E aqui estamos mais uma vez para mostrar para vocês como está o andamento da obra da futura sede do Instituto São Paulo Antiga.

No primeiro diário mostramos as condições ruins em que o sobrado se apresentava, fruto de estar vários anos sem qualquer tipo de intervenção. A primeira etapa da obra ataca aquilo que está mais danificado na edificação: o telhado.

O madeiramento antigo, já sem as telhas sobre ele

Desde que o sobrado foi construído praticamente nada foi feito no telhado, exceto pela troca de uma ou outra telha que eventualmente tenha quebrado ao longo de quase 7 décadas. O resultado disso foi que nada do telhado seria possível de ser aproveitado. Sejam as telhas, o madeiramento e até o tradicional estuque tudo teve que ser arrancado. Isto é, o que não caiu sozinho durante a inspeção.

A começar pelas telhas, elas estavam terrivelmente gastas, algumas delas até quebradiças de tão ruins. A situação delas era tão terrível que sequer foi possível pensar em doá-las para alguém, boa parte delas iam quebrando à medida que retirávamos do lugar.

O madeiramento e telhado antes da remoção

O madeiramento por sua vez, escorava-se no estuque. Anos sem qualquer tipo de manutenção deixaram as madeiras completamente vulneráreis a ataques de cupins e eles não tiveram misericórdia, devoraram boa parte da estrutura feita de madeira de má qualidade e aparentemente sem o tratamento ideal.

Ao retirar o estuque do quarto da frente, que abrigará a futura biblioteca, o madeiramento e o telhado daquela parte caiu sozinho já que o material não tinha mais forças para se sustentar, um perigo.

Já no quarto do fundo, não havia o mesmo telhado padrão da casa. Este quarto do fundo não aparece na planta original e foi construído depois, por isso optaram por um forro de pvc e telhas de amianto. Agora receberá o mesmo telhado, madeiramento e forro do restante da casa. Neste cômodo funcionará o estúdio de gravação e fotografia.

No cômodo do fundo, telhas de amianto

Aproveitamos a remoção do telhado para também já remover os tacos que ainda restavam e o acabamento das paredes. No primeiro momento até pensamos em recuperar os tacos, mas já faltavam muitos e optamos por acabar de tirar o que sobrou, ainda estamos pensando se faremos piso em cimento queimado ou piso frio.

No caso das paredes o lado esquerdo do imóvel será de tijolos aparente enquanto o lado direito terá acabamento padrão.

E foi já sem o telhado que descobrimos algumas peculiaridades do imóvel:

1) O cano de água da rua não seguia um caminho padrão (dá pra ver na foto que abre este texto). Ele subia da rua pela parede esquerda mas em certo momento ao invés de seguir pela parede ou pelo canto do telhado, atravessa o imóvel indo até a caixa de água.

Este cano mal posicionado foi um grande causador de problemas no madeiramento, já que feito de ferro já apresentava sinais de corrosão e devia gotejar sobre as madeiras causando enfraquecimento do material. Como a obra original foi feita à época por um engenheiro fica difícil entender a ideia que passou pela cabeça da pessoa em instalar este cano em uma posição tão maluca.

2) A caixa de água mais estranha que já vi até hoje definitivamente está no sobrado. Ao invés das tradicionais caixas em amianto que eram feitas antigamente, optou-se por uma em concreto que é comum na construção de edifícios mas não em residências.

Fica difícil até entender como o estuque aguentou este peso enorme por tantos anos, pois se a caixa já é pesada vazia imagine-a cheia d’água. Sem contar que por dentro a caixa não tinha qualquer tipo de revestimento ou mesmo de proteção.

3) Havia muita tranqueira guardada no telhado. Mas o que mais me chamou a atenção foi este engradado de madeira da Coca-Cola que estava por lá. Fico pensando porque meu avô ou minha avó guardaram isso lá, uma pena que ela apodreceu senão seria uma peça de decoração interessante.

O QUE FAREMOS NO LOCAL:

A reforma irá recuperar totalmente a velha residência, de modo a deixá-la apta para receber a sede do nosso instituto. O andar superior irá contar com o nosso escritório, biblioteca e saleta de pesquisa, além de estúdio para fotografia, vídeo e gravação de podcasts. O inferior contará com cozinha profissional para aulas, pesquisas e workshops voltados para a culinária paulista e nacional, sala de aula, recepção e reserva técnica.

