O Liceu Coração de Jesus celebra 135 anos neste dia 5 de junho. Localizado na região central da capital paulista e tombado pelo Condephaat, o prédio remete a momentos históricos de São Paulo, abrigando um dos colégios mais antigos ainda em funcionamento na cidade. A instituição foi inaugurada pelos primeiros padres salesianos que desembarcaram em São Paulo, em 1885, sob o nome Liceu de Artes, Ofícios e Comércio.

Na foto, de 1886, o início da vida salesiana em São Paulo (clique para ampliar)

Marcada pela tradição e pela presença religiosa, a escola também ajuda a remontar momentos importantes da história de São Paulo.

Seus primeiros alunos foram filhos de escravos libertos e de imigrantes italianos, que procuravam pelos cursos profissionalizantes de tipografa, impressão, alfaiataria, entre tantos outros. Hoje a escola disponibiliza Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Na foto uma das salas de aulas do Liceu

O conjunto arquitetônico, que ocupa um quarteirão inteiro no bairro dos Campos Elíseos, também inclui a igreja do Santuário Sagrado, construída para abrigar a imagem do Sagrado Coração de Jesus, vinda da Europa, e o Teatro Grande Otelo. Um dos pontos de destaque da construção, o teatro foi restaurado e reaberto em 2011, com apresentações de peças consagradas.

Vista aérea do colégio e paróquia no ano de 1928 (clique para ampliar)

Tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) em 2013, o complexo mantém as características arquitetônicas originais. O Santuário, construído em estilo renascentista e em forma de basílica também possui a mesma planta retangular de sua inauguração.

Na foto alunos da instituição durante atividades escolares (sem data)

Ao longo dos anos, o Liceu conseguiu preservar suas características históricas e tradições e, ao mesmo tempo, se pautar pela inovação, tendo como pilares a liberdade, o incentivo ao pensamento crítico e a valorização humana.

O colégio conta com o Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB), com mais de 40 mil objetos colecionados desde o início do século XX. O MOSB é o centro de memória do Colégio Liceu Coração de Jesus e promove exposições temporárias e visitas educativas.

Na foto alunos do Liceu Coração de Jesus

Curiosidades

1 – Pelas salas de aula do colégio passaram personalidades brasileiras ilustres como os atores Sérgio Cardoso, Grande Otelo (que deu nome ao teatro do Liceu) e Fúlvio Stefanini e o cantor Toquinho.

Na foto a configuração original do teatro da instituição

2 – O colégio adotou a instrução militar na época da campanha lançada em 1908 pelo Marechal Hermes da Fonseca, para que o ensino militar fosse obrigatório no país, com foco na formação de caráter, no patriotismo e no civismo. Depois dos estudos, os alunos recebiam caderneta reservista do Exército, ficando assim isentos do serviço militar do quartel.

Na foto alunos da instrução militar posam para fotografia no ano de 1926 (clique para ampliar)

3 – A música sempre esteve presente no colégio. Os Canarinhos do Liceu Coração de Jesus ganharam grande notoriedade e passaram a ser conhecidos mundialmente, com destaque para duas figuras ilustres que fizeram parte do coral: o maestro Roberto Tibiriçá, titular da cadeira de nº 5 da Academia Brasileira de Música desde 26 de março de 2003 e membro Honorário da Academia Nacional de Música, Rio de Janeiro desde 2018; e o tenor lírico Thiago Aracam, famoso por se apresentam em diversos teatros no mundo.

Na foto a fachada do liceu e igreja no ano de 1928 (clique para ampliar)

4 – O colégio foi atingido por um bombardeio da Revolução de 1924, conhecida como segundo movimento tenentista do país, pedindo o fim do governo da República Velha, reformas no ensino público, voto secreto, poder político ao exército, fim da corrupção e destituição do presidente Artur Bernardes.

A revolução ficou conhecida como o maior bombardeio ocorrido na cidade de São Paulo: diversos prédios e casas foram destruídos, principalmente em áreas operárias. O bombardeio atingiu a torre e os portões do Santuário do Sagrado Coração de Jesus – as marcas estão visíveis até hoje para quem passa pela Alameda Glete (veja foto abaixo). Também é possível ver os fragmentos das bombas, expostos no Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB).

