Um belo e mal conservado edifício de seis andares, em pleno coração da Cidade de São Paulo, chama muito a atenção de todos que passam por ali, tanto pela beleza de seus traços arquitetônicos, que nos remetem a Paris, como pela triste situação de abandono que ele se encontra há vários anos, trata-se do Palacete do Carmo.

Construído no início dos anos 20, o Palacete do Carmo é atribuído as Irmãs Carmelitas e é mais um dos vários imóveis pertencentes à Cúria Metropolitana de São Paulo. Aliás, praticamente o quarteirão inteiro pertence a eles já que na rua ao lado, a Roberto Simonsen, está localizado o antigo prédio da Mitra Arquidiocesana de São Paulo, hoje caindo aos pedaços.

O Palacete do Carmo está quase todo vazio, com algumas poucas salas sendo ocupadas. Entretanto nos anos seguintes à sua construção o prédio era bastante concorrido para locação de salas comerciais principalmente devido a sua ótima localização, entre as Praças Clóvis e Sé além de estar a poucos passos do antigo Palácio do Governo, que ficava localizado onde hoje é novamente o Pátio do Colégio.

Entre os mais conhecidos inquilinos que já tiveram estabelecimentos comerciais ou escritórios no palacete, estão a Casa Trommel, o Instituto Frederico Ozanam, o Cirurgião Dentista Professor Doutor Hugo Dias, a Agência Paiva, o Tabelião Alfredo Campos Salles Filho, a Liga do Professorado Católico, o Partido Nacionalista de São Paulo e finalmente a Rádio 9 de Julho, pertencente à Cúria.

Apesar de todos estes inquilinos conhecidos e da excelente localização, o Palacete do Carmo acabou por acompanhar o lento e doloroso processo de decadência do centro histórico de São Paulo, especialmente a partir dos anos 60 e 70, quando as grandes empresas estabelecidas na cidade já estavam em outros pontos centrais da capital, como a região da República e a própria Avenida Paulista. Com isso, o prédio entrou em decadência junto com seu entorno e suas salas comerciais, outrora concorridas, passaram a ficar vazias.

A atual situação do Palacete do Carmo não é das melhores, apesar de bastante robusto ele já apresenta inúmeros sinais de abandono. Sua fachada sempre muito bem cuidada no passado, hoje apresenta muitos pontos de desgaste. Há alguns anos atrás optaram por colocar uma proteção para evitar quedas de pedaços da fachada sobre os pedestres. Há também vários vidros quebrados nas janelas dos escritórios e quase todas as portas comercias que existem no piso térreo estão fechadas.

Na imagem, a Planta do Palacete do Carmo

Apesar disso, há alguns rumores de que o prédio será restaurado em breve. Desde 2006 corre a notícia de que a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) irá transferir a sua Faculdade de Direito para o Palacete do Carmo (conforme o Jornal da PUC  Ano 1 / Número 01 / Abril de 2006), o que seria uma boa notícia. Entretanto, já se vão seis anos desde que a discussão começou e até agora, infelizmente, nada foi feito.

Vista da Rua Venceslau Brás, à direita o Palacete do Carmo (clique para ampliar).

Este magnífico prédio paulistano não pode ficar nesta situação que se encontra atualmente. É fundamental que seja restaurado e reintegrado à cidade. Que a parceria com a PUC realmente obtenha êxito e que possamos ver o Palacete do Carmo novamente ocupado e cheio de vida, tal qual todas as outras construções da região que hoje estão em situação semelhante.

CURIOSIDADE:

Bem próximo deste Palacete do Carmo, existe um outro imóvel histórico que por muitos e muitos anos foi conhecido pelo mesmo nome: O Solar da Marquesa. Raro exemplar de residência urbana do século 18, o solar onde morou a célebre Marquesa de Santos era chamado de “Palacete do Carmo” pelo fato de estar localizado na Rua do Carmo.

Em meados do século 20, com a abertura da Avenida Rangel Pestana a Rua do Carmo acabou dividida em duas partes e esta porção da via, que se inicia diante do antigo prédio da Mitra Arquidiocesana de São Paulo, passou a chamar-se Rua Roberto Simonsen, mesmo assim o nome oficioso “Palacete do Carmo” continuou identificando o solar por muitos anos. No Solar da Marquesa, hoje totalmente restaurado, funciona o excelente Museu da Cidade de São Paulo.

Veja mais fotos do Palacete do Carmo (clique na foto para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 12/12/2012 at 17:51

    Lamentável que a Igreja (que tem poder e $$) esteja K-H-ndo para o patrimônio que faz parte não só da História de SP, mas até da História da própria insituição.
    Sem querer pôr lenha na fogueira, mas os imóveis da Mitra Arquidiocesana aqui do Rio estão mais bem preservados, pelo visto, que os daí.

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    • Almeida 14/12/2012 at 19:37

      As vezes fica complicado comparar Rio com São Paulo. A diferença é o tamanho da cidade e por consequência a quantidade de imóveis que Mitra Arq. de SP é muito maior que o Rio. Então fica evidente que muitos imóveis ficam abandonados literalmente.

      Reply
  • Octávio 02/06/2013 at 01:22

    Na restauração, podiam fazer um favor e demolir os dois andares adicionais acrescentados décadas após a construção, e que acabam com o equilíbrio estético do edifício.

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  • Rafael B. 13/03/2015 at 15:56

    Atualmente está invadido. Lamentável.

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  • Beatriz Gaudencio 09/03/2017 at 16:44

    Por favor, como conseguiu essa planta do Palacete do Carmo?

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