É importante frisar que a obra está sendo tocada com nossos parcos recursos e que pode demorar mais que o previsto. A colaboração de nossos leitores, seguidores e apoiadores será fundamental para o bom andamento de nossos trabalhos.

Se você entende que pode nos ajudar, entre em contato conosco para fazer uma doação. Qualquer valor nos ajuda, ou se preferir pode ser uma colaboração com a compra de materiais que estamos precisando. Uma vez aberta a sede do Instituto São Paulo Antiga será acessível para todos que tem interesse em nossa história.

Para depositar uma doação:

BANCO DO BRASIL
Agência 383-2
Conta Corrente 41822-6
Favorecido: Douglas Rodolfo Nascimento
CPF 198.517.818-43
Se preferir temos opções no Itaú, Bradesco, PagSeguro e Paypal.

Abaixo um breve vídeo mostrando como estava o andar superior já sem o telhado:

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comments

  • Fernando da cunha canto filho 29/11/2019 at 10:48

    Almejo q isso seja o inicio de grande ideal.

    Reply
  • Bordoletto 29/11/2019 at 13:46

    Se vcs vão usar brasilit, é bom passar umas boas camadas de manta termo-acustica, se não, nem com ar condicionado vcs vão aguentar o calor.

    Reply
    • Douglas Nascimento 02/12/2019 at 08:52

      Olá Bordoletto!
      Nada de Brasilit, telhado tradicional somente, havia brasilit num cômodo mais novo no fundo da casa (onde será o estúdio) mas removemos.

      Reply
  • Elizete 29/11/2019 at 21:08

    Sei muito bem o que é mexer em casas antigas, pois meu avô materno era construtor e fez uma vilinha na R Oratório…como elas tem perto de 100 anos, estou bem entendida em matéria de telhados, pisos, caixas d água, janelas de madeiras e por aí vai! Não se afobe, no fim dará tudo certo.

    Reply
  • Fabio T.Yamamoto 30/11/2019 at 07:45

    Douglas, se a casa tem em torno de 70 anos, com certeza ainda se utilizavam madeiras de peroba no telhado.Que eu saiba cupins não atacam perobas porque elas são duráveis e resistentes ao tempo.Acho que não deveriam substitui-las porque hoje em dia os telhados são utilizados outro tipo de madeira devido a escassez de peroba.

    Reply
    • Douglas Nascimento 02/12/2019 at 08:54

      Não sei dizer se era peroba, mas pouco da madeira se aproveitou. Ela estava totalmente podre, tomada por cupins. Alguns pontos da casa só se sustavam porque o estuque estava segurando a madeira do telhado.

      Reply
  • Fernando Eduardo de Almeida David 30/11/2019 at 17:33

    Parabéns…por favor guarde o engradado do refrigerante….ou tente de alguma forma restaura-lo,ficará muito bonito vê-lo exposto

    Reply
    • Douglas Nascimento 02/12/2019 at 08:55

      Doei a caixa para um amigo que coleciona embalagens de refrigerantes e afins. Terá um bom destino.

      Reply
  • Luiza Mafalda Guasco Peixoto 01/12/2019 at 10:45

    Fico contente por essa iniciativa de reforma para abrigar o Instituto, mais um espaço de acervo e Memória. Com atividades educativas.
    Parabéns.
    Ainda farei minha contribuição modesta mas militante.
    Abraços.

    Reply
    • Douglas Nascimento 02/12/2019 at 08:55

      Obrigado pela mensagem Luiza! Abração

      Reply
  • Lucas Lieggio 06/12/2019 at 20:42

    Na casa de minha avó paterna, que é antiga, tem engradados com vasilhames de refrigerantes antigos, como Pepsi, Guaraná Brama, Crush. Estão em um quarto de tralhas. Eram completos e originais. Cansei de falar que tem valor, mas ninguém de da ouvido. Salvei a carcaça em baquelite de um radinho RCA dos anos 50, tá de decoração na chocolateria que tenho com minha esposa.

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