Quando pensamos em edifícios modernos e arrojados logo vislumbramos regiões como a das Avenida Paulista, Berrini e Faria Lima. Entretanto o centro de São Paulo também possui exemplos notórios de arquitetura de vanguarda.

Sao construções que debutaram principalmente na década de 1960, época em que São Paulo ainda crescia a passos largos e ainda carregava o apelido de ˝Paliteiro da América Latina˝.

Curiosamente das 5¹ principais construções desta época, três foram palco de tragédias: Os Edifícios Joelma, Andraus e, em 2018, o Wilton Paes de Almeida. E é este último que iremos abordar neste artigo:

O novíssimo arranha-céu em fotografia de 1969, ano de sua inauguração

Ousado projeto arquiteto Roger Zmekhol, o Wilton Paes de Almeida partiu de uma obra onde foi aproveitado o máximo do pequeno espaço disponível para se erguer um arranha-céu, em uma área da cidade já densa e com poucos terrenos ainda disponíveis para a construção de edifícios.

Zmekhol projeto em um terreno de 650 m², um gigante de estrutura metálica com lajes de concreto que concluído totalizava impressionantes (para sua época) 12.000 m².

Sua construção foi iniciada em 1961 e concluída em 1968, já no final da década, sendo realizada pela Morse & Bierrenbach². O prédio leva o nome do banqueiro Wilton Paes de Almeida, um de seus idealizadores e investidores que faleceu em 1965, antes da inauguração do edifício.

O edifício em fotografia promocional de 1974

A modernidade da construção, destoante de todos os demais ao seu redor, não ficava restrita apenas ao exterior. O edifício possuía um eficiente sistema de ar-condicionado central, que atendia a todos os andares, mármore importado da Grécia no acabamento dos pisos, e uma moderna e até então inovadora e inédita central de PABX da empresa Siemens.

O luxo se estendia aos vidros que envolvem todo o edifício, que eram de cristal Ray-Ban, importados da Bélgica. As janelas basculantes (que não eram todas) eram feitas de um sistema novo para a época, que permitia sua abertura sem fazer qualquer esforço (era possível deslizar apenas com dois ou três dedos).

Ainda falando do conforto do prédio, o edifício contava com um elevador privativo para o andar da presidência do grupo empresarial, no 18º andar, e um enorme restaurante para funcionários no 21º, que comportava até 200 pessoas de uma vez. Na cobertura havia um heliporto.

EDIFÍCIO ABRIGAVA MAIS DE UMA EMPRESA:

No Wilton Paes de Almeida coabitavam várias empresas, a grande maioria delas pertencente ao mesmo conglomerado e ligadas ao então dono do edifício o empresário, banqueiro e político Sebastião Paes de Almeida³. Ali operavam, entre outras menores, a Companhia Comercial de Vidros do Brasil (ou CVB), Socomin, Banco Nacional do Comércio de São Paulo, Banco Mineiro do Oeste S/A e a Oleogazas.

Vista noturna de 1980 com o edifício em segundo plano

Apesar de todo esse número de empresas, sucessivas crises econômicas no país levaram os proprietários do edifício a contraírem dívidas com o governo federal que não puderam ser honradas. A situação ficou insustentável e no final da década de 1970 colocaram o edifício à venda. Em 1977 ele foi adquirido pela Caixa Econômica Federal.

O COMEÇO DO FIM:

Em 1978, após cerca de um ano de inatividade, o edifício passa a contar com uma agência da Caixa no térreo e também outras repartições do banco em outros andares (os mais baixos), como a Chefia de Contencioso Fiscal.

Posteriormente o prédio receberia um posto do INSS e no início dos anos 2000 passou a abrigar a Polícia Federal. Durante esse período quase nada era feito para manter o prédio em boas condições.

O edifício em 2016 (clique na foto para ampliar)

Anos mais tarde os dois órgãos públicos deixaram o Wilton Paes de Almeida para que vazio ela fosse colocado à venda pela União. Com a morosidade do processo e a ausência de interessados em um primeiro momento, o prédio foi ocupado por pessoas pobres e sem moradia.

