Quando se fala Canindé em São Paulo a primeira coisa que vem a cabeça de muitos é o estádio da Portuguesa. Entretanto além do charmoso estádio da Lusa o bairro do Pari tem uma rua que também leva este nome e que ainda possui algumas construções interessantes, como os galpões feito em tijolos, na esquina com a Rua João Teodoro e algumas casas antigas, como este belo sobrado.

clique na foto para ampliar

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Localizada no número 772, este sobrado é a casa principal de um conjunto de residências antigas que estão dispostos em uma espécie de vila. A entrada se dá à esquerda da casa por uma ruela de paralelepípedos que termina em um pequeno largo, onde estão outros dois sobrados geminados e um pequeno galpão.

A impressão que temos é que as demais casas da vila, um pouco menores, eram destinadas a renda (ou a outros familiares) enquanto esta que dá para a Rua Canindé era para o proprietário.

A casa não está impecável, carecendo de uma boa manutenção, entretanto está preservada em sua originalidade, exceções feitas ao muro, que era mais baixo, e ao portão que foi trocado.

A fachada está boa, mas requer reparos (clique na foto para ampliar).

A fachada está boa, mas requer reparos (clique na foto para ampliar).

Mas como o legal é reparar nas pequenas coisas, que é o que faz ainda mais divertido este trabalho de catalogar as casas de São Paulo,o que achei muito bonito e logo me chamou a atenção quando fotografei a residência, foi a cortina que está na janela do quarto, que tem o desenho de uma casa.

A simplicidade das coisas não perde o charme jamais (clique na foto para ampliar).

A simplicidade não perde o charme jamais (clique na foto para ampliar).

A cortina me remeteu a um breve pensamento de viagem ao passado. Ao tempo onde a simplicidade reinava, onde nossas vidas eram mais tranquilas. Época que brincávamos na rua quando crianças, que a festa de aniversário era na garagem de casa e que conversávamos mais.

É evidente que a modernidade trouxe conforto e melhorias, mas perdeu-se muito do prazer que era a vida simples.  Simples e eficiente como esta bela cortina que tremulava com o vento do final da tarde em que fotografei a casa.

Quando você lembra do passado, o que te dá mais saudade ? Deixe seu comentário.

Veja mais imagens deste sobrado (clique na foto para ampliar):

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Atualização 23/02/2015:

O imóvel foi demolido em dezembro de 2014, como mostra a foto abaixo:
Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Conheça o local através de nosso mapa:

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Marlene Aurieres 23/01/2014 at 17:48

    Gosto muito do que voces nos mostra,mais é triste saber que os brasileiros não conservão nada do passado ! Moro na France em Paris e aprendi a conservar os imoveis é proibido mudar o visual temos que guardar a construção de origem ! é isto que faz a France diferente . Lhe digo que se eu pudese voltar ao Brasil e morar no sobrado em que eu naci na vila clementino em São Paulo poderia morrer feliz ! merci

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  • Lucimara 23/01/2014 at 21:07

    Das reuniões de família, do cheirinho de café com leite e pão com manteiga na casa da avó nas tardes de domingo, das brincadeiras na rua, do cheirinho de almoço de domingo que saia pelas janelas e portas das casas por onde andavamos… coisas simples, básicas, essenciais!

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  • Cassiane 24/01/2014 at 07:50

    Moro em residência antiga, que tem um banco de pedra na frente e me recordo da infância brincando e sentando ali, vendo a vida correr deliciosamente. Isso não tem preço. maravilhosa matéria.

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  • Luiz Henrique de Souza Alineri 24/01/2014 at 13:32

    Do que mais tenho saudade no passado? Acho que de melhores costumes. O que vem na minha mente no momento é que nunca as pessoas tiveram tanta falta de educação como nos dias atuais,com os pancadões dos “fanqueiros”(assim mesmo,aportuguesado!) e esses tais de rolezinhos.Há uma insuportável inversão de valores(para não me prolongar) que não vejo luz no fim do túnel…Mas,voltando à casa fotografada,é mais um belo exemplar resistindo bravamente.

