Muitas vezes quando passeamos pela Avenida Paulista, um dos belos cartões postais da Cidade de São Paulo lamentamos os inúmeros casarões que foram demolidos nesta via. O mais recente a sucumbir foi a residência de Dina Brandi Bianchi em 2011. Mesmo assim, alguns poucos casarões resistem à ganância sem fim das grandes construtoras.

O que nem sempre notamos é que na via paralela à avenida Paulista, a Alameda Santos, também existem alguns poucos imóveis antigos, alguns deles centenários que precisam ser preservados, mas correm sério risco de demolição. Um deles é o “Casarão dos Bocaina”.

MAS MOROU MESMO UM BARÃO ALI ?

Coloquei o nome “Casarão dos Bocaina” em aspas por uma razão simples. Não há evidências de que Francisco de Paula Vicente de Azevedo, o Barão da Bocaina, tenha residido neste imóvel. Na verdade, os indícios apontam que apenas um de seus filhos tenha vivido ali, cujo nome também foi Francisco de Paula Vicente de Azevedo, este por sua vez, sem título de nobreza.

Através de pesquisas detectamos que o Barão viveu no bairro de Campos Elíseos e não na região da Avenida Paulista. Aliás é uma lenda de que os casarões da paulista pertenceram aos Barões do Café. Na Paulista residiam os empresários e industriais, a grande maioria imigrantes bem sucedidos. Apenas dois cafeicultores residiram na avenida, e apenas uma pessoa com título de nobreza imperial, a Baronesa de Arary. Vale lembrar que os Condes Rodolfo Crespi e Matarazzo não eram condes nomeados pelo império, eles eram condes papais.

Em 1911, quando a casa foi inaugurada, celebrou-se o casamento do filho Barão da Bocaina com Cecília Galvão, filha de Carlos Correa Galvão. Por ter sido no mesmo ano da inauguração da casa, é bem possível que a mesma nunca tenha abrigado um barão, apenas o filho dele. O Barão faleceu em 17 de outubro de 1938.

Portanto é bastante improvável – mas não impossível – que o Barão da Bocaina tenha residido ali. Prosseguiremos com as pesquisas.

OS MORADORES

O empresário Dr. Francisco de Paula Vicente de Azevedo residiu nesta casa a vida toda juntamente com sua esposa, Cecília Galvão Vicente de Azevedo, e sua filha única, Maria Cecília Vicente de Azevedo, e puderam acompanhar toda a transformação da região. Ele, diplomado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, foi agricultor e industrial tendo sido um dos pioneiros da indústria de papel no Brasil como fundador da fábrica de Cubatão. Foi também fundador da União dos Fabricantes de Papel e secretário da fazenda do Estado de São Paulo. A esposa morreu em 1974 e ele dois anos depois em 14 de agosto de 1976.

Após a morte dos pais, Maria Cecília Vicente de Azevedo respeitou o desejo do pai e manteve o casarão, não cedendo jamais a especulação imobiliária. Ela viveria no casarão até falecer em 2007 aos 93 anos de idade. Como nunca casou-se e não possuia filhos, os bens pertecentes a ela foram dividos entre os demais familiares e o casarão, infelizmente, acabou vendido para uma incorporadora.

O CASARÃO

A residência centenária é uma das mais belas construções a resistir na região da Avenida Paulista e arredores. Construção eclética possui dois pavimentos e uma bela entrada com colunas jônicas, além de um jardim encantador que mesmo estando alguns anos largado continua belo. A casa mantém ainda os muros e portões baixos originais e apresenta-se em excelente estado de conservação.

Riqueza de detalhes da fachada e das colunas impressiona (clique para ampliar).

Esta construção de valor histórico incalculável para a Cidade de São Paulo corre risco de vir abaixo. A proprietária do imóvel, a incorporadora Stan, entrou com pedido de demolição para erguer uma novo empreendimento no local, desprezando a história do imóvel e sua importância para a memória arquitetônica da cidade. Até o momento, não conseguiu a autorização necessária pois houve uma movimentação para pedir o tombamento do imóvel pela Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorc).