Sem eletricidade ou elevadores funcionando a situação do prédio já era precária estando desocupado. A partir do momento em que pessoas passam a habitar nele o risco de algo trágico acontecer passou a ser ainda maior.

O improviso na busca por luz elétrica, água potável e até mesmo para cozinhar passou a fazer do moderno edifício dos anos 60, agora em total abandono, uma tragédia anunciada.

Detalhe dos primeiros andares em fotografia de 2017 (clique para ampliar)

A madrugada de 1º de Maio de 2018 começou de maneira trágica para as famílias que ocupavam o decadente arranha-céu paulistano. Um incêndio que iniciou-se no 5º andar do prédio rapidamente alastrou-se pelos demais andares.

Apesar do desespero o Corpo de Bombeiros conseguiu agir rapidamente e resgatou quase a totalidade das pessoas que ali estavam, sendo que muitas conseguiram deixar o prédio antes, pela porta principal.

Entretanto, já comprometido pelo mau uso e abandono de anos, o prédio foi tomado pelas chamas que chegaram inclusive a atingir duas construções vizinhas. Pouco tempo depois o Edifício Wilton Paes de Almeida viria a desabar, restando apenas escombros, a dor de pessoas que nada tem e o triste problema habitacional de São Paulo ainda mas escancarado.

Quantas outras tragédias como esta ainda terão que acontecer para que nosso problema habitacional seja encarado de frente ? Estima-se que só no centro da capital paulista existam 22 mil imóveis desocupados.

DADOS: EDIFÍCIO WILTON PAES DE ALMEIDA
  • Projeto: Roger Zmekhol
  • Construção: Morse & Bierrenbach
  • Ano do início da obra: 1961
  • Conclusão: 1968
  • Andares: 24
  • Área do terreno: 650 m²
  • Área construída: 12.000 m²
  • Tombamento: 1992
  • Desabamento: 2018

NOTAS:

1 – O moderno Edifício Mendes Caldeira, contemporâneo de Andraus, Joelma e Wilton Paes de Andrade, foi demolido através de uma implosão durante as obras da Estação Sé do Metrô. Sua existência foi breve, de apenas 14 anos.

2 – A Morse & Bierrenbach também foi responsável pela construção de um edifício na Rua Conselheiro Crispiniano que, por décadas, abrigou a famosa loja Museu do Disco. Atualmente este edifício encontra-se vazio nos andares superiores.

3 – Um dos idealizadores do edifício, Sebastião Paes de Almeida foi presidente do Banespa e no governo paulista também atuou como secretário da Fazenda e da Agricultura. No esfera federal foi presidente do Banco do Brasil durante a gestão do então presidente Juscelino Kubitschek. Posteriormente presidiu a Cosipa e ainda seria eleito deputado federal.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

  • O Estado de S. Paulo – 12/05/1979
  • O Estado de S. Paulo – 03/07/1965
  • O Estado de S. Paulo – 28/02/1961

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

JOIN THE DISCUSSION

Comments

  • Valeria Fulp 01/05/2018 at 13:54

    Nem e’ preciso dizer que o grande culpado dessa desgraça , e’ o governo do estado de SP.
    E’ muito mais vantajoso par esses corruptos roubarem os fundos da cidade de SP, que cuidar e preservar essas obras primas , que poderiam durar por tempo indeterminado se fossem cuidados com amor e carinho, quando tem um governo que preste…..
    Tudo isso sem falar nas vidas perdidas, e que muito provavelmente causaram suas próprias mortes….sabe lá Deus como……….
    REVOLTANTE !!!!!!

    Reply
    • MARCELO CUNHA 07/05/2018 at 00:20

      não entendia a culpa ao Governo do estado de SP ja que o imóvel era da União (governo Federal) e estava na cidade de SP(governo municipal)

      Reply
  • Luiz Henrique 01/05/2018 at 16:04

    Pois é…quando estive pela última vez passeando pelo Centrão, no ano passado, notei o abandono em que encontrava-se esse edifício. Todo pichado,pra dizer o mínimo. Lamentável. Triste. Gostaria de entender o porquê do abandono. E também o que pensam essas pessoas que se acham no direito de invadir propriedade alheia.Deu no que deu. Infelizmente, não foi a primeira vez e…nem será a última.

