O aniversário de São Paulo sempre rende inúmeras comemorações e festividades por toda a cidade, mas um evento que começou há quase 30 anos e era sempre esperado com bastante euforia: o bolo do bixiga. E quando foi que esta divertida e gostosa tradição paulista surgiu ?

Em 1992, uma multidão pronta para devorar o bolo (clique para ampliar).

Em 1992, uma multidão pronta para devorar o bolo (clique para ampliar).

Idealizado em 1985 por uma das mais simbólicas personalidades da Bela Vista, Armando Puglisi, mais conhecido como Armandinho do Bixiga, a tradição começou no ano seguinte, em 1986, quando São Paulo celebrou seu aniversário de 432 anos. Inicialmente feito e custeado apenas pelos moradores do bairro, a ideia é que o bolo tivesse o tamanho do aniversário da cidade, ou seja, aumentando de tamanho todos os anos.

Para fazer o bolo não é nada fácil. Utiliza-se aproximadamente 1000 Kg de farinha de trigo, 3 mil ovos, 1000 litros de leite além de números igualmente gigantes de outros ingredientes como açúcar, fermento e manteiga.

Armandinho do Bixiga esteve a frente da realização desta tradição paulistana até 1994, quando faleceu. Desde então, seu amigo Walter Taverna, do Centro de Memória do Bixiga, esteve a frente do evento.

Voluntários cortam o bolo em 1992 (clique na foto para ampliar).

Voluntários cortam o bolo em 1992 (clique na foto para ampliar).

Desde o primeiro ano que foi realizado a festa criada em torno do bolo mais famoso de São Paulo, tornou-se um evento concorrido e disputado, entrando inclusive para o Guinness Book, o livro dos recordes, como maior bolo de aniversário do mundo.

Com o tempo a tradição do bolo do bixiga foi sendo um pouco mal interpretada pelos participantes que passaram a correr feito loucos e famintos em direção ao doce, fazendo muita bagunça. Pessoas chegavam a trazer até baldes para pegar grandes porções o que gerava confusões e desentendimentos.

Para evitar este tipo de problema, desde 2012 a tradição do bolo de aniversário de São Paulo sofreu alterações e as longas mesas foram substituídas por pedaços do bolo embalados e entregues um a um.

Bolo do Bixiga em 1992 (clique na foto para ampliar)

Bolo do Bixiga em 1992 (clique na foto para ampliar)

Um evento como este não sai nada barato, e todos os anos muitas empresas participam da festa patrocinando o bolo. Nosso destaque vai para a Bunge, que nos anos 2006 e 2007 foi fundamental para o sucesso da festividade.

E você, já comeu o bolo do bixiga em alguma oportunidade ? Conte para nós !

Agradecimentos e fotos: Centro de Memória Bunge

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • ernani 25/01/2015 at 19:15

    Ainda existe essa comemoração com o bolo?
    Tomara que não!
    Uma ocasião vi pela televisão a hora de cortarem o bolo. Um bando de pessoas, pareciam alucinados. Enfiavam as mãos e botavam em sacolas plásticas. Pareciam que não haviam comido vários dias, e, estavam mortos de fome! Uma baixaria total!

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  • SavianoMarcio 26/01/2015 at 10:13

    Esse evento virou uma reunião de gente esfomeada e mal educada que está cagando e andando para qualquer tradição, para mim ou colocam ordem na selvageria ou não tem mais festa para esse povo.
    Primeiro ninguém mais fica mais ao do lado do bolo, passa a ter fila cercada de grades e cada um recebe uma quantidade determinada, nada mais!

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    • Conrado Secassi 26/01/2015 at 21:52

      Seguem algumas festas repletas de selvageria no continente dito “o mais civilizado”:

      A batalha das laranjas de Ivrea, Itália:
      http://www.clickgratis.com.br/piadas/bizarro/a-batalha-das-laranjas/

      A guerra dos tomates de Buñol, Valência, e Braga, Portugal:
      http://www.clickgratis.com.br/piadas/bizarro/a-batalha-das-laranjas/

      A batalhas do vinho, La Rioja, Espanha:
      http://www.liberoalimentos.com.br/2011/09/festas-e-alimentos-pelo-mundo-batalha_25.html

      Sem esquecer, é claro, dos excessos das tradicionais Oktoberfests germânicas.

      Assim posto, é bom compreender que, das tradições pagãs advindas da Europa, e basicamente, em grande parte das sociedades do mundo, há o tempo do júbilo, e o de se resguardar, conforme a época do ano, o cultivo, a abundância da comida, etc., e aí, os excessos são tradicionalmente e simbolicamente aceitos, incorporados (nem usemos a palavra ‘tolerados´).

      Desta maneira, é de se crer que o problema não é o excesso, mas o modo como as pessoas que se dizem mais ‘civilizadas’ esquecem dos proprios umbigos. Fácil é julgar o Outro, ainda mais em se considerando o caráter segregacionista de nosso país.

      Um boa noite.

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  • Mauro Pereira 23/02/2015 at 23:02

    Comi, quando criança… na total baixaria e empurra-empurra desenfreado!! Adorei <3

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  • Daniel Magalhães 26/02/2015 at 01:24

    Na verdade uma matéria do Pânico ajudou a acabar com a tradição…os Patrocinadores Dona Benta e Senai pularam fora do barco depois da baixaria exibida bem na época que o programa bombava na audiência.
    http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2015/01/1579068-bolo-do-bexiga-acabou-apos-guerra-de-comida-do-panico-diz-idealizador.shtml

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  • Fotogaivota Denise França 26/01/2016 at 19:31

    Meu filho nasceu em 25 de Janeiro de 2007… Eu moradora da Santa Cecília, minha maternidade na Paulista… Nunca esquecerei as dores, o trânsito e o povo comendo bolo em sacolas e bacias. Sempre Vi o bolo pela TV e achava tradicional e linda a iniciativa. Mas ver aquelas cenas parada no trânsito, eu com pressa e assistindo esta cenas bizarra foi inesquecível. Mas agora todo ano tem bolo lá em casa e comemoro junto com SP mais uma ano de vida do meu príncipe, e o evento do bolo virou parte da nossa história!

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  • Curso de teologia a distancia 05/02/2018 at 15:34

    É bolo pra mais de metro rsrsrsrsrs

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