Conheça o mais antigo cemitério de São Paulo

Artigos — Por em 16/03/2009 15:29

Uma Visão do pequeno Cemitério

Texto e Fotografias: Glaucia Garcia de Carvalho

Os cemitérios podem ser considerados como patrimônio histórico cultural uma vez que os restos mortais da pessoa sepultada possui também uma memória coletiva que vai sendo esquecida ao longo dos anos pelos vivos. Toda pessoa possui uma importância histórica já que ela faz parte da sociedade e a mesma está em constante evolução.

O costume de se enterrar os mortos dentro das igrejas perdurou até o final do século XIX. Tal prática causava certos inconvenientes, como o mau cheiro do corpo em decomposição. Porém as únicas pessoas que eram enterradas dentro das igrejas eram os católicos. Quanto mais a pessoa contribuía para a caridade, mais perto do altar ela seria enterrada. A explicação para os enterros dentro das igrejas era muito simples: o morto sepultado dentro igreja, tinha sua alma protegida pelos santos, anjos e, sobretudo por Deus.

Mas, e quem não era católico? Onde eram enterrados?

Vamos voltar ao início do século XIX na antiga e pacata São Paulo de Piratininga: O então professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o alemão Júlio Frank Chegou ao Brasil em 1831 com 22 anos. Foi responsável pela criação da Bucha, uma espécie de organização invisível para ajudar os alunos pobres. Morreu jovem, por conta de uma pneumonia, aos 32 anos. Como não era católico, teria que ser enterrado no Cemitério dos Enforcados, na região do bairro da Liberdade. Os alunos não permitiram e o enterraram no pátio da Faculdade. Hoje seu túmulo é tombado, despertando uma certa curiosidade histórica.

São Paulo estava em constante evolução, um grupo com cerca de 200 imigrantes alemães chegou a São Paulo de Piratininga para trabalhar na colônia agrícola. Concentraram-se no extremo sul da cidade, região de Parelheiros.

O cemitério fora do espaço sagrado já estava virando uma realidade no Brasil. D. Pedro I promulgou uma lei que bania os enterros dentro das igrejas. Neste contexto surgiu à necessidade da criação dos cemitérios, tanto para os católicos, como para os praticantes de outros credos.

O Cemitério de Parelheiros surgiu 30 anos antes do Cemitério da Consolação, em 1827, em terreno doado pelo próprio Imperador D. Pedro I, ativista dos cemitérios a céu aberto, em uma de suas passagens à região, já que a colônia alemã não possuía nenhum espaço destinado aos mortos.

Este povo foi marcante para o desenvolvimento do comércio da cidade como na fabricação de chapéus, fundição de ferro, agricultura e formação de tipógrafos.

Situado próximo a Estrada da Colônia (antiga passagem imperial) o Cemitério de Parelheiros possui em suas raízes a história da colônia alemã paulista.

O cemitério estava completamente abandonado com os muros caídos virando um local cheio de lixo e entulho. Um dos últimos enterros foi de um jovem da década de 70 e não existe um número exato de quantas pessoas estão sepultadas. Até a década de 90 pouca coisa mudou e o seu fechamento foi inevitável em 1996

No ano de 2000 a Associação dos Cemitérios Protestantes assumiu a administração deste espaço mortuário e foi reaberto preservando as características históricas e culturais.

Hoje o cemitério está protegido por legislação de zoneamento e em 2004 foi incluído na ZEPEC (Zona Especial de Preservação Cultural), isto significa que o Cemitério é um atrativo esperando a nossa visita.

Veja algumas fotos do local :

Cemitério da Colônia (Antigo Cemitério Alemão):

Rua Sachio Nakao, 28 – Colônia

São Paulo – SP

Fone: (11) 5921-9808
Fax: (11) 5921-9808


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14 Comentaram

  1. Pedro Paulo Penna Trindade disse:

    Glaucia

    Você já fez algum levantamento das obras de arte dos cemitérios de São Paulo? Sempre tive vontade de fazer isto, com minha câmara. Mas não saí ainda a campo. Sempre tive um olhar voltado para a arte dos monumentos da cidade. Já gritei muito na imprensa em prol da conservação destes. Sou ligado neste perfil artístico.
    Vamos nos falando.

    Pedro Paulo.

  2. Parabéns pela iniciativa, a quem conseguiu erguer esse monumento que e parte de nossa historia.

  3. Pedro Paulo Penna Trindade disse:

    Parabéns a Gláucia Garcia e a Douglas Nascimento, idealizadores do passeio cultural ao cemitério da Consolação realizado no dia 24 de maio de 2009, onde, num verdadeiro museu a céu aberto, os participantes puderam aprender não só a apreciar a arte tumular, como entender o simbolismo das esculturas existentes sobre as sepulturas, a maioria delas esculpidas em mármore e outras fundidas em bronze, da lavra de artistas como Zanni, Brecheret, Leopoldo e Silva, Nicolina Bispo e outros tantos de renome do meio artístico do século passado. Nesse sentido, explicou a prof.ª Gláucia que aquelas obras de arte que decoravam os jazigos, simbolizavam a dor e os sentimentos mais profundos dos que perdiam seus entes queridos. São crianças representadas por anjos, jovens junto de seus instrumentos musicais, a maioria com harpas sem as cordas traduzindo o silêncio do instrumento que não podia mais ser tocado, tal como o silêncio deixado por quem partiu desta vida. Esculturas em bronze em forma de figura feminina trazendo criança ao colo, simbolizando a viuvez, e outras esculpidas em mármore representando figuras de santos, ou de madonas com a cabeça apoiada pelas mãos eram as que mais se viam. Aprendemos ainda que os túmulos erigidos em formato de capela passaram a ser construídos com maior freqüência após a proibição dos enterros dentro das igrejas, justificando tal iniciativa a crença de que os mortos estariam mais protegidos por Deus. Naqueles instantes de aprendizado e contemplação, ficou a certeza de que um dia poderemos estar igualmente sendo visitados por quem nunca nos conheceu, em nome da arte como espetáculo da vida!

