Esta semana apresento para vocês mais uma receita típica paulista: o arroz com suã.

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Foi bastante curioso o fato de que quando sai para comprar o corte de suã nenhum dos açougues próximos de casa ofereciam este corte de carne. O suã é um corte de carne de porco que abrange a coluna vertebral com as suas costelinhas.

Parti então para a região central da cidade, mais precisamente no Mercado Municipal de São Paulo, famoso por seus ingredientes frescos e variados, e no primeiro açougue que perguntei sobre a disponibilidade do corte, o atendente me responde:

“Moça, sou mineiro, vim trabalhar em São Paulo e você me pede um treco em francês!. – Brincadeira! Temos sim moça, e vai fazer com arroz não é??? Quer o corte mais carnudo ou mais ossudo?”.

Pedi o mais carnudo, que foi cortado na hora. Quando for comprar, peça para cortar em pedaços menores para facilitar o preparo e para servir. Não dá para cortar em casa porque precisa serrar os ossos.

Trata-se de um corte de carne barato mas difícil de encontrar segundo o atendente do açougue, por causa do corte que despreza uma boa porção de carne que é retirada do entorno do corte e depois o açougue não consegue vender essa carne que sobra. No caso daquela loja, tem saída para tudo, segundo o simpático e brincalhão balconista.

Fui pra casa feliz preparar o meu arroz com suã, novidade no meu repertório culinário.

Para a receita caipira tradicional, você vai precisar de pouca coisa:

  • 3 xícaras (chá) de arroz
  • 2 colheres (sopa) de banha de porco ou azeite
  • 3 batatas (opcional)
  • 1 quilo de suã de porco
  • temperos a gosto (alho, limão, vinagre, cebola, pimenta, sal, etc.)
  • água

Modo de preparo:

  • Prepare o arroz para o cozimento: lave-o bem e escorra numa peneira. Reserve.
  • Refogue o suã na banha (ou azeite) e deixe cozinhar um pouco (pode-se moquear). Quando secar a gordura, corar a suã.
  • Adicione o arroz ainda cru e refogue mais um pouco.
  • Junte os temperos, as batatas partidas ao meio e acrescente água fervendo até dois dedos acima do nível do arroz.
  • Cozinhar em fogo lento, e se precisar, juntar um pouco mais de água fervendo, até o arroz ficar cozido e solto.

Eu preparei de um modo um pouco diferente: usei meu tempero caseiro preferido, já publicado nesta coluna. Temperei a carne, deixei pegar gosto por uns 20 minutos e refoguei como indicado na receita original.

O resultado é um prato único que pode ser servido com uma salada verde ou o quibebe também já publicado nesta coluna. O sabor da carne cozida impregna-se no arroz e nas batatas, ficando muito saboroso.

Vale a pena procurar o suã para fazer estar receita.

About the author

Gerente de serviços em uma multinacional de tecnologia, Heloisa é fascinada por trabalhos manuais e faz da culinária um de seus hobbies prediletos.

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Comments

  • Estela 21/09/2016 at 14:36

    Obrigada, foi uma nostalgia sem tamanho ver essa receita e lembrar dos tempos de infância e apreciar esta iguaria feita por minha saudosa vovó!!!

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  • Celso P 21/09/2016 at 19:34

    Muito bom. Continue com seu precioso trabalho de divulgação da culinária paulista. Parabéns!

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  • danielpardo2015 21/09/2016 at 21:26

    Eu nem sabia que existia esse corte de carne, mas enfim… vivendo e aprendendo…

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  • Emerson de Faria 22/09/2016 at 08:24

    Em cada receita publicada, um sabor de nostalgia e de tempos mais humanos e fraternos, e um resgate do orgulho de ser paulista. Parabéns.

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  • Daniela 24/09/2016 at 11:55

    Que delíciaaaa! Sou paulistana mas hoje moro no interior. Arroz com suã (aqui suan) é constante lá em casa, porém aqui também já está começando a ficar difícil de achar por ser considerado “coisa de pobre”. Acredita?

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    • Fudeba 26/09/2016 at 04:47

      Daniela, quer ver isso virar uma febre? Febre em igual? Bastaria algum programa de culinária a lá “gourmet” inventar de fazer esse prato, transformando-o e uma comida gourmet que provável que até falte suã na praça. Por enquanto eu prefiro assim, que se considerem “coisa de pobre” que pelo menos a gente paga barato no suã. 🙂

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  • SIlvia Silva 25/09/2016 at 15:58

    Sabor de infância com direito à família toda reunida na casa da vó no Sul de Minas

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  • Fudeba 26/09/2016 at 04:45

    Pode ser incomum ai pra esses lados, mas aqui no interior é bem comum esse prato, fizemos em casa fazem duas semanas. Em um rancho com amigos é de praxe fazer também. É uma iguaria sem igual!

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    • Douglas Nascimento 26/09/2016 at 11:15

      Vi seu nick e não pude deixar de perguntar…
      Esse Fudeba vem de MSX ? E Sturaro é um nome que me remete ao MSX também…

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  • Renata 30/11/2016 at 03:10

    Por mim podem falar que é de pobre hahaha, eu simplesmente adoro esse tipo de comida, ja salvei aqui e vou fazer do seu jeito pra ver como fica.

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