Os círculos mostram algumas das marcas de bala da Revolução de 1924 perpetuadas no gradil da instituição

Serviço:
Liceu Coração de Jesus
Alameda Dino Bueno, 285 – Campos Elíseos
São Paulo – SP
CEP: 01217-000
(11) 3221-3622
www.liceudesaopaulo.com.br

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Comentarios

  • Guimarāes 05/06/2020 at 11:55

    Minha tia… trabalhou muito anos no Liceu..mas nunca aprendeu uma palavra seque de italiano.
    E era filha de..italianos.

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  • Luiz Fernando do Nascimento 05/06/2020 at 12:08

    Adorei o posto. Parabéns, este é um monumento maravilhoso de nossa cidade e temos que preserva-lo sempre.

    Reply
  • Pascoal 05/06/2020 at 12:15

    p

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  • FRANCISCO ANTONIO ROXO SANTOS 05/06/2020 at 12:53

    Pena que está em lugar tão sujo, inseguro, mas tem co.o melhorar o local.
    Basta as autoridades querer.

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    • Fernando Almeida 07/06/2020 at 17:28

      Basta os paulistas quererem. Precisamos combater essa cultura paternalista getulista.

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  • Elizete 05/06/2020 at 16:09

    Meu tio ficou órfão aos 5 anos de idade e a família o internou lá, permanecendo até seus 18 anos, qdo saiu para trabalhar e morar sozinho. De 1942 a 1960. Disse que jamais poria um filho dele ali, nunca quis comentar o porquê, não gostava de jeito nenhum, levando esse mistério para o túmulo! Uau…..

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  • Elizete 05/06/2020 at 16:25

    Correção da postagem anterior: tio Bráulio saiu do Liceu em 1955….Em 1960, foi o ano do seu casamento. Obg

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  • milton jubé assunção 05/06/2020 at 17:27

    Parabéns pela matéria, nossa história preservada…

    Reply
  • Osmar Alvares Garrido 06/06/2020 at 06:40

    Eu me lembro em parte (muito pouco) do tempo que estudei lá. Já são passados +ou- 62 anos, hoje estou com 75 anos. Sempre que saía da aula ia na associação (acho que tinha outro nome) jogar ping-pong, era um víciio. Depois decia para o Bom Retiro onde morava (Rua Guarani). Por ser do Rio de Janeiro, tinha o apelido de “carioca”. Bons tempos.

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  • Valmir Henrique da Cruz 06/06/2020 at 09:39

    Há anos que eu avisto a torre da igreja, quando passo pelo cruzamento da av. Ipiranga com a rua Santa Ifigênia, a uns 1000 metros de distância. Curiosidade de chegar mais perto nunca me faltou. O que me falta é coragem de atravessar a cracolândia para chegar até lá. Mas, encorajado por esta bela matéria, um dia eu chego lá.

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  • João Valarelli 06/06/2020 at 10:33

    Também estudei no salesiano. Foi ótimo, graças aos padres sou um ser humano que sobe tomar atitudes na vida… NÃO ME ARREPENDO E AGRADEÇO A MEUS PAIS POR ME COLOCADO NO COLÉGIO SALESIANO.

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  • Sergio da Silva Soares 06/06/2020 at 17:12

    Estudei no Liceu, em meados dos anos 70 para 80.
    Devo muito do meu sucesso e formação a mão de mestres incríveis como o Prof Celso (Literatura), Omura (Matemática), Marciano (química), entre tantos que dão saudade.
    Corri muito do Pe. Perini e, juntos com amigos, lhes demos muito trabalho.
    Admirei o Pe. Anderson, a quem espelho o que vi de caráter e sobriedade.
    A eletrônica e eletricidade que aprendi, não aprendi na Universidade.
    Lá defini e iniciei minha história.
    Foram anos incríveis.

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  • Inês Comino 07/06/2020 at 08:28

    Meu pai, meu irmão e mais tarde, já aceitando meninas, minha cunhada, minha enteada,e minha filha estudaram aí. Fui criada dentro do colégio, União dos ex alunos e no Santuário. Amo muito tudo isso.

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  • roberto sergio carneiro 07/06/2020 at 11:27

    SP tem caras tradições que nos pasa o orgulho de ser paulista! !!!!

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  • Claudio Moreira 08/06/2020 at 08:37

    As reivindicações do movimento tenentista me fazem pensar que o Brasil mudou pouco. Uma pena.

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  • Almir 08/06/2020 at 10:59

    Estudei apenas um ano no Liceu pois meu salário de office boy não permitiu que continuasse. . Antes de subirmos para as salas de aula tínhamos que rezar a oração do Pai Nosso e a Ave Maria. Nível de educação excepcional.

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