Durante muitos anos os imóveis que compunham a antiga garagem da Prefeitura do Município de São Paulo, erguida em 1929, estiveram em um estado lastimável de abandono e descaso, como é mostrado na fotografia a seguir.

O imóvel trata-se de uma construção projetada pelo engenheiro Arnaldo A. da Motta, inaugurada em 1929, e que estava resistindo ao tempo com muita dificuldade, já que foram muitos e muitos anos sem qualquer tipo de manutenção ou limpeza no local. A foto abaixo mostra como era ali, pouco após sua construção, já no início da década de 1930.

Crédito: Fonte: Prefeitura de São Paulo

Crédito: Fonte: Prefeitura de São Paulo

O imóvel faz parte de um grande conjunto público que segue pela rua Afonso Pena e que também foi ocupado por  muito tempo pela Defesa Civil do município. Apesar de todo o restante do complexo ser ocupado regularmente, o imóvel da esquina estava em um estado de completo abandono.

Nome do construtor está gravado na parede do imóvel (clique para ampliar).

Há anos que não havia qualquer preocupação com a pintura da fachada, que se descascava revelando as cores mais antigas das camadas inferiores de tinta. A umidade se fez presente por toda a fachada do imóvel, onde já existiam até plantas brotando no frontão.

Atualização 07/08/2014:

Todo o complexo agora está nas mãos do Governo do Estado de São Paulo, que em julho de 2012 iniciou um processo de construção, reforma e restauro com orçamento de R$43.200.000,00. A obra transformou o local no novo Centro de Operações da Polícia Militar, o COPOM. Abaixo, a fotografia do imóvel da rua Ribeiro de Lima após o restauro.

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A recuperação do imóvel, protagonizada pela Hersa Engenharia, trouxe de volta a vida o até então decadente imóvel. Houve uma completa recuperação da fachada, restauro de portas e esquadrias. O trabalho foi muito bem executado, mas é preciso deixar algumas ressalvas: O projeto poderia ter previsto uma combinação melhor de cores (sei que isto é relativo, mas não apreciei a escolha de cores) e poderiam ter feito a preservação das janelas antigas, que foram todas substituídas.

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É realmente muito reconfortante saber que toda a obra do novo COPOM manteve a construção antiga, que no passado, em seu projeto original, era o escritório da garagem municipal. Espero que a Polícia Militar saiba manter o imóvel preservado e conservado, para que ele jamais chegue novamente ao estado decadente de outrora.

Abaixo deixamos duas galerias de fotografias, a primeira com fotos do imóvel antes do restauro, e a segunda com imagens atuais.

Fotos anteriores ao restauro (clique na miniatura para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Fotos após o restauro (clique na miniatura para ampliar):

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Nilton Divino D’Addio 16/07/2012 at 18:15

    Morei na Rua Afonso Pena por cerca de 15 anos (décadas de 50 e 60), a partir dos meus 4 ou 5 anos de idade e fiz todo o curso primário(é assim que se dizia), no Grupo Escolar Prudente de Morais, que ainda hoje está instalado na rua Ribeiro do Lima esquina com a Av. Tiradentes. Por isso, o prédio da Prefeitura objeto desta reportagem é muito familiar para mim. Alí funcionava uma oficina de manutenção de autos da Prefeitura e era comum encontrar os mecânicos sentados na calçada, no horário do almoço.
    Foi assim que caí numa bem bolada brincadeira de 1º de abril. Foi assim: eu vinha pela calçada na saida da escola, quando vi uma enorme moeda na calçada. Não tive dúvidas e fui de encontro a ela, agarrei-a mas quem disse que ela se soltou do chão?
    Foi aí que aquele bando de homens, todos de macacão, cairam na risada e gritavam: “primeiro de abril”.
    Durante algum tempo, mudei de caminho, tamanha a vergonha que passei.

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    • Marilúcia Cavalcante 25/07/2012 at 14:08

      Boa tarde, senhor D’Addio. Sou repórter do Diário de S. Paulo e vou escrever uma matéria sobre o prédio da rua Ribeiro de Lima. O senhor pode conversar comigo?
      Pode passar os seus contatos? Obrigada. Marilúcia (11) 3235-7962.

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  • J.C.Cardoso 16/07/2012 at 20:06

    Logo a Defesa Civil?
    ??
    Chega a ser uma piada pronta…

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  • Cris 26/07/2012 at 01:05

    Eles poderiam reformar, e abrigar quem precisa! Já que está construído, e ninguem quer usar, tem mta gente que precisa de um teto pra morar!

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  • Denis 10/01/2013 at 15:29

    Jóia, o trabalho de vocês é muito bom! Continuem assim! Abraço!

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  • Luiz Alberto de Moraes. 27/08/2013 at 15:55

    A informação que tenho é de que a Prefeitura irá ceder todo o terreno (inclusive a área da Defesa Civil), à Polícia Militar que pretende ampliar suas instalações do COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar).

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  • Nilton 28/08/2013 at 16:16

    O local já está em obras que se destinam às ampliações do Centro de Operações da Polícia Militar. Ótima destinação, afinal o grande anseio da população paulistana é por melhores condições de atendimento na área de segurança pública e um Centro de Operações moderno é essencial . O prédio da esquina da rua Afonso Pena com Ribeiro de Lima, que foi objeto da matéria deste site e que pode ter algum valor histórico está preservado e provavelmente será objeto de restauro.
    O restante da área era ocupado por galpões mal construídos, sem qualquer valor histórico ou arquitetônico, um deles totalmente destruído por incêndio. A Defesa Civil do Município de São Paulo ocupava de forma precária um desses galpões e hoje está instalada de forma mais adequada, em área próxima ao Center Norte.

