Em minhas andanças por São Paulo eu já vi tudo quanto é tipo de casa, nos mais variados estilos de fachada. O que é bastante comum em uma cidade com uma arquitetura tão pluralista como a nossa. Mas de longe, nenhuma casa chama tanto a atenção como esta pequena residência do Bixiga.

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Localizada no número 115 da Rua dos Ingleses, esta é para mim a mais curiosa residência paulistana. Fruto de extrema criatividade de seu construtor, a casa tem sua fachada e muro todo imitando troncos e galhos de árvore. Não dá para negar que o estilo desta exótica casa chama – e muito – a atenção. Veja na foto abaixo os detalhes do muro, que ao invés de balaústres tem um ramificação de cimento imitando galhos de árvore.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

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Os traços arquitetônicos imitando árvore percorrem todo a fachada. Até mesmo no telhado sobre a porta de entrada há detalhes que remetem a madeira.

A residência possui dois portões, o da direita que dá acesso à casa principal, que é a da decoração exótica, e o do lado esquerdo que dá acesso a uma (ou mais) residências ao fundo. Olhando através do portão podemos observar que a casa é naquele típico estilo antigo, bastante estreito. Entretanto, por se tratar de uma região do bairro que é bastante alta, o imóvel segue um comprido terreno em declive.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Os detalhes sobre a janela são bem realistas (clique na foto para ampliar).

Construída na primeira metade do século 20 (ela é mencionada em livros de história do bairro* porém sem muitos detalhes), a casa é um verdadeiro patrimônio da cidade e, infelizmente, pouco conhecida pelos paulistanos. Além de estar num trecho da Rua dos Ingleses que é descida e a maioria das pessoas passam apressadas ou dentro de um automóvel, a casa fica bastante recuada do nível da rua se comparada a seus dois vizinhos que são bem maiores (veja foto 1 da galeria abaixo) o que a deixa bastante escondida.

Mas talvez estar escondida é o que faz a casa ser ainda mais interessante, pois descobri-la é uma experiência curiosa e gratificante. Quando estiver passando pela região, não deixe de contemplar a curiosa casa árvore.

Veja mais fotos deste imóvel (clique na foto para ampliar):

* livro: História dos bairros de São Paulo Vol 15- Bela Vista,
Nádia Marzola
Prefeitura do Município de São Paulo – 1985

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Luiz Henrique de Souza Alineri 28/11/2013 at 19:01

    Simplesmente sensacional!
    Tomara que esta permaneça erguida!

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  • júlia favaron magoulas 28/11/2013 at 19:53

    no minimo, interessante e singular. pensar que quem a projetou e a construiu elegeu uma árvore como elemento decorativo na fachada, no muro rente a calçada e talvez outras partes da casa que não estão a vista. aqui, no Rio, tem o exemplo de uma casa, cuja árvore “adentrou” uma parte da fachada da casa, mas como obra da natureza, ao longo de anos.
    uma beleza o seu trabalho.

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  • J.C.Cardoso 29/11/2013 at 09:43

    Aqui no Rio, no Campo de Santana e/ou na Quinta da Boa-Vista (não recordo ao certo), há parapeitos assim, “de árvore”, tal qual essa mureta, nas pontes sobre os lagos.

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    • Paulo Schwartz 30/11/2015 at 17:40

      No Passeio Público também.

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  • Valdir Sanches 29/11/2013 at 11:02

    Sua matéria sobre a casa-árvore deu excelentes frutos.
    É muito bom encontrar para ler uma coisa diferente do que se costuma ver.
    Parabéns

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  • Camila Oliveira 29/11/2013 at 16:33

    Sou de Londrina-PR e em setembro estive em SP no Simpósio “Áreas centrais de metrópoles latino-americanas. Transformações e preservações”. Em um dos dias saímos em um grupo da casa da D. Yayá e caminhamos pelo Bixiga, juntamente com alguns arquitetos, geógrafos e historiadores franceses que estudam em vivem em metrópoles latino-americanas. Foi incrível passar por essa rua e muito mais surpreendente ‘descobrir’ essa casa, inclusive pelos paulistanos que estavam lá. Adorei ver a casa aqui no São Paulo Antiga.
    Aliás, tenho um site sobre o patrimônio cultural de Londrina (identidadelondrina.com.br) e este site é um grande incentivo e inspiração. Parabéns pelo trabalho!

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    • Douglas Nascimento 30/11/2013 at 09:52

      Camila, obrigado pelas suas palavras.
      Estive olhando o seu trabalho de Londrina, é excelente! Parabéns

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  • orlando silva 30/11/2013 at 15:01

    RUTE ESCOBAR..MORA ENSTA RUA

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  • Gustavo Oliveira 04/12/2013 at 10:09

    Na rua Mairinqui, Vila Mariana, entre os números 267 e 293 existe uma residência bastante curiosa também, toda adornada com mosaicos de vidros e azulejos. A um tempo atrás ela entrou em reforma, mas não a vi depois disso, espero que ela ainda tenha essas características.

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  • Felipe Ferraro 08/12/2013 at 14:47

    Este estilo se chama “Gardening” e vem do conceito de jardim inglês, de se criar uma natureza idealizada e, claro, totalmente artificial. No jardim da Luz há vários exemplos de guarda-corpos imitando galhos. A própria gruta artificial, com cascata, compartilha desse repertório. Além do lago de Diana. Esse estilo foi muito utilizado nos parques públicos, assim como apontou o comentário de J.C. Cardoso acima, falando do Campo de Santana.
    Seria interessante descobrir como essa influência chegou no construtor dessa casa que, pela tipologia, é uma residência média.
    Abs!

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    • J.C.Cardoso 09/12/2013 at 12:26

      Obrigado pela dica.
      Desconhecia nome e ser de origem inglesa.
      Curioso é que nunca me recordo de ter visto aqui no Rio em bairros que foram projetos de empresas inglesas (os chamados bairros-jardins), infelizmente, a maioria hoje deteriorados.
      Sei que existe um estilo de construção inglês que as pessoas erradamente confundem com construção alemã (enxaimel). Eu mesmo fui um deles.

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    • Camila Oliveira 10/12/2013 at 13:26

      Interessante, Felipe. Obrigada pelas informações!

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    • Krone 12/03/2018 at 13:16

      Na Rua Conselheiro Furtado, quase na Pires da Mota, e na Lateral da Praça Hélio Ansaldo com Rua do Lavapés, tem o mesmo estilo.

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  • Júlio Machado 14/04/2014 at 10:32

    Muito interessante. Há várias casas nesse estilo no sul de Minas. Tenho tias que moram em Brasópolis em um casarão com essas imitações O que se diz lá é que era uma tradição herdada de construtores portugueses.

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  • Nilce 26/09/2017 at 16:51

    Vontade de morar numa casa assim. Incrível o design…

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