Entretanto enquanto a decisão final não sai, o casarão está largado à própria sorte. É possível notar que há algum interesse pela rápida deterioração do imóvel, uma vez que apuramos que as janelas do andar superior ficam o tempo todo abertas, faça chuva ou faça sol (veja fotos no final da galeria). Isso facilita a entrada de água, sujeira e também acelera a degradação, uma vez que a umidade no imóvel pode se acelerar.

Além disso, não é possível saber se internamente está tudo sendo conservado como se deve. Como o interesse é demolir o casarão, não acredito em preocupação com o imóvel.

Será que o destino de mais um casarão histórico é vir abaixo ? Ou podemos confiar no bom senso do CONPRESP ? Estamos de olho.

Triste cidade esta onde todos os dias sua memória é desprezada e insultada por construtoras e incorporadoras.

Veja mais fotos do “Casarão dos Bocaina” (clique na miniatura para ampliar):

Curiosidades:

  • O Imperador D. Pedro II concedeu o título de Barão da Bocaina a Francisco de Paula Vicente de Azevedo  em 07/05/1887.
  • Após a Proclamação da  República o Barão da Bocaina retirou-se da vida política dedicando-se então apenas a lavoura e ao comércio.
  • Falecido em 1938, o Barão da Bocaina foi o último titular do Império do Brasil a falecer.
  • O outro filho do Barão e irmão de Francisco Vicente de Azevedo, o médico Geraldo de Vicente de Azevedo, residia em um casarão em Higienópolis. Existe até hoje e fica na rua Piauí, ele já foi catalogado pelo São Paulo Antiga, clique aqui para conhecer.
BIBLIOGRAFIA:
Correio Paulistano – 18/10/1938 – página 08
O Estado de S.Paulo – 16/09/1911 – página 06
O Estado de S.Paulo – 15/08/1976 – página 47
O Estado de S.Paulo – 04/09/2008 – página C10

About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • Alexandre Giesbrecht 20/07/2012 at 20:53

    Passei hoje na frente, e notei uns tapumes na frente de parte do terreno (mas não em frente à casa). Não consegui descobrir o porquê desses tapumes.

    Há cerca de uma década, essa casa era usada por uma entidade beneficente e distribuía refeições para moradores de rua todas as manhãs, por meio de uma janelinha no muro que dá para a Alameda Santos.

    Reply
    • Douglas Nascimento 21/07/2012 at 11:39

      @Alexandre

      Na verdade não era uma entidade, era a própria dona do casarão que fazia essa obra de caridade.

      Reply
      • Valter Pietrobom Junior 31/07/2012 at 12:24

        Pra que todos saibam: Dona Maria Cecilia Vicente de Azevedo que realmente fazia essa obra de caridade. Ela ajudou muito a minha avó, Dona Antonia Pamio Pietrobom. Minha avõ trabalhou um tempo como cozinheira nessa casa e apos alguns anos, foi beneficiada com uma casa na Rua Braço do Sul, Vila Progredior(próximo ao Morumbi) A Dona Maria Cecilia mantinha uma obra social nessa Rua, Varias cazinhas ela mandou fazer para doar aos pobres. Fica aqui o meu registro de repudio e um pedido para que os órgãos revejam a demolição dessa casa.

        Reply
    • Natalia 17/08/2014 at 15:38

      Este fim de semana passei na frente do casarão e colocaram tapumes em toda a propriedade. Esta com uma placa dizendo que será reformada…

      Reply
  • Ralph Giesbrecht 20/07/2012 at 21:12

    Para mim o mais certo seria derrubar o que destoa das casas e bosques do quarteirão…

    Reply
  • Helena Galvão Forbes 21/07/2012 at 09:51

    Essa é história da minha família. Tio Mimi e Tia Cecília, tios da minha mãe. Eu não sei se é a cidade ou o Brasileiro que não quer ter memória. Muito triste mesmo…..

    Reply
    • Laercio Kienbaum 18/09/2014 at 04:49

      Meu pai trabalhou nesta casa com o Dr.Francisco cujo qual conheci e com D. Cecilia.Além disso, também trabalhou com D.Rosa Raquel , que pagou parte dos meus estudos.Eu fico muito chateado quando passo em frente ao casarão, e vejo as janelas abertas, como se não houvesse cuidado algum com sua preservação.Afinal de contas, ali moraram pessoas pelas quais tenho extremo carinho e em alta conta.O que vejo de comentários enaltecendo D.Cecilia e Dr.Francisco ainda não são suficientes face a bondade de ambos.
      O nome de meu pai era Dorival (falecido em 2007).
      No facebook-Laercio Mostarda*

      Reply
      • Paulo 25/09/2014 at 09:47

        Olá, por um acaso tem fotos antigas desse período da casa ou de entornos dela (av.Paulista)?

        Reply
  • Danilo Tófoli 21/07/2012 at 20:49

    Que linda casa, gostaria de ter dinheiro para compra-la e restaurar totalmente.

    Reply
  • Claudio 23/07/2012 at 08:36

    Muito boa esta matéria ! Há anos que, quando passo pela Av. Paulista, dou um jeitinho de passar por esta esquina pra conferir como anda este casarão. Sempre quis saber sobre o seu passado, e torço muito pelo seu futuro. Valeu !

    Reply
  • paulo 14/11/2012 at 14:36

    …e para variar, deixam as janelas abertas para que a a chuva e outros fatores climáticos acelerem a deterioração do imóvel, com a desculpa posterior de que a cara “desabou” por ser velha. Assim foi com a dos Matarazzo. Infelizmente não temos leis que protejam nosso patrimônio histótico. As leis que existem são apenas relativas e não absolutas, dando sempre uma brecha para que se possa fazer algo contra.
    Tempos atrás cheguei a fotografar essa casa. O estado dela era muito boa, porém, com as fotos que vi neste site, está claro o abandono proposital, pois parece-me que a casa foi vendida e só estão esperando o tempo certo para começar a demolição, exatamente como foi feita com a residência na mesma rua demolida há uns 2 anos atrás, na calada.
    É uma pena. cada dia um pouco da São Paulo de antigamente vai morrendo.

    Reply
  • Alexandre 02/01/2013 at 19:41

    E se invadissemos a casa? Não para morar mas preservar, como um protesto, será que o poder público faria algo? Só uma idéia, ao menos chamaria a atenção.

    Reply
    • Juliana 03/03/2013 at 12:02

      NOssa eu com certeza participaria dessa heim! Esse casarão é minha paixão!
      Alguém sabe como ela está??? Faz um tempo que não passo lá em frente…

      Reply
      • Paulo 04/03/2013 at 10:16

        Passei há pouco tempo pela Alameda Santos e vi que a casa, como em todos os casos, está abandonada e deixam tudo aberto para que deteriore mais rápido ainda para virem depois com aquela desculpa de que a casa “caiu” com as infiltrações…aquela balela de sempre. Assim caminha a nossa cultura, em que os órgãos públicos e a maioria dos cidadãos dão mais atenção ao que é de fora do país do que daqui dentro mesmo.

        Reply
        • Paulo Schwartz 11/02/2016 at 12:42

          Aqui no Rio quando não podem demolir o imóvel a primeira providência e tirar o telhado e a chuva faz o trabalho. Fica só a fachada.

          Reply
          • Paulo 11/02/2016 at 14:08

            Aqui não fazem/fizeram diferente….vide mansão dos Matarazzo na Avenida Paulista. Após o pseudo-tombamento deixavam janelas e “buracos” nos telhados para que a chuva fosse minando as estruturas…..A explosão que ocorreu após o incentivo da Prefeitura em transformá-lo em museu foi suficiente para abalar a estrutura…a chuva fez o resto.

