Uma cidade como São Paulo está em constante transformação. E esta constante sempre nos revela surpresas, algumas alegres e outras tristes.

E foi uma triste surpresa que recebemos no final da semana passada quando fomos informados que os sobrados geminados construídos na década de 1940 na rua Monte Alegre, esquina com Turiaçu, foram demolidos para dar lugar a um novo empreendimento.

A notícia nos pegou de surpresa, pois havíamos fotografado o conjunto poucos dias antes deles irem abaixo. Na ocasião não suspeitávamos do risco de irem abaixo destas simpáticas residências.

O herdeiro do construtor foi o responsável pela demolição dos quatro imóveis que eram todos alugados.

Entretanto, o maior culpado por mais este pedaço da história de São Paulo que foi abaixo não é o dono do imóvel, mas sim o CONPRESP. A lentidão nos processos de tombamento permitem que proprietários coloquem abaixo seus imóveis sem serem condenados.

Que tal desapropriar o terreno e erguer uma creche no local ? É só mexendo no bolso que vão para de destruir nossa memória. Mas para isso é preciso coragem. E coragem não combina com o poder público no Brasil.

Veja mais fotos exclusivas dos sobrados (clique para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Veja o local através de nosso mapa:

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Gil Roberto 14/12/2011 at 17:34

    Quem manda é o vil metal! Com o dinheiro que vai receber ou já recebeu da incorporadora o proprietário poderá pagar a multa por demolir sem autorização e ainda vai sobrar muito dinheiro!

    E a lei? A lei, ora, a lei…. Estamos no Brasil, onde somos todos iguais, só que uns são mais iguais que os outros…

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  • Peterson Henrique Freitas 14/12/2011 at 20:20

    Nossa, que pena, eram muito bonitos!

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  • melissa 14/12/2011 at 22:53

    Triste mas legítima constatação, estamos no Brasil…

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  • Vinicius Campoi 15/12/2011 at 14:04

    Concordo que os órgãos de proteção são lentos e ineficientes perante a loucura imobiliária. Mas preservar é tarefa (e ônus) de toda sociedade, inclusive dos proprietários de bens com valor histórico, arquitetônico, estético e/ou ambiental. Nesse caso o dono desses sobrados deve ter pensado que eram somente umas “casas velhas”, como tantos dizem por aí. E enquanto a maioria da sociedade pensar assim, ainda que haja uma minoria que luta em sentido contrário, o Estado não vai fazer além do que já faz. Abs!

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  • Eduardo Britto 16/12/2011 at 12:20

    Tá lá o corpo estendido no chão… parafrasendo João Bosco. Aliás, já tiraram os corpos, tá o terrenão lá limpinho. Vai colocar um lixo em cima logo logo. E na rua exatamente atrás, na Lincoln Albuquerque, tem vários imóveis lindos, que devem ter o mesmo destino… Parabéns pelo registro.

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  • Lia 17/12/2011 at 17:59

    Me lembra casinhas da Porto Belo road em Londres…

    Que pena…DAva até pra uma garagenzinha básica, um luxo!

    Mas é o que eu digo, os donos/herdeiros tem direito de usufruir da propriedade. Se houvese uma lei permitindo vender mas sem poder demolir casas pra colocar pédios no lugar, muita coisa seria evitada…

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  • Ugo Barberi Gnecco 17/12/2011 at 19:15

    Boa tarde.
    Mas pensando um pouco sobre o proprietário, enquanto em outros países as pessoas desejam ter seu imóveis tombados (menos impostos, mais reconhecimento), aqui é um enorme ônus ter um imóvel tombado, o imposto é alto, é proibido reformas de manutenção, ele é obrigado a pedir autorização para quaisquer dessas reformas, a auorização demora, se nesse tempo cai o telhado por falta de reforma, o dono responde.
    Não pode puxar uma tomada ou mudar o chuveiro (e convenhamos, morar em um lugar parado no tempo não deve ser agradável…).
    O maior culpado por todas essas absurdas demolições, não é o dono, mas o poder público. Só de pensar em quantas contruções históricas foram demolidas, sinto “embrulho no estômago”. Mas o poder público é o primeiro a demolir, é lento quanto deve ser rápido e veloz quando deve ir mais devagar.
    Quando permite que inúmeros prédios sejam contruídos em pequenas áreas, pode-se imaginar como ficará cada vez mais díficil para quem mora nesse bairro, continuar com seu imóvel, que irá receber cada vez menos Sol, cada vez mais trânsito e barulho.
    Obrigado.

