As transformações urbanísticas na Cidade de São Paulo estão cada vez mais velozes e difíceis de acompanhar. Sempre que recebemos uma denúncia ou alerta de algum imóvel que está sendo demolido, procuramos ser ágeis o bastante para cobrir o local antes que tudo vire pó. E ultimamente temos encontrado dificuldade de chegar a tempo de encontrar alguma coisa ainda de pé.

E esta velocidade arrasadora da demolição está também em dimensões maiores. Antes eram demolidas algumas poucas casas por vez para dar espaço para um novo empreendimento. Agora estão indo para cima de quarteirões inteiros. E foi assim, em poucos dias, que praticamente um quarteirão inteiro da Vila Mariana desapareceu em uma semana.

Alguns sobrados, um armazém e até um pequeno edifício foram abaixo. Clique para ampliar.

O início da rua Dr. Amâncio de Carvalho não será mais o mesmo daqui por diante. Em uma fúria destrutiva levaram abaixo um pequeno prédio de dois andares, um armazém comercial e dois lindos sobrados, sendo que os outros dois que sobraram (que ilustramos o início deste artigo) já estão parcialmente demolidos e devem ir abaixo em questão de dias. Na vizinha rua Caravelas, dois outros pequenos armazéns e três sobrados também sucumbiram.

Tudo isso foi abaixo para dar lugar para mais um novo empreendimento imobiliário. Não há uma preocupação urbanística por parte da prefeitura em estudar se a região ainda comporta mais edifícios. Dá-se o alvará com a mesma facilidade que compramos bananas na feira. O trânsito ? A rede de esgotos ? Que se danem! Esgoto não dá voto, pois fica no subterrâneo e trânsito nunca estão ligando mesmo. Afinal, nada mais gostoso de que ficar parado em uma via congestionada e saturada. Pelo menos é assim que parecem pensar nossas autoridades.

Este sobrado e alguns outros imóveis não conseguimos chegar a tempo. Clique para ampliar

E assim, mais um pouco da história do bairro de Vila Mariana vai sumindo. Em seu lugar erguerão torres novas, altas e intimidadoras em que nada lembrarão os belos e charmosos sobrados que haviam ali, onde no passado, crianças podiam brincar nas ruas que não tinham trânsito e eram tranquilas.

O cenários se transformam e os costumes também. No muro de uma das casas que ainda sobrevivia quando estivemos por lá, uma profusão de azulejos diferentes sarapintava a parede. Resquícios do tempo que funcionava ali, até poucos meses atrás, um cemitério de azulejos. Agora em seu lugar, existe um cemitério da memória urbana.

Galeria 1 – Veja mais fotos do local (clique na miniatura para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Galeria 2 – Fotos do Google Mapas (clique na miniatura para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Veja a região através de nosso mapa:

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • reynaldopapacideroruiz 23/12/2011 at 18:56

    Quando não demolem, tocam FOGO.Os exemples arrastam.O pior é se não nasceram e não foram criados pelos bairros de São Paulo de antigamente, Perdoai porque não sabem o que é conservar a História.Vou deixar os epitáfios para quando se forem.

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  • Paulo Ribeiro 20/01/2012 at 08:00

    Não foram apenas as casas do lado da Amancio de Carvalho que cairam, ao menos 8 outros sobrados foram demolidos na Rua Caravelas, pelo mesmo empreendimento, que é de esquina. Apenas 50 metros adiante, na mesma Amancio, outro predio será construido, mais casas foram destruidas. Temos que lembrar que quem financiou a campanha do Kassab foi o Secovi….

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  • Ralph Giesbrecht 08/05/2012 at 17:00

    Se as pessoas se concentizassem e mantivessem as casas e escritorios, mesmo só pela fachada, mantivessem tudo limpo, talvez mais um arrasa-quarteirão tivesse sido evitado. Um após outro, as construtoras e a prefeitura vão acabando com a cidade. É uma tristeza enorme. Não que essas casas fossem um primor de arquiteura. Hoje, porém, nem penso mais nisso: penso sim em apenas manter a cidade habitável. O problema é: entre 12 milhões de habitantes do municipio, quantos realmente se importam com isso?

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