Em um país como o Brasil, que parece ser liberal com mulatas sambando seminuas no carnaval e atrizes com seios de fora na televisão, falar sobre erotismo e sexualidade na história ainda é um tabu. E sinto isso quando faço qualquer pesquisa relacionado a boates, saunas e cabarés do passado, sejam eles voltados para público homo ou heterossexual. Locais que marcaram época, como a La Licorne na Vila Buarque, ou a Gent’s no Ibirapuera parecem não terem sequer existido.

E recentemente me chamou a atenção o risco que corre o casarão que por cerca de 15 anos abrigou uma famosa sauna masculina, a Labirinttus.

clique na foto para ampliar

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Em julho de 2012 a Labirinttu’s mudou de endereço. Saiu do antigo casarão da foto acima, localizado no número 135 da Rua Frei Caneca, para outro imóvel no número 328 da mesma rua.

Desde então o velho casarão está em uma situação de esquecimento que é preocupante. Alguns vizinhos dizem que o local poderá ser demolido em breve, junto com o estacionamento ao lado, enquanto outros dizem que o mesmo deverá ser reformado e descaracterizado.

Enquanto não sabemos o futuro do antigo casarão, vemos ele se deteriorar aos poucos. O telhado já apresenta várias falhas, que podem ocorrer entrada de água durante as chuvas, o que eventualmente pode ocasionar o desabamento do forro do andar superior. Apesar disso a aparência externa é boa, mantendo todos os detalhes da fachada preservados. A cor vermelha é da época da sauna.

Será que veremos mais um casarão da Rua Frei Caneca, um dos últimos, desaparecer ? Estamos acompanhando.

Boates, saunas, bordéis e danceterias do passado. Alguma chamava sua atenção ou marcou você ? Deixe seu comentário dizendo qual era e vamos tentar descobrir um pouco da história destes locais.

Veja mais duas imagens do casarão:

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Veja o local através de nosso mapa:

Visualizar São Paulo Antiga em um mapa maior

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Alexandre Giesbrecht 04/12/2013 at 10:19

    O antigo Love Story virou um estacionamento. Não dá nem para imaginar que um dia houve uma boate ali.

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    • Vinicius Campoi 04/12/2013 at 11:35

      Será que o amigo não está se referindo a Kilt?
      A Love continua lá na rua Araújo…

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  • Luis Borges. 04/12/2013 at 10:47

    Douglas, material com certeza não irá faltar. Segue uma pequena lista: Oba-Oba do saudoso Sargentelli na av. Paulista. Boate Viva-Maria na rua Santa Isabel. Boate Vagão Plaza na Nestor Pestana. Boate Oásis (agora Executivo) no sub-solo do edifício Esther na praça da Republica… só pra citar algumas

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    • Tiago Zanini 05/12/2013 at 01:57

      O Executivo eu cheguei a frequentar! Virou uma casa underground… Agora não sei se ainda funciona, sempre que passo de madrugada esta fechada… Gostaria de saber mais sobre esse lugar, gostava muito de frequentar a casa!

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  • ralphgiesbrecht 04/12/2013 at 13:28

    Ora, mande as damas-da-noite arrumarem…

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  • Sergio 04/12/2013 at 14:20

    Desta vez, meu amigo Douglas, irei discordar veementemente desta matéria. Sempre tenho achado suas matérias e fotos muito boas, algumas excelentes. Mas desta vez, se me permite, com toda educação, discordo. Acho que esses locais que abrigavam saunas, boates e lugares onde havia, com certeza, pessoas praticando atos nada recomendáveis, a demolição é uma benção. Nada de puritanismo, não. Apenas estes lugares, estes sim, MERECEM ser demolidos e transformados em outras construções mais nobres, onde possa funcionar, por exemplo, bons teatros, cinemas, centros culturais e até moradias. Estes lugares, em minha opinião carregam energias ruins e nada construtivas para a nova sociedade que queremos construir, com valores mais éticos e com a dignidade humana elevada a um padrão melhor. Cultuar ou querer que estes lugares sejam preservados, em minha opinião é um ridículo erro. Temos que preservar aquilo que nos traga alguma cultura e enriquecimento da inteligência e da alma. De lugares onde há ou houve pessoas “curtindo a vida, sem nenhuma responsabilidade para com nada”, devemos esquecer. Não condenar a ninguém. Isso não. Mas daí a cultuar e/ou resguardar estes lugares vai uma distância monumental. Façamos destes lugares novos lugares, mais arejados espiritualmente, moradias, casas de cultura, prédios de uso público, etc. Não conservemos estes lugares, com energias negativas. Agradeço a oportunidade de colocar a minha opinião. Espero ter contribuído para a construção, sem nenhum tipo de falso moralismo, para uma sociedade melhor para todos nós.

