O Jaguaré é um bairro de São Paulo bastante interessante.  A região, era uma enorme fazenda que seria adquirida em 1935 pelo empresário Henrique Dumont Villares, que iniciou então o loteamento da área.

Por sua posição geográfica bastante peculiar, uma espécie de morro em local estratégico, do alto do bairro é possível contemplar boa parte das zona oeste e sul da cidade, em uma localização bastante privilegiada.

Tão privilegiada que no seu ponto mais alto, Villares mandou erguer um farol magnífico, hoje conhecido como Mirante do Jaguaré. Apesar de algumas décadas atrás terem erguido um edifício bem diante do farol, ainda é possível avistá-lo de alguns pontos da Marginal Pinheiros, especialmente à noite quando está iluminado.

Vista do Morro do Jaguaré em 1938 a partir da margem do Rio Pinheiros (clique para ampliar).

O fato do bairro ser planejado, não fez com que ele escapasse da bagunça urbanística típica de São Paulo. A grande maioria das construções originais foram modificadas ou demolidas, mas ainda é possível encontrar algumas absolutamente preservadas, tal qual quando o bairro foi loteado.

Infelizmente, algumas estão abandonadas. É o caso desta simpática residência térrea localizada bem ao lado do farol, no número 175 da rua Salatiel de Campos.

clique para ampliar

Segundo vizinhos, está desocupada há alguns anos. Por ser uma construção antiga, é um tanto quanto mais baixa que o nível da rua e como possui um muro muito alto, quase que não a notamos.

Notem que mesmo abandonada, destelhada e esquecida, trata-se de uma casa confortável, ampla e bem agradável. Nada que uma reforma ou restauração não devolva o glamour que um dia ela já teve. Dos fundos da residência tem uma vista espetacular para a região da Lapa e Vila Leopoldina.

Veja mais fotos desta casa (clique na miniatura para ampliar):

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

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Comments

  • Katiúcia 29/12/2011 at 20:46

    Adorei a matéria, por se tratar de um bairro da zona oeste (!) e porque ter resgatado uma imagem antiga do bairro. Além de lá, não conheço outro lugar na cidade que tenha um farol. Aguardo ansiosa pela matéria sobre o querido Farol do Jaguaré.

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  • Peterson Henrique Freitas 30/12/2011 at 11:46

    Sem contar que é lindo o mosaico de azulejos vermelhos azuis e amarelos quebradinhos! O povo tinha um senso artistico instintivo. Olha os padrões abstratos, diferentes no lado direito do esquerdo.

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    • Adélia B. Monson 23/04/2013 at 14:47

      Lindo mesmo! Provavelmente o quintal era ser assim tb. Sempre que passo por alguma casa com o chão de caquinhos eu paro por alguns instantes e fico admirando. Adoro!

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  • luma 16/03/2012 at 16:22

    que bom que tem pessoas que procurão proteger e q gostão das historias desas belas casas interesantes.

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  • Otto 12/04/2012 at 12:58

    O Bairro é uma delicia, vivi toda minha infância nele. Conheço de perto os três lugares retratados e fico feliz com a existência deles, porem sei que infelizmente é por pouco tempo com a entrada cada vez mais vampirica das grandes empreitaras no bairro, desfigurando e mutilando-o….

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  • Adélia B. Monson 23/04/2013 at 14:47

    Que judiação o estado em que se encontra. Pena!

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  • Maria 03/02/2019 at 16:19

    Oi eu me chamo Maria meu e-mail e esse( maria-llj@hotmail.com) tenho procurado informações de pessoas que morou na favela do Jaguaré nós anos de 1967 na favela do Jaguaré minha mãe se chama Elza eo marido era Antônio com o apelido brim ou boca rica por favor entra em contato com eu qualquer notícia já ajuda

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  • Rocha 06/07/2019 at 03:07

    O principal objetivo era usar a torre como ponto de orientação para os barcos que navegariam pelos rios Tietê e Pinheiros. A crença do engenheiro de que a hidrografia alavancaria as atividades industriais de São Paulo, devido ao baixo custo, foi exposta no mesmo estudo. Nele, Villares anotou que “(…) o Centro Industrial Jaguaré fica na confluência dos rios Pinheiros e Tietê. Em ambos esses rios procede-se à dragagem e retificação, que virão permitir a navegação de modo que essa propriedade está muito convenientemente para tirar proveito deste meio de transporte, o mais econômico”.

    Nesse caso, o plano não deu certo porque a navegação nos rios da capital não foi para frente como esperava o engenheiro. A história, contudo, rendeu pelo menos um apelido ao mirante: Farol do Jaguaré.

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