A chegada do cinema em São Paulo nos primeiros anos do século 20 fez com que a sétima arte logo se transformasse em uma das principais diversões da cidade. O cinema mudo, ainda rudimentar, exibido em prédios geralmente precários e com poucas condições de segurança atraía multidões de todas as idades.

Ruas como Gasômetro, São Caetano e de São João (esta a atual avenida com o mesmo nome) eram os principais endereços paulistanos.

Muitas destas salas de cinema foram de duração efêmera, tempo geralmente curto demais para fazer do estabelecimento um marco importante da cidade, sendo rapidamente esquecidos. Um exemplo a mencionar é o Chantecler Theatre:

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Inaugurado em novembro de 1910 o Chantecler foi um cinema paulistano de duração de apenas dois anos. Localizado no número 17 da Rua General Osório chegou a dividir seus horários de exibição com horários de ringue de patinação uma atividade bem concorrida na São Paulo do início do século passado.

O nome do cinema foi uma homenagem à obra em verso de mesmo nome escrita pelo poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand. O salão principal do imóvel do cinema era adornado com duas pinturas em alusão a esta obra.

Administrado pela empresa de cinemas F.Serrador & Comp o Chantecler manteve-se em atividade até 1912, quando teve sua propriedade transferida para a companhia D´Errico & Bruno tendo seu nome então alterado para Teatro Rio Branco.

Sob esse novo nome permaneceria em funcionamento até 1924 quando teve seu funcionamento embargado por um breve período de tempo, por estar em desacordo com a legislação municipal. Reaberto ficou em funcionamento por poucos meses, até ser transferido no início de 1925 para um novo cinema onde hoje fica o Edifício Julia Cristianini na rua Santa Ifigênia.

Nota:

  • *1 – A numeração 17 de 1910 não corresponde à atual, já que na década de 1930 houve uma alteração no sistema de numeração da cidade. Não é possível precisar o número exato atual.

Dados do cinema:

  • Inauguração: 10/11/1910
  • Administração: Empresa F.Serrador & Comp
  • Capacidade de público: 31 camarotes de capacidade não divulgada e 700 cadeiras na plateia.
  • Período de ringue de patinação: Maio/1911 – horário de 18:30 até 22:00hs
  • Encerramento das atividades (como Chantecler): 31/01/1912

Bibliografia consultada:

  • Correio Paulistano – Edição 16.980 – pp 3
  • Correio Paulistano – Edição 16.982 – pp 3
  • A Vida Moderna – Edição 80 – 03/12/1910 – pp 24, 25
  • http://www.arquiamigos.org.br/bases/cine3p/historico/00197.pdf – em 11/01/2019

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 11/01/2019 at 12:33

    F. Serrador deve ser Francisco Serrador. Foi um empresário espanhol de peso no ramo do entretenimento aqui no Rio no início do século. A ideia da Cinelândia, no Centro do Rio, foi ideia sua. Há um ex-mega-hotel na região com sua nome; e um busto no calçadão da região.

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    • Douglas Nascimento 11/01/2019 at 12:43

      É ele mesmo! Várias salas do centro paulistano ficavam sob sua tutela.

      Reply
      • Taylor 11/01/2019 at 17:43

        Aliás, nos anos 70 o Circuito Serrador reunia as maiores e melhores salas de cinema.

        Reply
  • Liliane de Paula Martins 11/01/2019 at 18:27

    Muito bom saber dessa história.

    O que é URL que se pede na minha identificação?
    Tento colocar meu Blog e não aceitam.

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    • Douglas Nascimento 11/01/2019 at 21:44

      seria um link para o seu site, se você não tem pode deixar em branco

      Reply
  • Liliane de Paula Martins 11/01/2019 at 18:29

    Esqueci de dizer que por aqui, na região do antigo meretrício (hoje é o Recife Antigo) existia uma boate-inferninho chamada Chantecler.
    Seria do mesmo dono?

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  • Paulo Clístenes Vieira da Silva 12/01/2019 at 18:34

    Certos empreendimentos realmente têm vida curta, apenas passam pela história!

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