        • Paulo Schwartz 11/02/2016 at 12:57

          Triste mesmo. Ainda está de pé oo foi demolida realmente?

          Reply
          • Paulo 11/02/2016 at 18:58

            Já faz um tempinho que não passo pela Alameda Santos, mas da última vez que passei haviam demolido parcialmete a parte dos fundos e preservado parte da casa. Creio que foi por causa do projeto do prédio que estão construíndo no terreno. Talvez a parte que tenha sido demolida era a última parte da casa que haviam ampliado na sua última reforma/ampliação e não implicava no projeto original. Tive a sorte de entrar nela e fazer várias fotos dessa parte, além de filmar bastante pouco antes de fazerem essas obras. Hoje, realmente, não sei como está. Passei faz uns 5 meses por lá….e 5 meses faz uma diferença danada.

  • Leonardo 18/03/2013 at 12:07

    Ficarei extremamente triste se demolirem esse casarão, passo os os dias na frente do casarão, e da pra notar, quem está lá não tem cuidado do local.
    Na parte da alameda Santos, não existe mais jardim e sim uma selva.

    Reply
  • Juliana 29/10/2013 at 01:08

    Hoje passei por lá e tinha um vigia da empresa lá, entrei e fui conversar com ele e perguntei se ele sabia o que estava sendo feito e perguntei se realmente seria demolida e ele me respondeu que somente a parte de trás seria demolida, o casarão seria restaurado, eu pedi para entrar e ele me disse que não pode pq está tombada e talz, aí eu dei uma forçadinha e ele me disse que tinha uma equipe lá dentro olhando a situação do casarão e talz, e ainda me disse que ontem passou por lá uma equipe americana de sei lá o que! rs tinha algumas marcações numeradas nas paredes e retirada de pequenos pedaços de pintura, como se fosse pra analisar material, sei lá! O quintal, o jardim está muito cheio de mato, uma coisa bem largada mesmo.A única coisa que me deixou mais triste ainda foi não ter sequer lembrado de tentar tirar algumas fotos…

    Reply
  • Júlia Ferreira Batista 03/01/2014 at 13:57

    Julia Ferreira
    Estou profundamente triste por ver o casarão onde morei durante parte da minha infância e durante toda minha adolescência caindo aos pedaços, isso dói muito. Tenho doces lembranças dessa casa maravilhosa e da dona Cici, pois era assim que chamávamos a dona Maria Cecilia Vicente de Azevedo , uma santa mulher que viveu e dedicou sua vida em fazer o bem e ajudar os necessitado. Todos os dias na hora do almoço ela mesma fazia as quentinhas e dávamos para os necessitados na portinha do muro na Alameda Santos, 1978, e muitas outras ajudas que ela proporcionava aos mais necessitados. Fico indignada com o descaso, pois nós brasileiros temos o costume de irmos à outros países para apreciarmos suas historias e memórias enquanto esquecemos e destruímos as que ainda restam em nossas cidades.

    Reply
  • Júlia Ferreira Batista 03/01/2014 at 17:46

    Júlia Ferreira
    Apenas fazendo uma correção Dr. Francisco de Paula Vicente de Azevedo, casado com Cecilia Galvão Vicente de Azevedo, são parentes do nosso amado Frei Galvão, isso mesmo. A correção que deixo é que o casal não tinha apenas como filha única Maria Cecilia Vicente de Azevedo ela é a filha mais velha, porém tem Dr. João da Cruz Vicente de Azevedo, Dr. Francisco de Paula Vicente de Azevedo, Dr. Pedro de Alcântara Vicente de Azevedo, Dr. Carlos Vicente de Azevedo, Rosa Raquel Galvão Vicente de Azevedo e ( Arnaldo Vicente de Azevedo faleceu criança), todos eram casados, porém quem permaneceu no casarão solteira após o falecimento dos pais foi Maria Cecilia Vicente de Azevedo que faleceu no dia 27.07.2007. Eis parte da história dos Galvão Vicente de Azevedo.
    Francisco de Paula Vicente de Azevedo, primeiro e único barão de Bocaina (Lorena, 8 de outubro de 1856 — São Paulo, 17 de outubro de 1938), foi um fazendeiro e funcionário público brasileiro.

