A memória arquitetônica industrial é a mais difícil de se preservar. Diferentemente de casas e até edifícios, fábricas e galpões tendem a ocupar um espaço físico muito grande, muitas vezes quarteirões inteiros, e se não recebem uma destinação adequada como uma nova fábrica, escola ou um mesmo um centro de compras, fica muito difícil sustentar a construção e assim, fábricas memoráveis e até de arquitetura singular desaparecem.

No município de Suzano, encontramos as ruínas de uma fábrica cuja história está intimamente ligada ao desenvolvimento da cidade, a Tinturaria e Estamparia Suzano S/A.

Interior da fábrica nos anos 1950 (Crédito: Daniella Romanato)

Fundada em 1920 por Jorge Bey Maluf, a Tinturaria e Estamparia Suzano S/A foi um marco no desenvolvimento da cidade. De tão importante, impulsionou o desenvolvimento urbano ao seu redor, com a criação da Vila Maluf, em uma área localizada aos fundos da empresa, e de outros bairros próximos, especialmente nos anos 1960. A família Maluf foi proprietária da fábrica até o ano de 1957, quando a Suzano S/A foi adquirida pelo empresário Luiz Romanato e seus irmãos.

A chegada dos Romanato à cidade e a Suzano S/A trouxeram um novo fôlego a empresa e a região, tanto que apenas as pessoas mais antigas lembram-se do período em que a fábrica era comandada por Maluf. A área que era pouco desenvolvida e  pobre, com poucos sinais de urbanização, logo se transformou.

O interior da Suzano S/A em 1948 (Clique para ampliar).

A fábrica possuia proporções nada modestas, com 12.000 metros quadrados de área construída e, dedicava-se principalmente a produção e tratamento de tecidos para outras empresas, tendo em seu auge cerca de 350 funcionários.

No ano de 1997, a Tinturaria e Estamparia Suzano S/A encerrou suas atividades e desde então a área total 22.000 metros quadrados e sua construção em art decó estavam abandonados. Recentemente, começaram demolições no seu interior e hoje praticamente só restam as paredes da fábrica (ainda é possível ver a construção inteira no mapa) e uma bela história, intimamente ligada industrialização e urbanização de Suzano. A área não é tombada.

Veja mais fotos da Tinturaria e Estamparia Suzano S/A (clique nas miniaturas para ampliar):
Crédito das fotos: Glaucia Garcia de Carvalho & Douglas Nascimento

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
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Foto: Douglas Nascimento

Conheça outras belas construções industriais desativadas, demolidas ou abandonadas:

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Peterson Henrique Freitas 02/02/2012 at 18:31

    Não sei se a localização é boa pra isso, mas podiam fazer um residencial horizontal, ao estilo das casas romanas. Seria maravilhoso e muito inovador.

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  • Peterson Henrique Freitas 02/02/2012 at 18:33

    Aliás, “fabrica com decoração art decó”. Quando isso ia entrar na cabeça das pessoas de hoje? Meu Deus do céu!

    Reply
  • Georgia Romanato 03/02/2012 at 18:07

    Nossa, como vocês são chatos era o estilo deles e acho que meu pai teve boas escolhas e os tecidos eram lindos, e sim Peterson acredito que iria entrar na cabeça de todos menos na sua porque você não tem gosto.

    Reply
    • Peterson Henrique Freitas 04/02/2012 at 19:03

      Você não entendeu o que eu escrevi. Naquela época as pessoas colovam o coração nas coisas, até a arquitetura de uma fábrica era feita com esmero. Hoje não é mais assim, por isso não entraria na cabeça das pessoas de hoje.
      Saiba ler com atenção antes de achar que está reagindo a uma critica.

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  • Georgia Romanato 13/02/2012 at 16:28

    Ai e eu tenho certeza que ENTRARIA NAS CABEÇAS DAS PESSOAS hoje em dia, aliás eles tinham muito bom gosto, a pena que a fábrica faliu se não estaria com fama.

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    • luiz 31/10/2012 at 18:26

      olha, trabalhei naquele local em meados de 78 a 83, quando era bem garoto, e conhecia de perto os proprietarios, é uma pena que tudo acabou. Naquela época, se bem me lembro, eram estampados tecidos para as mais diversas grifes, até o finado Clodovil, andou visitando aquele local de trabalho.

      Reply
  • Thais Trigo 03/04/2012 at 10:37

    UAU! esse site é um achado!

    Moro em Suzano, e minha mãe trabalhou nessa fábrica!

    Reply
  • Daniela 26/01/2013 at 23:27

    Moro perto desse prédio.

    Reply
    • Paulo Cesar 07/02/2013 at 20:39

      Eu teria medo de morar ali perto, hehehe. Esta fábrica, do jeito que se encontra atualmente, parece perfeita para servir de locação para um filme de terror.

      É muito triste constatarmos que o progresso e a tal globalização acabaram com tantos negócios que sustentaram famílias inteiras por décadas.

      Quantos pais de família (e mães também) levaram o sustento da casa trabalhando nesta fábrica, que hoje mais se parece com uma ruína azteca?

      Triste…….

