Sempre achei que começaria a catalogação do Imirim, região que frequento semanalmente, com esta casa que ilustra o artigo. O que eu não imaginava é que eu começaria falando dela não por ser uma das mais antigas e encantadoras construções do bairro, mas sim pelo fato dela estar sendo demolida.

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Localizada no número 409 da Avenida Imirim, esta casa antiga é um dos exemplares mais bonitos desta avenida, que é dotada de uma poluição visual bastante exagerada. Fica quase diante do Cemitério do Chora Menino e possui uma arquitetura bela e peculiar para a região, oriunda de um tempo em que o bairro ainda era muito mais tranquilo.

Passo ao menos três vezes por semana em frente desta casa e todo dia pensava “Está protegida, amanhã eu paro e fotografo”, até o dia que me surpreendi um enorme tapume preto, instalado por trás do muro e mais alto que a própria residência colocado para isolar o imóvel da rua. Fui vencido pela máxima “Não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje.”. Isso me caiu como uma dura lição.

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Não há como negar que esta casa ser demolida, ou desfigurada como uma reforma, é uma perda inestimável para o Imirim. Era uma construção única, com belos portões e gradis, jardim diante da casa e um traço arquitetônico simples mas bem agradável.

Fica mais uma vez evidente a deficiência de nossos órgãos de patrimônio em avaliar o que é (ou deveria ser) patrimônio histórico em nossa cidade fora da região central. Um imóvel como esse já deveria ter sido tombado há muito tempo para evitar sua destruição.

Crédito: Google

Uma demolição desta representa não apenas um velha casa que se vai. Ela também representa a triste, e quase sempre irrecuperável, perda da referência na história de um bairro.

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • ralphgiesbrecht 25/09/2014 at 18:10

    fora que Chora Menino é um dos mais belos nomes de bairros de São Paulo.

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  • Heloísa Bernardi 25/09/2014 at 19:07

    Lamentável. O povo não aprende. Pela ignorância a gente perde a memória histórica. Terrinha pobre mesmo! Que raiva!!!!

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  • Sergio Cicarelli 25/09/2014 at 19:15

    Fiquei chocado…Cresci nesse bairro e conheço bem essa casa quando minha falecida mãe ia visitar aquela senhora….
    Com a idade eu vejo, olhando para trás, que infelizmente o brasileiro (poucos se salvam) não retem o costume europeu de preservar seu patrimonio histórico.
    Assisti muitos imóveis sucumbirem à força monetária imobiiária e simplesmente desaparecerem…
    Só nos resta lembrar os bons momentos que ainda persistem em nossa mente.

    Parabens pelo trabalho e aos amigos que o seguem.

    Eng. Sergio Cicarelli

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  • Patricia 25/09/2014 at 20:16

    Tenho a sensação de que minhas lembranças são apagadas pq cada casa q se vai sobe uma parede de concreto q chamamos de edifício q obstrui a visão e enche as ruas de trânsito. Saudades do bairro seguro e tranquilo de um passado não mto distante q as construtoras teimam cruelmente em apagar.

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  • NORBERTO DESTER JUNIOR 25/09/2014 at 21:20

    DINHEIRO,DINHEIRO MEU AMIGO A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA NÃO TÁ NEM AI,PRA MEMÓRIA OU PRESERVAR O PATRIMONIO .

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  • fernando 25/09/2014 at 21:34

    sempre admirei esta casa ,……todas as vezes que passo em frente, e esta casa tem um quintal que muitas outras não tem,e sempre que passava eu imaginava como ficariam aquelas janelas e portas destacadas com um marrom combinando com um amarelo…..destacando os frisos da coluna de entrada da varanda, e também a parte superior em cima da janela, e porta… que lindo jardim na frente da casa …..combinaria com uma roseira vermelha ou branca….aquelas flores que vão muito bem no sol…sou um entusiasta ferroviário,….admiro este tipo de casa….trabalho em um museu de artes famoso aqui em são Paulo…em frente ao antigo hotel Fernandes,…aliás que é uma bela construção….admiro também aquelas casas da região da av do estado,(que há cem anos atrás,,certamente, era uma região otima para se morar)…..é uma parte de nossa história……

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  • valter rivas perez 26/09/2014 at 13:58

    isso não esta acontecendo so no imirim,no bairro do ipiranga onde foi proclamada a independencia estão demolindo os mais lindos casarões,para fazer espigões e uma pena (estamos) ja perdemos nossa referencia de paulistano quatrocentão.

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  • Harry Umesp 26/09/2014 at 18:23

    Um povo sem história é um povo sem cultura!

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  • Danilo 26/09/2014 at 21:45

    Desculpem o trocadilho, mas é de chorar não é meninos?

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  • Emerson de Faria 29/09/2014 at 10:56

    Esta casa e tantas outras antigas e singelas são testemunhas oculares do tempo em São Paulo era uma cidade mais simples e agradável de se viver. Eu trocaria toda a modernidade do presente para voltar no tempo, nascer no começo do século passado e morrer no ano em que nasci.

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  • Marco 29/09/2014 at 15:54

    Seu site é sensacional. E sensacionalmente deprimente. País sem memória, meu deus…

    Morei na minha infância numa casa de imigrantes italianos, em SBC, que hoje virou um estacionamento. Mantiveram apenas um pé de manga, gigante, que meu bisavô plantou.

    Não sei do que mais tenho raiva, de estacionamentos (descanse em paz, casa do meu avô – e Mansão Matarazzo), dos apartamentos com varanda gourmet (que estão dizimando as lindas casas dos bairros mais distantes), ou desses caixotes horríveis que constroem nos jardins no lugar de antigos casarões…

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  • Denise Mendy’s 09/10/2014 at 14:36

    eu moro no Imirim, adorei seu texto

    “Fica mais uma vez evidente a deficiência de nossos órgãos de patrimônio em avaliar o que é (ou deveria ser) patrimônio histórico em nossa cidade fora da região central.”

    Perfeito. Mas quando se tocarem infelizmente não teremos mais nenhum patriomonio historico, só vai ter o centro de sp.. o q ficou.
    Tudo se derruba para fazer prédios.

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  • Marcelo ParMor 19/10/2014 at 23:13

    Triste… Quando era mais novo sonhava em ganhar na loteria e comprar essa casa. Nunca entrei nela, mas ficava imaginando como seria aquela “selva” que existia nos fundos e dava para ver parcialmente pelo quintal lateral…

    Outra casa do Imirim que admiro é a do começo da rua José de Figueiredo Seixas, que pelo tamanho do terreno logo mais também deve ser destruída pela especulação imobiliária.

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