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    • Amanda 04/12/2013 at 16:53

      Ética, moral e “dignidade” são conceitos muito divergentes.
      O que isso significa para você?

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    • androsleee 04/12/2013 at 17:47

      E eu devo discordar veementemente de você. Quem nunca fez ou nasceu de um ato sexual que atire a primeira pedra. Não acha que condenar ou reprimir a sexualidade seja um ato hipócrita e um falso moralismo, como bem lembrou? Espero que em sua vida nunca tenha pago uma vez sequer para se deitar com uma puta, para que ao menos sirva um pouco como bom exemplo de suas tão irreais palavras. E outra, quem defende a manutenção do casarão quer preservar o imóvel e não os atos praticados em seu interior

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      • CABRAL 04/12/2013 at 22:11

        Concordo com voce androslee, Estamos apreciando a arquitetura do empreendimento, e não o que se comercializava !!! no mais duvido que o Sr. Sergio nunca frequentou um desses lugares??? NÃO SOU A FAVOR DE PROSTIBULOS .Mas, se tem uma coisa que me irrita é falso moralismo e hipocrisia…detesto! … A Mente é tao suja , maldosa e promíscua vê sujeira em tudo o que olha.!

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        • Pardo 13/04/2014 at 16:08

          Pois é colega, e parte dessa “moral cristã” é extinguir tudo que lembre o “pecado”, mesmo que sejam imóveis com grande valor histórico.

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    • Douglas Nascimento 05/12/2013 at 10:59

      Sérgio,

      Normalmente eu não respondo comentários, mas resolvi respondê-lo porque discordo totalmente de você.
      Como historiador não me permitiria jamais em ocultar traços da nossa história e muito menos defender o fim de uma construção ou outra porque ali funcionou um estabelecimento com uma atividade da qual eu discordo. Ou mesmo um local de crime, por exemplo.

      A história não está ai para ser ocultada, está para ser contada. E os erros e acertos do passado existem para serem contados em prol de um futuro melhor.

      Imagine se historiadores e pesquisadores tivessem optado por apagar todos os traços do nazismo, porque “tem energia ruim”. Sem referência, explicações tudo poderia acontecer novamente, afinal, se não temos registro histórico não poderíamos avaliar se o nazismo foi bom ou ruim.

      Assim, respeito, mas discordo de você.

      O objetivo do São Paulo Antiga é contar a história de São Paulo e não nos cabe fazer julgamento se o lugar é bom ou ruim, antro de pecado ou templo de paz. Esse julgamento não cabe a nossa filosofia editorial e não podemos nos furtar de ser isentos no tratamento com a história.

      Abraços e obrigado por sua opinião. Discordar faz parte do jogo democrático e é bem vindo.

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    • Gustavo Campos 29/03/2015 at 03:03

      E desde quando uma construção tem que pagar pelo preço do que aconteceu ali, e esse preço tem que ser a demolição? Se fosse assim, só para dar exemplos próximos, casas onde ocorreram crimes como a da Rua Cuba, a da Vila Brasilândia (onde família Pesseghini foi assassinada) e o prédio onde os Nardoni jogaram a filha da janela também teriam que ser derrubados, afinal, existe energia mais negativa do que essa? E nessa casa da Frei Caneca, funcionava uma sauna masculina, tipo de lugar que só vai quem quer. Por favor, não misture as coisas.

