O bairro de Campos Elíseos é um local de difícil acesso para a exploração fotográfica.  A constante presença tanto de usuários como traficantes de drogas, transformaram a região em uma área sem lei, sem liberdade e sem tranquilidade. Mesmo assim, o São Paulo Antiga jamais deixou de explorar os imóveis da região.

O imóvel que abordamos aqui é uma construção bem curiosa localizada no número 112 da Rua Helvetia. Curiosa porque não tem nenhuma construção similar a ela em qualquer canto da Cidade de São Paulo, misturando desta forma diferentes estilos arquitetônicos.

Foto: Douglas Nascimento

Embora com janelas muito similares a seu vizinho que possui um estilo bem mais comum, o imóvel do número 112 é um imóvel que nos remete ao estilo art déco. Sua construção é datada do início do século 20 e é tombada como patrimônio histórico, tal qual vários de seus vizinhos.

O curioso é que se observarmos o lado direito da construção (a porção que fica na Alameda Dino Bueno), uma boa parte dela tem um estilo arquitetônico distante do art déco, dando a sensação de que o imóvel era idêntico a seu vizinho (veja o prédio cor de salmão na foto que ilustra o artigo) e depois sofreu alterações na sua fachada, ficando com este visual moderno para a época.

Esta alteração possivelmente foi feita nos derradeiros anos da década de 1920, já que em fotografias antigas não observamos esta fachada art déco.

É mais um imóvel belo e curioso de São Paulo, pintado, bem cuidado e preservado e que até pouco tempo estávamos privados de conhecer.

Confira outras fotos deste sobrado:

Foto: Douglas Nascimento

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Foto: Douglas Nascimento

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Jhonny Magi 30/01/2012 at 20:04

    Me dá gosto de ver um imóvel assim!

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  • Ralph Giesbrecht 30/01/2012 at 20:14

    Muitíssimo bonito e bem conservado. Espero que ninguém enfie na cabeça de derrubar.

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  • Tadeu 31/01/2012 at 02:35

    Essa região da Luz é incrível, existem inúmeras construções antigas de beleza fora do comum, algumas até bem conservadas. Felizmente agora fica mais fácil explorá-la, graças à ação de limpeza na Cracolândia. Espero que não seja uma coisa eventual, tem que continuar a revitalização, fornecer incentivos para a restauração de imóveis e transformar essa região em uma área de valor turístico para São Paulo.

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  • Peterson Henrique Freitas 31/01/2012 at 10:31

    De certa forma os viciados protegeram esses imoveis da demolição, afinal de contas, quem ia querer fazer um empreendimento na cracolandia?

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  • Tikk 01/02/2012 at 14:04

    Uma pergunta: essa casa é habitada por quem??
    Lindo registro!

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  • João Guilherme Lacerda 02/02/2012 at 16:48

    Agora o temor é de que com a “limpeza”, venha logo a seguir o bota abaixo, a lá Pereira Passos. Tudo em nome dessa “Nova Luz”.

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  • Junior 24/02/2012 at 11:50

    Passados mais de 20 dias desta matéria, o que podemos constatar é que a Cracolândia não acabou, apenas migrou para outros pontos do Centro. A rua Silveira Martins, há pouco tempo tranquila até mesmo à noite, virou um dos pontos destas novas “filiais”. Qualquer caminhada após o escurecer virou aventura. Gentrifica-se um local, deteriora-se outro, eis a realidade de nossa pobre cidade.

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    • Pardo 17/02/2015 at 21:21

      Junior, mas isso já era esperado…, me lembro que quando eu trabalhava no centro na Avenida São João, a “cracolândia” ficava atrás do prédio do IIRGD na Senador Queiroz (lá no prédio do Poupa Tempo e da Policia Civil) ai as “nossas otoridades” (um abraço PSDB) foi varrendo os “nóias” para essa região da Luz e agora você disse que a mesma está num novo ponto do centro e é assim mesmo que os políticos lidam com o problema, nada de novo no “reino da bananolândia”.

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  • Patrick Schio 28/05/2017 at 14:43

    Bem, agora essa casa e todas as vizinhas ficarão apenas na memória e nas fotos. O prefeito determinou a demolição de todo esse quarteirão para “reabilitação” do local. Inclusive várias das casas já foram emparedadas.

    Que fique bem claro: Estou gostando bastante da gestão do Doria no geral, a cidade está entrando “nos eixos” novamente, mas achei essa medida exagerada e descabida demais. Mas enfim…

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    • Douglas Nascimento 29/05/2017 at 10:11

      Patrick, está havendo um grande serviço de desinformação pelo pessoal das esquerdas. Há uma grande preocupação por eles de que o projeto para Campos Elíseos fracasse.
      Já apuramos que nenhum imóvel tombado como patrimônio histórico será descaracterizado ou demolido. O emparedamento dos imóveis se deve, neste primeiro momento, para evitar invasões ou uma retomada dos mesmo por viciados ou traficantes.

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      • Patrick Schio 30/05/2017 at 21:55

        Douglas, essa desinformação está sendo muito bem feita, pois como você já deve ter visto por aí, não há UM artigo sequer falando quais imóveis daquela área serão demolidos (Como por exemplo havia no extinto Nova Luz) e isso assusta quem admira construções antigas como nós.

        Fico mais tranquilo, de verdade, sabendo que os imóveis tombados estão seguros. Que recebam o cuidado e atenção que merecem, pois as imagens mostram o quanto essas casas estão castigadas agora.

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        • Douglas Nascimento 31/05/2017 at 09:31

          Estou preparando um artigo com a lista dos imóveis que não correm risco de demolição.

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      • Patrick Schio 30/05/2017 at 22:12

        Aproveitando o espaço, vocês tem alguma informação do que será feito daquele casarão marrom e branco (Ou o que restou dele) ali na Dino Bueno?

        Ele estava íntegro e habitado lá por 2010, 2011, mas foi invadido, depredado de uma hora pra outra, virou abrigo para os usuários de droga, sofreu incêndio e por fim teve seu interior demolido, restando apenas a fachada emparedada e pichada.

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        • Douglas Nascimento 31/05/2017 at 09:30

          Olá Patrick, como vai ? Entrei nesta casa semana passada, resta apenas meia fachada dela. Creio que não será recuperada.

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