Nos anos que sucederam a Revolução Constitucionalista de 1932, era muito comum a expressão artística deste combate através de pinturas. Era uma época em que o país tinha uma grande número de artistas plásticos produzindo a mais refinada arte nacional. Muitos destes artistas dedicavam seu talento para expressar também o orgulho paulista, personalizando especialmente os grandes heróis de 1932:

Esta manifestação artística foi muito presente no cotidiano principalmente entre os anos de 1932, quando eclodiu o combate, até 1954 quando a cidade de São Paulo celebrou seu IV Centenário. Neste período, não era raro encontrarmos pinturas pró São Paulo em quadros, paredes, cartazes, pratos de decoração e azulejos. Após esta período este tipo de arte começou a declinar lentamente até praticamente desaparecer.

Mas quem pensa que pintar os heróis paulistas e orgulho revolucionário ficou pelo tempo engana-se. Em São Paulo uma jovem e talentosa artista plástica está destacando-se justamente por seu trabalho especialmente dedicado ao 9 de julho e a Revolução de 1932, seu nome é Camila Giudice.

Camila Giudice (clique na imagem para ampliar)

Conheça um pouco mais de sua obra nesta pequena entrevista:

SPa: O levou você a iniciar este trabalho de retratar a Revolução de 1932 ?

Camila: O fato de meu avô ter sido um combatente me influenciou muito. E também a paixão por um ideal que eles tinham naquela época e que hoje já não existe mais. Era uma forte chama acesa. Alia-se também o fato que eu sempre gostei e me interessei muito pelo tema e vi nas pinturas uma oportunidade de aproximar a população ao ideal pelo qual todos eles lutaram.

SPa: Há quantos anos vocês está produzindo estas belas pinturas ?

Camila: Eu produzo este trabalho de 2006. E comecei justamente com um quadro que retrata uma fotografia do meu avô. Era uma imagem que ele tinha muito orgulho em mostrar, e eu decidi fazê-lo para presentar o meu pai. Posteriormente decidi fazer outra pintura dele desfilando em carro aberto. A partir deste momento eu fui convidada a participar do museu do Tribunal de Justiça, e a partir dai passei a fazer todo ano uma nova obra homenageando os veteranos de 1932.

SPa: Quantas obras você já produziu ? Onde elas se encontram ?

Camila: Eu estou fazendo a sétima obra dedicada a este tema. São três obras que estão no museu do Tribunal de Justiça, uma no museu do Segundo Batalhão da Polícia Militar, uma na Assembleia Legistativa do Estado de São Paulo, uma na Sociedade dos Veteranos de 32, e a próxima que irá também para a Sociedade como forma de agradecer e retribuir todo o suporte que eles tem dedicado estes anos todos.

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

SPa: O que este trabalho representa para você ?

Camila: É uma grande paixão! É o que mais me motiva realmente a produzir trabalhos de artes plásticas, pois eu sempre tive muito interesse pelo tema de guerras e revoluções e ao retratar um acontecimento como este, que lhe permite reviver aquele momento, acaba sendo um sentimento que você coloca nesta obra. Você retrata um momento do passado para a posteridade. É algo que possui muita magia, e que eu não pretendo parar tão cedo.

SPa: Desde que idade que você se dedica à pintura ?

Camila: Eu desenho desde os 5 anos de idade e comecei a pintar a partir dos 9.

SPa: Todo artista costuma ter sua obra predileta, aquela que lhe dá mais orgulho, emoção. Qual destas obras lhe dá mais satisfação ?

Camila: É sem dúvida o quadro do meu avô. Ele consegue transmitir uma satisfação, tanto pelo orgulho dele estar fardado, como por ele ter representado aquele ideal. Quando eu vi a foto dele senti algo que não consigo explicar. Então quando produzi esta pintura, acho que consegui reproduzir toda esta paixão e sinto muito carinho por esta obra. Tanto que a imagem que eu tenho hoje do meu avô, não é aquela que eu conheci no dia a dia, com cabelo grisalho, e sim a imagem do quadro, do combatente.

