Muitas vezes, quando caminhamos por áreas do chamado centro velho, como Praça da Sé, Largo São Bento e Largo São Francisco, temos a impressão de que a região não tem mudanças no cenário urbano desde o início do século passado, mas um comparativo de fotografias de apenas 4 décadas de diferença entre elas pode mostrar que há sim, transformação na região.

Observe a fotografia abaixo, da Rua Benjamin Constant em 1973, tirada na altura da Rua Quintino Bocaiúva sentido para a Praça da Sé.

Crédito: Arquivo Público do Estado / Reprodução

Agora observe esta fotografia, tirada em 2013, feita no mesmo ângulo. Fora as mudanças consideradas normais de uma época para outra (vestimentas, veículos, árvores, publicidade externa etc), que outra diferença você observa na foto deste ano em comparação com a de 40 anos atrás ?

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

É realmente curioso que na foto mais antiga exista um prédio moderno e na foto atual não, não é mesmo ? Para quem não conhece a cidade pode até parecer uma montagem, mas ambas fotografias são autênticas. Então, o que era e o que aconteceu com aquele edifício lá na Praça da Sé ?

Aquele prédio virou pó na década de 70. Inaugurado no início de 1961, o Edifício Wilson Mendes Caldeira, mais conhecido apenas como Mendes Caldeira, foi o arranha-céu paulistano de mais curta vida. Sua existência foi de pouco mais de 15 anos, sendo demolido em novembro de 1975, implodido com 360 quilos de dinamite, para acelerar as obras do metrô de São Paulo, que estavam ligeiramente atrasadas. A foto a seguir mostra o prédio vindo abaixo.

Crédito: Divulgação / Agência Estado

A demolição do edifício acabou definitivamente com a separação entre as Praças Clóvis Bevilacqua e Sé. E faria com que aquela fotografia lá do início do texto, de 1973, parecesse algo estranho, forjado. Uma curiosa viagem no tempo, não é mesmo ?

Veja outros antes e depois, clicando aqui.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 03/07/2013 at 17:54

    Para mim, o nome da Praça da Sé toda ERA Clóvis Beviláqua. Praça da Sé seria o nome popular. Não sabia que havia/houve duas.

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    • Arthur 03/07/2013 at 20:07

      Pelo amor de deus!

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      • J.C.Cardoso 04/07/2013 at 06:15

        Arthur. Não sou de SP. E, mesmo quando fiz Pós no Senai, era na Mooca que eu ia. Poucas vezes estive na Praça da Sé, o que “justifica” minha confusão…

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  • Ailton Rocker 03/07/2013 at 18:17

    Esse é sem dúvidas o meu site favorito !

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  • Aline Kodama 03/07/2013 at 18:32

    Considero uma falta de bom senso essa implosão, bem como a perda do antigo Teatro Santa Helena que ficava próximo, já que os edificios se encontravam em perfeito estado,

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  • Marco A. Miraldo 03/07/2013 at 19:05

    Reparei que nas 2 fotos existe uma placa de PROIBIDO ESTACIONAR,ao lado esquerdo da foto,exatamente no mesmo lugar e nas duas fotos não está sendo respeitada,ou seja,NADA muda na EDUCAÇÃO deste povo pelo menos a 40 anos…

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    • Raul Martins de Oliveira 21/08/2013 at 00:11

      Até parece a mesma placa

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  • Cleiton 03/07/2013 at 19:07

    Muitas coisas mudaram, costumes, roupas, carros… o que não mudou é que naquela época São Paulo já tinha as obras do metrô atrasadas.
    Matéria muito interessante!… Sempre que passo pelo centro de SP fico imaginando como seria tudo aquilo nas décadas de 40, 50, 60 e 70.

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  • Rogerio 03/07/2013 at 19:31

    A verdade é que mais prédios deveriam ser demolidos. São Paulo tem prédios demais e espaços de menos.

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  • bricasilvafabricia 03/07/2013 at 19:48

    o q funcionava neste prédio?

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    • Douglas Nascimento 03/07/2013 at 20:33

      Funcionavam vários escritórios neste edifício, tipo advogados, médicos, arquitetos… etc

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      • Pedro Reis 03/07/2013 at 22:30

        Há muitos anos escutei de um senhor (já falecido) que tinha escritório no prédio ao lado dos Bombeiros (Praça Clovis) que o que há aí é uma falha geológica, por isso a demolição. No que passasse o tatuzão, o prédio poderia desabar. Eu me lembro do buraco em dois níveis (norte/sul e leste/oeste) muito fundo mesmo. Tinha escotilhas nos tapumes.e deu pra ver por um bom tempo.

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  • Fellipe de Paiva 03/07/2013 at 22:35

    Essa foto me deu medo, nem uma tela de proteção a catedral tinha. Hoje isso é primordial para qualquer implosão independente da história da edificação. Mas o que me da mais medo é pensar o quanto a tecnologia de implosões em São Paulo era avançada, se até hoje da m…, imagina em 1975?..
    Agora, ponta seca do compasso na base do Mendes Caldeira, trace um arco em direção a Catedral… UFa!!!

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    • Fellipe de Paiva 03/07/2013 at 22:45

      completando, Comentei com o meu Pai e pra dar credibilidade a palavra do velho pesquisei rapidamente;

      “A primeira implosão de prédios feita na América Latina, aconteceu em São Paulo/SP, na madrugada do dia 16.11.1975. Local: Praça Clóvis Bevilácqua; Edifício Mendes Caldeira, de 30 andares; Finalidade: Construção da Estação Sé do Metrô; Engº Responsável: Hugo Takahashi.”

      Obrigado Hugo Takahashi!

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  • Edson Santos 04/07/2013 at 00:56

    Esse site é sensacional !!!! pra quem AMA o centro velho de SP…..esse site é um prato cheio!

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  • Lorente Fabio Vincenzo 04/07/2013 at 10:31

    Bom já que ninguem disse… surpreendentemente, as plameiras imperiais cresceram…e ganharam destaque no horizonte…

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  • Luiz Antonio 21/07/2013 at 12:09

    Eu que tenho 53 anos de idade, “paulistano da gema” (como dizem os mais velhos), apesar dos inúmeros problemas que tem esta cidade, sou extremamente saudosista e amante de minha terra, por isso parabenizo de coração este brilhante jornalista Douglas Nascimento pela criação deste site !!!

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  • Carlos Roberto Domingues 23/07/2013 at 12:23

    Também não posso deixar de falar sobre o início da minha vida laboral que foi no centro velho. Apesar de não ser tão velho, 43 anos, aos 15 comecei com a extinta profissão de Office Boy na rua Líbero Badaró. Lembro me de que naquele tempo, ainda o Vale do Anhangabaú não tinha a praça, estava em construção. Da minha casa que ficava na Freguesia, gastava no máximo 30 minutos de ônibus até a praça Ramos, Linha acho que inexistente hoje. 8585 Vila Zatt Praça Ramos. Hoje, o mesmo percurso de carro, não sai por menos de uma hora e meia. As vezes passo pelo centro, me sinto um pouco nos anos 1970. Bate uma saudade. Mas a vida segue o seu curso e esse site nos leva ao passado, traz boas recordações, porque más tenho poucas. Obrigado Douglas Nascimento, por essa maravilhosa reportagem

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  • Felipe 03/11/2013 at 01:14

    Interessante que a cidade ganhou mais metro ma…s, ao contrário do que parece perdeu todo aquele espaço público que resultou da fusão das duas praças para a degradação urbana, a degradação social e a marginalidade…sim, perdemos o marco zero da cidade…

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