Desocupado e esperando sua demolição, o Edifício Francisco Herrerias quase nunca é citado quando se fala da recuperação do entorno do Mercado Municipal da Cantareira, o popular Mercadão. Os comentários sempre são voltados aos seus vizinhos mais altos, o São Vito e o Mercúrio, mas o Francisco Herrerias merece tão ou mais destaque que os demais.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Apesar de deteriorado externamente com muita pichação e com sua fachada bastante desgastada pela poluição e anos sem uma limpeza eficiente, o edifício é de longe o mais bem conservado dos três e aparentemente o que possui os apartamentos mais amplos, inclusive com largas sacadas em suas laterais.

Mesmo com suas lojas bloqueadas com uma parede de blocos colocadas pela prefeitura de São Paulo, e com toda a pichação do prédio ainda é possível notar a beleza desta construção, como nos detalhes decorativos da porta de entrada do edifício, onde um “H” estilizado reforça o sobrenome Herrerias (vejam as duas últimas fotos da galeria).

Sem dúvida alguma o prédio está em excelente estado de conservação e não encontrei na visita que fiz ao prédio nenhuma razão realmente justa para colocar este prédio abaixo. Bem como é difícil encontrar alguma razão para demolirem seus vizinhos “grandões” São Vito e Mercúrio.

É a cidade de São Paulo eternamente refém da megalomania de seus governantes.

Quem foi Francisco Herrerias ?

Não foi possível descobrir ainda quem foi Francisco Herrerias, que dá nome ao edifício que catalogamos hoje. Se você sabe quem foi, ou conhece alguma informação que possa ajudar nesta pesquisa, entre em contato conosco ou faça um comentário logo ao final deste texto e sua informação será muito preciosa para a catalogação histórica dos edifícios de São Paulo.

Confira outras fotos (clique na miniatura para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
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Foto: Douglas Nascimento
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Outros imóveis já cadastrados nesta região:

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Jose Roberto Marforio 19/12/2009 at 07:08

    Amigo Douglas,

    A história é implacavel com algumas pessoas, mas o Francisco Herrerias era um comerciante espanhol, que fornecia sacos de juta para as empresas atacadistas da zona cerealista. Ele construio o Santo Vito e tinha sua empresa na loja localizada no terreo do edificio.Talves tenha sido o maior fornecedor de sacos para este segmento no Brasil.Não tenho conhecimento de onde teria sido tomado o nome do edificio – Santo Vito.

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  • Jose Herrerias Bolfarini 05/02/2010 at 18:25

    com certeza foi o maior comerciante de sacos de juta do Brasil,pois ele fornecia todo o nosso pais,tem muitas historias sobre ele,começando do nada fez uma fortuna comprando sacaria usada e reformando e vendedendo(novas tambem),deixou toda familia bem de vida.Um homem de estatura mediana,bom,amigo e leal com os seus parceiros. Seus negocios tambem era instalados na rua Santa Rosa e Paula Souza,deixou outras marcas(predios) sua na cidade de São Paulo,mas pelo abandono governamentais dos centros da cidade,as familias de certa forma tiverão de abandonar as propriedades,porque nada passou a valer nada.morei nesse predio,e meu titiu não era para ser esquecido desse jeito.com todo carinho Zezinho

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    • Juliana 22/02/2010 at 14:45

      Oi, José! Pelo jeito carinhoso de sua manifestação, seu tio deve ter sido uma figura e tanto. Que bacana ter lembranças tão boas… Um abraço!

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    • suli scatena 20/09/2010 at 22:04

      Caro José H.

      Por favor, gostaria de saber a data da construção do edifício F. Herrerias.

      Att,

      Reply
    • Victor Garcia Bonastre 14/01/2012 at 14:32

      Oi, José. Eu também morei nesse Edificio nos anos 50 e 60. Conheci seu tio e gostava muito dele. Era uma pessoa simples e bonissima. Realmente não merecia ser esquecido. Na época eu era criança, morava em São Caetano e quando meu pai faleceu fui prá lá morar com meus avós. Meu avô foi o zelador do prédio. Lembro muito muito bem que o apartamento de sua familia era no 4º andar. O de nº 40. E no apto. 42, morava a Dna. Cremilda. Meus olhops se encheram de lágrimas ao ver o prédio demolido. Mas enfim, é a vida. Um grande abraço

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  • mucio silva borba junrio 10/03/2010 at 11:35

