Uma situação muito estranha de sete imóveis da Alameda Nothmann despertou a curiosidade de um leitor do blog São Paulo Antiga, que solicitou nossa visita à região para documentar o que ele acha que será uma demolição em massa de praticamente um quarteirão inteiro.

clique na foto para ampliar

Visitamos o local e realmente foi possível conferir que todos os imóveis já estão desocupados e irão ser demolidos em conjunto. Neste quarteirão da Alameda Nothmann compreendido entre as alamedas Dino Bueno e Barão de Piracicaba vários imóveis, a grande maioria comerciais, estão fechados e com tijolos nas portas há vários meses.

De acordo com a nossa apuração estes imóveis serão todos demolidos pelo seu novo proprietário, a empresa Porto Seguro e no local será construído um centro cultural. A parte mais ao fundo, que vai em direção ao atual prédio pertencente à Porto Seguro e que no passado foi sede da Pirelli também será modificada à pedido da seguradora.

Realizado pela Hochtief, está sendo erguido ali a Torre Barão B, que será vizinho do Torre Barão A que já existe no local desde o final dos anos 80. A foto abaixo mostra o local onde ficarão os dois prédios (o centro cultural não aparece no detalhe).

No detalhe, construção da Porto Seguro. Obra seria coincidência ? Clique para ampliar.

Salvo uma exceção ou outra, a grande maioria destes imóveis se encontravam já em péssimo estado de conservação e sem qualquer manutenção há vários anos.

A demolição de construções antigas é algo que sempre nos entristece, mas neste caso é preciso ter compreensão de que elas darão lugar a um projeto que pretende ajudar a revitalização do bairro, que há muito tempo carece de um grande investimento.

Estaremos acompanhando todo o processo de demolição e construção das novas edificações;

Veja fotos de todos os imóveis que serão demolidos (clique nas miniaturas para ampliá-las):

Atualização – 25/09/2015:

Conforme havíamos previsto em 2012, realmente os imóveis foram demolidos para dar lugar ao Centro Cultural Porto Seguro, que já encontra-se em pleno funcionamento e trazendo novos e bons ares a esta região tão esquecida pelo poder público que é o bairro de Campos Elíseos.

Na foto o Centro Cultural Porto Seguro

Este prédio magnífico foi erguido no local onde ficavam as velhas residências citadas acima. Mais ao fundo, na Alameda Barão de Piracicaba ocorreram inúmeras transformações também proporcionada pela seguradora.

O prédio antiga sede da Pirelli sofreu um profundo retrofit, ficando completamente diferente do que era. Ao lado uma segunda torre foi erguida pela empresa, chamado de “Torre B” onde funciona agora a sede principal. O complexo também abriga o moderno Teatro Porto Seguro.

O comparativo abaixo apresenta a Alameda Barão de Piracicaba em 2012 e 2018:

Uma excelente revitalização ocorrida na região.

Artigo revisado em 20/03/2019.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

Deixe um comentário!

Comments

  • Peterson Henrique Freitas 17/04/2012 at 20:32

    Nenhum desses imóveis, >pelo menos aparentemente<, tem valor histórico ou arquitetônico, mas, pela preservação da paisagem, seria interessante se as fachadas fossem mantidas, ou os imóveis novos respeitassem o estilo e a altura dos outros sa rua.

    Reply
    • Peterson Henrique Freitas 17/04/2012 at 20:38

      Em arquitetura e urbanismo isso se chama “tipologia urbana”.
      É mais ou menos como se a rua fosse um texto: tente ler um texto em que cada letra tem um tamanho e cada palavra tem um estilo – Arial, Times New Roman, Comic Sans, etc. Esse texto seria desagradável de ler, e na 2ª ou 3ª página você estaria com os olhos cansados. Nas ruas acontece a mesma coisa. Se uma casa tem estilo portugês, a outra é um prédio neoclássico, a outra é modernista de vidro e aço… os seus olhos vão ficando cansados de olhar pra essa rua. Isso fora a memória e a personalidade que vão se perdendo.
      Respeitar isso é MUITO importante pra fazer da cidade um lugar agradável.

      Reply
      • Mario Amaya 27/06/2012 at 14:12

        Interessante que o seu exemplo, seja proposital ou não, cite somente fontes tipográficas consideradas ruins ou banais. Note apenas que a palavra tipologia não é usada por padrão em design gráfico, somente tipografia (atividade) e tipo (o design das letras).

        Reply
  • Betty 26/04/2012 at 01:20

    Gente, vai abaixo tudo mesmo, se não me engano, a demolição começará no final de junho…. Aliás, há vários imoveis na região do Bom Retiro e Campos Eliseos que estão prestes a serem demolidos…
    Douglas, estou muito triste, simplesmente estão colocando a baixo a história de Santa Terezinha (Santana, Zona Norte, vários imóveis sendo derrubados, quarteirões inteiros, alguns desse imóveis é do tempo que ainda tinha o Trenzinho da Cantareira…. Está nascendo um novo Tatuapé, agora em Santana!

    Reply
  • Marcelo Dias 31/01/2013 at 20:34

    Acho que regiões decadentes como a cracolândia, salvo algumas exceções de imóveis bem conservados e em uso ainda, devem ser demolidos. Não há uma política de gentrificação eficiente pra resolver problemas de regiões onde não há valor imobiliário arquitetônico. Deveria haver um plano diretor planejando regiões onde casas históricas deveriam ser tombadas e outras demolidas para “construir” uma cidade menos caótica e mais organizada, como Nova York e Tóquio.

    Reply
  • Chico Lobo 06/04/2013 at 17:16

    Morei por 37 anos nos Campos Elíseos. Eu me lembro que na década de 60 na Al Nothmann, 314 era a eletrotécnica do Vivarelli, um italiano que recondicionava motores elétricos de todos os tamanhos e finalidades.

    Reply
  • grezonaro 01/11/2016 at 00:10

    Pelo visto você estava certo Douglas… Fui checar no Google Street View e parece que a Porto se apoderou de quase todo o quarteirão e essas casas aí do post, não existem mais, para hoje darem lugar a um “monumento” (lê-se construção) cinza, sem graça e nada a ver que é parte do prédio deles (Espaço Cultural Porto Seguro). A construção em si é um conjunto modernista de salas verticais espelhadas e envidraçadas, bem modernas por sinal, dignas de Av. Paulista, mas que ao andar pelo bairro e ruas vizinhas, como a próxima esquina entre a Alameda Barão de Piracicaba x Alameda Ribeiro da Silva, nota-se uma outra construção antiga interditada, caindo ao pedaços (que já foi belíssima) contracenando com esse arranha-céu. Ver construções antigas indo ao chão desse jeito, independente de tamanho, ou se o imóvel é tombado ou não é de chorar.

    Reply
%d blogueiros gostam disto: