O bairro de Campos Elíseos conserva, boa parte preservada, alguns de seus mais importantes casarões e que no passado pertenceram, em sua maioria, aos famosos Barões do Café. Estes foram vultos paulistas de grande importância para o desenvolvimento da economia brasileira e principalmente para a riqueza paulista.

Família Alves de Lima diante do casarão da Fazenda Chapadão em 1918 (clique para ampliar)

Família Alves de Lima diante do casarão da Fazenda Chapadão em 1918 (clique para ampliar)

A foto acima, mostra uma das importantes famílias cafeicultoras paulistas. Trata-se da Família Alves de Lima, diante da Fazenda Chapadão em Campinas. A Família Alves de Lima foi proprietária da fazenda até 1942, quando a mesma foi vendida ao exército.

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Construída nos primeiros anos do século 20, este casarão localizado no número 1149 da rua Guianases é um dos remanescentes do período áureo do café. Foi erguida pelo cafeicultor e empresário Octaviano Alves de Lima para acomodar a família na capital paulista.

Construída em um estilo diferente das demais da região, com arquitetura neoclássica, o imóvel é um dos mais importantes do bairro e está em processo de tombamento.

Vista a partir da Alameda Nothmann (clique na foto para ampliar)

Vista a partir da Alameda Nothmann (clique na foto para ampliar)

A residência possui dois pavimentos, mais porão habitável e uma edícula aos fundos. Sua entrada principal (foto abaixo) é feita com degraus de mármore. O casarão tem muros apenas em parte das laterais, sendo que no restante há um belo gradil e portão de ferro.

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Sua conservação é apenas razoável e o imóvel não é abandonado, sendo que o mesmo é habitado aparentemente por caseiros. Chama a atenção o fato de as janelas dos andares superiores estarem sempre abertas, o que pode ocasionar rápida deterioração do interior do casarão. Seu jardim é repleto de árvores e plantas, fato que deixa-o um pouco escondido.

Esperamos que o tombamento definitivo venha em um futuro próximo e que o casarão fosse preservado para a posteridade.

Não sabemos se ainda pertence a família, mas ainda esteja na mãos dos familiares daria um belo museu ou memorial contando a história de Octaviano Alves de Lima, da família, da fazenda e do café. História para contar é o que não falta!

Abaixo, mais duas fotografias:

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SOBRE OCTAVIANO ALVES DE LIMA:

Alves de Lima foi uma das grandes e notórias personalidades paulistas. Foi diretor presidente da Café Paulista S/A, diretor do Banco Noroeste e presidente da Cooperativa Central dos Cafeicultores, entre muitas outras atribuições.

Entre suas aquisições mais notáveis, está a do jornal Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo) cuja compra foi feita em 1931, quando o periódico paulistano ainda era bem novo. A aquisição do jornal foi fundamental para a sobrevivência da Folha, que havia sido duramente atacada em sua sede no final de 1930. Foi proprietário do jornal até 1945.

Primeira edição da Folha nas mãos de Octaviano Alves de Lima em 21/01/1931

Primeira edição da Folha nas mãos de Octaviano Alves de Lima em 21/01/1931

Após o falecimento de Octaviano Alves de Lima, um de seus filhos, Octaviano Alves de Lima Filho, assumiu junto com irmãos o controle da fazenda e o casarão de Campos Elíseos foi sua residência.

Otaviano Alves de Lima Filho

Otaviano Alves de Lima Filho

Octaviano Alves de Lima Filho residiu por décadas no imóvel. O telefone da residência, ao menos entre as décadas de 50 e 60, estava em seu nome e tinha o número 51-4092. Médico de grande renome e autor de vários livros em sua área de atuação, veio a falecer em 2008, aos 92 anos de idade.

 

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Solange 01/04/2015 at 14:02

    A casa onde abriga a Tejofran, é uma viagem ao passado, os vitrais são divinos, tem uma claraboia que divide as salas onde os espelhos são de um cristal jamais visto. Amoooo passear por estas salas. ❤️

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  • Josi 01/04/2015 at 16:38

    Se eu pudesse compraria pra eu morar …
    lindo esse casarão!

