Não é a toa que devido as suas grandes dimensões e pujança econômica, muitos apelidam São Paulo de “Cidade Estado“.

Geograficamente falando as distâncias entre os extremos do município são tão grandes que isso nos proporciona encontrarmos de tudo dentro dos limites da cidade. Isso vai desde áreas totalmente urbanizadas até a áreas com florestas e bastante remotas.

E em uma cidade deste tamanho encontrar uma capela magnífica esquecida no meio de uma floresta, à beira de uma das principais rodovias do país não deixa de ser incrível:

Localizada na Estrada da Barrocada, bem próxima da movimentada Rodovia Fernão Dias no bairro de Três Cruzes, a Capela de Santa Rita é uma daquelas descobertas que nos faz amar ainda mais São Paulo. Não é em qualquer cidade grande brasileira que é possível encontrar ruínas de um templo religioso como se encontra nas antigas e distantes paragens da Europa.

A Capela Santa Rita é uma joia da arquitetura religiosa perdida no meio do nada. Fica cercada de árvores frondosas e é bastante difícil de ser avistada. Apenas em algumas curvas da sinuosa rodovia é possível avista-la à distância, e foi assim que voltando uma vez de uma viagem ao interior de São Paulo, que me deparei com a capela pela primeira vez.

O sino se foi há muito tempo, mas os traços arquitetônicos ainda emocionam

Curioso com a igreja em lugar tão ermo, consultei alguns amigos da vizinha cidade de Mairiporã que me disseram apenas que a igreja estava abandonada há muito tempo. Decidido a descobrir sua história fui até o local e estudei um pouco mais sobre a incrível igrejinha esquecida no meio do nada.

Como estava dentro de uma propriedade privada fui averiguar quem era o dono do grande sítio onde a capela se encontra e descobri pertencer a empresa Rohr S/A Estruturas Tubulares. Entrei em contato com a empresa, que rapidamente e de maneira muito gentil, permitiu que o São Paulo Antiga entrasse na propriedade e fotografasse a Capela Santa Rita.

Um pouco da história da capela:

Céu azul dá vida a cruz do que já foi um vitral (clique para ampliar)

Construída entre o final da década de 40 e início da década de 50, a capela ficava dentro da propriedade conhecida como “Sítio dos Pinto” que atualmente é propriedade da Rohr. Por muitos anos era um caminho comum de romaria, por pessoas que passavam pela Estrada da Barrocada, que perdeu importância viária com a Rodovia Fernão Dias funcionando poucos metros dali.

A capela permaneceu aberta e funcional até o final dos anos 70 quando foi desativada após a venda do sítio para a Rohr. Como o sítio já estava em dificuldades, a Capela Santa Rita já estava em situação precária e o local, por ser deserto, chegou a ser usado até para execuções por parte de criminosos. Sem segurança à época, restou a empresa isolar a capela cercando a propriedade.

O interior vazio da capela (clique na foto para ampliar).

O interior vazio da capela (clique na foto para ampliar).

Apesar de fechada, o templo não está esquecido pela empresa, que mantém funcionários no local que tomam conta da capela e também cuidam para o que resta não se deteriore ainda mais. Segundo o Sr. Fábio, representante da empresa e que nos acompanhou em nossa visita, há planos para a recuperação da capela em um futuro próximo. Vamos torcer para que realmente aconteça.

Segundo apuramos é possível que a capela tenha sido projetada pelo mesmo arquiteto da igreja de São João Maria Vianney, localizada na Lapa. Os traços arquitetônicos são realmente similares, porém não temos certeza ainda de que a informação é correta.

São Paulo é realmente uma cidade espetacular! Permite-nos viajar dentro dela e a cada viagem encontrar uma coisa nova, diferente, fazendo cada um de nós eternos turistas na cidade que tanto amamos.

Agradeço a Rohr S/A Estruturas Tubulares que foi muito prestativa com nossa equipe e também pelo empenho da empresa em preservar o local para a posteridade. Uma empresa amiga da história de São Paulo.