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  • Luiz Henrique de Souza Alineri 04/12/2013 at 17:20

    Estes lugares merecem ser destruídos? Você deve estar se referindo às atividades,creio eu,pois os casarões,a despeito de terem servido à tais práticas,não têm culpa nenhuma disso!
    O que o Douglas quis dizer(pelo menos foi o que entendi) é que o Brasil tem um forte apelo sensual,não só mas principalmente na época do Carnaval(há muito tempo é assim) com aquelas vinhetas da “mulata” e a própria transmissão dos desfiles em si,e,em contrapartida,lugares que serviram para “os atos consumados” é um tanto difícil de se conseguir um histórico.Penso que o Douglas se referiu a um paradoxo,não é isso,Douglas?

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  • Antonio Antunes 04/12/2013 at 19:39

    Douglas parabéns pelo otimo trabalho.
    Concordo com o Luiz Henrique, se fossemos pensar em destruir todos os lugares foram “indevidamente” usados deveriamos começar por Roma aonde as ruinas dos antigos “prostibulos” da Roma Antiga que hoje são considerados monumentos historicos e patrinomio da humanidade.

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  • Alexandre Giesbrecht 04/12/2013 at 20:08

    Lembrei de outro. Na Rua Pedroso, bem ao lado do Pão de Açúcar, havia uma “casa de tolerância” sem nome. Foi demolida no ano passado ou retrasado, e já estão levantando um espigão de apartamentos minúsculos. O terreno é grande, pois o local tinha um “motel embutido”, com saída para a Maestro Cardim, além de um amplo estacionamento ao ar livre, que era possível ver da rua. O prédio do estabelecimento, entretanto, não era grande coisa em termos arquitetônicos ou históricos.

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    • Gustavo Campos 29/03/2015 at 03:09

      Era uma casa chamada New House. e o motel que tinha saída para a Maestro Cardim se chamava Galeria. Foi tudo derrubado para dar lugar ao condomínio.

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  • Klaus 05/12/2013 at 13:57

    Ótima matéria! Lembrando que por anos durante o funcionamente da Labirintu’s, ficava estacionado na casa uma GM Veraneio Vermelha 1968 em perfeito estado, raridade! Tanta história, tantos valores jamais devem ser esquecido ou destruido por preconceituosos, hipócritas!

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  • Alex B 06/12/2013 at 00:06

    E os falsos moralistas sempre ´prontos a se manifestar e querer controlar os outros para assim, quem sabe, reprimir os impulsos que não conseguem conter em si mesmos. Que energias negativas, caro Sérgio? Sim, existe exploração em prostíbulos, mas para desespero de gente como você, também há mulheres que fazem sexo por dinheiro e/ou diversão sem culpa e gostam disso. Então, os lugares em que as pessoas vivem sua sexualidade longe da repressão insana e doentia dessa sociedade podre e hipócrita ao extremo devem ser esquecidos? Ou seja, a história de uma sociedade só deve conter o lado bonzinho, limpo e educado dela?
    Que triste. Então,o número 69 darevista da Biblioteca Mário Andrade, recém-publicada no site da Imprensa Oficial, e que trata inteiramente de sexo e “safadezas”, também deve ser combatida?
    Em tempo: frequento e sou favorável a puteiros!!!!

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  • Priscila Andrade 22/01/2014 at 01:02

    Sérgio, a memória precisa ser democrática. Prostitutas e afins fazem parte da construção da cidade como qualquer outro cidadão, Muitas atrocidades morais aconteciam nos palácios da Justiça, Política, Estado e etc… e nem por isso estes devem ser destruídos! Como Historiadora creio que a História não é uma criança mimada para a qual devemos contar apenas o que deseja ouvir.

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  • denise 21/02/2015 at 03:42

    Eu li alguns livros adultos do Marcos Rey e a maneira que a SP antiga eh retrarada eh incrivel! Sao citadas em algumas obras boates que nao sei se realmente existiram, tenho muita curiosidade: oasis, la licorne, le jeviens… Se alguem souber compartilhe por favor! (perdoem a escrita ruim, postei do tablet)

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  • Fernando 19/05/2018 at 09:33

    O paulistano não tem muita criatividade. Destrói os casarões antigos e transforma em estacionamento.

    O que é uma construção histórica comparado a minha opção de guardar carros, não é?

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