    Filho de José Vicente de Azevedo e de Angelina Moreira de Castro Lima, irmã de Joaquim José Moreira Lima, conde de Moreira Lima, e de Antônio Moreira de Castro Lima, barão de Castro Lima, e filha de Carlota Moreira de Castro Lima, viscondessa de Castro Lima.

    Casou-se com Rosa Bueno Lopes de Oliveira, com a qual teve quatro filhos: Francisco de Paula Vicente de Azevedo, casado com Cecília Galvão Vicente de Azevedo; Lavínia Vicente de Azevedo, solteira e religiosa; José Armando Vicente de Azevedo, solteiro; e o médico dr.Geraldo Vicente de Azevedo, casado com Maria de Lourdes Danso Vicente de Azevedo.

    Foi comendador da Imperial Ordem da Rosa em 27 de maio de 1884 e agraciado com o título de barão por decreto de 7 de maio de 1887.

    Fundou o Engenho Central de Lorena, foi diretor da Estrada de Ferro São Paulo-Rio de Janeiro e do Banco Comercial de São Paulo.Em 1901, doou ao Governo da República os terrenos para as construções da Fábrica de Pólvora de Piquete, hoje Fábrica Presidente Vargas, e do Sanatório Militar em Lavrinhas.

    Reply
  • Paulo 04/01/2014 at 08:54

    Júlia,
    Por favor, você tem fotos dessa residência de quando era criança?

    Reply
  • Monique Bianchini pazzini 27/03/2014 at 12:05

    é muito triste saber que o destino da casa esta na mão de uma pessoa que não entende o valor que este casarão tem para os paulistanos. Passo todo dia em frente o casarão pois trabalho na Alameda, e sempre tive curiosidade de saber o que era esta casa e a quem pertenceu. Hoje estou me sentindo triste pois descobri através desta reportagem que a casa pode vir a ser demolida. Mas vamos torcer para que não seja feita esta crueldade sem tamanho.

    Reply
  • Marcos 15/04/2014 at 20:17

    Está no site da Stan, na seção “futuros lançamentos”

    JARDINS

    ENDEREÇO:
    Rua Pe. João Manoel X Alameda Santos

    TIPO DO EMPREENDIMENTO:
    Comercial

    ÁREA DO TERRENO:
    2.152m²

    NÚMERO DE TORRES:
    1

    METRAGENS:
    40m² a 80m²

    PROJETO ARQUITETÔNICO:
    Botti Rubin

    REALIZAÇÃO:
    Stan

    Reply
  • carlosrossi 29/04/2014 at 22:19

    Trabalho na segurança do Casarão, estamos ali para preservar o local para que não seja invadido por moradores de rua. O imóvel pertence a construtora Stan,que aguarda a autorização para o início das obras de restauração. Foi comprado por 17 milhões há cerca de 5 anos.

