Em nossas andanças por São Paulo, já fizemos longos trajetos a pé para fotografar localidades inteiras. Em uma dessas caminhadas, fotografamos as avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia de ponta a ponta, desde a Ladeira do Carmo até o término de no sopé da Colina da Penha.

Em todo esse percurso fotografamos dezenas de imóveis antigos, alguns bem outro mal preservados, que ao decorrer de 2009 para cá já passaram por inúmeras transformações, como reformas, restaurações e até demolições.

Na mesma avenida Celso Garcia, um imóvel que gosto muito é este aqui:

Localizado nas numerações 401 a 407, este pequeno prédio do início do século 20, possui quatro estabelecimentos, sendo três no piso térreo e um no superior.

Possivelmente quando o imóvel foi construído, funcionava como residência no piso superior e um comércio no térreo, possivelmente sendo o estabelecimento da família que morava na sobreloja, o que era bastante comum antigamente.

Neste  andar superior, funciona há algumas décadas um pequeno hotel chamado Ouro Fino.

clique na foto para ampliar

Estes pequenos hotéis são muito comuns na região do Brás, tendo vários deles espalhados ao redor do Largo da Concórdia e nas vias próximas. Nenhum outro, entretanto, é tão bem preservado como este Ouro Fino.

Apesar de no piso térreo alguns clientes pintarem suas entradas em cores destoantes ao padrão do imóvel, a situação geral da construção é muito interessante. Nós que habitualmente passamos pela Celso Garcia podemos atestar: está sempre muito bem cuidado.

Antes desta cor, que não achamos a mais interessante, ele estava pintado em outra combinação que dava mais graça a construção:

Estes imóveis são jóias raras desta região paulistana e esperamos que continuem sempre assim, preservadas e na ativa.

Conheçam outros imóveis interessantes da Avenida Celso Garcia clicando aqui.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • FERNANDO TEIXEIRA DA SILVA 13/04/2017 at 15:45

    Quando eu saía do cine Universo após assistir aos filmes, o cinema se localizava quase em frente ao imóvel da foto, isto lá pelo início dos anos 60 e até encessar suas atividades, esse imóvel sempre me chamava a atenção pela beleza e simplicidade arquitetônica.

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  • vanialacerda2013 13/04/2017 at 17:25

    Bem preservado sim! A cor antiga estava melhor, não apenas pela cor. É que a parte debaixo estava mais padronizada, com as portas laterais na cor do hotel e o meião em amarelo fechado.

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  • Daniel Pardo 13/04/2017 at 21:29

    Fiquei surpreso por saber que hotéis desse tipo são comuns nessa região, mas será que esses hotéis são hotéis para hospedar quem vem fazer compras no Largo da Concórdia, ou são “hotéis de viração”??, pergunto porque, esses estabelecimentos perto da região central, costumam ser a maioria desse tipo.

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    • Emerson de Faria 19/04/2017 at 18:03

      É bem provável que seja mais um deles dada a região em que se encontra.

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      • Daniel Pardo 23/04/2017 at 20:22

        Nos anos 60, minha avó morou perto do Largo da Concórdia no Brás, (se eu não me engano era na Rua Xavantes) e já naquela época o Largo era famoso pela prostituição que acontecia nele.

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  • Luiz Henrique 13/04/2017 at 22:49

    Quando eu e minha esposa voltamos do Cambuci (onde temos amigos) algo que fazemos com menos freqüência hoje, passamos pela Rangel e pela Celso.
    Realmente. é uma volta ao passado, uma viagem, no sentido amplo da palavra, tal a quantidade de edificações interessantíssimas!
    Aproveito para sugerir uma matéria sobre o magnífico, estupendo, imenso, lindo, misterioso e…mal cuidado Moinho Matarazzo, ali na região, na Monsenhor Andrade com a Rua do Bucolismo.
    Há cerca de um mês atrás, fui com meu carro até o Pari. Estacionei o veículo e fui a pé pela Marcos Arruda.Segui pela Celso Garcia até o Lago da Concórdia.Subi o Viaduto Maestro Marino, passei em frente ao Palacete Andreoli, peguei a Jairo Góis, passei na porta da Cantina Castelões, atravessei a rua do Gasômetro, atingi a rua Monsenhor Andrade e…lá estava ele à minha frente! Inacreditável o seu tamanho! De estontear a sua beleza! E uma tristeza de ver o seu estado!. Eu imagino com seria o nosso(SIM, NOSSO, DE TODOS NÓS PAULISTANOS!) Moinho produzindo até hoje! Seria mágico, insuperável, soberano, invencível, grandioso!!!!!!
    Vai lá, Douglas! Descobre alguma coisa pra gente! Será que é possível entrar lá? Seria um sonho realizado!

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    • Douglas Nascimento 14/04/2017 at 12:11

      Sei qual é o moinho, atualmente é alugado para eventos, locações e baladas. Inclusive na edição desta última quinta-feira do Estadão, saiu uma reportagem sobre as baladas que alguns alunos de escolas como Mackenzie realizam por lá. Vou apurar.

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  • Emerson de Faria 19/04/2017 at 18:12

    A Avenida Celso Garcia é um corredor de imóveis em plena decadência, creio que a construção de uma linha de metrô sob ela talvez induzisse uma onda de recuperação em seu entorno. Mas isso seria sonhar alto e pedir demais.

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