O único monumento público existente na Praça Charles Miller, a Calçada da Fama, continua sob risco de desaparecer completamente sem qualquer providência por partes das autoridades municipais e dos administradores do Pacaembu. Este risco aliás está ainda maior agora:

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A árvore que sombreava o monumento há algumas décadas desapareceu nas últimas semanas de dezembro. Segundo a Subprefeitura da Sé, responsável pelo espaço da Praça Charles Miller, a seringueira que estava junto ao monumento caiu.

Desde então a Calçada da Fama ficou ainda mais exposta e vulnerável, sem qualquer isolamento ou identificação por parte dos órgãos públicos. Localizada ao lado do principal museu esportivo do país, o Museu do Futebol, a calçada da fama segue desprezada. Sem a árvore, que de certa forma dava alguma proteção ao monumento, familiares de homenageados temem uma destruição ainda mais rápida da estrutura.

UMA HOMENAGEM À BRASILEIRA:

Acervo de Ricardo Oppi

Homero Oppi deixa sua marca na calçada da fama em 1979 (clique para ampliar)

Idealizado e inaugurado na década de 1950, a Calçada da Fama visava homenagear os grandes esportistas brasileiros focando não apenas o futebol, mas também atletas de outras várias categorias, como boxe, tênis, natação e atletismo.

A homenagem funcionou bem até o início da década de 1980, quando começou um lento processo de deterioração. A retirada da mureta que cercava a calçada da fama foi considerada um dos pivôs para a destruição do monumento, pois a partir de então passou a ser pisado frequentemente.

Destruição, descaso e desrespeito (clique na foto para ampliar)

Destruição, descaso e desrespeito (clique na foto para ampliar)

Nos anos de 2010 e 2015 o São Paulo Antiga publicou reportagens denunciando o abandono da infame Calçada da Fama, mas até o momento nada vem sendo feito para preservar ou restaurar o local. Você pode conhecer a história do monumento com mais detalhes clicando aqui.

E, no vídeo a seguir, entrevista com Ricardo Oppi que é filho de Homero Oppi, um dos homenageados da calçada:

Mesmo o Museu do Futebol não tendo uma responsabilidade direta sobre o monumento, causa estranheza e indignação ver a total indiferença desta instituição a uma obra que está bem a sua frente. É como se um padre não acolhesse um morador de rua na porta de sua igreja.

Em todas as ocasiões em que contatamos o Museu do Futebol não houve qualquer resposta. É como se o Museu do Futebol fosse isolado da praça que lhe serve de entrada.

Sobre o autor

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, é presidente do Instituto São Paulo Antiga e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comentarios

  • Antonio Carlos Rodrigues Serrano 22/01/2016 at 16:13

    Vergonhoso, mas não surpreendente. No Brasil, nunca houve atenção às personalidades de nossa história e cuidado e respeito aos locais onde elas viveram e contribuiram para melhorar o país. É lamentável!

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  • EDILEUZA Alves 23/01/2016 at 23:42

    Um povo sem memória, um país e em história, lamentável

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  • Adelia Andrade 26/01/2016 at 15:40

    LAMENTÁVEL O DESCASO DOS GOVERNANTES COM O NOSSO PATRIMÔNIO HISTÓRICO

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  • ernani 27/01/2016 at 15:34

    Que vergonha, vários prefeitos passaram e somente pensando em reeleição! Não cuidam da cidade, e deixam o tempo se encarregar daquilo que foi feito! Quanto dinheiro gastado em ciclovias e outras coisas esquecidas.

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  • Faça sua parte 03/02/2016 at 09:32

    De fato, a árvore caiu e passou a ser um risco aos usuários da praça. O que deve ser analisado é o que fez o monumento se deteriorar e por quê a Viva Pacaembu – grupo de moradores do Pacambu que se dizem preocupados com o bairro, mas é sempre questionado pelo quanto isso não é fachada para preservar a região elitizada, proibindo shows e aproximação da população geral – que tem como uma das missões “Recuperar a memória do bairro e definir critérios de acautelamento e preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural”, conforme seu site, nunca fez nada.
    Subprefeitura da Sé, CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, Museu do Futebol, Viva Pacaembu, Estádio do Pacaembu… todos tem sua parcela de culpa, mas o que vemos é um empurrando para o outro.
    Falando em culpados… o cidadão comum… nós… que pagamos impostos… que vivemos nesta cidade… o que nós fazemos? Basta tirar uma cerca para passarmos a pisar e degradar nossa história? Somos tão culpados quanto os órgãos que se dizem competentes.
    Infelizmente vivemos em uma sociedade que, cada vez mais, pisa em sua cultura, em suas tradições e em sua história apenas por não aceitarmos ela como nossa ou por um puro desinteresse do passado.
    A indiferença que foi tratada a questão, para mim, não é estranho… é apenas reflexo da sociedade que vivemos que abandona seus idosos, desrespeita seus professores, segrega pelas classes sociais, gêneros, opção sexual, descendência, religião – tanto pela maioria quanto pela minoria.
    Talvez a maior parte da população não tenha coragem / interesse em questionar essa indiferença com nossa história e com nosso patrimônio pelo simples fato de que, em seu cotidiano, fazem as mesmas coisas em proporções menores, como jogar lixo na rua, furar fila, errar o troco, falsificar um documento de meia entrada, desrespeitar o garçom, o vizinho ou o recepcionista, entre tantas outras coisas.

    Reflexão, reflexão, reflexão… se não mudarmos nossas atitudes, como poderemos cobrar a mudança dos outros????

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  • danielpardo2015 07/02/2016 at 22:55

    Mais uma situação normal no “reino da bananolândia”…

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