      Reply
  • Walter Romanato 02/05/2013 at 16:54

    Trabalhei nesta empresa (17 anos), ela foi fundada pelo meu pai e o sr. Luiz Romanato deu sequencia no trabalho.
    Para quem não sabe nós produziamos para as mais renomadas marcas: Daslu, Parrech, Maria Bonita, Giovana, Baby,Chocolate, vila romana, Sta constancia,Indaiatex, e etc.
    Em uma ocasião, a Rede Globo ficou uma semana gravando o beneficiamento da seda.Nós eramos os melhores na estamparia de seda, a tal ponto que o Clodovil em seu programa nos indicou como melhor estampadores do Brasil.
    Nossa especialidade era tecido plano: Seda pura, misto de seda, Algodão, Challis e outros.. o fim da Tinturaria foi muito triste e me marcou muito a minha vida, Com a abertura de mercado feita pelo Collor onde entrou no Brasil tanto tecido, ” para se ter uma idéia em um ano entrou tanto tecido que os Estados Unidos maior mercado levaria 5 anos para absorver tudo” o tecido chegava a um custo tão baixo que não justificava produzir aqui ” Custo Brasil de impostos”.
    Sem falar dos maquinários que devido a reserva de mercado ” imposto de importação de maquinas era proibitivo chega as vezes de 3 a 5 vezes o valor ” eram com baixa tecnologia onde era necessário dispor de muita mão de obra.
    Lembro com muita saudade dos amigos que lá fiz . Geraldo, Castelar, Sesc,Zezinho da rama, Margarida,SR. BRUNO (grande Comasco) e tantos outros.
    Aos meus amigos um grande abraço

    Reply
    • Paulo Cesar 02/05/2013 at 20:20

      Sim, mas atualmente não existem mais fábricas de tecido de boa qualidade no Brasil.

      Vou citar mais dois exemplos, além do seu: Braspérola e Ferreira Guimarães.

      Hoje os ternos e camisas são feitos com tecido de guarda chuva importados da China, hehehehe.

      Reply
    • Claudinei 01/09/2014 at 17:34

      Eu também trabalhei nesta empresa de 1986 à 1991, fui ajudante de estampador do meu irmão Sidnei Amorim, meus irmãos também trabalharam muito tempo lá. O Sr Luiz Romanato era um homem muito bom, me lembro que em todos os finais de ano ele fazia questão de entregar o Panetone e o Peru pra cada funcionário, e olha que eram muitos hein…saudades dessa época.

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  • Paulo Francisco Costa 22/07/2013 at 20:28

    Meu nome e Paulo F.Costa trabalhei na Industria Maluf S/A, visinho da estamparia gostaria de saber se vcs nao teriam informacoes sobre o contador responsavel na decada de 70, pois preciso de uma declaracao de trabalho para o INSS. Sei que ja se passaram muitos anos e talvez nao seja possivel essa informacao, mas qualquer informacao sera bem vinda. Trabalhei nessa empresa de 1975 a 1976. Desde ja agradeco a sua atencao e aguardo ancioso qualquer informacao.

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  • izaias rafael pinheiro 21/05/2015 at 23:29

    também trabalhei nesta empresa era muita boa ,sinto muita saudades dos meus amigos da rama silas cicero. zezinho ,pedro lisboa e muitos outros .época boa era feliz e nem sabia ,hoje fui a uma exposição da TEITS no centro cultural voltei no tempo vi os tecidos da de maia deu saudade ..

    Reply
  • Erisson Le Cinq 13/03/2017 at 19:56

    e possivel entrar para fotografar ?

    Reply
  • Almir Moreira 02/02/2018 at 15:18

    É uma pena que um projeto arquitetônico tão belo esteja desfigurado.
    Aliás, aquela região toda está degradada.
    Uma das fábricas hoje é canteiro de obras da SPMar, a outra é garagem de empresa de ônibus.
    Mas o problema não é só o custo fiscal do Brasil, que é uma verdadeira aventura kafkiana.
    Suzano é uma cidade com todas as características de um hub logístico. Só que não tem investimento em infraestrutura, em desenvolvimento empresarial, não há incentivos a um plano de longo prazo, incluindo educação de qualidade, saúde, segurança …
    Houve um tempo em que Suzano teve grandes prefeitos. Paulo Portela investiu fortemente em infraestrutura e educação; Pedro Miyahira aproveitou a infraestrutura e trouxe mais indústrias para a cidade, principalmente japonesas, como NSK, Komatsu, Mitutoyo, Teijin Tetoron e outras. O Estevam, nas duas primeiras gestões investiu fortemente em urbanismo. Depois disso …
    A cidade está tomada por tudo o que não presta!
    Os acessos são ruins e complicados. Não há uma política de mobilidade urbana efetiva.
    E parece que a cidade tem algo que suga a energia de qualquer um que queira evoluir.
    Não à toa, há uma certa tradição de que, quando alguém melhora de vida, ou quer melhorar, se muda para Mogi, que, embora com um PIB menor, tem uma qualidade de vida infinitamente superior. E é um ambiente propício aos negócios.
    E para complicar, Suzano é uma cidade muito cara! Em vários aspectos!
    O pior que esse tipo de problema vai se ampliando, feito praga; basta ver o que já vem acontecendo por exemplo com Guarulhos.
    E, infelizmente, não há sinais de melhora, nem sequer a longo prazo!

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