Veja mais fotos da Capela Santa Rita (clique na foto para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 06/06/2013 at 12:07

    Há uma igreja aberta ao público, em Minas (acho que em Mariana), similar a essa. Foi construída inicialmente, uma capela. E ao, redor, ao longo do tempo, ia ser construída a igreja maior para depois a capela (dentro da maior) ser demolida para os acabamentos. Eis que veio a Abolição e a obra maior – que usava mão de obra escrava – ficou inacabada. Hoje, os dois templos – um “dentro” do outro – é ponto turístico.

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    • Tiago 07/06/2013 at 10:30

      Sim, insto é em Sabará / MG. A Igreja dedicada à Nossa Senhora no Centro da cidade teve sua obra interrompida por causa da abolição. Depois deste fato, a obra não foi concluída, pois suas paredes eram feitas em pedra, e este tipo de construção entrou em desuso, substituído pelo uso da alvenaria em tijolos, o que acabou deixando a obra inacabada.

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      • J.C.Cardoso 07/06/2013 at 11:07

        V. tem razão, Tiago. É em Sabará.
        Estive nas duas cidades na mesma época e acabei me confundindo. Tanto que disse: “acho que em Mariana”.
        Obrigado pela lembrança.

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  • Mauricio 06/06/2013 at 12:41

    mesmo sendo mantida para não acabar desmoronando, merece ser restaurada pelo valor arquitetônico.

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  • ralphgiesbrecht 06/06/2013 at 13:04

    Caso similar é o da capela da Fazenda Tamoio, em Araraquara, a uns 500 metros da via Washington Luiz, altura mais ou menos do km 260 e perto do viaduto por onde passam os trilhos da antiga Cia. Paulista. Já a fotografei varias vezes, tanto no local quanto da ferrovia.

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  • Katiúcia 06/06/2013 at 14:27

    Interessante é a pixação em uma das laterais (já incompleta pela degradação do reboco), que diz: “Eloy, eloy, lama sabactani?”. É a frase que Cristo diz na cruz e significa: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”

    Irônico.

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    • Rosana Luiza Destro Keppe 10/06/2013 at 16:48

      Katiúia, parabéns pela visualização desta mensagem tão pertinente com o estado de abandono em que se encontra esta igreja. Você viu o invisível!

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    • Wilerson 24/09/2014 at 20:35

      Olá Katiúcia, gostei do irônico rs… até me arrepiei quando me deparei com seu comentário (senti a mesma sensação da época).

      Hoje tenho 32 anos e na época sofri muita repressão por ter me convertido ao evangelho … era um ex-pixador e grafiteiro, e, realmente, naquela época o lugar era extremamente abandonado (tempo das execuções por criminosos), havia muita macumba e lixo deixados por usuários de drogas lá.

      Fiz alguns desenhos abstratos fora e dentro da capela, frases do bem (coisa que hoje em dia me arrependo pois agora entendo o valor histórico que o lugar tem), pixadores posteriormente também sujaram o local.

      A frase escrevi no intuito de expressar a ausência de Deus no momento em que eu mais precisava dele, o que me enganei pois ele nunca me abandonou rs… mas também me referi ao local lindo e abandonado localizado tão perto da cidade e esquecido pelo estado.

      Já tive muitos sonhos com aquele lugar. Não sou mais evangélico a anos, moro no litoral norte de São Paulo e torço para que a empresa realmente consiga restaurar esse patrimônio de valor imensurável.

      Grande Abraço.

      Wil.

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  • GUILERME SALLES DE CAMPOS 06/06/2013 at 19:09

    adorei douglas,sempre a via da estrada agora acho que esta encoberta pela vegetação,me chamava a atenção pela tipologia,que agora vi ser aredondada,linda espero que a recuperem abração.