    Reply
    • Emerson de Faria 02/05/2018 at 00:57

      Vamos lá. Elas não se acham no direito de invadir propriedade alguma, é um ato de desespero de quem não tem condições para pagar um aluguel e é desassistida pelo poder público, que não contempla políticas habitacionais para os mais desfavorecidos. Sobre o porquê destes e tantos outros prédios estarem abandonados no centro da cidade, a pergunta deveria ser dirigida aos seus proprietários. Está mais do que na hora de haver uma política habitacional que contemple a ocupação destes prédios, já que imaginar o renascimento do centro da cidade como centro empresarial é uma utopia, é como imaginar que as fábricas do passado voltassem a operar da noite para o dia. Há no centro prédios desocupados para todos os bolsos, do pessoal da varanda gourmet à pessoas simples que querem apenas um teto para morar. Falta é boa vontade do poder público para contemplar todas as camadas sociais.

      Reply
      • Dr Francisco Silva 02/05/2018 at 11:08

        Isso mesmo Emerson.

        Reply
      • Luiz Henrique 05/05/2018 at 20:32

        Vamos lá: sim, você tem razão. Essas pessoas, provavelmente, são encorajadas por “líderes” vermelhos, estes sim, que se acham no direito/dever de incentivar/inflamar essas pessoas para que invadam a propriedade alheia. Tá bom pra você? Ficou melhor assim? Queria mesmo saber se você tivesse um imóvel e, por algum motivo, ele ficasse vago por um tempo, e quando um belo dia você fosse lá para verificar sua propriedade, ele estivesse sendo ocupado por uma, duas, três famílias…você teria essa mesma opinião? Com certeza,não! No mínimo, você acionaria a polícia, não é verdade? Seja franco e não hipócrita!

        Reply
        • Emerson de Faria 07/05/2018 at 09:41

          Por acaso eu sou proprietário de um imóvel e o mesmo não está desocupado. Quem tem um imóvel e o larga ao Deus dará não pode depois reclamar que ele foi invadido. Eu digo e repito, independente de coloração político-partidária, esse povo sem teto não é miserável e tem condições de pagar para ter um imóvel, o fato é que eles não são interessantes para ninguém. Agora ponha-se no lugar deles: se você se visse da noite para o dia despejado e com crianças pequenas, o que você faria? Um teto é o minimo ato de dignidade ao qual um ser humano precisa ter acesso, pois sem um endereço fixo é praticamente impossível conseguir um emprego. Já pensou nisso?

          Reply
    • Dr. Francisco Silva 02/05/2018 at 11:03

      Caro amigo. É muito fácil tratar as pessoas apenas como números. Mas as pessoas são humanos que precisam morar, comer… É facil dizer a palavra “INVADIR” e “PROPRIEDADE” quando se tem o que comer e onde se abrigar. Aquele prédio foi abandonado pelo próprio estado. E ao mesmo tempo existem centenas de famílias que pela incompetência daqueles administradores que voce certamente ajudou a eleger, abandonou socialmente, não promoveu uma politica de habitação POPULAR, pensou apenas naqueles como voce, classe média que já tem tudo o que comer e onde viver. MAIS HUMANISMO, caro amigo.

      Reply
      • Luiz Henrique 05/05/2018 at 20:22

        Caro “amigo”, você não sabe da minha condição. Assim, por exemplo, não tem o direito de me taxar disso ou daquilo. Mas já que a idéia é “taxar” o outro, você, com certeza é um comunista/petista, que fica de fora, incentivando essas pessoas a invadir propriedades alheias, enquanto você mesmo fica em casa, protegido. O partido ao qual você provavelmente faz parte, teve oportunidades de resolver essas questões mas também não deu jeito em nada, não é mesmo?

        Reply
  • Ed 02/05/2018 at 00:31

    O governo é culpado como também esses grupo de MST que exploram pessoas que não tem onde morar usadas como massa de manobra e tirar proveito disso como se sabia cobrava ate aluguel destas invasões!!!

