O Projeto de Lei 01-00705/2017 prevê a “alienação da área de cerca de 1 milhão de m² e estabelece a preservação do Autódromo de Interlagos, sem restrição ao kartódromo”, como
foi noticiado ainda em novembro de 2017 pelo portal G1. Entretanto, a ideia não passa por manter a vocação do espaço, mas sim para urbanizar e desenvolver.

Segundo o vereador Milton Leite, presidente da Câmara Municipal de São Paulo, também em declarações ao G1, é possível “adensar 150 mil pessoas dentro daquela área do Autódromo em prédios que não têm limite de altura”, com a ideia de criar um mega condomínio.

Corrida de F1 em 2017

Naturalmente, tanto os partidos da oposição ao governo municipal como o setor ligado ao automobilismo questionam este pensamento. As quatro organizações do setor, Federação de Automobilismo de São Paulo, Confederação Brasileira de Automobilismo, Federação Paulista de Motociclismo e Confederação Brasileira de Motociclismo, entregaram uma petição ao
Ministério Público Estadual de São Paulo sobre o tema.

Elas argumentam que, independente do Grande Prêmio de Fórmula 1, o espaço é uma área de lazer, gera turismo e emprego especializado e as afirmações de que geram prejuízo econômico são falsas. Destacam, além do mais, “a importância econômica, educacional, cultural, social e científica” do espaço.

UM PEDAÇO DE HISTÓRIA

O circuito de Interlagos já faz parte da história da cidade. Inaugurado em 1940, rapidamente se tornou um dos principais centros do automobilismo nacional, até começar recebendo provas de Fórmula 1 em 1972, sendo a primeira extra-campeonato.

Desenho original de Interlagos, com o traçado antigo e área de estacionamento e até um projeto de estádio

A partir de 1973 virou presença habitual no calendário da categoria. Depois de um intervalo na década de 1980, o Grande Prêmio do Brasil voltou do Rio de Janeiro para Interlagos em 1990, onde está até hoje.

Para a história ficaram as duas únicas vitórias de Ayrton Senna no GP do Brasil, ambas em Interlagos e ambas em condições muito duras:

  • 1991, quando foi obrigado a terminar a corrida só com a sexta marcha
  • 1993, quando a chuva que caiu a meio da prova lhe deu a possibilidade de vencer que
    não teria em piso seco

São Paulo pode eventualmente vir perder o Grande Prêmio de Fórmula 1. A cidade vem se tornando o “patinho feio” do calendário da competição depois dos últimos problemas de segurança que afetam a organização. Mas será que isso justifica o desaparecimento deste espaço público?

AJUDE O SÃO PAULO ANTIGA:

Aproveitamos as linhas finais deste artigo para relembrar nosso apelo.

O São Paulo Antiga precisa de sua ajuda, uma vez que nosso patrocinador institucional está deixado o projeto no final deste mês. Não temos como esperar um prêmio lotérico nem vamos colocar nossa fé em jogar o 21 baralho para conseguir algum milagre que nos permita continuar.

Este é um projeto de preservação da memória coletiva da cidade e que não precisa um sacrifício tão grande. Basta um pouquinho de orgulho paulistano.

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Comments

  • Daniel Pardo 17/05/2018 at 20:36

    Vai lá saber se os caras não estão negligenciando a segurança nas corridas de Fórmula 1 em Interlagos, justamente para ter um pretexto de privatizar o autódromo e acabar com a história que ele tem.

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