Na correria quase diária das demolições que atingem a capital paulista, quase ia passando despercebida, na vizinha São Caetano do Sul,  a demolição de mais uma das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo.

Crédito: Google Street View

Inaugurada no início do século 20, a Indústria Química Matarazzo S/A, estava localizada no número 220 da Rua Mariano Pamplona, no bairro da Fundação. O velho parque fabril da Matarazzo já estava desativado desde 1987 e na última década esteve completamente abandonada, contribuindo principalmente para a desvalorização do seu entorno.

Apesar do passado saudoso lá do início do século, quando a IRFM empregava ali um grande número de operários, o legado da empresa para a região não foi nem um pouco positivo. Por ser uma indústria química, tendo como uma de suas atividades principais a produção de produtos extremamente nocivos, como soda cáustica, cloro, ácido sulfúrico, acetileno e o terrível hexaclorociclohexano, ou BHC, o uso do solo da IRFM está comprometido, por estar contaminado.

Até ser demolida, muito pouco da Matarazzo restava (clique para ampliar).

Até ser demolida, muito pouco da Matarazzo restava (clique para ampliar).

Agora resta saber o que será construído ali, uma vez que devido a contaminação do solo poucas alternativas restam à população vizinha ao antigo complexo. Segundo a CETESB, a área da antiga indústria pode ser recuperada e para a construção de qualquer coisa no local, seja uma área verde, uma outra fábrica ou mesmo prédios de apartamento, é necessário uma autorização prévia do órgão.

Em 2010 o Prefeito de São Caetano do Sul, José Auricchio Júnior, chegou inclusive a prometer um parque naquela área aos moradores da região. Porém, até o momento, só há uma certeza para os vizinhos da defunta fábrica: que o solo está contaminado.

Veja outros textos sobre Matarazzo:

Veja mais fotos da antiga fábrica (clique na miniatura para ampliar):
Foto 1 e 2: Google Street View / Demais: Douglas Nascimento

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Rodrigo Ruiz 04/01/2013 at 20:26

    Meu avô paterno, José Antonio Ruiz Velasco trabalhou nessa unidade fabril entre os anos 30 e 60. Morreu aos 87 anos em decorrência de uma doença provocada por anos e anos exposto à soda cáustica que abalou gravemente sua saúde.

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    • Viktor Juncker 11/12/2013 at 17:33

      Tem gente que passa a vida toda longe desses produtos e morre muito mais novo. Seu avô resistiu bem!

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  • eder 24/02/2013 at 00:08

    muito bom !!!

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  • eder 24/02/2013 at 00:10

    Passo todo dia por ali de trem e não sabia , que ali tinha pertencido aos Matarazzo.

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  • RODRIGO BLASSIOLI (@RODRIGOBLASIOLI) 12/03/2014 at 00:55

    Fiqueí triste com a demolição da Matarazzo. Em 2008, tive a felicidade de conhecer o prédio que abrigava a Cerâmica Matarazzo. Lá dentro havia até um trem de carga GE, uma ambulância, entre outras coisas. Lá era cuidado por um senhor que ainda era funcionário da Matarazzo. Tanto que quando ele nos recebeu, ele estava uniformizado com as roupas da Cerâmica. na outra parte aonde restou a fachada, ainda funcionava a estocagem daquele pano que envolvia o sabonete Francis e também deste mesmo material, produtos hospitalares.Lá haviam 3 pessoas trabalhando. Com a ferocidade do setor imobiliário, morreu um dos últimos marcos da industrialização Paulista. e a Prefeitura de São Caetano do Sul, nada fez para se evitar esse crime. ao contrário, como um de seus últimos atos em frente a Prefeitura, posou orgulhosamente ao Diário do Grande ABC, com uma ferramenta de demolição á mão.

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  • Pardo 13/04/2014 at 21:00

    Apesar de morar em São Paulo desde que era um bebê, eu nasci em São Caetano do Sul e moro pertinho dessa indústria Matarazzo, da minha casa até ai de carro é menos de 5 minutos e apesar de o complexo ter sido desativado em 1987 eu não me lembro de tê-lo visto em atividade, apesar de nessa época eu ser uma criança.

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  • SavianoMarcio 03/10/2014 at 17:40

    Ouvi de alguns conhecidos que se escavar o solo da industria ele oxida e fica amarelado!

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  • Carlos Alberto Zapparoli 31/08/2015 at 15:59

    Eu Trabalhei Na Ceramica Matarazzo(Azulejos Claudia)Em 07/01/1977 Por 5 anos Entrei Como Portador,Depois Fui Trabalhar Na ContabilidaDe Lembro De Alguns Amigos De época (Hideo,Ivan,Zenaide,Berenice,Paulinho,Anderson,Penha,Gonçalo,Rute,Aurelio,(Compras)Caboquena,Ines,(Tesouraria),Ramalho,Guilherme
    Vanda Do Cpd
    Até Hoje Meu Pai Mora na casa Da Antiga Matarazzo

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  • Nilza Rodrigues 17/01/2017 at 23:37

    Até meus 7 anos morava na Rua Ibitirama a uns 500 metros dessa fábrica, cresci vendo-a e no período de natal falavam para as crianças que papai Noel saia por sua chaminé.
    Será que vc tem alguma foto do palacete dos Garone, ficava bem em frente de casa, Rua Ibitirama 1997, a casa onde nasci, tenho na memória a linda casa cor creme, cheia de janelas, rodeada por eucaliptos onde os pardais faziam a festa, passei mais de 20 anos fora de minha Sampa, em visita em 2010 já não mais encontrei a casa, apenas um muro e matagal.

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  • Edna dos Santos 31/10/2018 at 11:41

    Sou a Edna
    Trabalhei 1968 a 1872 na fábrica IRFM av.Celso Garcia Belem São Paulo .tem como eu conseguir o meu registro da epoca.preciso muito de alguma informação aonde encontrar.
    Obg

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