foi demolida.

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 15/09/2017 at 18:14

    Lamentável a perda da história e do bonito para o avanço imobíliario.

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  • Clara 15/09/2017 at 18:51

    Deu até vontade de chorar agora…

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  • Rosilene Maria de Toledo Marciano 15/09/2017 at 19:54

    O imóvel entre 1995 e 2017 é de propriedade de Henrique Brenner. O contribuinte fiscal é 015.039.0018-1.
    Para saber o histórico basta pedir a matrícula primitiva do imóvel e a matrícula atualizada no CRI competente.

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  • Andre Santana 16/09/2017 at 15:46

    Infelizmente as pessoas só pensam no lucro,nunca no valor arquitetônico e histórico…Muito triste!!!

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  • Rosana 21/09/2017 at 01:41

    Ahhh… Que pena!!! Meados da década de 80, eu descia a Av. Rebouças de ônibus e quando chegava perto de uma casa de estilo alemão com os gatinhos no telhado, me sentia encantada!!! Lembro bem que eu procurava sentar do lado que eu pudesse ver aquela cena encantada. Indo diariamente pra FFLCH- USP de 1981 a 1986. E dias atrás passei pela mesma avenida porém não avistei a casa. Senti uma “saudadezinha” no coração. Uma nostalgia me invadiu. Mas muitas coisas daquela época já não existem mais mesmo… nem os gatinhos, nem a casa, nem aquela estudante, nem os sonhos que levava em seu coração. E aliás, tanto os gatinhos como meus sonhos não passaram de uma grande ilusão.

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  • Daniel Pardo 27/10/2017 at 20:01

    Infelizmente isso acontece porque hoje a Av. Rebouças é um grande corredor de ônibus e de carros o que impede a existência de imóveis residenciais ali, os que tem são prédios de apartamentos que cada vez mais vão tomando o lugar de casas como essa, sei disso pois passei nessa avenida anteontem e lá o tráfego de veículos é intenso.

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  • Nanci 24/04/2018 at 07:28

    Mais de trinta anos atrás, quando precisávamos ir a Pinheiros ou ao Jabaquara, eu e minha mãe subíamos a Rebouças de ônibus e praticamente “namorávamos” essa casa. Posso lhe dizer seguramente que, naquele tempo, a casa ainda parecia ser habitada, e era muito bem cuidada. O gatinho que aparece aqui não é nem de longe o original, que era de louça (havia também uns pombinhos mais à frente dele) e era redondinho, bem antigo; havia trepadeiras pro cima do telhado em que o gatinho e os pombos estavam. Impossível não dar um sorriso ao olhar aquela linda casa. Tanto eu adorava essa construção que, assim que adquirimos telefone, fui procurar, pelo número da casa, o nome da família que ali morava. Eram os Arruda Botelho. Espero que esta informação o ajude de alguma maneira. Parabéns pelo blog.

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