Os nomes antigos das ruas paulistanas sempre despertam curiosidade em algumas pessoas quando as encontram pela primeira vez e comigo, quando garotinho, não foi diferente. E o nome de rua mais engraçado para mim no centro de São Paulo sempre foi o da rua da Quitanda. O motivo ? Não havia mais nenhuma quitanda por lá, muito menos a que deu nome a rua.

De fato a única construção realmente antiga, e que talvez tenha convivido com a hoje lendária quitanda que deu nome a rua é este belo sobrado de 1903:

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Localizado no número 217 e tombado como patrimônio histórico paulistano, este sobrado é o mais antigo remanescente desta rua e, felizmente está muito bem conservado. É oriundo de um tempo onde o centro de São Paulo ainda iria começar a dar seus primeiros passos rumo ao grande “paliteiro” de edifícios altos e sisudos e é uma grande alegria que tenha sobrevivido.

Detalhe da fachada (clique na foto para ampliar).

Detalhe da fachada (clique na foto para ampliar).

O cenário de 1903 da região da Sé e arredores ainda era bastante diferente do vemos nos dias atuais. Os bondes puxados por tração animal ainda eram uma realidade, pequenas salas de exibição já surgiam com seus rudimentares mas não menos divertidos cinematógrafos e as ruas do centro ainda tinham muitas construções baixas e residências modestas, coisa difícil de se imaginar ao ver o frenético centrão paulistano nos dias de hoje.

clique na foto para ampliar

clique na foto para ampliar

De alguma maneira esta rua foi imortalizada no nosso imaginário para todo o sempre por duas razões: primeiro pelo nome saudoso, humilde até, de rua da Quitanda. E depois pelo velho sobrado de 1903. Ao passar por ali e observar o imóvel e o nome da rua é difícil não parar por instante e se imaginar voltando no tempo, em uma época que São Paulo era pequena, pacata e mais humana.

Na foto a sacada do andar superior

Na foto a sacada do andar superior

Que nome de rua paulistana você acha curioso, estranho ou engraçado ? Diga ai nos comentários.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

Deixe um comentário!

Comments

  • Audenis de Souza 17/11/2014 at 10:53

    Parabéns Douglas, você me remeteu ao final dos anos 60, quando comecei a trabalhar ali bem pertinho desse prédio, veja os detalhes no acabamento, hoje em dia não tem mais nada disso.

    Reply
  • Renato Valdivino 17/11/2014 at 11:17

    Se não me engano, nesse local, antigamente, ficava a Loteria Paulista, da finada Nossa Caixa Nosso Banco, que foi vendida pro Banco do Brasil em 2009. Faz cinco ou seis anos que não passo aí em frente, nem tinha a mais remota idéia que esse local tinha mudado. Uma ótima matéria, Douglas!!!

    Reply
  • Fernando Teixeira da Silva 17/11/2014 at 11:52

    O que me chama atenção nos prédios antigos, além das boas lembranças, sem dúvidas são as arquiteturas e os artistas que os construíram.

    Reply
  • Ana Afonso 17/11/2014 at 12:42

    Rua Simpatia, Rua Purpurina, apenas alguns exemplos de nomes prosaicos das nossas ruas aqui na Vila Madalena.

    Reply
  • Denilson Lima 17/11/2014 at 13:29

    Rua do Gasômetro

    Reply
  • JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA 17/11/2014 at 13:33

    Acho que a fachada deste belo prédio estava obstruida há pelo menos uns cinquenta anos, pois durante décadas passei por alí e não me recordo. Talvez tenha entrado algumas vezes no prédio. Qaanto a nomes esquisitos de ruas, lá vai: dentre outras “Na paz do seu Sorriso”, “Borboletas Psicodélicas” (Jabaquara), “Neve na Bahia” !!! “Pinto da Luz” (Pqe S. Lucas), “Tapaxanas” (Horto Florestal) … e. “29 de Dezembro”? Que teria sucedido no dia 29 de dezembro?

    Reply
    • Douglas Nascimento 17/11/2014 at 13:53

      29 de Dezembro só sei ser dia de São Tomás… será que é ?

      Reply
  • Marcelo 17/11/2014 at 14:06

    Rua dos Lavapés….no Bairro do Cambuci

    Reply
  • Newton Arruda 17/11/2014 at 14:19

    Na verdade o que havia no local não era uma quitanda, na forma que a conhecemos, mas sim uma série de bancas, que vendiam gêneros alimentícios, tecidos, numa espécie de “feira livre”, tudo pelo chão.