SPa: Como chamava seu avô ? Quando ele era vivo você sabia que ele foi um combatente ?

Camila: Meu avô chamava-se Paulo Lobato Giudice, e quando ele estava vivo eu não sabia que ele havia sido um combatente constitucionalista. Eu não conhecia ainda a Revolução de 1932, só fui aprender melhor o que era quando eu trabalhei na monitoria do Parque do Ibirapuera e como também fazia a monitoria no Mausoléu passei a conhecer com detalhes do que era este acontecimento. E ai vai uma crítica ao ensino, pois eu não me recordo de ter visto a Revolução em sala de aula. Eu só fui saber que meu avô era combatente a partir dai, pois cheguei em casa e fui comentar com meu pai, que contou que meu avô também lutara em 1932.

Paulo Lobato Giudice (Crédito: Divulgação)

SPa: Desde quando você participa da Sociedade dos Veteranos de 32 ?

Camila: Oficialmente, como diretora de comunicação social eu comecei este ano. Mas eu estou em contato com eles há alguns anos, e a relação foi tornando-se muito forte com o passar dos anos.

SPa: Já que estamos falando de 1932, vou fazer a você a mesma pergunta que fiz a outros entrevistados. O que é o 9 de julho, hoje ?

Camila: Para mim é a data mais especial que existe no ano. É uma data cívica importantíssima, um ápice. Você encontra nesta data pessoas que combateram por um ideal, por uma causa. Observa um brilho nos olhos destas pessoas, você enxerga o patriotismo.

Se você gostou do trabalho de Camila Giudice, quer uma obra com o tema ou tem um antepassado da Revolução de 1932 na família e gostaria de homenageá-lo, imortalizando-o através de uma bela pintura ela produz quadros também sobre encomenda. Para contatá-la:

Telefone: (11) 9463-0489

Email: camilagiudice@gmail.com

Site: www.camilagiudice.com

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Celso Alderighi 09/07/2010 at 13:33

    Douglas voce deveria estar ensinando Historia numa faculdade para mostrar aos jovens vontade de existir

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  • Gustavo Moreira 11/07/2010 at 19:22

    Belíssimo trabalho, parabéns!!

    Reply
  • VIVIANO FERRANTINI 25/02/2011 at 18:17

    Parabéns Camila pelo traço firme, e pelas cores naturais. Continue assim construindo o Panteon dos heróis de 1932,tão bem iniciado com a figura viril do seu avô!

    Reply
  • Anthony Mennitto 09/07/2011 at 11:18

    Dear Camila,
    Meu Pai Armando Ventura Mennitto foi combatente de 32.Ele já é falecido. Eu tenho fotos dele com seus colegas combatentes. Eu, agora, sou o unico filho vivo. Tenho 77 anos e moro nos Estados Unidos desde 1981. Se posso ser util deixe-me saber.
    Atenciosamente,
    Anthony Mennitto

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    • Silvio Luiz da Rocha 08/07/2013 at 20:39

      Dear Mr. Anthony Mennitto:-Li seu comentário e fiquei curioso com seu sobrenome.O sr. é de origem italiana? Sou da Sociedade dos Veteranos de 1932 e presidente do Núcleo de correspondência, “Marianos das Trincheiras”.Meu núcleo é especializado em pesquisar sobre a participação dos estrangeiros na Revolução de 1932.Caso o sr. tenha algum material e queira compartilhar sobre este tema,por favor,deixarei meu e-mail para contato.Best regards.Silvio.

      silviozuin@yahoo.com.br

      Reply
  • Galdino Neto 08/07/2013 at 21:17

    Bela entrevista com uma artista muito talentosa!
    Sou Subcomandante do Grupamento de Radiopatrulha aérea e vou encomendar uma obra na área de aviação.

    Reply
  • edson 09/07/2013 at 20:25

    Infelizmente isso não é ensinado nos bancos escolares! Bem gente, afinal, esperar o que da Educação neste País….

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