Uma situação muito estranha de sete imóveis da Alameda Nothmann despertou a curiosidade de um leitor do blog São Paulo Antiga, que solicitou nossa visita à região para documentar o que ele acha que será uma demolição em massa de praticamente um quarteirão inteiro. Estivemos no local e embora não tenha sito possível afirmar que todos serão realmente derrubados, os indícios são fortes.

No quarteirão da Alameda Nothmann compreendido entre as alamedas Dino Bueno e Barão de Piracicaba vários imóveis, a grande maioria comerciais, estão fechados e com tijolos nas portas há vários meses. O que estaria acontecendo por ali ? Na rua ao lado está a todo vapor uma grande obra da empresa Porto Seguro. Realizado pela Hochtief, está sendo erguido ali a Torre Barão B, que será vizinho do Torre Barão A que já existe no local desde o final dos anos 80. Será que os imóveis pertencem à Porto Seguro e serão demolidos ? Ainda não é possível afirmar.

No detalhe, construção da Porto Seguro. Obra seria coincidência ? Clique para ampliar.

Se tudo isso é apenas uma coincidência ainda não podemos afirmar. Alguns imóveis eram residências e foram desocupados, já outros eram estabelecimentos comerciais que se mudaram para outros endereços da região. Após esses imóveis pequenos, há um prédio comercial relativamente grande e em péssimo estado de conservação, com muitos vidros quebrados e pichação. Apesar disso, ele parece não ter sido afetado pelo súbito fechamento dos vizinhos e no local funciona um centro automotivo  (vide galeria abaixo).

O que irá acontecer com estes velhos imóveis da Alameda Nothmann ? Serão realmente demolidos ou apenas foram emparedados para evitar invasões ? Estamos apurando e atualizaremos o texto à medida que novidades forem surgindo.

Veja fotos de todos os imóveis envolvidos (clique nas miniaturas para ampliá-las):

Alameda Nothmann 268:

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 284:

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 290:

Foto: Douglas Nascimento
Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 300:

Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 302:

Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 306:

Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 314:

Foto: Douglas Nascimento

Alameda Nothmann 316:

Foto: Douglas Nascimento

Conheça a região através de nosso mapa:

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Peterson Henrique Freitas 17/04/2012 at 20:32

    Nenhum desses imóveis, >pelo menos aparentemente<, tem valor histórico ou arquitetônico, mas, pela preservação da paisagem, seria interessante se as fachadas fossem mantidas, ou os imóveis novos respeitassem o estilo e a altura dos outros sa rua.

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    • Peterson Henrique Freitas 17/04/2012 at 20:38

      Em arquitetura e urbanismo isso se chama “tipologia urbana”.
      É mais ou menos como se a rua fosse um texto: tente ler um texto em que cada letra tem um tamanho e cada palavra tem um estilo – Arial, Times New Roman, Comic Sans, etc. Esse texto seria desagradável de ler, e na 2ª ou 3ª página você estaria com os olhos cansados. Nas ruas acontece a mesma coisa. Se uma casa tem estilo portugês, a outra é um prédio neoclássico, a outra é modernista de vidro e aço… os seus olhos vão ficando cansados de olhar pra essa rua. Isso fora a memória e a personalidade que vão se perdendo.
      Respeitar isso é MUITO importante pra fazer da cidade um lugar agradável.

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      • Mario Amaya 27/06/2012 at 14:12

        Interessante que o seu exemplo, seja proposital ou não, cite somente fontes tipográficas consideradas ruins ou banais. Note apenas que a palavra tipologia não é usada por padrão em design gráfico, somente tipografia (atividade) e tipo (o design das letras).

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  • Betty 26/04/2012 at 01:20

    Gente, vai abaixo tudo mesmo, se não me engano, a demolição começará no final de junho…. Aliás, há vários imoveis na região do Bom Retiro e Campos Eliseos que estão prestes a serem demolidos…
    Douglas, estou muito triste, simplesmente estão colocando a baixo a história de Santa Terezinha (Santana, Zona Norte, vários imóveis sendo derrubados, quarteirões inteiros, alguns desse imóveis é do tempo que ainda tinha o Trenzinho da Cantareira…. Está nascendo um novo Tatuapé, agora em Santana!

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  • Marcelo Dias 31/01/2013 at 20:34

    Acho que regiões decadentes como a cracolândia, salvo algumas exceções de imóveis bem conservados e em uso ainda, devem ser demolidos. Não há uma política de gentrificação eficiente pra resolver problemas de regiões onde não há valor imobiliário arquitetônico. Deveria haver um plano diretor planejando regiões onde casas históricas deveriam ser tombadas e outras demolidas para “construir” uma cidade menos caótica e mais organizada, como Nova York e Tóquio.

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  • Chico Lobo 06/04/2013 at 17:16

    Morei por 37 anos nos Campos Elíseos. Eu me lembro que na década de 60 na Al Nothmann, 314 era a eletrotécnica do Vivarelli, um italiano que recondicionava motores elétricos de todos os tamanhos e finalidades.

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  • grezonaro 01/11/2016 at 00:10

    Pelo visto você estava certo Douglas… Fui checar no Google Street View e parece que a Porto se apoderou de quase todo o quarteirão e essas casas aí do post, não existem mais, para hoje darem lugar a um “monumento” (lê-se construção) cinza, sem graça e nada a ver que é parte do prédio deles (Espaço Cultural Porto Seguro). A construção em si é um conjunto modernista de salas verticais espelhadas e envidraçadas, bem modernas por sinal, dignas de Av. Paulista, mas que ao andar pelo bairro e ruas vizinhas, como a próxima esquina entre a Alameda Barão de Piracicaba x Alameda Ribeiro da Silva, nota-se uma outra construção antiga interditada, caindo ao pedaços (que já foi belíssima) contracenando com esse arranha-céu. Ver construções antigas indo ao chão desse jeito, independente de tamanho, ou se o imóvel é tombado ou não é de chorar.

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