    Reply
    • paulo 30/04/2014 at 16:55

      Sr,

      Infelizmente não é isso que diz o site da Stan. Se fosse para restaurar não o deixariam chegar ao estado de abandono que está hoje. Fariam um trabalho de manutenção para depois restaurá-lo e não é esse o procedimento correto que estão executando, deteriorar para em seguida restaurar, seria um absurdo sem tamanho, pois o restauro sairia muito mais caro. Não há sentido nisso. Estão colocando panos quentes para depois executar a demolição.
      A maior probabilidade é de derrubá-lo, não há dúvidas, pois há muito dinheiro investido e como se sabe órgãos como CONDEPHAAT – cujo critérios para avaliação de uma obra é bastante defasado e duvidoso, pois abre brecha para “N” interpretações, acaba por quase sempre impedir um tombamento ou algo similar. Nunca houve estudo sequer para incentivar a preservação de imóveis em São Paulo e com isso os proprietários acabam vendendo para incorporadoras ou construtoras de obras e estas com o corpo jurídico que tem conseguem o alvará para demolição etc -, inclusive a prefeitura de São Paulo (que nunca vê nada) são omissos em boa parte do patrimônio público e histórico e morosos em resolver tais problemas (todos se aproveitam desses vícios para deitar e rolar). Vimos como os fiscais de obras agiram em São Paulo e os que foram pegos não são os únicos inseridos nesse problema crônico. Por isso não vejo com muito entusiasmo o futuro dessa residência. Será apenas mais uma que tombará mediante o poder do dinheiro. Se não o fosse, aquela casa, na Avenida Paulista, em frente ao hospital Santa Catarina, não teria sido demolida e nem a outra, perto da FIESP também.
      Adoraria estar errado, mas os próximos dias dirão.
      Não pertenço a nenhum grupo de preservação ou algo similar (sou admirador do que é bonito e bem feito e que já está escasso na cidade), mas também não sou tão ingênuo em acreditar em tal notícia de restauração, até poque não acreditaria que um segurança, contratado pela atual proprietária (acredito que realmente seja para que não haja invasão), fosse se envolver com tal questão. Desculpe a sinceridade, mas vemos esse tipo de situação ocorrer a todo momento. Virou clichê.

      respeitosamente

      Paulo

      Reply
      • carlosrossi 30/04/2014 at 21:29

        Olá meu caro, agradeço suas explicações, talvez eu esteja mesmo otimista em relação a tais questões, não sei mesmo o que realmente se passa por trás dos bastidores da construtora e muito menos da Prefeitura de São Paulo, de fato há muito dinheiro envolvido e isso é um fator que corrompe o ser humano. Se estão com intenções de demolir o casarão é lamentável, e estão encenando muito pra isso, pois aqui já estiveram várias empresas de restauros para fazerem orçamentos e avaliações…
        Estou torcendo também pela preservação do local.
        Muito grato pelas explicações

        Reply
        • paulo 01/05/2014 at 13:10

          Carlos,

          Peço desculpas da forma que expressei-me, mas foi de pura sinceridade.
          Não sou dono da verdade, apenas expus meu modo de pensar no assunto em questão. Gostaria muito que realmente o imóvel fosse preservado, até porque tal obra (prédio) acabaria ainda mais impactando o já sofrível trânsito na Alameda Santos. Hoje esses laudos de impacto de trânsito são uma verdadeira “balela”, servem apenas para “maquear” as informações para viabilizar a aprovação da obra.
          Pelos inúmeros caso semelhantes a esse é que se leva a pensar que o imóvel terá o mesmo destino de muitos que tombaram por pura negligência dos poderes públicos e lentidão no andamento do processos. Muitas vezes para as construtoras vale mais a pena enfrentar os órgãos públicos quando demolem uma residência e terem que pagar uma sansão/multa ou sei lá o que mais a que esses órgãos impeçam a demolição, pois uma vez no chão não há muito o que se fazer. Por isso muitas dessas demolições ainda são feitas em toque de caixa para que não chame a atenção da mídia podendo gerar assim um problema de mobilização da sociedade. Enfim, os dias virão e assim teremos a certeza do que acontecerá.
          É uma pena, pois não apenas a residência que conta, mas os jardins da residência, o conjunto total da obra. É mais uma pequena área verde que se vai….
          Torço pela preservação, mas sem otimismo.

          att,.