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    • Ugo Barberi Gnecco 18/12/2011 at 16:50

      Boa tarde, onde está escrito: “Só de pensar em quantas contruções históricas…”, era para ser: “Só de pensar em quantas construções históricas…”.
      Obrigado.

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  • Lia 17/12/2011 at 21:00

    houvesse*

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  • Peterson Henrique Freitas 26/12/2011 at 08:24

    São Paulo da depressão.

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  • Giselli 26/12/2011 at 22:40

    São Paulo não vale mais pelo tesouro de suas arquiteturas,pela riqueza do q sempre representou.
    Os prédios e as construções modernas e sem graça ocupam os espaços e encobrem os sol e o céu, sufocando as residências. Ninguém de peso p/ defender o trabalho e materiais impotados q com muito custo chegaram para compor o estilo dos imóveis antigos. Hoje um risco já desenha tdo.Uma pena p/ quem ama São paulo por tudo.Ainda bem q pelo menos existem pessoas maravilhosas que se preocupam em captar com suas lentes para guardar em nossas memórias o q o tempo e as escavadeiras tentam apagar.

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  • Romilda 25/01/2012 at 21:52

    A sanha da especulação imobiliária só é menor que a ganância de certos proprietários. O desse conjunto de sobrados poderia, se fosse inteligente, ganhar muito dinheiro com eles SEM destruí-los. Mas é a mentalidade, vai fazer o quê? Por 14 anos, quando morei em Perdizes, passei em frente a eles, rumo ao parque da Água Branca. E a cada vez, parava para olhá-los e admirar como eram bonitos. Felizmente, não estou mais em São Paulo, para ter mais essa tristeza (a anterior foi o fechamento do Belas Artes, também pela sanha gananciosa do proprietário do prédio). Alguns prezam a cultura, a história, a identidade; outros, apenas o dinheiro.

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  • dalva 23/07/2012 at 12:01

    Era um dos meus caminhos para a escola (ACF) quando fazia ginásio, nos idos dos anos 60. Naquele tempo, as Perdizes eram um bairro de casarões, muito agradável. Dá muita dó voltar aos lugares que amamos e ver tudo tomado por espigões de concreto.

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  • Carlos Manuel dos Santos Eloy Rodrigues Pereira 04/09/2012 at 18:15

    Senhoras e Senhores.

    Que se coloqe a verdade em que tudo foi devidamente demolido com aval do Condephaat e com os devidos alvarás expedidos pela PMSP.
    A área não foi vedida a nenhua incorporadora, pois eu como Enhenheiro e Arquiteto é que irei projetar e construir uma béla edificação para escritórios, projeto este que era inclusive de vontade de meu falecido pai que tambem era Engenheiro e que muita história deixou de contribuição a nossa cidade, haja visto que ele em 1952 a 1956 foi um dos técnicos que compunham a Comissão do Quarto Centenário que por sua vez lá temos o parque que por muitos é frequentado, ou seja, o Parque do Ibirapuera.

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    • Bullitt Kowalski 08/09/2012 at 22:15

      Ó que história bonita, estamos emocionados.

      Mas dinheiro é mais bonito né meu querido?

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      • Rodrigo Costa 21/01/2013 at 12:12

        Se o imóvel fosse seu meu querido Kowalski e tivesse a oportunidade de fazer negócio com um imovél você também faria não é.
        Quem fala contra é HIPÓCRITA.

        Reply
  • dalva 09/09/2012 at 10:57

    A grande verdade é que o Brasil está pouco se lixando para a sua própria história. Aliás, cheia de “figuras”. Que pena…

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