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  • Adriano Tardoque 06/06/2013 at 21:03

    Parabéns pelo interessantíssimo e útil trabalho que faz.

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  • Marcos Gonzales 07/06/2013 at 09:47

    Havia também no Tremembé, a Capela de São Sebastião, perto da Academia do Barro Branco, da Polícia. Diziam os antigos moradores da região que essa Capela era do seculo XVII e era usada como paragem de tropeiros e até dos bandeirantes que estavam a caminho de Minas Gerais, mas acontece que essa Capela de São Sebastião já não existe mais, pois o Banco Bradesco, do alto de sua ignorancia e fome de lucros, a demomliu em pleno processo de tombamento, para construir alí mais uma de suas agências. Na mesma região existia também a Estação Invernada do trem da Cantareira, que até a uns dez anos atrás ainda estava em pé, tendo mais de cem anos de existência, mas a própria polícia florestal a demoliu sem explicações, o pior é que o local esta cheio de mato, ou seja, demoliram a estação para não fazer nada no terreno, é um absurdo.

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    • paulo 22/06/2013 at 23:19

      eu também sempre que passava na estrada via a capela lá. Imaginava que devia ter havido um povoado no local , realmente atiçava minha curiosidade. gostaria de saber mais sobre a tal “estrada da barrocada” que tal?

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    • papayabrasil 23/07/2013 at 10:02

      Marcos Gonzales, lembro-me muito bem desta capela, era linda. Aliás toda a avenida está crescendo com comércio e perdendo a arquitetura antiga das casas. Uma dó enorme ter perdido a Capela de São Sebastião para uma agência bancária que poderia ter sido construída em qq lugar. Bem pontuado!

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  • Alexandre 27/06/2013 at 18:26

    Vale dar uma lida, é perto de Paranapiacaba, em Campo Grande. http://www.dgabc.com.br/Noticia/277582/capela-da-boa-viagem-e-alvo-de-vandalismo

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  • Rosa Vieira Telles 24/08/2013 at 10:44

    Nasci em Mairiporã,mas no primeiro ano de vida fui morar nesse bairro,minha vida faz parte da capela Santa Rita,morei por 18 anos.Quando vi nesse site fiquei muito impressionada quando vi a nossa igrejinha e reconheci logo de cara.Fiz o catecismo e a primeira comunhão nessa capela.Agradeço por essas imagens que ficaram muito boas.Ficarão muitas saudades e recordações,bons tempos.

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  • Vanderlei Gomes Fotografia 14/09/2013 at 17:28

    Acabei de chegar desse lugar fiz algumas fotos e o caseiro que toma conta é muito simpático e atencioso.

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  • Luciano 21/01/2014 at 23:39

    Senhor Douglas gostaria de agrade-lo por nos fazer sentir vivos ,,trazendo em nossas memorias,,,,imagens e histórias que o tempo não apagam….brinquei muito nesta capela da barrocada ,,O Senhor é um homem de visão e um grande observador ,,meus parabéns…..obrigado

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    • Douglas Nascimento 22/01/2014 at 08:58

      Quando o senhor ia lá ela já era assim desativada ? O que pode nos acrescentar mais sobre ela ? Abraços!

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  • Paulo Branco 20/07/2014 at 00:19

    Minha mãe foi morar no jardim tremembé em 1954. e ela sempre falou que ocorria uma festa la na região da barrocada que era muito popular. Gostaria que os moradores que se manifestaram acima nos contassem mais sobre este bairro, que parece que no passado era mais agitado que hoje.

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  • Valentina 01/04/2017 at 12:18

    Sr. Douglas ,como chego à Capela Santa Rita ?
    Grata
    Valentina

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    • Douglas Nascimento 01/04/2017 at 12:20

      Não entendi sua pergunta, cheguei de carro.
      Pela Fernão Dias entre na rua atrás do último posto antes de subir a Serra rumo à Mata Fria.
      O local é propriedade particular, precisa pedir autorização para entrar.

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