          Paulo

          Reply
        • paulo 01/05/2014 at 13:13

          Carlos, diga-me uma coisa, haveria a possibilidade de eu tirar algumas fotos dessa casa antes dela ruir?
          Gostaria de ter uma lembrança dela mais detalhada…
          Como disse anteriormente, não faço parte de nenhum grupo ou associação. Não sou jornalista e nem blogueiro…apenas gosto dessas coisas.

          att,

          Paulo

          Reply
          • carlosrossi 01/05/2014 at 17:22

            Sim, claro, eu tenho umas 55 fotos da parte interna e um vídeo q eu fiz ontem e que já está no you tube, assista lá:

            https://www.youtube.com/watch?v=pAvBZaDNQPQ

            Se quiser pode anexar no seu blog, ok…

          • paulo 02/05/2014 at 12:36

            Não, eu não sou blogueiro! Não tenho isso não!
            O que eu gostaria é de poder tirar alguma fotos da casa, com minha câmera pau-véio !
            Por isso queria ver essa possibilidade!

          • carlosrossi 02/05/2014 at 20:23

            Estarei no local neste domingo, ok?

          • paulo 04/05/2014 at 14:11

            …acabei indo buscar a minha sogra na praia e acabei de chegar… Poderia ser no sábado que vem?

          • carlosrossi 04/05/2014 at 21:05

            Pode sim…estarei no local

          • Paulo 06/05/2014 at 09:57

            Ok, procurarei ir o mais cedo possível. Até sábado então e grato pela oportunidade única!

            Paulo

          • Paulo 09/05/2014 at 08:58

            Carlos, bom dia!

            Há algum horário em especial para ir aí ou pode ser logo cedo no sábado? A partir de que horas estará no local?
            Outra coisa, há lugar para estacionar aí ou terei que deixar o carro em outro lugar. Dependendo, vou de ônibus mesmo!
            grato

            Paulo

          • carlosrossi 09/05/2014 at 16:07

            Pode ser pela manhã, n dá pra entrar no local com o carro, na rua só é liberado depois das 13 h.

  • Juliana 13/08/2014 at 11:27

    Passei hoje pela manhã na frente desta casa e vi que ela está cercada de placa de ferro. Fiquei muito feliz em ver uma placa onde informava o restauro do imóvel!!

    Reply
  • Jorge Eduardo Fontes Garcia 11/09/2014 at 11:17

    A Casa fez parte do Dote de Dona Cecilia Galvão, dado por seu pai, Carlos Correa Galvão, existindo ainda a carta de doação em posse de sua neta e bisneta, dra. Thereza Christina Vicente de Azevedo Fontes Garcia.
    Pessoas de má fé para evitar a venda da propriedade através de tombamento afirmaram que o Barão da Bocaina ali residiu, uma grande de uma mentira e elas não ganharam nada com isso, graças a Deus, pois a casa foi vendida para Stan, conforme era desejo dos verdadeiros proprietários .

    Reply
  • Laercio Kienbaum 18/09/2014 at 05:02

    Meu pai trabalhou para a familia por muitos anos.Nesta casa ,ele fez muitos serviços de conservação. Me chateia o fato de vê-la “abandonada” e a beira da demolição. Afinal de contas,a bondade das pessoas que ali moraram é dificil de descrever em poucas linhas, sem contar o fato de que toda vez que passo em frente a esta casa lembro-me de meu pai ali trabalhando com alegria, pois a familia o respeitava muito e NOS tratava muito bem.Posteriormente, tive condições de dar uma vida melhor a meu pai, mas mesmo assim, ele negava-se a largar a familia,o que não lhe tirava a razão.
    Com certeza, face a bondade deles, Deus lhes reservou um lugar especial.

    Reply
  • Juliana F. Alves 11/11/2014 at 17:39

    Saudades de passar na frente do meu casarão, há meses não passo por lá, alguém tem alguma notícia???

    Reply
  • anaclaramt 13/11/2014 at 13:16

    só uma pena terem colocado abaixo a parte que informa o ‘não estacione dia e noite’
    tinha passado pra clicar, e foi-se.

    Reply
  • Marcelo 08/07/2015 at 14:09

    Alguém sabe quem é o autor do projeto desta casa?

    Reply
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