    Reply
    • Dr Francisco Silva 02/05/2018 at 11:14

      Amigo… Se vc tivesse uma família, não tivesse onde morar e abrigar sua família, e se dependesse de um governo que nada faz para os cidadãos em estado de carência, o que você faria na propriedade desse mesmo governo que não te ampara como cidadão? – ´Graças a esses movimentos que FAZ O QUE O GOVERNO ABANDONA é que ainda se ampara quem nada tem. É muito fácil acusar o despossuído quando se tem barriga cheia, carro do ano, estudo e onde se abrigar… MAIS HUMANISMO caro amigo. Antes de mais nada, agradeça pelo seu estado social e as oportunidades de vida que você tem.

      Reply
      • murilo oliveira 03/05/2018 at 09:09

        pela sua barba percebe-se que deve ser amigo desses movimentos comunistas !!! vai para cuba, venezuela ou coreia do norte , discipulo do Lula e do Boulos !!!! destruiram o Brasil e destruiram o lindo centrio de Sp com essas invasoes , no mínimo não tem raiz paulistana para concordar com isso !! destruiram minha cidade !!! cansamos de ser a cidade que recebe todos !! cansamos !!! não tem mais espaço aqui !!! chega !!! até quando ? Tem que haver uma politica igual á de Curitiba !!! Não tem emprego ? volta para sua terra. Não fique na rua pq vai dar problemas para uma cidade que não tem nada a ver !!!! Chega !!! eu pago impostos e me ferro com tanta conta para pagar !!! não dá mais !!!

        Reply
        • gabriel 03/05/2018 at 12:15

          Fascista.

          Reply
      • Emerson de Faria 04/05/2018 at 10:48

        Barriga cheia, goiaba tem bicho, já dizia a minha mãe.

        Reply
    • Luiz Henrique 05/05/2018 at 20:11

      É isso mesmo.

      Reply
  • Regina Albrectsen 02/05/2018 at 06:28

    Prezado Douglas. Nascimento,
    Sua matéria foi a mais “ethos” de todas as que li a respeito dessa tragédia. A mais respeitosa e completa também.
    Que bom, mas que bom mesmo, ainda poder contar com jornalistas do seu calibre e poder ler matérias como as que você pesquisa, escreve e nos presenteia. Obrigada.
    Regina Albrectsen, Copenhague.

    Reply
  • Edifício Wilton Paes de Almeida. Por Douglas Nascimento | Poliarquia > 02/05/2018 at 08:42

    […] Publicado originalmente no site São Paulo Antiga […]

    Reply
  • Evandro 02/05/2018 at 09:16

    Em meio a essa tragédia, foi revelada uma propaganda oculta pelo edifício da cerveja caracu -deve ser da década de 60- em um edifício vizinho, uma relíquia!

    Reply
    • Douglas Nascimento 02/05/2018 at 20:18

      O edifício onde está o painel publicitário chama-se Caracu e foi construído pela cervejaria nos anos 1950, vamos pedir o tombamento do painel

      Reply
  • Felipe 02/05/2018 at 10:45

    Um fato curioso, é que após o desabamento ficou visível no prédio vizinho ao qual ele era “encostado”, uma antiga propaganda da Caracú, provavelmente dos anos 60.
    https://conteudo.imguol.com.br/c/noticias/a4/2018/05/01/1mai2018—um-grande-volume-de-fumaca-branca-ainda-e-observada-nos-escombros-do-predio-de-24-andares-que-pegou-fogo-e-desabou-no-centro-de-sao-paulo-1525184171598_615x300.jpg

    Reply
    • Douglas Nascimento 02/05/2018 at 20:17

      O edifício onde está o painel publicitário chama-se Caracu e foi construído pela cervejaria nos anos 1950

      Reply
  • Bruno Bianchi 02/05/2018 at 14:57

    Como pode um edifício dessa magnitude virar ruína, virar uma favela de 26 andares. Já que estava fechado e pertencia a União porque não fazer um projeto de revitalização, para abrigar de forma digna essas pessoas que ali habitavam? Tenho certeza que choveriam projetos de arquitetos para transformar os salões comerciais em residencias para famílias carentes, o que ajudaria a resolver o problemas dos sem-teto e ao mesmo tempo daria vida a esse edifício abandonado, assim como em tantos outros espalhados por São Paulo. Talvez sairia mais barato para a união arcar com esses projetos do que ter de fazer outras ações sociais. Uma pena…

    Reply
    • Emerson de Faria 04/05/2018 at 10:53

      Caberia aí a criação de uma vara cível específica para habitação, levantar quem são os propietários desses imóveis vazios, negociar a compra dos mesmos, reformá-los e vendê-los à população em geral. Há prédios vazios no centro para todos os gostos e bolsos, do pessoal da varanda gourmet ao mais simples e humildes que querem apenas um teto para abrigar. É um bom negócio para todos.

      Reply
    • Emerson de Faria 07/05/2018 at 10:12

      Eu acho que não, o que choveria seriam bombas de gás lacrimogênio, bordoadas com cassetetes e mordida de cães, porque é assim que se tratam os menos desfavorecidos na terra da casa grande e senzala.

      Reply
  • DR ARNALDO NM Neto 02/05/2018 at 23:04

    Novamente venho parabenizar o idealizador Sr Douglas Nascimento pelo trabalho histórico da cidade de SÃO Paulo. Qto ao Edifício incendiado e arruinado trata se de responsabilidade civil por OMISSÃO do Estado do MP da Prefeitura enfim do Poder executivo .Qto a utilização irregular e explorada por bandidos que não são paulistas ou paulistanos. Quem respeita a cidade jamais deixaria a tragédia ocorrer. Agora vão desarquivar o inquerito que o próprio MP determinou seu arquivamento. Vou colocar em discussão o uso indevido da Av Paulista para ” comemorações” pífias infames onde afetam mais de 9 Hospitais diante da desordem publica barulho excessivo e descaso do Executivo que fatura milhoes ..Obrigado pelo ESPAÇO parabéns pelo trabalho

    Reply
  • maria madalena dos santos 03/05/2018 at 13:30

    gente brasileiro adora ser enganado nao estao vendo que isso foi provocado foi implodido proposital .quem fez isso foi o poder

    Reply
    • Emerson de Faria 04/05/2018 at 10:53

      É mesmo? Cadê as provas?

      Reply
      • Adalberto 04/05/2018 at 15:36

        Com aquele monte de gambiarras elétricas e materiais inflamáveis, era só uma questão de tempo para esse edifício outrora tão belo e depois transformado em pardieiro, pegasse fogo e viesse abaixo…
        Aliás, edifícios como esse existem aos montes em Sampa. Acham que alguém se preocupa com essa situação?? Fala aí Sr. Bruno Covas. A cidade caiu literalmente no seu colo agora…

        Reply
        • Emerson de Faria 07/05/2018 at 10:09

          Eu não gosto de clichês mas a história desse prédio é a crônica de uma tragédia anunciada. A Receita Federal não saiu dali da noite para o dia, logo a partir do momento em que cogitou-se desocupar o prédio, paralelamente deveriam ter pensado em que fazer com ele, logo antes de ser desocupado já deveriam ter arrumado um destino para ele, seja a sede de uma repartição federal, estadual, municipal ou que fosse, de modo que ele ficasse desocupado o menor período possível, mas não, largaram-no à própria sorte como dezenas de outros prédios espalhados pelo centro e o resultado está aí. É preciso que as pessoas entendam de uma vez por todas que a Manhattan bandeirante morreu e está fedendo, que aqueles hotéis maravilhosos que antes existiam no centro hoje existem apenas na memória de quem os conheceu, que não veremos mais hordas de executivos atravessando ambos os lados do Viaduto do Chá saltitando de uma reunião de negócios para outra porque isso é passado e quem viu, viu, quem não viu só ouvirá falar, e aí, o que fazer com esses prédios? E o que será feito no lugar do prédio de vidro?

          Reply
    • MARCELO CUNHA 07/05/2018 at 00:27

      um edificio com pelo menos 4 butijões de gas por andar (4 familias por andar), com um fosso de elevador que servia de deposito de lixo (ja imaginou a formação de gas ali?), com infinitas ligações clandestinas de energia elétrica, com uma quantidade absurda de material inflamável como as divisórias de madeira, não tem nada de implodido, tem de tragédia mesmo….

