Na foto a linha mais popular do Termo-Rey (clique para ampliar)

Em meados do século XIX a expansão do sistema ferroviário dos Estados Unidos estava atingindo territórios cada vez mais distantes.

Refletores de locomotivas e lanternas que tinha em sua composição o vidro não suportavam as mudanças bruscas de temperatura e acabavam trincando. Engenheiros foram contratados para desenvolver um vidro que não quebrasse por conta das oscilações de temperaturas. Foi um sucesso e o problema acabara.

Já em 1913, a esposa de um dos engenheiros teve a ideia de usar o vidro da lanterna para assar um bolo. E desde então os vidros temperados, opalinos, boro silicatos começaram a fazer parte do cotidiano das donas de casa americanas.

Nos Estados Unidos várias empresas foram criadas, mas a mais famosa foi a Pyrex com a célebre linha Corelle, que eram refratários com estampas que não descascavam em contato com o forno. Não demorou muito para que este tipo de tecnologia expandisse pelo mundo.

Fábrica da Brasividro, no Rio de Janeiro

Na década de 1960 surgiu no México a empresa Cristales Mexicanos S.A. No Brasil o grupo Nadir Figueiredo, através da Brasividro, lançou em 1972 a linha TERMO-REY.

O design das peças brasileiras foi elaborado pelo escritório Verschleisser & Visconti, de Leonardo Visconti (neto do pintor impressionista Eliseu Visconti) e Roberto Verschleisser, que disse ao São Paulo Antiga sobre a fabricação da Termo Rey:

“Foi um aprendizado e tanto porque tivemos que adaptar o design das peças à velocidade de produção das máquinas. Em muitos casos o vidro incandescente esfriava antes de preencher o molde completamente e por aí vai”.

O escritório com sede no bairro de Santa Tereza no Rio de Janeiro funcionou por 30 anos e fechou em 1995. A empresa foi responsável pelo projeto da frente e dos interiores dos carros A e B da linha Azul do Metrô de São Paulo em 1974 (então apenas Jabaquara – Santana) e posteriormente elaboraram o mesmo projeto no Metrô do Rio de Janeiro em 1979.

Leonardo Visconti também foi professor universitário e faleceu em 2013. Roberto Verschleisser segue a vida acadêmica como professor da ESDI – Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ.

Do forno para a mesa, resistentes a oscilações de temperaturas e muito prático. Claro que a Termo-Rey acabou caindo na graça dos lares brasileiros e tornou-se muito popular.

Com certeza, alguém da sua família já teve algum prato, xícara, açucareiro, leiteira ou travessa da Termo-Rey, que fez parte do cotidiano de inúmeros lares brasileiros.

Linha ˝La Cuisine˝ – clique na foto para ampliar

A empresa possuía cerca de 22 modelos que eram vendidas em peças avulsas ou jogos de 8 a 20 peças. Tamanho foi o sucesso que as louças foram exportadas para Espanha, República Dominicana, África do Sul, Austrália e Venezuela.

Um atrativo a mais foi a linha infantil que a Termo-Rey começou a produzir em 1976. Era composto por dois pratos e uma caneca com ilustração de palhaço, o Termolin. O diferencial estava na embalagem de papelão que transformava um avião. Outro desenho que conquistou as crianças foi o gato e o peixe.

Linhas infantis, com o palhaço Termolin e o Gato e Peixe

A Brasividro parou de fabricar a linha Termo- Rey em meados de 1986 e logo depois a empresa fechou. Não sabemos o motivo do encerramento, mas efetivamente essas louças deixaram saudades.

Hoje as louças Termo-Rey viraram item essencial nas feiras de antiguidades. Indiscutivelmente a Termo Rey está muito ligada a evolução da cozinha nos modos e costumes.

Veja mais imagens de catálogo da linha Termo-Rey (clique para ampliar):

Confira abaixo uma galeria de imagens da coleção particular de Termo-Rey de Glaucia Garcia de Carvalho, historiadora que escreveu este artigo (clique nas imagens para ampliar):

E você, conhece a linha Termo-Rey ? Conte para nós quais produtos dessa linha você teve, utilizou etc…

Agradecimentos:

Nadir Figueiredo pela gentileza em nos ajudar na produção desta matéria e pelo envio via correio dos catálogos da empresa.

