O bairro de Santo Amaro sempre é revelador de imóveis interessantes. Consideravelmente distante do centro capital, a região já foi um município independente, incorporado à capital durante a década de 30.

Muitas construções antigas, do início do século 20, sobrevivem por ali. Não foi o caso deste casarão curioso demolido em meados de 2014:

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Localizado no número 697 da rua Conde de Itu, com extensão também pela rua Ministro Roberto Cardoso Alves, este imóvel era um dos mais interessantes da região.

Aos que passavam por ela, o que mais chamava a atenção era o formato de chalé quase piramidal da construção, bem atípico do que costumamos ver pela nossa cidade. Aliás, este formato curioso também era notado em alguns detalhes do casarão, como em uma pequena janela que parece ser do sótão.

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Outra parte curiosa da construção é o fato de ela ser construída dando para a rua. Geralmente, construções deste porte que ficam com suas janelas junto a calçada estão assim porque perderam terreno na abertura de alguma rua.

Entretanto, não acredito ser o caso aqui uma vez que a rua Conde de Itu é das mais antigas de Santo Amaro. Exceto se estivermos diante de uma construção realmente muito antiga, da virada do século 19 para o 20 e anterior a rua em questão. Infelizmente não encontramos ainda dados para confirmar esta teoria.

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Sobre os proprietários também as informações são um mistério. Encontramos dados desencontrados sobre quem morou nesta casa nos longos anos de sua existência.

No início da década de 60 o imóvel possuía um telefone em nome de Martins Y. Vieira (número 61-2411) e nos anos 70 ao menos por um período foi habitada por um cidadão dos Estados Unidos de nome Frank Alvin Ryan.

Ryan neste período foi diretor técnico da Poliquima, importante indústria química estabelecida na região, e que na década de 80 foi comprada pela então Akzo (hoje Akzo Nobel).

Lateral da casa na rua (clique para ampliar)

Lateral da casa na rua Ministro Roberto Cardoso Alves (clique para ampliar)

Voltando ao imóvel, tratava-se de uma construção em terreno bastante amplo, com o casarão em uma das extremidades e um imóvel menor ao centro, no que parece ser uma residência de caseiros ou até mesmo uma garagem (canto direito da foto acima).  Pela extensão do muro é possível observar que fizeram um outro anexo, que é bem mais recente do que o imóvel principal.

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Nos últimos anos de existência deste casarão, era possível notar que ao menos na fachada ele estava em péssimo estado de conservação. A pintura já estava bastante deteriorada, haviam rebocos sem pintura e também muitas janelas pareciam estar com a madeira apodrecida. Mesmo assim era um casarão recuperável e digno de uma preservação. Entretanto, ele não sobreviveu e veio abaixo.

Apesar de demolido o imóvel era bem interessante e ainda desperta a curiosidade de muitas pessoas, que perguntam sobre ele aqui no São Paulo Antiga. Tudo o que sabíamos sobre ele foi publicado, então deixamos o apelo a quem tiver mais informações sobre o casarão, que entre em contato conosco ou deixe um comentário.

Abaixo, seguem mais fotografias:

Entrada da garagem (clique para ampliar)

Entrada da garagem (clique para ampliar)

Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

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Foto: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Raquel Cordeiro 07/05/2015 at 11:55

    Que beleza de casarão.Que beleza de historia! Que vontade de ter tido a oportunidade de entrar e conhecer todos os cômodos e a verdadeira historia da construção dela.Fiquei morta de curiosidade…

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  • Sheila Senhora 07/05/2015 at 12:30

    Puxa que pena… ele fazia parte da meu passado… olhar pra ele na foto me fez voltar nos 15 anos que estudei no Colégio Jesus Maria José.. e passava por ele todos os dias….

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  • Evandro Cordeiro 07/05/2015 at 13:54

    Fiquei curioso e fui “visitar” no Google Maps o local original deste belíssimo casarão e me deparei com uma horrenda fortaleza medieval, com muros cercados com arame farpado (só faltou o fosso com água e jacarés em volta), vizinho a este casarão maravilhoso, do outro lado da rua . Será esta a finalidade de ocupação deste terreno, onde outrora havia este charmoso chalé ou quem sabe um formidável e imprescindível estacionamento ? Só o tempo dirá. Abraços !

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    • SavianoMarcio 07/05/2015 at 17:57

      Realmente era interessante imóvel, me surpreendi nas imagens do GSV mais recentes não ve-lo mais.
      Quanto a “fortaleza medieval” é uma de várias centrais de telecomunicações existentes por aí, tem outros edifícios iguais a esse (https://goo.gl/maps/9uPKh, https://goo.gl/maps/0mHJe, https://goo.gl/maps/CghLT, https://goo.gl/maps/Ca9zK, etc) e devem ser bunkers protegidos e isolados pois estão abarrotados de equipamentos eletrônicos caríssimos de internet, telefonia celular, fibra ótica, satélite, radio, etc, por isso são estritamente funcionais.

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      • Evandro Cordeiro 08/05/2015 at 10:27

        “… Pergunta para quem sabe ! … ” . Muito obrigado por elucidar esta curiosidade , não há beleza ou atrativo arquitetônico algum, mas são funcionais … agora está entendido porque parecem realmente com uma “fortaleza medieval” . Obrigado Saviano Marcio. Um grande abraço !

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        • SavianoMarcio 05/06/2015 at 16:00

          Esqueci também de dizer a questão do calor gerado por esses equipamentos todos, fica muito mais fácil refrigerar um edifício fechado.

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  • José Márcio 07/05/2015 at 15:03

    Essa construção lembra os chalés alemães da Baviera. Com certeza foi construída por algum imigrante alemão. Aliás o bairro tinha, e ainda tem, muitos alemães.

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  • Amauri Capel 07/05/2015 at 15:18

    Olá. Trabalho em São Bernardo do Campo e bem próximo existe uma casa bem semelhante, inclusive na cor. Fica na Rua Napoleão Laureano. Segue o link do Google Maps para sua apreciação, pois creio que vale a pena dar uma olhada. Abraços. https://goo.gl/maps/u2ETN

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  • ernani 07/05/2015 at 18:37

    É muito triste! Quando a gente ia de bonde e ele pegava a avenida Ibirapuera, eram casarões, chalés de um lado ao outro. Essas casas eram todas estilos inglês, alemão etc. O progresso acabou com tudo isso.
    Me lembro que quando era mês de inverno e as vezes voltávamos de bonde., a paisagem parecia uma cidade da Europa.
    Digo isto, porque a estrada e os arredores, as arvores eram cercados por uma intensa neblina.
    Era uma coisa muito linda que jamais vou esquecer.
    Infelizmente tudo acabou, agora é só fumaça e poluição!

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  • Marcia Aparecida de Araújo 08/05/2015 at 01:11

    Q pena …. conheci meu marido neste Bairro… morávamos na Irineu Marinho…. sempre q passávamos pela casa despertava uma curiosidade se ainda morava gente ali…. kkkk sempre tive vontade de conhece-la por dentro e ver a decoração…. adorava o bairro Alto da Boa Vista…. <3

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  • Paulo 08/05/2015 at 10:14

    Caro Douglas, não vai sobrar nada por ali! Essa região é a bola da vez na especulação imobiliária com a chegada do metrô. Casas como essa estão caindo aos montes para dar lugar aos espaços gourmets elegantes ou então cortiços de rico, onde um terreno como esse é ocupado por oito ou dez casas coladas umas nas outras e chamadas de Villas qualquer coisa! Acompanhe e você vai ver o que é devastação da história. É só mais um de muitos pedaços da minha infância que desaparecem.

