Um dos bairros mais emblemáticos da zona leste de São Paulo, a Vila Esperança surgiu a partir do loteamento das terras de Maria Carlota de Mello Franco Azevedo, que inclusive é homenageada com seu nome em uma das principais vias do bairro.

Viúva de um importante capitalista paulistano Dona Maria Carlota, como era mais conhecida, também homenageou muitos de seus familiares em várias ruas do bairro, perpetuando-se na toponímia local (pelo menos até algum vereador alterar alguma nomenclatura pra ganhar voto dos incautos).

Bairro inicialmente rural, a Vila Esperança teve desde seu princípio uma série de chácaras tanto para fins de agricultura e produção leiteira com também para descanso de final de semana, os chamados sítios.

Ainda hoje a vila criada por Dona Maria Carlota respira ares que lembram uma cidade do interior, inclusive com mais casas do que prédios. Muitas casas antigas da região ainda estão de pé, sendo a maioria dela bastante preservadas.

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Localizada na rua Dr. Heládio¹, uma das várias ladeiras do bairro, este imponente casarão fica praticamente no topo da colina que dá acesso à rua Gilda, na parte mais alta de Vila Esperança.

Construída na primeira metade do século 20 a encantadora residência está bem no final da rua² o que permite a seus moradores uma vista privilegiada não só do bairro, como também de seus arredores como Vila Matilde e até além.

De longe a mais importante construção antiga do bairro, ela está sempre muito bem cuidada, pintada sempre de branco e com seus gradis e detalhes com cores sendo trocadas de tempos em tempos,no passado mais recente era em verde e atualmente está na cor azul.

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A residência está porção esquerda do lote, enquanto o lado direito é tomado por uma grande área verde, com plantas e árvores o que dá a ela uma característica – hoje rara – de uma verdadeira chácara urbana, um pequeno oásis na selva de pedra de nossa cidade.

Logo na entrada do imóvel nota-se um espaçoso porão habitável. Logo após há uma breve escadaria que dá acesso para a parte principal do casarão, sendo que a direita da escada vemos acesso aos fundos da propriedade e também ao jardim.

O estado de conservação da casa é muito bom, sendo que nota-se uma preocupação frequente com a preservação.

Continuamos apurando a história do imóvel e se você tiver alguma informação para complementar este texto entre em contato conosco. Atualizaremos a matéria à medida que novas informações chegarem até nós.

Veja mais fotos do casarão (clique para ampliar):

Nota:

1 – No início do século 20, quando o bairro foi loteado, a rua Dr. Heládio chamava-se rua Diogo de Carvalho. Como infelizmente não há referências de ambos os nomes no Dicionário de Ruas da Prefeitura de São Paulo até o momento, não sabemos quem são os homenageados.

2 – Apesar da mão de trânsito dar a impressão de que a casa está no começo da rua, ela está na verdade no final. O início da rua se dá na porção mais baixa da rua, uma vez que a numeração se dá a partir da parte mais próxima do centro da cidade.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Carlos 30/10/2018 at 19:19

    Douglas Nascimento, primeiramente parabéns pela reportagem e é muito bom saber que há pessoas que não deixam cair no esquecimento a história de nossa São Paulo.

    Meu nome é Carlos Pachá e queria dizer que nasci nessa casa, propriedade de nossa família desde sua construção por volta de 1926, como vc já descreveu.

    Gostaria de dar um informe a respeito de sua menção ao nome da Rua Dr Heládio. Meu pai era advogado e chegou a fazer alguns trabalhos à família de D. Mª Carlota, e certa vez mencionou que Heládio era um de seus filhos, porém, como disse, é um informe.

    Sucesso a vc e continue com seu belo trabalho!!

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  • MariaEmiliaSaraivaGarcia 31/10/2018 at 10:25

    Meu avô, José Maria Saraiva foi o primeiro morador de Vila Esperança , tinha uma chácara produtiva e gado leiteiro na Rua Evans. Ele que distribuía leite e hortaliças pela região e também no mercado Central.Pessoa generosa e articulado com todos na região .Como as pessoas não tinham acesso à tratamento médico, dirigiam-se ao Zé Maria para se tratar com ervas, remédios caseiros e talas em caso de fraturas.Mas não eram só as pessoas que ele cuidava,tratava também dos animais, de galinhas a cavalos só por caridade.Tempo bom de verdadeiras amizades, tempos difíceis mas de muita solidariedade.

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  • Lidiane Santana 01/11/2018 at 17:33

    De fato, uma estética simples e muito bonita.

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