    Reply
    • Douglas Nascimento 17/11/2014 at 19:04

      Eu sei disso Newton, mas quando eu era garoto imagina uma quitanda mesmo. E essa rua parece que foi assim até 1914, quando o Washington Luís institucionou oficialmente as feiras-livres, começando no Largo General Osório ! Abraços

      Reply
  • Luiz Bissoli 17/11/2014 at 15:14

    Prezado Douglas Nascimento,

    Pesquisei no link

    http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/arquivo_historico/noticias/?p=9808

    e fui ao outro link ali indicado:

    http://www.dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/PaginasPublicas/ListaLogradouro.aspx

    Inseri apenas: DA QUITANDA (no espaço destinado ao local procurado)

    Veja abaixo a informação obtida (caso queira repassar a quem enviou a você):

    “Nome:RUA DA QUITANDA

    Distrito:SÉ

    Histórico:Denominação tradicional e de origem popular que relembra o comércio miúdo ali estabelecido no século XIX e que era chamado de “quitanda”. Em 1822, ela era conhecida também como “Rua do Cotovelo”, pois o seu traçado lembrava de fato um cotovelo dobrado. Esse cotovelo foi suavizado com o tempo através de retificações. Porém, ainda hoje podemos notar a curvatura da rua. A partir de meados do século XIX, os paulistanos a denominaram como “Quitanda”, uma vez que ela era a preferida pelas “quitandeiras”, mulheres que vendiam miudezas e alimentos cozidos ou in natura. Um antigo trecho, hoje integrado à Rua da Quitanda, e localizado entre as ruas Alvares Penteado e 15 de Novembro, era no passado conhecido como “Beco da Cachaça”, numa referência ao comércio de cachaça ali praticado.

    Se você tiver alguma informação histórica complementar dessa rua que julgue importante, preencha o formulário abaixo informando-nos também a fonte.”

    Espero ter ajudado.

    Abraços,

    Luiz.Bissoli…

    Reply
    • JORGE ROBERTO COELHO FERREIRA 17/11/2014 at 21:03

      Tem razão, pois outrora quitandas referia-se a pães, bolos, doces, salgados, etc, geralmente vendidos em casa ou nas ruas. Note-se que, hoje em dia, em alguns lugares no interior de Minas Gerais, ainda usa-s essa denominação abrangendo os mesmo produtos acima citados, quando manufaturados caseiramente.

      Reply
      • sonya sepúlveda 14/07/2015 at 21:36

        Jorge, isso de quitanda, tal qual vc descreve, tb se usou no interior de S.P.- Sorocaba, tinhamos um forno de barro, feito por meu pai e vinha minha avó de Pilar do Sul a fazer quitanda, ¡que dias de felicidade!, tres adultos com a mao na massa: uns biscoitos de polvilho com farinha de milho (minha mae era a encarregada de modelar los), bolinhos de amendoim, broas de fubá na folha de bananeira (especialidade da vó), bolachas com bicarbonato e com sal amoniaco (espec. de meu pai), pao de sal e doce em forma de lagarto… Depois de frio, tudo era guardado em latas e tinhamos quitanda por bom tempo. Anos que ñ voltam mais, só uma grande nostalgia!!!

        Reply
  • nazarethlmperes 17/11/2014 at 20:19

    Muito bonito este Sobrado!
    Quanto a nomes estranhos de ruas, na Zona Leste de SP existem ruas com nomes de músicas brasileiras.
    Parece que soa meio falso… (Se não me engano é na região do Jardim da Conquista, perto das COHABS Itaquera.

    Reply
    • Renato Valdivino 18/11/2014 at 02:54

      Olá, Nazareth. São nomes peculiares, como Rua Laranja de Natal, Rua Terra Brasileira, Rua Laranja da China, Rua dos Escoteiros, Rua Vida Nova, Rua Arte do Sol, entre outros.

      Reply
  • Emerson de Faria 18/11/2014 at 11:45

    ” Ao passar por ali e observar o imóvel e o nome da rua é difícil não parar por instante e se imaginar voltando no tempo, em uma época que São Paulo era pequena, pacata e mais humana.” Pois eu faria qualquer coisa para poder voltar no tempo, nascer em 1900 e morrer no ano em que nasci, apenas para presenciar in loco as transformações pelas quais São Paulo e os paulistanos passaram, e ao fim de minha vida, ter a certeza viva de que valeu a pena.

    Reply
  • Paulo da Silva 18/11/2014 at 22:28

    É o inevitável progresso, que senão estivermos atentos pelos seus inegáveis benefícios,deixaremos a memória ser destruída.Vemos neste sobrado os detalhes construtivos caprichosos de uma época que não existe mais.

    Reply
  • eder 22/11/2014 at 17:09

    Parabéns Douglas! as tuas histórias no remente aos tempos que as construções tinham vida e harmonia aos quais enaltecia os olhos, hoje as paredes retas sem nenhum vigor, encanto meros gigantes que esconde até o azul do céu.

    Reply
  • Lilian Saldanha 14/07/2015 at 16:03

    Rua Impressões do Crepúsculo, na Vila Mazzei.

    Reply
  • TELMA PIRES SAMPAIO 18/04/2017 at 19:40

    Eu acho o nome da minha rua estranho. Gostaria de saber se vc sabe a origem?
    Rua Buerú, na Penha.

    Reply
%d blogueiros gostam disto: