Em uma cidade tão grande como São Paulo é possível se encontrar de tudo o que se é imaginável. E isso ficou ainda mais claro para mim quando conheci o pequeno e adorável estúdio de Claudia Fajkarz. Assim, apresento a vocês, o Fainhand:

Inaugurado em 2016, o espaço é uma viagem no tempo e uma deliciosa peregrinação pelo mundo das pequenas coisas. O que no passado foi a coleção particular de Fajkars, hoje está todo montado com muito bom gosto, sob medida para fotógrafos, criativos, produtores e todos interessados em utilizar um cenário repleto de coisas pequenas e interessantes.

Localizado no centro de São Paulo, o estúdio tem um grande acervo organizado por cores, tamanhos e temas, tudo a mão.

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Nós fomos visitar o Fainhand e ficamos encantados com o que encontramos. Desde o esmero na organização do acervo aos cuidados da proprietária na curadoria do conteúdo (a coleção de botões antigos é sensacional), tudo é feito para permitir grandes trabalhos a partir de pequenas coisas.

Para explicar melhor o que é estúdio, batemos um papo com sua criadora. A entrevista que produzimos você lê a seguir, junto com mais fotos do espaço:

Claudia Fajkarz, proprietária do Fainhand

São Paulo Antiga: Como surgiu a ideia de criar um mini-estúdio ?
Cláudia Fajkarz: No ano passado, eu e a Andrea Onishi, do Superziper, lançamos o livro “Manual para uma vida craft”, que tem muitas fotos e referências visuais. A fotógrafa veio na minha casa fazer a foto da capa e comentou que eu tinha um bom acervo que seria muito útil em produções de arte. Nesta época eu já estava pensando em começar um negócio e quando ouvi isso me deu um clique. Além de ser uma ideia diferente, juntava em um único pacote vários interesses meus que até então pareciam desconectados: coleções, garimpos, fotografia e produção.

De onde vem o nome Fainhand ?
Fainhand é o sobrenome da minha avó materna. Eram duas irmãs, que ao casarem adotaram os nomes dos maridos e este sobrenome se perdeu com o tempo. Resolvi resgatar e homenagear este lado da família. E ainda tem a tradução que é muito simpática e está relacionada a trabalhos manuais, que também é o meu mundo.

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Qual o seu público alvo ? Há bastante procura ?
O estúdio Fainhand é um lugar feito para fotógrafos, produtores e marcas. O acervo do local fica à disposição para ser usado em fotos de livros, revistas, catálogos, ecommerce, posts em redes sociais. É um novo negócio que começou e já teve uma boa aceitação do mercado. O pessoal acha bem conveniente e prático. Já atendi clientes de moda, que tem uma necessidade constante de fotos por causa da troca de coleções, de acessórios, bijuteriais e também na área de culinária.

O que inspirou você na decoração do Fainhand ? Podemos notar um interessante e bom gosto apreço por pequenas coisas, como botões, por exemplo.
Eu naturalmente gosto de pequenas coisas. Em geral, fui acumulando objetos interessantes que chamavam minha atenção por algum detalhe no design. Sempre fico pensando na pessoa que criou, que teve aquela sacada, que se preocupou com a funcionalidade de algo tão pequeno que em geral passa desapercebido pela maioria das pessoas. Não ligo muito para móveis ou objetos maiores. Tirando a prateleira de madeira que serve como vitrine para minha biblioteca de objetos, as maiores peças que tenho no acervo são a máquina de escrever Valentine e um globo antigo com base de madeira. Já os botões são minha maior coleção e maior interesse pessoal. Até hoje fico impressionada com a diversidade de cores, modelos, materiais, formatos, tamanhos. Um botão bem escolhido pode fazer a maior diferença no visual de uma roupa. Mas hoje em dia perderam a importância que já tiveram no passado.

Botões, botões e mais botões (clique para ampliar)

De onde surgiu o interesse de colecionar botões ? Há muita diferença entre os botões antigos e os produzidos atualmente ?
Botões são objetos super emotivos. Quando começo a falar deste assunto, imediatamente as pessoas começam a lembrar dos bons tempos da infância, de alguém querido. No meu caso, era minha avó. Quando ia na casa dela, brincava com os botões avulsos e coloridos na caixinha de costura, ficava imaginando histórias. Por causa do Superziper, um blog sobre crafts que escrevo há 10 anos, acabei me reaproximando deste universo, frequentando armarinhos, procurando conhecer melhor a história dos fabricantes nacionais. Por curiosidade, fui indo atrás, fuçando, caçando e naturalmente acabei virando uma colecionadora. Eu gosto de colecionar os antigos porque me identifico com as cores e gosto de ir atrás de modelos diferentes. Antigamente existia um mercado maior e davam mais importância a eles. Dá para sentir que rolava uma concorrência, uma busca por modelos cada vez mais incríveis e diferentes. Hoje, existem fábricas que se preocupam em desenvolver modelos mais ecológicos, seja na escolha dos materiais como nos processos de fabricação.

Porque escolheu abrir o estúdio no Largo do Paiçandu ?
Adoro a localização, andar pela região, sempre descubro lugares novos e aproveito para passear pelos meus favoritos. Fiz até um guia em PDF com dicas do que tem por perto, que eu passo para quem vem lá me visitar. Assim a pessoa aproveita melhor a viagem.

VEJA MAIS FOTOS DO ESTÚDIO (clique na foto para ampliar):

 

Serviço:
Estúdio Fainhand
Contatos e informações:
Email: claudiafaj@gmail.com
Facebook: www.facebook.com/fainhand/
Site: www.fainhand.blogspot.com.br

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Daniel Pardo 21/03/2017 at 20:58

    Aquele “negócio vermelho” da penúltima foto é para colocar velas ou é uma almotolia??

    Reply

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