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  • Antonio Venerando Silva 11/04/2014 at 18:31

    Moro na rua Ribeiro de Lima.
    Acompanho com preocupação a “restauração” deste prédio.
    Por exemplo, a cobertua a ser recuperada não deveria ser de telhas cerâmicas como, suponho, foi originalmente concebida e executada? Da mesma forma, as janelas. Estão instalando ridículas e “modernosas” esquadrias de alumínio e vidros escurecidos. As originais não seriam de madeira?
    Coimo agir para eviatar esses lamentáveis deslizes?
    Assim não seria “restauração” e simples maquiagem. Lamento muito
    Abraços

    Antonio
    (funcionário público federal – perito contábil do Ministério Público Federal em São Paulo)

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  • Alan 07/08/2014 at 19:04

    Impossivel restaurar exatamente….. as esquadrias de madeira sao facilmente estragadas pela chuva e etc…. está muito bom….. alias melhor do q deveria…

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  • Rogério 07/08/2014 at 19:45

    R$ 43 milhões !!! Está certo mesmo este valor ??? Não tem dígitos a mais aí ???
    Estranho !!!

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    • Douglas Nascimento 08/08/2014 at 08:57

      Rogério, esse valor não é apenas do restauro, mas sim de toda a obra do novo complexo do COPOM, que é bem grande.

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  • Hugo 07/08/2014 at 19:50

    Quanto as janelas na foto da dec de 30 nota-se que as folhas eram inteiras como colocaram agora no lugar (e nao a de guilhotina com varios vidros quadradinhos que estava na foto antes do restauro) O que eles poderiam ter feito era voltar as janelas do “porão” para o padrao original, todas iguais retangulares verticais e pequenas, mas acredito que com o passar dos anos a necessidade de luz na área fizeram aumentar o tamanho das janelas.
    Apesar de ir contra o “restauro” em si, por se tratar de um edifício operacional, creio que a opcao por janelas de aluminio deve-se a baixa manutencao do material.

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  • Gualberto Cappi 08/08/2014 at 11:29

    Exato, as janelas do primeiro andar tinham folhas inteiras e as que foram colocadas agora parecem, se nao feitas com esquadrias de madeira, pelo menos do mesmo desenho; as janelas do terreo tinham jà sido ampliadas (è sò olhar a foto do predio pouco apos da construçao) antes da atual restauraçao e entao a escolha de voltar ao tamanho original estava mais dificil, ou seja, significava tirar luz dos ambientes internos para se-fazer uma restauraçao “scientifica”, talvez nao fosse o caso; pecado bem venial, perto do que de norma acontece.

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  • Vinicius Campoi 08/08/2014 at 12:31

    Acho lamentável este tipo de “restauração”…ficamos felizes com a iniciativa de recuperar o prédio e ai vem algum sem noção e decide colocar essas janelas de alumínio, que mesmo pintadas continuam sendo de alumínio, material que nunca deveria entrar em uma construção antiga como essa, pelo menos na fachada.Isso sem falar nas construções do complexo que seguiam pela Afonso Pena e que foram demolidas sem dó. Ê PM!

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  • Pardo 19/02/2015 at 20:01

    Então o COPOM fica nesse prédio???
    Eu lembro que na minha infância já fui algumas vezes ai nessa região, pois na Ribeiro de Lima moravam os avós maternos de meus primos, mas eu esperava que o prédio do COPOM fosse uma coisa gigantesca com computadores e tal, não querendo menosprezar a casa aqui citada.

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  • Pedro Jiandotti 27/05/2015 at 15:57

    Moro na região do Bom Retiro desde 1978 e bem próximo ao local, achei excelente a ideia e a transformação que esse lugar acabou recebendo. Não tenho esse conhecimento mais acredito que este prédio (único que restou dos originais) foi apenas para efeitos históricos, pois tudo o que foi construído no local foi bem aproveitado. O prédio onde fica o COPOM está de bom tamanho e bem moderno, e onde ficavam as garagens de manutenção de autos da Prefeitura foi transferido o EEPG Prudente de Moraes. Louvo esse projeto que ficou e melhorou a região.

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  • ELCIO DOS SANTOS SANTOS 11/07/2018 at 11:37

    Bom Dia,
    Morei na Afonso Pena em 1966 , também estudei no Grupo Escolar Prudente de Moraes de 1969 a 1975, naquela época existia Inspetores de Alunos que não deixavam entrar quem não estava com o uniforme completo eu mesmo fui barrado na entrada porque não estava com cinto , aliás até quem estava com meia diferente também era barrado . Em frente a oficina da Prefeitura tinha o ponto final do ônibus Mogi da Cruzes, onde e´hoje o BB, o Teatro Franco Zampari existia uma cadeia para presos politicos. Na década de 70 começou a construção do metrô no caso do Bom retiro a estação Tiradentes. O Jardim da Luz ficava aberto a noite inteira. Todos os ônibus que hoje estão no terminal Santana saiam da Rua Prates ou Rua Ribeiro de Lima alguns para zona leste também . Na década de 70 ainda tinha muito emprego principalmente Rua Jose Paulino e adjacências, no horário das 17:30 , quando da volta para casa esta rua parecia uma saída de estádio de tanta gente que tinha . Coisa bonita de se ver era época de Natal tudo iluminado , as lojas ficavam abertas até mais tarde, também as festividades judaicas , no Bom Retiro tinha muito italiano, espanhol, grego , mas com predominância para os judeus . No governo da ditadura militar tinha a patrulha (cavalaria)que vigiava as ruas de madrugada . Morei na Rua da Graça quando ainda tinha blocos de paralelepípedos, aos domingos ficava cheia de senhores judeus falando o yiddish (hebraico com alemão medieval). Era muito bom .
    Obrigado pela oportunidade.-Elcio

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