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  • ernani 01/04/2015 at 21:13

    O casarão é maravilhoso temos que torcer para que seja mesmo tombado pelo patrimônio do Estado de São Paulo. O governador, vem prometendo desde os quatro anos anterior muitas coisas nesse sentido. Porém não estou vendo nada ser feito.

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  • Rosana Bautista 02/04/2015 at 01:55

    Fantástico!

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  • Nilton D’Addio 02/04/2015 at 11:34

    A fazenda foi vendida ao Exército.
    O sobrenome da família sinaliza parentesco com o Duque de Caxias.
    Será isso mera coincidência?

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  • danielpardo2015 02/04/2015 at 22:57

    O grande problema dos imóveis do centro é que pouca gente quer se aventurar a morar no centrão devido a violência, aos assaltos, aos “nóias” e ao fato de ser praticamente deserto a noite.

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  • Sergio Massaro 03/04/2015 at 13:44

    Adorei saber sobre os casarões que ainda sobrevivem na Rua Gaianazes!
    Nos anos de 1960 cursei a velha FFCL da USP cujos laboratórios de Química que diariamente frequentei na época, ficavam na esquina Glete X Guaianazes … lembro saudoso de tudo …
    Meus contemporâneos alunos da Geologia, que compartilhavam conosco o espaço “gletteano” (não sei porque razão naquela época “desprezávamos” a Guaianazes) também saudosos do local onde, nos tempos do presidente Juscelino, o curso de Geologia foi criado no Brasil, registram memórias no site :
    http://www.figueiradaglete.com.br/
    A página inicial desse site tem a imagem de outro casarão da Guaianazes, onde estudamos. Tal casarão tem uma história que se liga àquela da Vila Maria Zélia, lá do Catumbi. A história é meio triste mas é bonita e digna de ser conhecida. O tal casarão foi demolido lá por 1970 mas uma frondosa figueira do terreno ainda se conserva lá, como uma das poucas árvores tombadas do município …
    Sergio

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  • Jhonathan Luis 01/05/2015 at 16:04

    O casarao encontra-se ja tombado, sou caseiro e responsavel pela casa a mais de 23 anos, a casa fica aberta durante o dia para circular ar nao para deteriorar, a casa esta bem bonita e cuidada por dentro, tanto que 2 quartos houve reforma para manter o seu estado original, boa materia. Boa sorte.

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    • Carlos Alberto Furriel Jr 12/05/2017 at 19:32

      Quem foi o arquiteto desta Residência?

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      • Luiz Carlos Hummel manzione 18/12/2017 at 16:56

        O projeto original é do escritório Ramos de Azevedo posteriormente modificado para o atual pelo arquiteto frances Jacques Pilon .

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  • Bárbara 12/06/2015 at 15:04

    Toda vez que eu passo na frente desse casarão tenho vontade de entrar, coisa mais linda!

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  • Cintia 10/11/2015 at 00:01

    Muito lindo esses casarões!! Moro tão longe e tenho verdadeira adimiração por eles!! Sempre procuro na internet!! Ainda quero fazer uma visita há são Paulo e visita-los um a um!! Sou louca por eles!! Alguém sabe me dizer se tem algum lugar expecifico pra informação de como entrar neles? Em São Paulo?

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  • Marcelo Alves de Lima 29/03/2016 at 10:26

    Otaviano ou Octaviano Alves de Lima era meu tio-trisavô, suposto irmão de Militão Alves de Lima, meu trisavô por linha paterna.

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    • Luiz Carlos Hummel manzione 18/12/2017 at 16:47

      Marcelo qual seu parentesco com o Joaquim Bento Alves de Lima ?

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  • Tais 08/02/2018 at 22:52

    Atualmente o casal encontra-se restaurado. Uma cafeteria foi aberta no local, as salas estão sendo alugadas para coworking. Aparentemente também sediará uma chopperia. São 21 cômodos de pura história, glamour e espaço!!!

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