    Infelizmente não há um planejamento. Os edifioios estão virando albergue de mendigos e drogados e nada é feito. Não seria o caso de restaurar e vender a preços populares

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  • EVANDRO BIANCO 17/03/2010 at 17:40

    No último dia 5,eu e minha esposa resolvemos descer para o Guarujá.Sempre vamos à noite pois somos de Ribeirão Preto e aqui é muito quente.A Pinheiros estava em obras e tivemos que pegar outro caminho até chegar-mos na Av.do Estado.Quando avistei o ed.Francisco Herrerias confesso que fiquei meio que amedrontado pois estáva-mos perdidos em SP altas horas da noite más,ao mesmo tempo fiquei fascinado com a dimensão daquele edifício todo pixado e abandonado.Pensei,só em São Paulo mesmo…Conseguimos finalmente chegar à Imigrantes,aproveitamos o FDS mas acreditem que aquele prédio não saiu da minha cabeça até hoje?Ótimo trabalho de vc’s resgatarem tudo isso e divulgar através de fotos e documentos a falta de interesse dos nóssos comandantes.

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  • DANIEL SANCHES MARTINES 31/03/2010 at 14:22

    Também penso como a maioria, deveria ser criado um cadastro pela Cohab, com futuros moradores dispotos a arcar com as despesas da reforma de seus apartamentos e revitalização das fachadas destes predios abandonados. Com a falta de moradias, é super facil criar cadastro composto de familias. Não existiria gasto para a Prefeitura de São Paulo. E posso garantir que não faltara familias, interessadas nesta parceria.

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  • Pereira 09/06/2010 at 08:58

    Ontem(08/06/2010) passei em frente e esse predio, comofaço todos os dias, e notei que sua fachada terrea esta toda comerta por tapumes, será o inicio de uma reforma??? Ou inicio de uma demolição???

    Reply
    • Ricardo Benavides 10/06/2010 at 12:42

      MEUS TIOS POSSUEM VÁRIOS ARMAZÉNS AÍ NA STA ROSA,INCLUSIVE 3 SÃO DE FRENTE A ESTE EDÍCIO ,NO QUAL É CHAMADO DE TREME TREME,FIQUEI SABENDO QUE ELE ESTA SENDO DEMOLIDO AOS POUCOS,E O NOME DA EMPRESA QUE ESTA FAZENDO O SERVIÇO É(DEMOLIDORA NÓIA),CONSTITUÍDA PELOS EX-MORADORES DA CRACKOLÂNDIA.

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  • André Herrerias Pinto Coelho 22/06/2010 at 11:35

    Sim, infelizmente será demolido o Edifício para a revitalização do centro de São Paulo.

    Uma pena ser feita desta forma, mas parece ser cultural e bem paulistano a forma de trabalho no centro.

    Ao que sabemos até este momento teremos um parque com estacionamento na área dando suporte ao mercado e ao novo museu instalado na antiga prefeitura.

    Completando a história do prédio Francisco Herrerias, foi construído pelo meu avô Antonio Herrerias o nome foi dado em homenagem ao seu pai.

    Antônio herrerias foi engenheiro formado pela faculdade Mackenzie e teve atividade no mercado de cachaça e café no interior de são paulo.

    Ainda temos mais duas obras dele na rua Snt Rosa que parece estar sendo revitalizada de forma mais histórica até este momento, esperamos que seja feito um boulevard na rua para que os amantes da boa culinária possam desfrutar de mais um espaço gastronômico na cidade.

    Um abs a todos

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    • suli scatena 20/09/2010 at 22:08

      Caro André, sabe dizer a data da construção do edifício Francisco Herrerias? Quando ficou pronto? Teria alguma foto antiga deste belo edifício, enquanto era ainda bem habitado?

      Reply
  • Tikk 23/07/2010 at 14:48

    Olá colegas.
    Fui segunda-feira para São Paulo, e a demolição desse edifício já começou. Já está sem as janelas.
    É triste ver um prédio desses se transformar numa extensão do ocioso pque. D. Pedro.
    Mas infelizmente é assim.

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    • Juliana 25/07/2010 at 10:49

      Passei ali pela rua Santa Rosa semana passada e fiquei triste ao ver o Francisco Herrerias assim. Ao contrário do São Vito, acho que este prédio poderia ser recuperado. A arquitetura dele é sóbria, discreta, não é um prédio que se destaca, mas ele tem sua graça e percebe-se que a construção foi bem feita. Lamentavelmente desaparecerá para dar lugar a mais um projeto urbanístico dos mais burros, porque já está comprovado que não funciona em uma cidade como São Paulo… (suspiro)

      Reply
  • ana 08/09/2010 at 20:03

    faz muito tempo que deixei de amar as coisas desta cidade… Nada é preservado da ganância e loucura de administradores para os quais só interessa enterrar a história de um grande povo e lucrar com isso.