    Pedro Paulo Penna Trindade

  4. Parabéns aos idealizadores desse importante passeio cultural, realizado no dia 24 de maio de 2009. Nós do GRUPO MEMORIAL, gostariamos de mostrar os mais modernos cemitérios parques,o Kinkaku-ji,e o maior e mais moderno crematório da América Latina.Por favor visite nosso site: http://www.cemitério.com.br

  5. Rodolfo Grassmann dos Santos disse:

    Sou descendente de alemães e adorei a reportagem. Principalmente adorei saber da existência desse cemitério. Assim que possível farei um visita.

  6. José Luiz Ablas disse:

    Sou descendente de Henrique Schunck o Velho (*1776 – ? ). Há muitos anos vi seu túmulo no Cemitério da Colônia. Depois voltei lá e não mais consegui identificar. A cruz de ferro tinha desaparecido. Você sabe se existe assentamentos de óbito desses alemães? Gostei do seu trabalho histórico e talvez você me dê uma pista. Obrigado, Ablas

  7. Paulo Jubilut disse:

    També
    m tenho ineresse nos registros dos óbitos, na tetativa de localizar meus antepassados.
    Peço quem souber, me avisem.
    Grato
    pjubilut@terra.com.br

  8. leonardo roberto disse:

    eu quero saber onde meus parentes estão mais muito dificiu….
    pois estão divididos em varios cemitérios…
    se alguem quiser me ajudar me add no msn leonardo-201199@hotmail.com
    obrigado!!!

  9. ALDEMIR REIS disse:

    Parabéns pela narrativa dessa história deste belo patrimônio desconhecido por muitos paulistanos.
    Eu conheço bem este cemitério e principalmente o distrito.
    Atualmente estou captando imagens com apoio da subprefeitura de Parelheiros para produção de um documentário sobre a região, destacando seus fatos históricos, biodiversidade natural e cultural e seu grande potencial turistico sustentavel.
    Moro em Interlagos, mas é mais fácil me encontrar em Parelheiros, pois quando não estou filmando a região, estou com amigos percorrendo as trilhas e cachoeiras do lugar, de moto e jeep.
    Ou então passando o dia em uma das Aldeia Indigenas na Vila da Barragem, as margens da Represa Billings.
    Particularmente, Parelheiros é incrível, muita natureza, história e cultura, falta apenas mais carinho e dedicação de nossos políticos para alavancar de vez o turismo na região e oferecer a seus moradores uma fonte de renda sustentável e justa, onde o foco principal é a preservação de toda biodiversidade do distrito e suas histórias.

  10. camila disse:

    O menino ali na 2ª foto, quem é ?

  11. Eloise disse:

    Esse cemitério não tem nada demais, já deram uma voltinha no cemitério aqui de Itu? A cidade tem mais de 400 anos, desde então os túmulos da cidade estão por aqui…

    • Glaucia disse:

      Todos os cemitérios tem sua importância no desenvolvimento das cidades. O caso deste cemitério é peculiar pois antecedeu em 30 anos o então considerado o cemitério mais antigo da cidade, o Consolação. A atual administração conserva as características dos túmulos que possui uma arquitetura peculiar e a história da migração alemã passa por ele.
      O Cemitério da Saudade de Itu é lindo. A entrada é em taipa de pilão possiu vários jazigos da família Pacheco. Uma das celebridades sepultadas é o humorista Francisco Flaviano de Almeida conhecido como Simplício. Quem for visitar Itu, não deixem de dar uma passadinha!!!

  12. estou aprocura deste cemiterio porque em 1973 a minha irma foi enterrada ai com 4meses de idade como indigente, ela saiu do hospital matarazzo a equipe do hospital fez o enterro sem avisar os meus pais.e não deixou eles ver a minha irma morta e nem fazer o enterro por isso eu procuro este cemiterio pra mim ter sertza de que ela foi enterrada mesmo.Onome dela eSIMONE DOMICIANO,eos pais dela chama se ANTONIO TEODORO DOMICIANO E GERALDA FERNANDES DOMICIANO . Depois de 21 anos que eu peguei o certidão de obito dela que foi 17 cartorio do registro civil das pessoas naturais da comarca da capital do estado de são paulo
    (subdistrito da bela vista.gostaria muito que vces me ajudacem a encontrar para tirar as minhas duvidas e da minha mae porque ela acha que ela não morreu,e minha mae fala que tem vontade de ter essa certeza antes dela morrer.

  13. observação meu telefone e 035 3291 5163

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