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  • Rafael Pedro 08/05/2015 at 14:28

    Caro Douglas!!
    Parabéns pela iniciativa!!! Espaços como esse fazem a diferença para a preservação (ou pelo menos a tentativa) de nossa história… Passei por este casarão durante muitos anos da minha vida, pois estudava no Colégio XII de Outubro, muito perto dali. Uma lástima que mais um tenha virado pó… Certamente construirão um edifício no amplo terreno… Mais uma vez o patrimônio histórico se curvando à especulação imobiliária…
    Grande abraço

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  • danielpardo2015 08/05/2015 at 16:26

    O “guverrnu” militar acabou, mas pelo visto deixou sequelas até hoje, por exemplo, essa noção equivocada de “pogresso” que tudo o que é antigo deve ser dizimado e exterminado para dar lugar ao “novo”, ao “muderrnu”… enfim… sendo que até eu, que sou “caipira de São Paulo” e nunca viajei para nenhum país do exterior sei que lá na gringa (acho que com exceção dos Estados Unidos) os caras sabem que o verdadeiro progresso se faz preservando o antigo “E” construindo o novo, vai ver se, por exemplo, na Inglaterra, ou em qualquer país europeu os caras passam o trator nas casas antigas??, pelo menos o que vejo na TV cada vez que passa sobre a Inglaterra (por exemplo) são as clássicas casinhas em tijolo aparente e estilo antigo e elas estão lá até hoje, nem dá graça comparar com o “reino da bananolândia” aqui.

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    • Evandro Cordeiro 08/05/2015 at 17:15

      Verdade meu amigo. Veja como se forma a educação de um povo, mais especificamente como o governo rege nosso país e nosso patrimônio … na Europa há um patrimônio histórico incrível , de pé até hoje, com idades de 200, 300, 400 anos ou mais de idade. Belíssimos castelos medievais e tudo mais. É justificável então, acabarem com nosso patrimônio histórico , que muitas vezes não consegue passar dos 150 anos ? Além da falta de interesse dos governantes , a especulação imobiliária acelera cada vez mais e máquinas possantes põem histórias e nossa infância em questão de horas ! Uma pena … Abraço.

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  • Odair Menezes 08/05/2015 at 17:13

    Esse casarão estava desabitado a anos. Certo dia, chegaram aquela turma dos sem teto ou coisa assim e, estavam prestes a tomar o lugar…..a jagunçada chegaram com pá, picaretas, marreta, cimento, areia e tudo de construção. Estavam prontos pra invadir o local. Acionaram a policia e conseguiram evitar a invasão. Eu sei, porque vi tudo de perto, moro na região. Depois disso, os donos decidiram demolir esse casarão. No momento só tem o terreno lá.

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  • Deolinda Negro 09/05/2015 at 21:15

    Foi uma pena…morei na rua Banco das Palmas ,361 esquina da Rua Aníbal Benévolo,na decada de 1.950 em Santana.A casa ainda por fora está em boas condições,apesar da mudança de cor na fachada.Acho que vale vcs darem uma pesquisada!!!!!!

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  • Joao Marcos Turnbull 10/05/2015 at 21:25

    Essa região do Alto da Boa Vista teve uma forte presença de imigrantes europeus, principalmente alemães

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  • Erika Jansen 11/05/2015 at 18:25

    Douglas sou propietaria do Espaço Ativa na Rua Fernandes Moreira, 146 Chacara Sto. Antônio.
    Tenho o contato da antiga moradora da casa, que gentilmente se prontificou a dar maiores informações.
    Entre em contato via email erika@espacoativa.com.br

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  • Jéssica Senoi 13/05/2015 at 13:23

    Para onde foram os materiais utilizaveis dessa demolição. Como portas, batentes, portoes, janelas, madeiras?!
    Estou a procura de materiais de demolição para a construção de minha residencia, queria materiais de obras antigas assim !! Alem de serem muito resistentes, sao lindos !!

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  • Dalton 13/05/2015 at 19:37

    Morei muitos anos ai em Santo Amaro e tinha amigos que moravam nesta região e um especificamente era vizinho deste casarão era o Martin e sua irmã Tânia que perdi o contato. A especulação imobiliária acabou com o Alto da Boa Vista onde tinha casa de quarteirões inteiros, um deles a do Helio Motta pegava as ruas Conde de Itu, S.Luis e 9 de Julho, hoje há um condomínio de casas para se ter uma idéia. Uma pena…

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  • Judy Ryan 03/08/2015 at 08:52

    Essa casa foi originalmente construida na decada de 30 pelo dono da Botica Veado D’Ouro. Morei nessa casa dos 9 anos ate casar em 1973.

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