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  • suli scatena 20/09/2010 at 21:54

    Não acho que esses edifícios abandonados deveriam ser vendidos a preços populares. São um belo patrimônio histórico e na minha opinião deveriam ser inteiramente reformados e vendidos a preço de mercado, dependendo da área de seus aptos.
    Desta forma acredito que seriam melhores conservados.
    .
    Gostaria de saber a idade do edifício HERRERIAS, alguém sabe quando foi construído?

    Reply
    • Juliana 07/10/2010 at 22:21

      Suli, boa noite! Também gostaria de saber a data da construção desse prédio, mas olhando para a fachada dele e pelo tipo dos acabamentos usados eu diria que ele foi construído entre o finzinho dos anos 40 e metade dos 50 do século passado. O estilo é racionalista, com reflexos tardios da arquitetura da Bauhaus e mesmo do art-déco. Será que alguns dos sobrinhos do sr. Herrerias presentes neste fórum poderiam confirmar (ou refutar) meu chute?

      Reply
  • Karin Peixoto 18/11/2010 at 11:08

    Puxa pelo que parece foi um edificio muito bem construido e deveria ser um ótimo lugar para se morar em seus tempos aureos.
    Apesar do estado, seus apartamento parecem bem aconchegantes junto com as maravilhosas sacadas.
    Somente a nivel de curiosidade, se vcs assistirem ao filme São Paulo S/A, poderão ver muito da São Paulo antiga, inclusive o centro que ainda era um lugar muito bom para se viver. abçs!

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  • LISA*SM leo 01/12/2010 at 11:00

    BOM SO O LISA O LEO SO DE SAO MATEUS ZL EU JA SUBI NESSE PREDIO E AXEI A ETRUTURA MUITO BOA, POIS LA DE CIMA TIVE UMA VISAO SUPER BOA EM QUAL FIQUEI LA POR VOLTA DE UNS 40 MINUTOS REFLETINDO UM POCO,,,,

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  • Théia Cabral 18/12/2010 at 00:18

    Boa noite para todos…concordando com a Karen Peixoto,realmente o Ed.Herrerias era um lugar ótimo de se morar e muito tranquilo,morei lá desde 1972 até 1982,passei minha adolescência lá…tenho lembranças maravilhosas…todos os moradores se davam bem,podia-se até sair embaixo e deixar a porta sem trancar que não tinha perigo nenhum.Naquela época o Pedro Herrerias que era o dono,ótima pessoa.Meu filho nasceu neste prédio.Pena que coisas assim não são conservadas,fico triste pela demolição…só restam as fotos.

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    • Ivan 07/05/2011 at 21:08

      Poste fotos antigas deste prédio….

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      • reginaldo 04/10/2013 at 01:59

        Theia, tambem morei nessa epoca e não lembro de vc. qual andar vc morava?

        um abraço Reginaldo

        Reply
  • livia 20/05/2012 at 12:51

    passei de frente desse predio ontem 19/05/2012 nao foi derrubado foi reformado tenho parentes que moram lá o pessoal de la diz que ele treme e diz que ele e enclinado nada ver o predio estar otimo!!!

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    • Douglas Nascimento 20/05/2012 at 20:38

      Livia, exceto se você tenha feito confusão ou voltado no tempo, você está enganada. Este prédio foi demolido ano passado, restando apenas o terreno.

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  • A lista do Buick 1941 | Baú da Propaganda 28/11/2012 at 12:18

    […] tem nomes bem conhecidos dos paulistanos, como Procópio Ferreira, Elias Jafet e o empresário Francisco Herrerias. No total 95 paulistanos foram listados, confira a lista abaixo e veja se algum parente ou […]

    Reply
  • Renato 11/11/2015 at 19:34

    Essas matérias são muito fodas. Moro próximo a essa região e lembro que quando ia para a escola, a Escola Estadual do Estado de São Paulo, que fica na rua da Figueira, passava por baixo do São Vito e ficava tentando olhar lá pro topo. Ficava assustado com toda aquela altura, só de olhar por baixo já dava um frio na barriga.

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