O Bixiga (oficialmente conhecido como Bela Vista), um dos bairros mais tradicionais de São Paulo, ganhou grande importância história e turística ao longo dos anos, graças às suas cantinas, festas de rua e à sua intensa movimentação cultural. Porém muitas outras camadas e histórias do bairro são mais difíceis de conhecer e acessar. De olho em tantas atrações, patrimônios, na complexidade do bairro e acreditando na importância do caminhar, a ONG SampaPé! lançou o mapa “Bixiga a Pé!”: um mapa com as diversas camadas históricas, patrimônio e belezas do Bixiga para percorrer o bairro a pé.

Camadas do Bixiga

Para explorar as diversas camadas o mapa chama atenção para elementos do bairro que remetem às suas histórias. Para isso, conta com uma introdução histórica ao bairro e vinte e nove (29) locais de visita e observação organizados em oito categorias: teatros, museus, monumentos, igrejas, casas históricas, entretenimento, ruas e praças.

Sobre as ruas, por exemplo, o mapa destaca alguns nomes que remetem ao fato de lá ter sido um quilombo, ou seja, lugar de refúgio de negros escravos, como as ruas 13 de maio (data da abolição da escravatura) e da abolição. Ao apontar casarões e teatros conta sobre lugares que foram de imigrantes de diferentes origens, como a mansão Hasbaya, de libaneses, a Igreja Nossa Senhora da Achiropita, de italianos e o Teatro Ruth Escobar, de portugueses.

Além disso, o mapa mostra os rios que estão encobertos abaixo de ruas e avenidas na região, e inclusive, onde está a nascente do Saracura, rio que tem seu curso principal junto a avenida 9 de julho.

Diferenciais do mapa para estimular o caminhar no bairro

Para estimular o caminhar o mapa aponta alguns detalhes e informações específicas a caminhantes. O mapa mostra o raio de 15 min a pé, como forma de gerar autonomia, estimular a caminhada e mostrar a facilidade de acesso ao bairro. Neste raio, por exemplo, estão quatro estações de metrô: Brigadeiro e Trianon-Masp da Linha Verde, e Vergueiro e São Joaquim da Linha Azul.

Além disso, dá sugestões de percursos e dicas para caminhadas exploratórias, que vão desde vestimentas e acessórios essenciais até como aguçar seus sentidos durante a caminhada.

Onde encontrar o mapa

A tiragem do mapa foi de 10 mil unidades, e está sendo distribuído nos apoiadores localizados no Bixiga, Cantina Conchetta, Lab do Mundo Pensante e Casa Jardim Secreto. Além do restaurante Vita Natural na região da Paulista, dentro do perímetro do mapa.

Apoiadores

Para viabilizar o mapa, a ONG contou com apoio de pessoas físicas, e também organizações e empresas tanto do bairro, quanto as que se preocupam e se interessam na humanização das cidades, estes foram Curso Cura, Mundo Pensante, Cidade Humana, Vita Natural, Super-Ando, Cantina Conchetta, Ecobairro, K.Lab, Partio, Zoom, Zac Imóveis, Ilion Partners, TC Urbes, Cidade em Movimento, Smarty, Virada Sustentável, Evoluxe, Feira Jardim Secreto e os artistas João Galera de Antes que Acabe e Nara Rosetto do Janelas de SP.

Por que o Bixiga?

O Bixiga foi o bairro onde o SampaPé! deu o pontapé inicial em agosto de 2012 e é um dos bairros mais caminháveis, históricos, diversos e emblemáticos de São Paulo – bairro negro, italiano, imigrante, de inspirações do Adoniran, do samba, reduto nordestino e descolado. Apesar de sua localização privilegiada, muitos visitantes e paulistanos desconhecem as atrações e possibilidades de percorrer o bairro a pé.

Serviço:

Saiba mais sobre a ONG SampaPé!
Site: http://www.sampape.org/
Facebook: https://www.facebook.com/sampape.sp

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Antonho touxa 31/08/2018 at 10:04

    gosto muito do bairro da BELA VISTA, na cidade de SAO PAULO, muito boas as cantinas italianas, a vida noturna no bairro, como por exemplos, bares, restaurantes, cinemas e teatros. lamentavel mesmo e o atraso da linha 6 laranja, que ainda nao chegou ao bairro.

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  • antonio carlos novelli 31/08/2018 at 10:35

    Excelente ideia de se conhecer esse tradicional e artístico bairro de São Paulo! Onde você poderá imaginar encontrar de repente o lendário Adoniran Barbosa numa das esquinas. (João Rubinato, seu verdadeiro nome)

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  • Luiz Henrique 31/08/2018 at 16:01

    Sim, é bem legal caminhar pelos bairros tradicionais e históricos das cidades. Recentemente, eu e minha esposa estivemos pela primeira vez na cidade de Curitiba, no Paraná. Foi um grata surpresa( não sei se esta é a palavra adequada) notar que o centro-velho dessa cidade é bastante parecido com São Paulo. Andamos de ônibus, sim, mas para os lugares mais distantes. Andamos a pé pelo centro, nas imediações do hotel em que estávamos e foi uma ótima experiência. Inclusive, lá tem ruas com nomes como: XV de Novembro, Riachuelo e por aí vai…

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