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  • Valéria Vega 24/01/2014 at 14:13

    Vivi até 1976 entre os bairros do Brás e do Pari , sempre fui uma criança observadora e já sabia apreciar a educação das famílias, as amizades sinceras de toda a vida , os colégios religiosos , as missas de domingo, as cadeiras nas calçadas nas noites de verão ,o bate papo de nossos pais com os vizinhos enquanto nós crianças brincávamos e corríamos atrás dos vagalumes , saudade das “vendinhas, leiterias,das quitandas , na época a cidade era muito bonita , cuidada , segura ,assim era São Paulo , mas tudo deteriorou muito dos anos 50 em diante, acho que é por esse motivo o meu quase patológico saudosismo por essa época tão linda !

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  • Neuza Paranhos 30/01/2014 at 01:06

    Desse bairro mesmo, o Pari, onde cresci e que mudou tanto. E da bela casa onde cresci, aí perto, na rua Tereza Francisca Martim (antiga rua Estiva, 128). Até recentemente estava em pé e preservada.

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  • Flavio Moreira (Madureira) 25/02/2014 at 11:08

    Morei na Rua Alan Kardek n 55 tenho muitas saudades daquele tempo (1955 a 1973) tempo que morei lá vcs lembram da quitanda da Dna Elza (japonesa) e da venda de Sr. Colodino, bar do meia lua, pif paf, grafica do Sr.Bighetti, padaria aviação, barbearia do sr.Angelo,colegio Sta Therezinha, estudei no Orestes, e tirei diploma na Escolas Agrupadas do Canindé, hoje Infante Dom Henrique na antiga Rua da Picina, belas lembranças gostaria de falar muito mais e lembrar ET. lembram do caminhinho que dava passagem para Rua São Biagio então iamos na igreja nossa sra Aparecida assistir filmes tempo bom que saudades.

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  • Pepyta Gama 27/03/2014 at 21:40

    Quando me lembro do passado o que mais me dá saudade é justamente a tranquilidade que se tinha, os muros baixos, as festinhas feita na própria casa ou na garagem, não se preocupava com periculosidade ou coisa parecida ! Quantas saudades eu sinto dos anos 60,70 e 80 !!! Amo essa página, me faz viajar por anos que não vivi, mas que existiram na vida de muitos que hoje em sua maioria já não estão entre nós ! Beeeeeeeeeeeijos no ♥

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  • fernandomotosantigas@gmail.com 02/11/2014 at 23:29

    gostei muito deste artigo do sobrado e da vila na Rua Canindé 772, passo quase todos os dias em frente, mas tenho uma triste noticia para nós, tanto o sobrado como a vila foram demolidos no final do mes de outubro ultimo. Agora resta apenas o terreno limpo com uma placa de Vende-se

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  • danielpardo2015 26/02/2015 at 21:06

    Eu não sei o que raios aconteceu com o Brás e o Pari, mas a minha avó morou no Brás nos anos 60 e ela já falava que ali era perigoso a noite desde aquela época e também me lembro de quando eu era moleque já na década de 80, ir para a casa de uma tia minha no Pari e passar pelo Brás e já ver casas antigas com aparência de velhas, talvez isso se deva ao fato de que sempre teve as confecções e as lojas de roupas lá, que concentravam movimento apenas até umas 18:00h.

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  • Juarez Carlos Baptista 21/07/2015 at 17:08

    Saudades da minha infância , morava na rua Itaqui esperava minha mãe vim do serviço no bonde que passava na av. Vautier minha mãe conseguia arrumar bala para que nós embrulhasse para não ir a rua. Mas não adiantava ia jogar bola no Serra Morena , pasei por la esses dias como esta mudado lojas e mais lojas me senti um invasor como gostava de brincar na enchente da rua Carno , assistir filme no cine Haiti , Rialto SAUDADES muita SAUDADES

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  • Demetrio Iglesias 25/04/2016 at 18:06

    Minha família morou nesta vila de 83 a 96 na casa de número 04. Dentro da vila tinha 5 casas e uma garagem que cabia uns 3 carros. O sobrado da foto era alugado por uma das maiores e melhores bandas de baile do Brasil, o Santa Maria, depois saíram dele.

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