      Reply
  • Marcelo 03/05/2018 at 16:18

    Por pouco o órgão da Igreja Luterana não foi atingido. Cheguei a conhecer o instrumento, que aliás era ótimo.

    Reply
  • Carlos 04/05/2018 at 10:18

    Mais um excelente texto, parabéns! Nunca entrei nesse edifício mas ia sempre à loja Labortec, ao lado, para comprar rolos de filme e mandar revelar, era o local com os melhores preços. Só deixei de ir quando comprei máquina digital. Anos depois mais em direção à Rua S. Ifigênia tinha um senhor muito simpático que vendia/trocava livros e revistas na calçada, eu era um cliente frequente.

    Reply
  • albertinafontana rosa 05/05/2018 at 12:11

    É mais uma parte da nossa história que se perde pela incú
    ria das autoridades e o terrível “jogo de empurra”…

    Reply
  • Fabio T.Yamamoto 05/05/2018 at 21:11

    Tem um predio na av. Tiradentes que foi invadido uma vez, o dono conseguiu retirá-los e foi invadido de novo.Já faz um bom tempo.Acho que o dono cansou porque talvez não valha a pena retirá-los de novo.O IPTU é progressivo e atualmente o débito eu acho que é maior que o valor do predio.Então é preferível perder para os sem tetos.Muitos prédios de propriedade particular são assim.

    Reply
    • Emerson de Faria 07/05/2018 at 09:45

      Por acaso eu sou proprietário de um imóvel e o mesmo não está desocupado. Quem tem um imóvel e o larga ao Deus dará não pode depois reclamar que ele foi invadido. Eu digo e repito, independente de coloração político-partidária, esse povo sem teto não é miserável e tem condições de pagar para ter um imóvel, o fato é que eles não são interessantes para ninguém. Agora ponha-se no lugar deles: se você se visse da noite para o dia despejado e com crianças pequenas, o que você faria? Um teto é o minimo ato de dignidade ao qual um ser humano precisa ter acesso, pois sem um endereço fixo é praticamente impossível conseguir um emprego. Já pensou nisso?

      Reply
      • Emerson de Faria 07/05/2018 at 09:52

        Falta uma dose cavalar de pragmatismo para se atacar o problema, de forma que se não solucionar por completo, ao menos amenizá-lo. Centralizar as questões habitacionais numa única vara cível seria uma delas, outra seria ir atrás dos proprietários desses prédios, adquiri-los, reformá-los e revendê-los à população em geral, porque quando se fala em política habitacional para o centro pensa-se em construir um Copan em cada esquina e enxotar a camada mais desfavorecida para a casa do chapéu. No centro há edifícios para todos os gostos e bolsos. Só não há vontade política de se atacar o problema. A Manhathan bandeirante morreu faz tempo mas ainda assim insiste-se em reanimar o defunto.

        Reply
  • Daniel Pardo 12/05/2018 at 21:22

    Há não muito tempo atrás, alguém publicou no Facebook que esse negócio de invasão era proposital, pois os donos de imóveis e/ou edifícios vazios que não tinham condições de arcar com os custos do imóvel, chamavam um grupo de sem teto para invadir seus imóveis e assim o estado decretava o imóvel “bem comum” (acho que era isso) e ai o estado pagava indenização para o dono dessa construção. Até onde isso é verdade, eu não sei…

    Reply
    • Emerson de Faria 13/05/2018 at 12:44

      Isso são lendas urbanas ou fake news, para usar um termo atual.

      Reply
  • Pedro Mellão 18/05/2018 at 18:34

    Matéria muito bem feita. Parabéns! Uma pena que a história desse edifício terminou de maneira triste.

    Reply

Comunicado importante aos leitores e leitoras do São Paulo Antiga

Neste momento estou enfrentando um período de muitas dificuldades para manter o site no ar, com a possível saída de nosso patrocinador institucional.

 

Preciso da sua colaboração para que o site não encerre suas atividades em 1 de julho de 2018.

 

Faça uma doação ou assinatura mensal no site São Paulo Antiga, através da plataforma APOIA.SE

 

Desde já muito agradecido,

Douglas Nascimento, autor e editor