About the author

Licenciada em História, é pesquisadora e professora da rede pública e particular em Guarulhos. É co-fundadora da Associação Guarulhos tem História e Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC). Co-autora dos livros "Guarulhos tem História" e "Guarulhos: espaço de muitos povos".

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Comments

  • Clarice Spoladore Ferreira dos Reis 29/09/2017 at 14:24

    Ah, parece q fui abrir o guarda-louças e escolher umas peças pra servir o almoço… Minha mãe achava tudo isso muito lindo e forte!!

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  • Fernando Teixeira da Silva 29/09/2017 at 14:41

    Nasci no bairro de Vila Maria zona norte da capital em 1945, e não tinha como não conhecer essa grande empresa que é Nadir Figueiredo, e não adquirir alguns de seus produtos . No início da década de setenta comprei exatamente o jogo de louças Termo-Rey completo idêntico ao da primeira foto. Boas lembranças

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  • Nazareth Lemos Maldonado Peres 29/09/2017 at 14:52

    Lindas loucas! Por qaui só conhecemos um modelo. Mas há uma variedade muito bonita!

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  • Vanderlei Antonio Zago 29/09/2017 at 16:50

    Carambaaaa! Tivemos delas também, à muito tempo. Bela reportagem!!!

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  • Jorge Roberto Coelho Ferreira 29/09/2017 at 19:00

    Em casa sempre tínhamos esse tipo de utensílio, até hoje ainda há uma ou outra peça por aqui. É engraçado que até hoje, para quem tem mais de quarenta anos,. qualquer tigela de vidro ou de louça é um “pyrex”

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  • Joao Alberto Fernandes 29/09/2017 at 20:04

    Que saudade…Minha mãe ainda tem uma travessa…

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  • Luciano 30/09/2017 at 04:15

    MInha madrinha tem até hoje aquele modelo com os desenhos laranja, que olhando bem de longe parecem formigas… hehehe, eu quando criança e ficava na casa da madrinha, falava… o prato com as formigas de mãos dadas.

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  • Zóe Sgarbi 30/09/2017 at 11:58

    Adorei esta matéria. É muito agradável voltar ao passado para ver coisas tão bonitas e úteis. A gente não entende como produtos tão interessantes acabam morrendo. Nem o por que da fábrica ter encerrado as atividades. Foi muito gratificante ver as imagens e relembrar os produtos.

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  • Gabriel 30/09/2017 at 12:48

    Tenho um jogo de xícaras da Termo-Rey! Minha vó tem algumas travessas. Uso as xícaras até hoje!

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  • Denis Martinho 30/09/2017 at 21:29

    Gláucia, a matéria ficou ótima!! Parabéns!!

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  • Nil 03/10/2017 at 11:19

    Parabéns pela matéria, um excelente tema para quem ama antiguidades. Tenho um jogo Colorex, comprei num antiquário. Termo Rey ainda não consegui. Ah, e se não for em xícaras o cafezinho, para mim, não é completo…

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  • Rafael 03/10/2017 at 14:37

    Taí algo em que não pensei mais há anos! A minha avó teve uma tigela igual àquela com a faixa quadriculada. Tempos de criança, de bolo feito à tarde, e com direito à colher “pão duro” para lamber rs.

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  • Alexandre 23/10/2017 at 21:32

    como sobrevivemos à tanta cafonice? eram simplesmente horríveis, apesar de muito práticos

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  • Daniel Pardo 28/10/2017 at 20:26

    Minha bisavó tinha pratos iguais aos da primeira foto que abre a matéria, lembro que quando moleque a gente comia macarronada neles.

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  • caroline 15/02/2018 at 13:40

    Gostaria muito de comprar pratos de gravatinha, alguém sabe onde tem?

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    • Douglas Nascimento 16/02/2018 at 09:17

      Olá Caroline, no Mercado Livre

      Reply

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