Eu costumo dizer que o primeiro inimigo das casas antigas são seus donos. Alguns podem achar a minha afirmação um tanto quanto dura, mas não é nada mais do que a verdade.

Um rápido giro pela cidade e você encontra um grande número de construções de alto valor para preservação que, entretanto, foram desfiguradas pelos seus proprietários que tem a equivocada visão que modernizar e reformar é melhorar.

Segue um conjunto adorável das Perdizes que é um excelente exemplo:

clique na foto para ampliar

Localizadas na Alameda Olga, bem próximas a rua Tagipuru, esse conjunto de casas geminadas – originalmente num total de 11 – eram verdadeiras jóias da arquitetura paulistana oriundas da primeira metade do século 20.

Digo eram porque das onze residências dez delas foram alteradas de alguma forma, perdendo suas características originais para receberem adição de garagens, novas esquadrias, remoção de balaústres etc.

Esta ao menos tem parte da fachada preservada (clique para ampliar)

Posso afirmar categoricamente que das onze apenas duas respiram ares que remetem a arquitetura original. Sendo que a mais original delas, pasmem, é justamente a casa que se encontra fechada e desocupada.

A outra, uma amarela (foto acima), é a única que foi modernizada realmente com bom gosto que conciliou a arquitetura original com a adaptação à necessidade moderna. Teve uma outra (vide galeria no fim deste artigo) que ficou tão descaracterizada que sequer parece que um dia fez parte do conjunto, enquanto outra recebeu a famigerada pintura texturizada, que ao meu ver não acrescenta em nada a fachada de imóveis antigos.

A única fachada 100% original é esta (clique na foto para ampliar)

Estas descaracterizações, tão comuns em nossa cidade, revelam a urgente necessidade da criação de oficinas culturais destinadas a difundir e divulgar a cultura preservacionista, explicando a proprietários de imóveis antigos que ao preservar ele só tem a ganhar.

As prefeituras regionais poderiam ser palco para estas oficinas, com desconto em IPTU aos que aderissem aos projetos.

Confira a galeria dos imóveis citados neste artigo:

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About the author

Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado.

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Comments

  • J.C.Cardoso 05/10/2017 at 12:11

    Falou em desconto em imposto, o Estado declina. Aqui no Rio também é assim. Morar em construção tombada (que acredito que não seja o caso dessas casas) não tem contrapartida alguma para o morador. Isso talvez explique, pelo menos aqui no Centro do Rio, muitas estarem caindo aos pedaços, dada a renda dos moradores da área e o alto custo da fiela manutenção.

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  • Rodrigo Garcia 05/10/2017 at 19:16

    Moro na Alameda Olga e sempre que vejo essas casas penso: Como elas deviam ser lindas no projeto original. Parabéns pelo texto e pelo site.

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  • Jorge Roberto Coelho Ferreira 05/10/2017 at 19:38

    É duro colocar na cabeça da maioria dos donos desse tipo de edificação, que as “modernizações” defraudam o valor do imóvel. Não quero declinar aqui as casas, mas pelo menos umas três, as reformas beiram ao ridículo.

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  • Vania 06/10/2017 at 12:11

    De doer…. A maioria ficou péssima, sem nenhum senso estético. Embora tenha descaracterizado a parte debaixo da construção, para instalar uma garagem, essa com pintura em amarelo ficou legal. Manteve a parte de cima preservada, em especial as janelas e esquadrias, muito bonitas. Esse tipo de peça é de recuperação dificil, é mais fácil e mais barato tirar tudo e colocar uma peça nova e sem graça. Então, louvo o esforço em manter esses elementos.
    Mas enfim, acho que conjuntos de imóveis, que inicialmente tinham a mesma arquitetura, sempre perdem com alterações, quaisquer que sejam elas. Perde-se a estética do conjunto.

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  • Álvaro da Cunha Caldeira 07/10/2017 at 14:58

    Defrontei-me,sob especial emoção, com as fotos aqui expostas, pois morei na Alameda Olga de 1936 a 1957 (números 382, c.4, 360, 397, 300 (durante a conversão de 397 para 391), 391 apto 6. Com 5 anos de idade, convivi com os vizinhos da casa 447, onde minha mãe me deixava quando ia lecionar. Também frequentei, na mesma época, a casa 424, do outro lado da rua. Em frente ao conjunto mostrado, havia a fábrica de instrumentos de corda Tranquilo Gianinni. O busto de seu fundador e proprietário está no cemitério São Paulo. Fico por aqui, já que memórias desses tempos – bons tempos- não me faltam. Abs.

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  • Daniel Pardo 28/10/2017 at 20:49

    Tem casas ai que nem dá pra reconhecer mais.

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